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Nokre hovudlinjer – eit samandrag

Kapittel 6: Avslutning og konklusjon

6.1 Nokre hovudlinjer – eit samandrag

A identidade profissional está vinculada à identidade enquanto ser social. A identificação profissional é como nos reconhecemos na vida em sociedade e sempre é mencionada, logo que nos apresentamos a alguém. Quem sou eu? O que faço? Também se observa que “os modos de produção da identidade, como categoria histórica, social e política, estão profundamente relacionados com o movimento da história (...)”. (MARTINELLI, 2000, p.18).

Verifica-se, nas histórias profissionais, o sentido ontológico do trabalho. As histórias narradas nos mostram que os trabalhadores precisam de um sentido para planejar o futuro, adquirir um propósito em seu dia a dia, por meio das atividades desenvolvidas no âmbito profissional que os levem a sentir-se útil.

Com base no conceito de Martinelli (2009, p. 10) também apreendemos a identidade atribuída: “(...) como identidades que decorrem de circuitos externos às próprias profissões”. Por serem construções exteriores à própria profissão, as identidades atribuídas rompem com os princípios de autonomia e visibilidade, tornando muito árduo, quase mesmo impossível, o processo de reconhecimento profissional, o que acaba por favorecer o adoecimento do trabalhador.

O desafio que se coloca, presentemente, é entender como se dá a reconstrução da identidade profissional dos trabalhadores que, de repente, rompem com seu trabalho e passam pelo processo de reabilitação. Recorre-se à referência teórica da Psicologia Social Crítica através de Ciampa (2006), que compreende a identidade

(...) como um processo de metamorfose permanente, cuja dimensão temporal envolve diferentes momentos. Assim, o presente é o momento em que, por exemplo, alguém se reconhece como um adulto que pode falar da criança que foi no passado – sua história de vida – e também do velho que gostaria de ser no futuro – seu projeto de vida – como forma de falar de si mesmo. (apud PACHECO; CIAMPA, 2006, p.164).

A partir das histórias de vida e profissional, verifica-se como os sujeitos da pesquisa conseguiram reconstruir sua identidade profissional, a partir de novas experiências profissionais, desvendadas no cotidiano de suas vidas, superando as perdas advindas com o adoecimento e recomeçando em novos modos de vida. Em um movimento dinâmico, constroem e reconstroem-se com suas experiências.

Para entender a identidade profissional recorre-se à matriz de análise utilizada por Martinelli (2009) que define o que é Identidade Profissional Construída e Identidade Profissional Atribuída, trazendo algumas categorias de análise: Autonomia, Visibilidade, Subalternidade e Opacidade, as quais estão contidas nas dinâmicas profissionais estudadas facilitando o entendimento de como se deu a reconstrução das identidades profissionais, após o processo de reabilitação profissional (Quadro 13).

Quadro 13 – Quadro matricial da identidade profissional

IDENTIDADE PROFISSIONAL CONSTRUÍDA

O que é Identidade Profissional

• Síntese dialética entre os modos de ser e de aparecer socialmente, das profissões, expressando as respostas construídas profissionalmente, em diferentes momentos históricos, para atender às demandas que incidem em seu campo de ação.

• Elemento definidor da participação das profissões na divisão social do trabalho e na totalidade do processo social.

O que produz

Autonomia Visibilidade

• Reconhecimento profissional e social.

• Participação na divisão sociotécnica do trabalho. • Profissionalização.

• Possibilidade de interlocução com demais áreas profissionais.

• Possibilidade de realização de práticas com autonomia.

• Visibilidade da área de ação profissional e de sua perspectiva operacional.

• Visibilidade da forma social de aparecer das profissões, mediatizada pelas respostas construídas profissionalmente para atender às demandas que incidem em sua área de ação.

• Maior congruência entre a forma do ser e a forma de aparecer das profissões.

Quadro 13 – Quadro matricial da identidade profissional

IDENTIDADE PROFISSIONAL ATRIBUÍDA

O que é Identidade Atribuída • Identidade que decorre de circuitos externos às profissões.

• Identidade que não opera com a totalidade do processo social.

• Identidade visualizada como dada, pressuposta, preestabelecida.

• Identidade distanciada do processo histórico e esvaziada de substancialidade política.

O que produz

Subalternidade Opacidade

• Ausência de reconhecimentos profissional e social. • Ausência de visibilidade quanto à identidade profissional.

• Fragilização e despolitização das ações profissionais. • Perda de consistência e rigor da prática profissional. • Produção de práticas marcadas pela heteronomia.

• Indeterminação quanto à posição da profissão na divisão social do trabalho.

• Ausência da visibilidade quanto à configuração e ao alcance da prática profissional.

• Práticas restritas, de pequeno alcance, fragmentadas, residuais e dissociadas da prática social.

• Práticas reiterativas, reificadas, sem afinidade com o momento histórico e com a realidade social, incapazes de expressar o modo de ser das profissões.

Fonte: Texto de apoio didático, revisto e atualizado em set. 2009 por Maria Lúcia Martinelli.

À luz do quadro matricial da identidade profissional, são esclarecidos conceitos fundamentais para pensar as identidades profissionais como “(...) construções sociais essencialmente dinâmicas”. (MARTINELLI, 2009, p.12). De acordo com a dinâmica das identidades, considera-se o processo de metamorfose constante onde estão contidos os movimentos recíprocos e contínuos de interação. (PACHECO; CIAMPA, 2006).

Nesse sentido, as identidades profissionais construídas ao longo de histórias profissionais iniciam um processo de reconstrução a partir da perda da capacidade laboral do trabalhador em virtude do adoecimento ou do desligamento de sua função habitual, que resultam em mudanças e novos modos de vida. Enfim, tudo depende “(...) do significado social e do sentido pessoal que uma determinada identidade adquire (...)”. (PACHECO; CIAMPA, 2006, p. 164). Uma vez que se inicia um processo de reabilitação profissional que leva a uma nova posição da profissão na divisão social do trabalho que expressam um novo

modo de ser, os sujeitos podem expressar sentidos diferentes de sua vida e novos projetos de trabalho, reconstruindo suas identidades profissionais.

Nas frases mais significativas dos sujeitos da pesquisa, percebem-se os movimentos da identidade que ocorrem na dinâmica das construções sociais dos trabalhadores, através das aproximações de seus processos históricos no serviço público, antes, durante e após a reabilitação profissional, processo em que se dá a construção e reconstrução da identidade profissional, em movimento no processo de reabilitação. Para melhor visualizar, no Quadro 14 apresenta-se o cruzamento frases significativas, conforme categorias de análise de identidade construída e atribuída, considerando que “(...) identidades, por sua natureza essencialmente dinâmica, criam-se e recriam-se continuamente no fértil terreno das diferenças, das diversidades, num verdadeiro jogo dialético (...)”. (MARTINELLI, 2009, p.9).

Quadro 14 – Cruzamento de frases significativas considerando as categorias de análise de identidade construída e atribuída

IDENTIDADE PROFISSIONAL CONSTRUÍDA

Autonomia Visibilidade

• Reconhecimento profissional e social.

"O serviço público ficou um pouco a desejar, principalmente na questão do salário e na questão de você ser reconhecida pelo seu trabalho."

• Profissionalização.

"Não tinha nenhuma capacitação."

• Possibilidade de interlocução com demais áreas profissionais.

"Chegava na direção da escola, era bloqueada, não pedia ônibus, eu tinha que fazer tudo por minha conta, com o aval dos pais. E aí eu me decepcionei com a educação a nível municipal."

• Possibilidade de realização de práticas com autonomia.

"Não tem uma certa liberdade para estar criando alguma coisa."

• Visibilidade da área de ação profissional e de sua perspectiva operacional.

"Você não cria uma autonomia, você não cria uma identidade como professor."

• Visibilidade da forma social de aparecer das profissões, mediatizada pelas respostas construídas profissionalmente para atender às demandas que incidem em sua área de ação.

"Nunca ninguém perguntou, pelo menos para mim, que tipo de curso eu queria fazer. Simplesmente vinha uma relação de cursos, e aí você vai fazer esse."

• Maior congruência entre a forma do ser e a forma de aparecer das profissões.

"Porque o servidor público, quando ele chega nesse estágio, ele não é visto como funcionário, ele é visto como um funcionário que está dando um problema."

Quadro 14 – Cruzamento de frases significativas considerando as categorias de análise de identidade construída e atribuída

IDENTIDADE PROFISSIONAL ATRIBUÍDA

Subalternidade Opacidade

• Ausência de reconhecimento profissional e social.

"Me sentia inútil."

• Ausência de visibilidade quanto à identidade profissional.

"Quando eu comecei minha faculdade, eu tinha um objetivo, uma trajetória e, de repente, tudo isso caiu por terra e, aí, o que eu faço, por onde eu começo, como eu faço?"

• Fragilização e despolitização das ações profissionais.

"Coisas que funcionários acabaram fazendo, coisas que não condiziam com o lado humano."

• Perda de consistência e rigor da prática profissional.

"Você tem uma concepção de aprendizagem, não tinha valor."

• Produção de práticas marcadas pela heteronomia.

"Você não produz conforme você está pensando, você produz conforme alguém te comanda."

• Indeterminação quanto à posição da profissão na divisão social do trabalho.

"Hoje, eu me sinto apenas um objeto dos governantes, para passar o que eles querem passar para a sociedade."

• Ausência da visibilidade quanto à configuração e ao alcance da prática profissional.

"Assim, o trabalho tinha perdido o sentido, de todos os anos que achei que tinha sido produtiva, eu acabei achando que não tinha mais."

• Práticas restritas, de pequeno alcance, fragmentadas, residuais e dissociadas da prática social.

“A gente é assim um tipo tapa-buraco."

• Práticas reiterativas, reificadas, sem afinidade com o momento histórico e com a realidade social, incapazes de expressar o modo de ser das profissões.

"Eu acho que isso é uma opressão, que, depois de um certo tempo, você não aguenta mais."

Legenda:

Categorias de análise Martinelli (2009). In: Martinelli (2005).

Frases significativas dos sujeitos da história oral.

Fonte: Texto adaptado pela pesquisadora com base na história oral e no texto de apoio didático, revisto e atualizado em set. 2009, por Maria Lúcia Martinelli.

As frases identificadas e organizadas no Quadro 10 nos permite traçar um caminho em um movimento dinâmico e dialético, que possibilita o entendimento de como foram reconstruídas as identidades profissionais estudadas.

Ao lembrar a função anterior à reabilitação, a Merendeira - 14 relata:

(...) chega alguém a gente bate- papo, se não eu fico sozinha. E eu gostava, porque a gente trabalhava sempre em bastante gente, em equipe, e era muito bom. Eu sinto saudades, sabia. Eu sinto muitas saudades, nossa, como eu sinto saudades. E eu falo: Ora, gente, é um tempo tão bom, que não volta mais. Tudo passa, né, tudo passa, mas eu adorava trabalhar como merendeira, eu gostava muito. (Merendeira - 14, depoimento colhido em outubro de 2012).

A Merendeira 7 também demonstra o quanto significava sua antiga função: Gostava

muito, sempre gostei de ser merendeira. (Merendeira – 7, depoimento colhido em outubro de 2012). Segue-se outro depoimento, que expressa a identidade com o cargo exercido. Eu

sempre gostei da minha função, merendeira, só que infelizmente eu queria estar lá do que aqui, eu acho que ia produzir ainda mais. Só que infelizmente não tenho condições. (Merendeira – 16, depoimento colhido em outubro de 2012).

Ambos os relatos, durante as entrevistas, foram carregados de muita emoção, todas demonstraram muito afeto pela função anterior, como se a identidade como ser social estivesse ligada à profissional, representada pela função anterior. O trabalho anterior tinha um sentido além da subsistência, um sentido de sentir-se útil para a sociedade.

Ao lembrar a função anterior à reabilitação, as professoras relatam:

Importante quando o trabalho é na área da educação, na saúde, duas vertentes importante da sociedade. A educação, porque você está trabalhando com famílias, com crianças, está nascendo através da gente um processo de conhecimento de estrutura familiar, tudo envolve. (Professora – 5, depoimento colhido em outubro de 2012).

Olha, eu gostava muito de ser professora, eu exerci a função de professora por muito tempo eu me identificava muito com ela, ainda tem momentos que eu penso nela, lembro-me dela, me identifico muito com ela, mas que sei que hoje não tenho condições de realizá-la, entendeu. Gostava muito dela, com a relação das crianças, e principalmente do retorno, porque com crianças você trabalha e você tem o retorno, você não tem o reconhecimento como salário, mas tem o reconhecimento dos alunos e seus familiares, da comunidade, isso faz falta. (Professora – 10, depoimento colhido em outubro de 2012).

Eu gostava. Gostava muito e a época em que eu adoeci, eu estava fazendo o curso superior, então, eu acabei concluindo o curso já assim com problema de saúde bem agravado. Mas eu gostava muito. Mas eu volto naquilo, eu voltei a estudar, tinha criança pequena, porque a gente tinha intenção de fazer aquilo e mais alguma coisa, dentro da área da educação. (Professora - 6, depoimento colhido em novembro de 2012).

Ambas as professoras demonstraram, em suas entrevistas, a questão da responsabilidade com as crianças. Apresentam demasiada preocupação com a área da educação, com a sociedade, como se o dever enquanto cidadã não estivesse sendo cumprido por elas ao adoecer. Diferente da questão da afetividade apresentada pelas merendeiras, do cuidar e do afeto ligado à atenção primária das crianças, ou seja, o ato de alimentar, o professor frisa o educar para construir uma sociedade melhor.

Outro aspecto é a questão da perspectiva profissional. Um professor que deixa a sala de aula deixa também as oportunidades de seguir uma carreira no serviço público, como ser um coordenador pedagógico, um supervisor pedagógico ou um diretor de escola, ou seja, as alternativas de ascensão profissional disponibilizadas para os professores do serviço público municipal.

A identidade profissional do professor, construída em anos de estudo e tempo de experiência em sala de aula, já não é mais relevante no momento do adoecimento, pois é necessário priorizar a saúde. Com algumas características semelhantes à função dos professores de ensino fundamental, temos as monitoras de CEC.

Ao lembrar a função anterior à reabilitação, as monitoras relatam:

Amava. Fiquei, um tempo atrás, muito chateada, muito triste, porque, na verdade, o que aconteceu, é que meu trabalho era com crianças. (Monitora - 14, depoimento colhido em outubro de 2012).

Eu me identificava muito com aquela pessoa, função, que eu exercia, além de gostar muito, eu me envolvia com aquilo ali, eu achava muito valioso aquilo que eu fazia hoje. É gostoso ver seu trabalho fluir, é gostoso. Então, ali, eu às vezes tão cansada, com vários problemas de casa, e eu me envolvia tanto com aquilo, que eu esquecia, era muito valioso para mim. (Monitora – 19, depoimento colhido em novembro de 2012).

Continuando, a Monitora – 20 retrata a antiga função e seu adoecimento: Então, antes,

eu realizava com muita vontade, daí fui adoecendo, pelo sistema que a gente tinha. (Monitora – 20, depoimento colhido em outubro de 2012). Ambos os relatos das monitoras também demonstram que sentiam falta das crianças e a preocupação com a área da educação, com a sociedade, porém, diferente dos professores, que apresentavam desgaste mental, também passavam um desgaste físico. As monitoras se sentiam mais aliviadas, em deixar a antiga função, e essa questão pode estar relacionada ao fato de não terem a mesma perspectiva profissional de um professor.

De qualquer forma, em todos os relatos dos sujeitos de pesquisa, as narrativas apresentam em comum a forma como se identificavam com o trabalho que realizavam antes do adoecimento. Outro fator comum em suas histórias é a falta de reconhecimento profissional dos anos de trabalho antes do adoecimento, ao passarem pelo processo de reabilitação e terem que aceitar mudança de função. Considera-se que esse processo movimenta os elementos identitários construídos: (...) me vejo assim uma pessoa que fez,

esforcei e hoje vejo todo o meu esforço ir para a lata do lixo. (Monitora – 19, depoimento colhido em novembro de 2012).

Para explicar o processo de movimento da identidade dos sujeitos, recorre-se ao esclarecimento de Rosenfield (2009, p. 173), que explica: “(...) o trabalho mantém sua função de elemento fundamental na construção da identidade. Como realização pessoal, significa a possibilidade de obter um retorno identitário capaz de contribuir à construção de um sentido”. Ou seja, o trabalho realizado durante anos atuando no serviço público é um elemento fundamental para a construção da identidade profissional desses trabalhadores, e ao não obter um retorno identitário desses anos de trabalho, durante a reabilitação, capaz de contribuir para a reconstrução da identidade profissional, acabam por expressar sentimentos de frustração, pois necessitam dar sentido às novas possibilidades de trabalho.

Assim, ao iniciar o processo de reabilitação, há o desligamento da antiga função, o que gera um sentimento de frustração, no sentido de interromper uma trajetória profissional e lançar-se a um destino ainda desconhecido. Uma vez que a reabilitação é um processo de reconstrução de identidade profissional, em que é preciso ocorrer a aceitação de uma nova condição de vida, a partir da limitação profissional imposta pelo adoecimento. O processo pode levar meses, anos ou não ser concluído, ou seja, alguns trabalhadores não conseguem voltar ao mercado de trabalho. O objetivo da reabilitação é o retorno à atividade laboral, de modo a conciliar as necessidades desses sujeitos às características de sua nova função, evitando a aposentadoria precoce e a exclusão do mercado de trabalho.

No caso específico do serviço público, a inserção é garantida por serem concursados o que garante a estabilidade do emprego, quando finalizado o processo de reabilitação.

Alves (2013, p. 117) aponta três atributos fundantes e fundamentais da pessoa humana que norteiam a compreensão da identidade profissional do estudo em questão. São eles: individualidade; subjetividade e alteridade. E também traz a ideia de que “(...) o movimento do capital enquanto disseminação do trabalho estranhado nas condições de sua crise estrutural corrói os atributos ontogenético da pessoa humana”,ou seja, consome os atributos adquiridos no processo histórico de desenvolvimento e aprendizagem do ser social.

Alves (2013, p. 118) ainda aponta que “o homem como indivíduo pessoal é único. Na verdade, cada individualidade humana preserva em si uma biografia social e um acervo de experiências singulares que constituem sua identidade humano-pessoal. (...)”. Para entender como é importante preservar a identidade profissional dos trabalhadores adoecidos, é

necessário primeiro acessar sua biografia social e suas experiências, pois “(...) cada individualidade humana conserva em si e para si uma história de vida/história de trabalho. (...)”.

Dependendo do tipo de limitação, as atividades simples cotidianas se tornam complexas, como conseguir utilizar o transporte público, atividade que, para alguns reabilitados, se torna um desafio e acaba impulsionando a criação de mecanismos de superação para resgate de sua mobilidade. Durante a reabilitação, redescobrem-se com novas habilidades nas relações construídas no cotidiano. “(...) a identidade é percebida como estática, parecendo não sofrer modificações, ela está sendo transformada à medida que, através de minhas ações, eu ‘reponho’ aquilo que a sociedade ‘põe’ como certo (...)” (PACHECO; CIAMPA, 2006, p.164).

A identidade profissional é construída nas relações de trabalho e envolve significados e sentidos desse trabalho, ao longo da trajetória profissional do sujeito. O homem é um ser social que se transforma e transforma a natureza, por meio do trabalho, que ocupa um valor central, no cenário cotidiano das relações na sociedade. Conforme Antunes (2009), como elemento ontologicamente, essencial e fundante.

Para Lara e Althaus (2010, p. 212):

(...) o trabalho é entendido como forma de sobrevivência. O trabalho além da manutenção das necessidades consiste na valorização, reconhecimento e perspectiva de um futuro melhor. (...) trabalhar é sentir-se útil, é uma forma de superar as deficiências físicas e superar os próprios limites. A ideologia dominante é absorvida pelas classes subalternas de tal forma que eles se julgam improdutivos e ineficientes, nesse sentido precisam provar a todo o momento que eles podem e conseguem ser uteis à sociedade.

O trabalho tem um sentido maior do que apenas a subsistência. Com o trabalho, o homem se reconhece como parte integrante da sociedade. Cria possibilidades de ser reconhecido por meio daquilo que produz, pois, como coloca Antunes (2009, p. 91): “[...] uma vida desprovida de sentido no trabalho é incompatível com uma vida cheia de sentido fora do trabalho”.

Nesse sentido, a interrupção do trabalho afeta tanto a materialidade dos trabalhadores, em sua forma de ser, como a sua esfera mais subjetiva, que envolve valores, sentimentos e relações sociais, em busca de discutir a importância da reconstrução de sua identidade

profissional no processo de retorno ao mercado de trabalho, uma vez que afeta outros aspectos da vida.

Dessa forma, ao ser impossibilitado de executar as tarefas diárias, o trabalhador é afetado também em outras dimensões de sua vida, influenciando as suas relações com outras pessoas, uma vez que o trabalho se constitui em uma parte importante da vida humana.

A identidade profissional está relacionada à nossa identidade social, pois passamos muito tempo no trabalho, e quando pensamos em nossa identidade, logo a associamos à nossa profissão. O trabalho ocupa um valor central em nossas vidas (ANTUNES, 2009) e a inserção