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O MIS é um método cuja aplicação é realizada por um avaliador especialista em EngSem. Ele não envolve usuários. O avaliador inspeciona a interface e avalia os signos (estáticos, dinâmicos e metalinguísticos) presentes na interface, a partir da perspectiva do perfil do usuário que utilizará o sistema. A partir desta inspeção, identifica ambiguidades e inconsistências que se caracterizam como potenciais rupturas de comunicação que podem dificultar ou, até mesmo, impossibilitar o usuário de utilizar o sistema (DE SOUZA et al.,2006;

3.4. Métodos de Avaliação de Comunicabilidade 109

Sob o ponto de vista da EngSem, o avaliador que inspeciona a interface gera um conjunto de possíveis interpretantes sobre a metacomunicação do sistema (PRATES; BARBOSA, 2007). Logo, não se torna necessário mais que um avaliador, considerando que todos os possíveis caminhos interpretativos gerados por um ou mais avaliadores são plausíveis. A análise por mais de um avaliador pode ser recomendada para se enriquecer a análise com visões distintas e se identificar aspectos em destaque na interpretação da interface. “Em casos de sistemas que envolvem usuários em diferentes papéis (e.g. professor e aluno), cada avaliador poderia ficar responsável por inspecionar a interface sob a perspectiva de um dos papéis.” (PRATES;

BARBOSA, 2007, p. 17).

O MIS envolve uma fase de preparação e de inspeção. Na atividade de preparação, o avaliador deve identificar os perfis de usuários, os objetivos apoiados pelo sistema, definir as partes da interface que serão avaliadas e escrever os cenários de interação para guiar a avaliação. Estes cenários são narrativas que simulam situações reais relacionadas com o perfil do usuário no contexto de uso do sistema.

Para inspecionar a interface, o Método de Inspeção Semiótica (MIS) propõe 5 passos a serem seguidos pelo avaliador: (1) Inspeção dos signos metalinguísticos; (2) Inspeção dos signos estáticos; (3) Inspeção dos signos dinâmicos; (4) Consolidação e contraste e (5) Apreciação da qualidade da meta-comunicação (DE SOUZA et al., 2006). A Figura 3.3ilustra as etapas do MIS:

Figura 3.3 – Etapas de aplicação do MIS

A inspeção é realizada na interface do sistema interativo, numa simulação real de uso. O avaliador deve inspecionar a interface simulando a interação descrita pelo cenário de interação, analisar cada um dos signos (metalinguísticos, estáticos e dinâmicos) e reconstruir a metamensagem correspondente para cada um deles. Ao realizar o processo de inspeção, o avaliador pode utilizar a paráfrase da metamensagem como modelo (template) para ser seguido. A metamensagem deve conter o conteúdo similar ao template apresentado:

“Esta é a minha interpretação sobre quem você é, o que eu entendi que você quer ou precisa fazer, de que formas prefere fazê-lo e por quê. Eis, portanto, o sistema que consequentemente concebi para você, o qual você pode ou deve usar assim, a fim de realizar uma série de objetivos associados com esta (minha) visão.” (DE SOUZA, 2005;PRATES; BARBOSA,2007).

Essa paráfrase é a base para a reconstrução da metamensagem, a partir de um conjunto de perguntas que guiam a inspeção que vai orientar os passos seguintes da inspeção dos signos metalinguísticos, estáticos e dinâmicos.

No passo 1, ao inspecionar os signos metalinguísticos, o avaliador deve buscar infor- mações que podem ajudar a entender como funciona o sistema. São as informações de ajuda on-line, manuais de usuário, materiais de divulgação, instruções ou explicações de uso, avisos, mensagens de erro, tooltips (dicas de uso exibidas em janelas, que surgem ao passar o mouse sobre a imagem ou texto na interface). No passo 2, deve-se identificar e avaliar a comunicação dos signos estáticos. Eles são representados pelos elementos presentes na tela da interface, ou seja, os rótulos textuais, imagens, caixas de texto, botões, menus entre outros. Avançando na interação com o sistema, passo 3, o avaliador deve identificar os signos dinâmicos. Esses são percebidos através de modificações na interface, por exemplo, ao clicar no mouse, teclar enter, mudar o foco de um campo de formulário para outro e demais. Também estão presentes os eventos externos ao sistema (receber um novo e-mail, a conexão com a Internet falhar entre outros). No passo 4, é realizada a consolidação dos resultados no MIS, através do contraste e comparação das metamensagens reconstruídas nas análises de cada tipo de signo. Neste passo, destacam-se as consistências e inconsistências entre as mensagens dos passos anteriores, os problemas de comunicabilidade encontrados são julgados pelos avaliadores e identificam-se as classes dos signos identificadas na inspeção.

Analisando os diferentes tipos de signos nos passos 1, 2 e 3, observa-se que eles não têm o mesmo poder de expressão. Isto é o esperado, já que eles pertencem a diferentes sistemas de significação. Assim, enquanto signos meta-comunicativos podem ser expressos em linguagem natural, os signos estáticos se expressam através de elementos como ícones, textos e botões. Desta forma, não se poderia esperar que as metamensagens reconstruídas fossem idênticas. No entanto, para que a comunicação designer-usuário tenha sucesso, é necessário que elas sejam consistentes (PRATES; BARBOSA,

3.4. Métodos de Avaliação de Comunicabilidade 111

No passo 5, realiza-se a apreciação da qualidade da meta-comunicação. Neste passo, deve-se fazer um relato da avaliação da comunicabilidade da solução de IHC, sob o ponto de vista do emissor da metamensagem, contendo uma breve descrição do método para auxiliar o leitor a compreender como os resultados foram obtidos; a descrição dos critérios utilizados para selecionar as partes da interface inspecionadas. Para cada um dos três tipos de signos inspecionados deve-se informar os signos relevantes justificando sua relevância, as classes de signos utilizados e a versão revisada da metamensagem do designer. Por fim, deve ser feita a apreciação final com a apresentação e explicação da avaliação sobre os problemas de comunicabilidade encontrados, que possam dificultar ou impedir os usuários de entenderem a metamensagem ou interagirem com o sistema de forma produtiva.