5.3 Low-frequency Noise Variation in 200 and 350 GHz f T SiGe HBT’s
5.3.5 Noise Simulations
O tratado III 6 (26) inicia a investigação do estatuto da matéria e dos corpos reafirmando a impassibilidade da totalidade dos seres inteligíveis (III 6 (26), 6, 1-2). Em função da incorporeidade da matéria, amplamente demonstrada no tratado II 4 (12), Plotino avança a questão da sua passibilidade ou impassibilidade, pois a matéria não é incorpórea no mesmo sentido que os seres inteligíveis e torna-se necessário investigar a natureza da sua impassibilidade (III 6 (26), 6, 3-7). Uma questão metodológica se impõe de imediato, pois no texto é dito que a investigação da impassibilidade da matéria requer a investigação da natureza do ente verdadeiro (o)/ntwj o)/n), o que implica que, no exame do estatuto do múltiplo sensível e da matéria como imagens, é necessário que se elucide a natureza do modelo inteligível a partir do qual o múltiplo se constitui: “Primeiro, porém, é preciso que nós, que abordamos esse tema e falamos acerca da natureza da matéria, entendamos que a natureza do ente e a essência e o ser não são tal como pensa a maioria.” (III 6 (26), 6, 7-10 [trad. BARACAT JÚNIOR, J. C.]: prw=ton de\ lhpte/on
e)pi\ tou=to stellome/noij kai\ peri\ th=j fu/sewj au)th=j le/gousin o(poi/a tij, w(j h( tou= o)/ntoj fu/sij kai\ h( ou)si/a kai\ to\ eiånai ou) tau/t$ e)/xei, w(j oi¸ polloi\ nomi/zousin.). Plotino afirma a respeito do ente a sua plenitude e acrescenta que tudo o que este possui é recebido do que é anterior a ele: “(...) porque o anterior ao ente é aqueleque provê essas
coisas ao ente, sem que ele mesmo necessite delas (...)” (III 6 (26), 6, 28-29 [trad. BARACAT JÚNIOR, J. C.]: to\ ga\r pro\ tou= o)/ntoj xorhgo\n18 me\n tou/twn ei¹j to\ o)/n, ou) deo/menon
de\ au)to\ tou/twn:). Essa alusão ao Uno como princípio do ente verdadeiro só aparece nesse
passo do tratado e em uma nova menção que ocorre quando é discutida a doutrina da participação
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Segundo Laurent (2004, p. 226, nota 105), o termo se refere ao Uno e também é usado no passo VI 9 (9), 9, 49 em referência ao Uno. Fleet (1995, p. 155) comenta o passo e mostra que Plotino se reporta ao Uno como princípio causal da mente e da vida que pertencem ao nível hierárquico imediatamente inferior.
impassível e se procura mostrar o modo como a matéria não é alterada pela participação no Bem (11. 27-45). O tratado é econômico em relação à henologia, mas as alusões acima indicam que essa é pressuposta como pano de fundo de toda a sua investigação, o que implica a necessidade do exame do primeiro modo da relação entre modelo e imagem, ou seja, do Uno como princípio dos seres posteriores.
No tratado III 7 (45), o procedimento metodológico indicado em III 6 (26) é reafirmado. Lassègue (1982, p. 405-406) argumenta que a condição para o conhecimento do tempo é o conhecimento da eternidade19, em decorrência da sua função de modelo do tempo, que se constitui como sua imagem. A afirmação de que é possível ir do tempo para a eternidade graças à reminiscência (III 7 (45), 1) indica, para Lassègue, que é necessário o conhecimento da natureza do inteligível ou do modelo antes que o retorno possa ser feito, como acontece no
Banquete, em que Diotima guia a a)nagwgh/ em função do seu conhecimento da beleza
inteligível.20 Duas outras observações de Lassègue (1982, p. 406) são pertinentes para os nossos propósitos: segundo a intérprete, ir do sensível para o inteligível pressupõe uma relação entre ambos os níveis ontológicos, certeza que só é possível se o caminho do modelo para a imagem for percorrido; ademais, mesmo supondo o procedimento contrário, a apreensão da função de modelo das realidades primeiras é assegurada quando se parte do modelo para a imagem. Para Lassègue, Plotino retoma novamente essa questão metodológica no décimo primeiro capítulo do tratado III 7 (45), ao afirmar, após o exame prévio e rejeição das opiniões dos filósofos anteriores sobre o tempo, que a definição de tempo requer a concepção prévia de eternidade.
O itinerário estabelecido no tratado 26 exige a compreensão do modelo como condição para o exame da natureza da imagem e suas respectivas relações. A escassez de referências explícitas ao Uno como princípio produtor de imagens no tratado III 6 (26) indica que Plotino tinha o objetivo de fazer uma contraposição entre a natureza do ente verdadeiro e a do sensível, mas as alusões ao Uno mostram que jamais perde de vista que todos os seres, em última
19 A respeito do estudo do tempo, Puente (2002, p.251-252) compartilha essa opinião: “O tratado de Plotino não
estuda o tempo isoladamente, antes ele parte do pressuposto de que este só é compreensível a partir da eternidade. (...) A sua aproximação à questão do tempo é, portanto, genética e não meramente descritiva, como ele julgava ser a de Aristóteles. (...) Essa ordem de discussão desses dois conceitos não é arbitrária, pois reflete, para Plotino, a
própria ordem “ontológica” existente entre essas duas realidades, a saber: entre a eternidade e o tempo.” Esse
caminho genético em relação ao estudo do tempo é o indicado no tratado 26 para a investigação do estatuto do sensível em sua condição de imagem dos modelos inteligíveis.
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Em vários tratados, como no V 1 (10) e VI 9 (9), Plotino parte das realidades sensíveis para as inteligíveis até alcançar o próprio Uno. No passo IV 8 (6), 4, 25-30, Plotino afirma, contudo, que a alma toma como ponto de partida para a contemplação do ser verdadeiro a reminiscência.
instância, dependem do Uno, apesar da ênfase com que se afirme nas Enéadas a função arquetípica21 do ser inteligível. A ontologia da imagem apresentada no III 6 (26), cujo objeto central é o ser sensível, inscreve-se em um contexto muito mais vasto, representado pela processão entendida como produção de imagens em cada degrau da hierarquia dos seres.
A afirmação do Uno como causa (ai¹ti/a) do Noûs22 e o silêncio a respeito do modo
de sua relação com o múltiplo deixa-nos uma lacuna e requer o exame do sentido em que o Uno pode ser considerado princípio e modelo dos seres que dele são imagens. O que inicialmente se apresentava como uma mera afirmação metodológica instaura um problema a ser resolvido: como é possível que um princípio absolutamente simples, indeterminado, transcendente à essência, possa ser causa dos seres, engendrar uma imagem de si mesmo e ser imitado por todos? Como é possível que o Uno doe tudo ao Noûs, como afirma o tratado III 6 (26)? Como inscrever essa concepção de um princípio indeterminado e inefável em uma ontologia da imagem?A noção de imagem supõe diferença e identidade, alteridade e semelhança, mas como esta última poderia ser preservada no caso da relação entre o Uno e o Noûs, se o primeiro é alteridade absoluta? A afirmação da indeterminação do princípio é absolutamente central na metafísica plotiniana, mas, concomitantemente, a continuidade de toda a cadeia processional é posta com intransigência (V 2 (11), 2, 26-29) e, desse modo, Plotino não admite descontinuidade entre o princípio e os seus derivados. 23
A condição paradoxal dessa relação é enunciada por Plotino no passo a seguir:
“Portanto, o Princípio não é nenhum dos Seres e é todos os Seres: nenhum, porque os Seres são
posteriores; todos, porque provêm dele.” (VI 7 (38), 32, 13-14 [trad. IGAL, J.]: ou)de\n ouån
tou=to tw=n o)/ntwn kai\ pa/nta: ou)de\n me/n, o(/ti u(/stera ta\ o)/nta, pa/nta de/, o(/ti e)c au)tou=.). Essa tensão que coloca o Uno concomitantemente no interior e transcendente ao
múltiplo do qual é a condição primordial (V 2 (11), 1, 1-5), obriga-nos a enfrentar um primeiro problema, que é o do Uno como princípio dos seres que são imagens.
21 Como indica Gerson (1998, p. 4), para Platão somente as formas devem ser consideradas paradigmas, enquanto
para Plotino, o Uno, o Intelecto e a Alma assumem essa função de diferentes maneiras.
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Em outro tratado, no passo III 1 (3), 1-13, Plotino também afirma que tudo procede de causas, tanto os seres eternos quanto os seres em devir.
23 Os trabalhos mais importantes a respeito do problema da relação entre o Uno indeterminado e seu derivado
imediato determinado são os seguintes: Bréhier (1955a, p. 250-261); Moreau (1970, 73-103); Armstrong (1984, p. 21-66); Narbonne (1993, p. 11-46); Szlezák (1997, p. 202-219); Gerson (1998, p. 3-41); Bussanich (1999, p. 38-65);
D’Ancona Costa (1999, p. 356-385); Aubry (1999, p. 10-32 e 2006, p. 211-286); Roux (2004, p. 211-322) e Lavaud