Segundo Assaf Neto (2012), as decisões envolvidas em um investimento são fundamentalmente voltadas para o futuro e devem considerar os riscos e potenciais retornos das atividades. No caso das florestas, é necessário decidir o quanto produzir (tamanho da área), como produzir (espaçamento e manejo) e para quem produzir, ou seja, para energia, celulose, serraria, entre outras finalidades (Simioni e Hoeflich, 2006).
Além do risco sistemático, devem ser levados em consideração aspectos relevantes do investimento florestal para compreender a risco não sistemático, que é inerente a própria atividade4. Toppinen et al. (2010) afirmam que a eficiência do investimento florestal passa pela identificação e compreensão de suas fontes de risco.
Primeiramente, deve-se lembrar que a produção florestal como um todo está inserida no agronegócio, caracterizado como uma atividade complexa e vulnerável sujeita a diversos fatores climáticos e, especificamente, às condições edafoclimáticas, topográficas, incidência de pragas e doenças (Harzer et al., 2012). De acordo com Silva et al. (2012), o investimento florestal possui alguns atenuantes quanto ao risco ambiental, ao contrário de culturas agrícolas, pois florestas são extremamente resilientes quanto a situações ambientais adversas, apresentando desde danos suaves a não permanentes (Garner e Brittain, 2012).
Garner e Brittain (2012) citam como fonte de risco a volatilidade dos preços dos produtos florestais, que variam de acordo com o comportamento da demanda e oferta assim como ocorre com qualquer commodity. Em relação à demanda, o setor de construção civil e habitação é um dos responsáveis pela maior parte da demanda por madeira serrada de alto valor. Logo, qualquer enfraquecimento significante de longo prazo no setor de habitação é capaz de resultar em diminuição nos rendimentos dos investidores (Healey et al., 2005).
Nesse sentido, por exemplo, durante a recente crise econômica de 2009, a demanda por produtos de madeira foi afetada com a crise, que reduziu as atividades econômicas, especialmente os investimentos em construção civil. Como resultado, a demanda por madeira foi reduzida, afetando drasticamente as indústrias florestais (Tomaselli e Hirakuri, 2012).
Outra fonte de risco relacionada à demanda é a influência dos bens substitutos. De acordo com Healey et al. (2005), embora a madeira continue a ser um dos principais componentes da construção civil, avanços !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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"Risco"pode"ser"definido"como"“a"capacidade"de"se"mensurar"o"estado"de"incerteza"de"uma"decisão" mediante"o"conhecimento"das"probabilidades"associadas"à"ocorrência"de"determinados"resultados"ou" valores”"(Assaf"Neto,"2012,"p."258).""
tecnológicos tornaram possível diminuir a quantidade e a qualidade da madeira utilizada em estruturas. Aliado a isso, também está o uso mais eficiente da tecnologia pelos usuários finais, acarretando em diminuição da demanda por madeira também por eles.
Em relação à oferta, identifica-se um número crescente de regiões que se tornaram viáveis na produção e transporte de produtos florestais para os principais mercados ao redor do mundo (Healey et al. (2005). Acrescentam- se, ainda, os custos de implantação e operação de um projeto florestal, tais como: combustível, maquinário, mão-de-obra e outros insumos (Garner e Brittain, 2012). Esse aspecto é amplificado na atividade florestal, pois conforme citam Silva et al. (2012) e Korhonen (2012), a atividade florestal ocorre em grande escala, o que aumenta a responsabilidade na tomada de decisão. Esse argumento é confirmado por Carvalho et al. (2005), que também destacam o alto custo econômico de implantação do projeto florestal. Scholtens e Spierdijk (2007) apontam para a falta de transparência na apresentação desses custos ao investidor como um agravante.
Os riscos ao investimento florestal também podem ser decorrentes da localização geográfica dos projetos florestais. Boa parte das regiões propícias para o desenvolvimento dos plantios florestais geralmente está localizada em países emergentes ou regiões não consolidadas, que não possuem infraestrutura adequada (Garner e Brittain, 2012). Com isso, o custo do projeto pode ser mais elevado em alguns países e regiões, mesmo com ampla disponibilidade de recursos naturais.
Uma fonte de risco bastante abordada na literatura sobre investimentos é a baixa liquidez do ativo florestal. Até que uma floresta atinja a idade de corte, assuntos pessoais, tais como: desemprego, casamento, divórcio, doença, entre outros, podem afetar a renda e o poder aquisitivo do investidor, fazendo com que ele queira mudar de aplicação (Scholtens e Spierdijk, 2007). Além disso, a falta de liquidez do investimento florestal está ligada, tanto a um universo limitado de compradores da floresta, quanto a uma grande quantidade de tempo necessária para realizar as negociações e concretizar uma transação (Healey et al., 2005; Garner e Brittain, 2012).
O caráter de longo prazo de um investimento florestal também é considerado um dos elementos centrais para a tomada de decisão na
atividade florestal. O extenso horizonte temporal não permite que instrumentos para agregar valor à produção e permitir o acesso da madeira em mercados que remunerem melhor, como a certificação, tenham a garantia de sua manutenção até o corte das árvores. Também é importante ressaltar que, durante o processo de desenvolvimento da floresta, vários fatores podem impactar a qualidade da madeira, reduzindo o retorno do investimento florestal. Portanto, o longo prazo é capaz de amplificar os efeitos de todos os determinantes citados até agora, tornando o investimento suscetível às variações cambiais, mudanças de legislação, políticas macroeconômicas, ao clima, entre outros, por mais tempo.
Além do longo horizonte temporal, Carvalho et al. (2005) apontam outras características do investimento florestal que podem se traduzir em riscos: o problema da escolha de taxa de juros a ser utilizada, dificuldade na obtenção de informações corretas, presença de externalidades e bens públicos, entre outras.
Assim como em todo projeto de investimento, o ativo florestal está sujeito a falhas metodológicas em sua implantação e operação, caracterizando o risco de projeto. Entre os tipos de falhas em projetos florestais, estão: escolha equivocada das espécies para plantio ou exploração, falhas no preparo do solo e fertilização, escolha errada dos tratos silviculturais, entre outros. Com isso, o rendimento obtido com o desenvolvimento da floresta pode divergir significativamente do retorno esperado com o projeto. De acordo com Garner e Brittain (2012), a abordagem metodológica adequada em um projeto florestal é capaz de diminuir substancialmente a maioria dos riscos do investimento florestal.
Portanto, os investimentos florestais ocorrem na expectativa de se obter retornos financeiros sobre o valor pago pelo ativo. Nesse sentido, dado o risco constante, quanto maior a taxa de retorno esperada de um empreendimento florestal, comparada às alternativas disponíveis, maior será o nível de investimento no setor (Santana e Nascimento, 2012).
Além da natureza do investimento florestal, como as características do ativo que conferem o retorno financeiro e o perfil dos riscos associados, existem outras condições externas, conhecidas por clima de investimento, que são importantes para a tomada de decisão dos investidores, pois afetam
o fluxo de custos e receitas do projeto de investimento e, consequentemente, sua rentabilidade (Nascimento, 2010; Nascimento, 2012a).