Kapittel 3: Teori og omgrepspresentasjon
4.1 Reformarbeid og seksjonsutvikling
4.1.5 Evaluering og refleksjon – nyplanlegging
A pergunta guia que norteia esta pesquisa: Como as relações sociais construídas no cotidiano dos trabalhadores reabilitados influenciam na reconstrução de sua identidade profissional, remete a uma hipótese: A reconstrução da identidade profissional do reabilitado é uma possibilidade de resistência para manter-se como trabalhador na sociedade contemporânea, a partir do reconhecimento do papel central do trabalho em sua vida. Nessa perspectiva, surgiram os objetivos (Quadro 4).
Quadro 4 – Objetivos que norteiam a pesquisa
Objetivos
Geral
Analisar o processo de reabilitação profissional e as repercussões na identidade profissional do trabalhador reabilitado
Específicos
Analisar o significado do trabalho a partir das experiências vivenciadas pelos sujeitos durante sua trajetória profissional e aprofundar o conhecimento sobre as mudanças no mundo do trabalho Analisar as relações construídas no cotidiano dos trabalhadores reabilitados e como o modo de vida influencia na reconstrução da identidade profissional
Analisar se durante o processo de reabilitação o trabalhador considera-se respeitado quanto à preservação de suas experiências e capacidades e não apenas as limitações decorrentes do acidente ou doença adquirida
Com base nos estudos preliminares do levantamento organizado, diante dos dados já apresentados e dos objetivos mencionado no Quadro 4, ocorreu a escolha dos nove sujeitos a serem entrevistados, a partir de alguns critérios estabelecidos para melhor delimitar tal opção: Ser concursado como servidor público da Prefeitura de Piracicaba e ter concluído o processo de reabilitação pelo Programa de Reabilitação Profissional, no período de 2006 a 2011, em exercício de função;
Exercer cargo entre os três primeiros que apresentaram maior incidência de adoecimento levando a reabilitação de 2006 a 2011;
Prioritariamente, estar entre os sujeitos com mais tempo de trabalho no serviço público;
Prioritariamente, estar entre os sujeitos que passaram pelo processo de reabilitação profissional e há mais tempo estão exercendo outra função divergente de seu cargo de origem.
A matriz de análise está apoiada na teoria social de Marx, em que o micro e o macro dialogam no cotidiano das relações sociais dos trabalhadores reabilitados, sustentada pelas formulações teóricas de autores marxistas acerca da vida social e o mundo do trabalho.
A pesquisa procura evidenciar a centralidade do sujeito e sua preservação no processo de reprodução de sua história, numa perspectiva de totalidade das suas relações como ser social.
A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (MINAYO, 2001, p. 21-22).
Optou-se por estabelecer um diálogo com os sujeitos da pesquisa que permitisse aprofundar o estudo em questão expressando a totalidade das questões abordadas.
A partir das experiências desses sujeitos, analisou-se seu modo de vida, ou seja, as relações sociais construídas no cotidiano dos trabalhadores que passaram pelo processo de reabilitação, que influenciou a reconstrução de sua identidade profissional. Por esse motivo,
foi imprescindível a pesquisa qualitativa, utilizando como instrumento a história oral temática, obtida em entrevistas, com o objetivo de enfatizar a trajetória profissional dos sujeitos.
Segundo Martinelli (2012, p. 25), a pesquisa qualitativa tem três pressupostos: o reconhecimento da singularidade do sujeito; o reconhecimento da importância de se conhecer a experiência social do sujeito; e o de conhecer o modo de vida do sujeito pressupondo o conhecimento de sua experiência social. Nesse contexto, a autora explica que é importante compreender esse sujeito na sua estrutura a partir da interpretação que faz dos fatos de sua vivência cotidiana; é preciso possibilitar que ele se revele, permitindo conhecer a sua experiência social, seu modo de vida. “Envolve, portanto, seus sentimentos, valores, crenças, costumes e práticas sociais cotidianas (...)”.
Através da fonte oral, apreendeu-se as experiências sociais relatadas pelos sujeitos da pesquisa, a partir das experiências profissionais desenvolvidas antes do fator incapacitante, ou seja, antes da reabilitação profissional e após o processo de reabilitação profissional.
O estudo realiza uma discussão de natureza teórica metodológica; contempla a interdisciplinaridade com a história, ao referendar alguns conceitos do historiador Edward Thompson, através da lógica histórica. Permite aprofundar o conhecimento das relações sociais e suas múltiplas manifestações, para captar as especialidades da realidade dos sujeitos da pesquisa.
Thompson (1981, p. 49) oferece caminhos metodológicos fundamentais para a apreensão da realidade a partir da compreensão do modo de vida dos sujeitos, explorando as experiências vivenciadas. Institui um diálogo entre o conceito e a evidência “O interrogador é a lógica histórica; conteúdo da interrogação é uma hipótese (por exemplo, quanto à maneira pela qual os diferentes fenômenos agiram uns sobre os outros); o interrogado é a evidência, com suas propriedades determinadas (...)”. Assim percebe-se a notória contribuição, para a construção do conhecimento, da relação entre sujeito e objeto.
Como recurso metodológico para compreender o modo de vida dos sujeitos, utilizou- se a história oral. Segundo Portelli (1997, p. 29) “(...) as fontes históricas orais são fontes narrativas (...)”, assim, foi possível acessar a vida diária e a cultura material dos sujeitos pesquisados.
Como instrumento para apreensão das informações, foi elaborado um pequeno roteiro seguindo alguns pontos que podem ser visualizados no Quadro 5, que permitiram a interação do pesquisador com o sujeito. “As entrevistas sempre revelam eventos desconhecidos ou
aspectos desconhecidos de eventos conhecidos: elas sempre lançam nova luz sobre áreas inexploradas da vida diária (...)” (PORTELLI, 1997, p. 31). As narrativas foram transcritas respeitando a linguagem utilizada pelos participantes.
Quadro 5 – Roteiro norteador da entrevista da história oral
Antes da Reabilitação Durante o Processo de Reabilitação Após a Reabilitação
Qual a sua visão de ser servidor público?
O que mudou em sua vida a partir do momento em que foi
reabilitado?
Ocorreram mudanças nos cotidianos doméstico, laboral e comunitário?
Qual o sentido do seu trabalho hoje? Identifica-se com o que faz? Qual é a sua função atual?
Como era a identificação com o trabalho que realizava antes da reabilitação. Qual função exercia? Gostava do que fazia?
Qual o apoio recebido na fase da reabilitação? Quais as principais dificuldades?
Como está a sua saúde? Suas atividades atuais interferem no seu bem-estar (físico, mental e social)?
Como era a organização de seu trabalho? (ambiente de trabalho, relacionamento interpessoal com chefias e colegas, ambiente, atividades, divisão do trabalho, se ocorriam cobranças de
produtividade e /ou tempo de trabalho, recursos, capacitações e instrumentos disponíveis).
O que pensava da possibilidade de aposentadoria por invalidez no momento em que estava em reabilitação. E, hoje, o que acha?
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Os sujeitos da pesquisa foram esclarecidos sobre a autorização para participar, e utilizamos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido13. O gravador de voz portátil foi utilizado para registros captados em dois encontros: um individual e um coletivo, quando se realizou o grupo focal.
No primeiro encontro, foram esclarecidos os objetivos da pesquisa e feito o convite para que relatassem a história de vida. No segundo encontro, ocorrido após a transcrição e a elaboração de uma pré-análise das informações obtidas na primeira entrevista, foram analisadas as narrativas dos sujeitos apreendendo alguns conceitos que permitiram constituir categorias para determinar os temas mais emergentes citados pelos sujeitos.
Foram convidados os nove sujeitos participantes para a discussão em grupo focal que propiciou a formulação de questões mais precisas (MINAYO, 2000). Optou-se por estabelecer um diálogo com os sujeitos da pesquisa e a aprofundar o estudo, a partir da totalidade das questões abordadas pelos sujeitos pesquisados, que levaram à compreensão e atribuição de significado às que foram mais evidenciadas pelos sujeitos, considerando as proposições em que emergem temas de relevância no serviço público, como a baixa remuneração, intensificação do trabalho, o sofrimento, adoecimento e as formas de enfrentamentos. Os conceitos foram discutidos pelo grupo, e seus participantes tiveram a liberdade de modificar e validar a pesquisa.
A análise do material da pesquisa permitiu tecer novas preposições, como a média de tempo de trabalho em que tem ocorrido o adoecimento; a relação do homem com o trabalho; o significado do trabalho durante o processo de reabilitação; as mudanças de trajetórias de vida e da reconstrução de identidade profissional; e a resistência para manter-se trabalhador mesmo após o adoecimento.
Para identificar os sujeitos da pesquisa, utiliza-se o nome do cargo de origem, mais o número que indica os anos de serviço público no momento em que foram indicados para reabilitação. A escolha partiu da valorização do cargo e da função que exerciam antes de adoecer, que foi demonstrada nas narrativas dos sujeitos no decorrer da pesquisa. O número, ao simbolizar o tempo de serviço que tinham quando adquiriram a incapacidade laboral, é uma forma de marcar o momento em que houve a mudança em suas vidas.
Ao iniciar o primeiro contato, os sujeitos receberam esclarecimentos sobre a pesquisa e seus objetivos. Em seguida, foi feito o convite para que relatassem a história de vida temática. O primeiro sujeito convidado para a pesquisa recusou-se a participar. Nesse instante, a pesquisadora, através do tom de voz de recusa do sujeito, entendeu a expressão de certo descontentamento. Era um trabalhador que tinha participado do processo de reabilitação há quatro anos, e a recusa demonstrou que desejava evitar qualquer assunto que lembrasse sua condição profissional. Ao se esquivar da entrevista, evitava uma lembrança ruim? Um sofrimento?
O momento da recusa foi muito importante para a pesquisadora, relembrando de imediato a interlocução de Martinelli, que nos fala:
Penetrar nesse denso tecido e conhecer esses sujeitos e seus modos de vida exige do pesquisador uma postura política, teórico-crítica, no sentido de colocar-se à escuta, de interrogar os silêncios e de querer efetivamente conhecer a história a partir da narrativa acerca dos caminhos percorridos por aqueles que estiveram envolvidos com os acontecimentos que queremos estudar. (MARTINELLI, 2012, p.3)
A expressão de raiva, ao negar-se a falar de reabilitação, ao se recusar a participar da pesquisa, em um primeiro momento, pareceu atitude inoportuna do sujeito, mas, na realidade, essa foi a primeira ideia da pesquisadora, ao ser recusada no primeiro contato realizado para dar início à tão esperada pesquisa e não poder conhecer a sua história, que se faz tão importante no contexto.
Mas, em posterior reflexão sobre a recusa, entendeu-se que não falar de tão delicado tema deixa claro que a recusa expressa o grande sofrimento percorrido pela servidora, durante a reabilitação, fato que ainda está presente e a impede de falar sobre o assunto. Os demais convites foram aceitos e, a pedido dos sujeitos da pesquisa, as histórias profissionais foram narradas em locais públicos, todas com a devida privacidade de espaços cedidos.
Assim como Silva (2012, p. 40)14, em seu estudo, define o servidor público como “(...) todo trabalhador que exerce uma função ou cargo público, mediante a aprovação em concurso público”, também temos esse entendimento. Porém, na apresentação da dissertação, ao referir- se à nomenclatura, optou-se por substituí-la por trabalhador do serviço público. A escolha partiu do entendimento de que servidor público também pertence “à classe que vive do trabalho” (ANTUNES, 2010). Considerando o que refere a Portaria 1.823, de 23 agosto de 2012, que institui a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, em seu art. 3o, define que
Todos os trabalhadores, homens e mulheres, independentemente de sua localização, urbana ou rural, de sua forma de inserção no mercado de trabalho, formal ou informal, de seu vínculo empregatício, público ou privado, assalariado, autônomo, avulso, temporário, cooperativados, aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado são sujeitos desta Política. (BRASIL. Portaria 1.823/2012).
Entende-se, no estudo, que o servidor público está inserido nesse conjunto de trabalhadores e também sofre as influências do mundo do trabalho e as repercussões ocorridas na classe que vive do trabalho (ANTUNES, 2010). Apesar de ser um trabalho com características diferenciadas das outras categorias, pertence ao conjunto de trabalhadores
14 Refere-se a SILVA, Maria da Conceição Clarindo Cavalcante da. A saúde do servidor público em sua dimensão social: política de saúde, protagonismo e determinantes sociais. Tese (Doutorado) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), 2012
conceituados na política e também necessita de proteção de sua saúde pelo Estado. A política “(...) tem como finalidade definir os princípios, as diretrizes e as estratégias a serem observados pelas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), para o desenvolvimento da atenção integral à saúde do trabalhador”. (BRASIL. Portaria 1.823/2012). Para entender o que é ser um trabalhador do serviço público, há, ainda que considerar a perspectiva desse trabalho, definida pelos relatos dos sujeitos da pesquisa:
Ser um servidor público é mostrar o seu trabalho, é você trabalhar. É como se fosse outro trabalho numa empresa, mas você está trabalhando em prol da comunidade e da população. Eu trabalho em prol da comunidade, da população. Então, eu tenho que fazer o meu trabalho da melhor forma possível, para que essa população não fique sem nenhuma explicação. Em primeiro lugar, você respeitar o outro e respeitar a população. (Monitora – 14, depoimento colhido em outubro de 2012).
Porque, o servidor público, a função dele é servir, ou seja, o público, porque, aqui no meu caso, é servir, porque eu sirvo tanto o pessoal que trabalha aqui interno ou visita que chega. (Merendeira – 14, depoimento colhido em outubro de 2012). A visão minha de servidora pública, eu vejo como uma pessoa que bem, como eu tenho 12 anos de serviço público, como uma pessoa que aprendeu muito ao longo desse tempo. Mas, também, tenho muito a oferecer. O serviço público ficou um pouco a desejar. Principalmente na questão de salário, na questão de você ser reconhecida pelo seu trabalho. (...) Também tem suas vantagens, em ser servidor público, especialmente, no que eu trabalho, eu lido com pessoas e eu gosto de trabalhar na área com pessoas, então, eu me identifico bem com o serviço público. (Professora - 10, depoimento colhido em outubro de 2012).
Tem vezes que até comento em casa, mas, se é servidora pública, trabalha na prefeitura, as pessoas pensam que tem que aguentar tudo, mas não é tão simples, ser uma servidora pública. Quando eu comecei minha faculdade, eu tinha um objetivo, uma trajetória, e, de repente, tudo isso caiu por terra e aí, o que eu faço, por onde eu começo? (Professora – 10, depoimento colhido em grupo focal em março de 2012).
Hoje, ser servidora pública, é estar trabalhando para a sociedade. (Monitora – 20, depoimento colhido em outubro de 2012).
Nos relatos dos sujeitos da pesquisa, há um ponto comum de olhar o serviço público como o ato de servir o público e como um trabalho em prol de outras pessoas e da sociedade.
Outras perspectivas são lembradas.
(...) por causa de um sonho, a gente acredita, e aí vai ser servidora pública e garantir a estabilidade, vou dar aula, tenho um emprego estável, vou ter emprego. É a primeira visão do servidor público, vou ter emprego, é a estabilidade que me oferece. (Professora – 6, depoimento colhido em novembro de 2012).
Confirma-se o fato já conhecido, entre servidores públicos, de associar o serviço público à estabilidade e à garantia de uma renda fixa. É mais seguro, a gente sente segurança.
Apesar de sempre trabalhar em empresa grande, mas sente mais segura, recebe certinho.
(Merendeira - 7).
Em um primeiro momento, percebe-se que a procura pelo serviço público está vinculada à estabilidade e, com o passar do tempo trabalhando no serviço público, nota-se certa frustração nos relatos: o baixo salário, a falta de um plano de carreiras, e as mudanças a cada quadro anos de gestão, influenciam na configuração desse trabalho. Pensava que era um
emprego garantido, futuro garantido. Hoje, eu me sinto apenas um objeto dos governantes, para passar o que eles querem passar para a sociedade. É como me sinto hoje. (Monitora – 20, depoimento colhido em outubro de 2012).
Evidencia-se a preocupação em manter-se trabalhando, pela questão de associar o seu trabalho ao bem-estar da sociedade, mesmo com problemas de saúde, mantém-se trabalhando, enquanto suporta, por sentir-se responsável pelos serviços prestados à sociedade.
Como servidora pública, eu dei muito de mim, sabe, como servidora pública, eu fiz tudo, fiz porque gostava do que fazia, sempre gostei do que fazia. Mas, devido às mudanças que foram surgindo, eu arrastei até o último instante. Quando não dava para eu suportar. Eu tive que entregar mesmo. (Monitora – 19, depoimento colhido em outubro de 2012).
Agora que já foi possível entender o que é ser um trabalhador no serviço público, do mesmo modo, vamos nos aproximar das trajetórias profissionais dos sujeitos da pesquisa. Não tendo o objetivo de generalização, mas concordando com a ideia da autora Heller (2008, p. 35) de que “basta uma folha da árvore para lermos nela as propriedades essenciais de todas as folhas pertencentes ao mesmo gênero; mas um homem não pode jamais representar ou expressar a essência da humanidade”.
Nesse sentido, apresentam-se os nove sujeitos, fundamentais na construção da dissertação, trazendo um pouco da história de cada um.
Monitora 14: Aos 47 anos, foi indicada para a reabilitação; apresentou um quadro depressivo e não conseguia trabalhar mais com crianças. Então, eu tinha baixa estima
violenta, hoje eu não tenho. Ela ficou um curto período em licença médica, antes da reabilitação. Possui nível superior em pedagogia, é solteira, mora com seus pais e uma irmã. Tinha experiência, antes de ser monitora, como auxiliar administrativo, e a expectativa, quando entrou no serviço público, de voltar a estudar e fazer especialização e mestrado na área da educação. Já no primeiro contato do convite sobre a pesquisa, a servidora apresentou certa insegurança para dar o depoimento. Somente após várias
explicações sentiu-se segura e foi marcado um horário para a entrevista. Solicitou que a entrevista ocorresse em seu espaço de trabalho e conseguiu com sua chefia uma sala emprestada para a conversa. O ambiente estava propício e o diálogo ocorreu com bastante entusiasmo. O local de trabalho era adequado mais percebia-se certa insatisfação, no sentido de não serem tão necessários os seus serviços para a rotina do setor, mas estava conformada e se dizia feliz. Hoje, sou uma pessoa, na época em que eu entrei na
prefeitura, eu já tinha 37 anos, então, eu já era uma pessoa madura. Mas hoje eu amadureci muito, eu cresci muito, eu cresci principalmente espiritualmente. (...) Eu fiz um propósito, não porque o meu trabalho é terrível e sim porque você tem que se policiar. Aquela frase que você tem que orar e vigiar. Orar e vigiar mesmo. Vigiar quem? O outro não. Você mesma. (...) Mas tem uma hora que tem que engolir. (...) pode ter problema em casa e não saber lidar e pode estar com problemas no trabalho e não saber lidar, não pode descontar no outro, tem que melhorar a si mesma, tem que trabalhar. Se não tem o que fazer, procurar o que fazer. Afirma que a questão espiritual ajuda a dar outro sentido para seu trabalho e ao aceitar assim conforma-se com sua situação profissional. O importante é trabalhar feliz e hoje estou feliz.
Monitora – 20: Entrei para trabalhar como monitora de educação infantil e sempre
trabalhei com crianças de 3 anos a 6 anos. Tinha 39 anos, quando foi indicada para a reabilitação; teve uma alteração emocional, não conseguindo se adaptar à função. (...)
Depois de 15 anos, 16 anos como monitora, a sobrecarga é maior dentro do berçário, imagine você... todos os anos dentro do berçário. Eu já estava no berçário há 6 anos, então, imagine a situação, a sobrecarga é imensa. E a sobrecarga psicológica é maior ainda. Cursou a faculdade de Educação Física, mas não conseguiu concluir, por falta de recursos financeiros. Solteira, mora com seu pai e filho. Adoro brincar, sou super
brincalhona, super alegre, graças a Deus e continua descrevendo: Sempre fui arrumada,
sempre fui alegre, pratiquei esportes sempre, alguém precisou eu fazia e a questão de ser monitora tinha que ser imediato, pronta para atender às necessidades dos alunos e é a mesma coisa que faço aqui também. A trajetória profissional relatada é lembrada com bastante carinho, porém, ao relatar o processo de adoecimento, evidencia suas angústias e o sofrimento que ocorreu, até deixar sua antiga função. Buscou a reabilitação para aliviar seu desgaste mental, ao qual chama de sofrimento.
Monitora – 19: Formada em pedagogia, tinha 56 anos quando foi indicada para reabilitação. Era casada e tinha dois filhos casados e dois netos. Antes de começar a trabalhar no serviço público, trabalhou como técnica de aparelhos eletrônicos e gosta muito da área educacional e de educação artística e aponta que adora contar histórias.