6.2 One-dimensional computations
6.2.1 Non-reflecting boundary conditions — the shock-tube . 85
A validade de um indicador deve ser avaliada em relação ao modelo teórico e à confiabilidade dos números calculados (Jannuzzi, 2002). Nesse sentido, um indicador deve possuir obrigatoriamente as seguintes
propriedades: relevância, gradação de intensidade, univocidade,
padronização e rastreabilidade (Tironi et al., 1991; Trzesniak, 1998).
Um indicador, para ser considerado relevante ao modelo teórico, deve retratar um aspecto importante, essencial ou crítico de um processo ou sistema (Tironi et al., 1991; Trzesniak, 1998). Em relação ao IAIF, a literatura aponta essa característica como um de seus pontos fortes pelo fato de reunir os elementos relevantes para o clima de investimento florestal, abrangendo
tanto a produção florestal, quanto a indústria de base florestal, investidores domésticos e internacionais (Castrén et al., 2014). Contudo, existe uma ressalva que para o indicador relacionado à mão-de-obra, que considera no indicador intermediário Qualificação da Mão-de-Obra Geral apenas o número de profissionais com nível superior, desconsiderando a parte dos trabalhadores com curso técnico.
A gradação de intensidade se refere na capacidade que um indicador tem de variar de maneira significativa ao longo do espaço (Trzesniak, 1998). Nesse quesito, os indicadores do IAIF se comportaram de maneira razoável, pois os estados podem ser diferenciados de acordo com os indicadores e pesos utilizados.
Já o conceito univocidade compreende a capacidade do indicador retratar com total clareza um aspecto único e bem definido do processo ou sistema, ou seja, não deve haver indicadores endógenos no modelo (Trzesniak, 1998). Em uma abordagem científica, é muito difícil encontrar indicadores totalmente exclusivos, ou seja, que contenham em si a plenitude de determinada dimensão do modelo teórico, sem apresentar aspectos que inerentes a outras dimensões. Portanto, algum nível de endogenia deve ser esperado entre os campos de ação das variáveis e indicadores, desde que isso não prejudique a análise como um todo (Sellitto e Ribeiro, 2004). Nesse aspecto, o IAIF traz diversos indicadores endógenos.
Entre os indicadores que apresentam endogenia, está a taxa de crescimento do PIB e a Carga Tributária. De acordo com Mueller (2012), o
PIB é a renda interna bruta gerada em um determinado período, que por sua
vez, é igual à soma da renda primária distribuída pelas unidades de produção: salários e ordenados, o montante de renda (alugueis, arrendamentos), de juros, de lucros e de impostos indiretos (menos subsídios) pagos na economia. Portanto, políticas que alterem a performance do Tocantins na taxa de crescimento do PIB podem estar significativamente ligadas ao indicador Carga Tributária. Nesse sentido, a carga tributária poderia ser trocada por um indicador que avalie a taxa de crescimento ou redução dos gastos públicos no estado, conforme discutido em BID (2009b).
Em relação aos indicadores do subíndice INTER Setorial, os indicadores intermediários Infraestrutura de Transportes e Custo de
Transporte Rodoviário para Frete de Madeira em Infraestrutura Econômica Estadual também apresentaram endogenia entre si, pois a
melhoria da qualidade da infraestrutura de transporte acarretaria em uma redução do frente da madeira.
Quanto aos indicadores INTRA Setoriais, o Mercado Estadual de
Produtos Florestais foi o que apresentou endogenia no IAIF. Em seu
cálculo, o indicador relacionado ao tamanho do mercado de produtos florestais nos estados utilizou como proxy o volume de impostos sobre a comercialização de produtos florestais arrecadados pelo estado. Como os impostos sobre a produção não refletem de maneira satisfatória o tamanho do mercado estadual por causa de isenções de impostos, que variam significativamente entre os estados, foram estabelecidos três indicadores intermediários na última edição do índice: “PIB estadual”, “PIB per capita” e “valor da produção de produtos da silvicultura e extração vegetal no estado” (SEBRAE-INAES, 2014).
Os estados, contudo, já são avaliados pelo índice nos quesitos apresentados por meio de outros indicadores: Taxa de Crescimento do PIB, Infraestrutura Social e Recurso Florestal. Neste último, ressalta-se que não é utilizado o dado relacionado ao valor de produção, mas o volume de produção correspondente. Assim, este sombreamento é minimizado, pois o mesmo volume produção pode ser remunerado diferentemente pelos estados, corroborando para este argumento, o fato do Tocantins apresentar um volume expressivo de sua produção florestal de baixo valor agregado em decorrência da ausência de uma indústria de base florestal consolidada no estado (STCP, 2013).
A padronização significa que a geração do indicador obedece uma norma, um procedimento ou protocolo único, bem definido e estável com o passar do tempo (Tironi et al., 1991; Trzesniak, 1998). O IAIF apresenta transparência quanto à forma de cálculo, além de estar disponível para o uso do público em geral atendendo a este critério.
Além das propriedades obrigatórias mencionadas, existem outras desejáveis a um indicador: amplitude, portabilidade e invariância de escala. Essencialmente, essas três características dizem respeito a aplicabilidade a outras situações diversas daquela para a qual foi inicialmente concebido, sem
que perca a sua validade, o seu significado, a sua fidedignidade relativa à informação que retrata. Dessa forma, as propriedades desejáveis de um indicador costumam resultar em aperfeiçoamentos em sua obtenção e conceituação (Tironi et al., 1991; Trzesniak, 1998).
A amplitude de um indicador aumenta quando nova aplicação do indicador corresponde a processos ou sistemas de natureza diferente, porém dentro da mesma área do conhecimento na qual o indicador é usualmente empregado. Por sua vez, portabilidade significa que o indicador pode ser estendido com sucesso para o estudo de sistemas ou processos de outras áreas do conhecimento contíguas a alguma em que ele funcione adequadamente. Por fim, a invariância de escala está presente quando o indicador mantém sua validade e interpretação, mesmo que as dimensões do processo ou sistema examinado sejam acentuadamente diferentes (Tironi et al., 1991; Trzesniak, 1998).
No caso do IAIF, sua metodologia compreende indicadores que podem ser úteis para a área de agricultura, por exemplo, como sugerido em Nascimento (2012) e em FAO (2013). Da mesma forma, o índice fornece informações sobre setores da economia externos ao florestal e, por isso, seus indicadores podem ser utilizados em outros contextos. Portanto, os indicadores do IAIF têm condições de atender aos critérios de amplitude e portabilidade.
Em relação à invariância de escala, foi observado que os indicadores que compõem o IAIF utilizam dados absolutos para ordenar os estados, de modo a evitar favorecer estados que possuam um universo amostral menor, o que poderia ocorrer, por exemplo, se fosse utilizado um indicador que avaliasse a porcentagem da população economicamente ativa que tivesse mestrado. Neste caso, populações menores tenderiam a apresentar números mais expressivos justamente por causa de seu tamanho.
Contudo, o indicador Licenças e Autorizações, embora não utilize dados relativos, apresenta a tendência de favorecer os estados que possuam uma população e uma máquina pública menor, os quais teriam mais chances de apresentar números melhores do que estados mais populosos. Um exemplo disso é o estado de Alagoas, que, em decorrência de seu tamanho, tende a levar menos dias para registar empresas do que São Paulo.