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Noise exposure regulations and recommendations

1. INTRODUCTION

1.3 Noise exposure

1.3.4 Noise exposure regulations and recommendations

Conforme observado no segundo tópico deste capítulo, o escore de propensão corresponde à probabilidade de as famílias participarem do tratamento, dadas suas características particulares. No terceiro tópico, elencamos como variáveis relevantes para a participação no PBF aspectos relativos aos recursos sociais, culturais e econômicos, mas também consideramos aspectos relativos à distribuição das famílias ao longo do território geográficos importantes e que também importam para a participação no programa.

Por outro lado, a estimação dos escores de propensão passa pela escolha de um modelo estatístico com variável dependente limitada adequado aos propósitos do trabalho. A priori, qualquer modelo que contenha variável dependente limitada pode ser utilizado para a estimação dos escores de propensão, contudo a preferência por modelos logit e probit, em demérito aos modelos de probabilidade linear, se deve principalmente ao fato de que estes modelos permitem a estimativa de probabilidades no intervalo fechado entre zero e um, fato este condizente com a teoria das probabilidades.

Nosso objeto de análise é avaliar os efeitos da participação no Programa Bolsa Família (PBF) sobre o trabalho de crianças e adolescentes. A estimação do escore de propensão, portanto, será realizada sobre os resultados observados para a pergunta “em setembro de 2006, algum morador deste domicílio recebeu dinheiro do programa social Bolsa-Família”, constante no dicionário da PNAD que foi a campo em setembro deste mesmo ano. Como a variável de resposta assume apenas dois valores (sim ou não), a escolha entre um modelo logit ou probit para a estimação dos escores de propensão produzirá respostas semelhantes. Por se

134 embasar em hipóteses fortes e devido à facilidade de interpretação dos resultados, utilizaremos o modelo logit para estimar a probabilidade de as famílias participarem do PBF. As variáveis independentes escolhidas para a estimação do escore de propensão e os respectivos estimadores para ambos os grupos de famílias investigadas estão listadas nas tabelas 23 e 24 abaixo. O fato mais importante a se destacar é a ausência das variáveis “infantes”, “maiores19anos” e “sudeste”. Tais ausências se justificam pela necessidade de se evitar que se estabelecesse colinearidade perfeita entre as variáveis. Ainda em relação ao escore de propensão, é mister salientar que para ambos os grupos de famílias investigados eles foram obtidos levando em consideração os efeitos do desenho amostral da PNAD, conforme especificado no tópico anterior.

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Tabela 23 – Estimadores do modelo logit para o grupo de famílias cuja renda per capita líquida é inferior a R$100,00

2006

Variável Coeficiente Erro-Padrão t p

Intervalo de Confiança (1 - α = 0,95) Inferior Superior Capital cultural: escchefe 0,04862 0,01766 2,75 0,006 0,01400 0,08323 escchefe2 -0,01004 0,00146 -6,88 0,000 -0,01290 -0,00718 Capital econômico: yfamlqpc 0,00320 0,00065 4,96 0,000 0,00194 0,00447 setor1 -0,72392 0,10429 -6,94 0,000 -0,92843 -0,51942 setor2 0,11127 0,04622 2,41 0,016 0,02065 0,20189 Capital social: sexchefe 0,24579 0,05092 4,83 0,000 0,14593 0,34564 racchefe -0,15201 0,05006 -3,04 0,002 -0,25016 -0,05385 crianças 0,32713 0,02717 12,04 0,000 0,27386 0,38040 adolescentes 0,20956 0,02596 8,07 0,000 0,15866 0,26046

Acesso a Serviços Básicos de Saneamento:

escbanh -0,19548 0,06783 -2,88 0,004 -0,32848 -0,06248 provagua -0,00207 0,06421 -0,03 0,974 -0,12798 0,12384 Eletr 0,32211 0,10129 3,18 0,001 0,12351 0,52071 qtdebanhpp -1,38323 0,21236 -6,51 0,000 -1,79962 -0,96684 qtdecompp 0,04686 0,04844 0,97 0,333 -0,04813 0,14184 Variáveis de localização: Sul -0,02271 0,10343 -0,22 0,826 -0,22552 0,18009 nordeste 0,71398 0,06648 10,74 0,000 0,58363 0,84433 Norte -0,24434 0,10438 -2,34 0,019 -0,44901 -0,03966 Coeste -0,58012 0,11146 -5,20 0,000 -0,79867 -0,36156 sitcens 0,27061 0,07804 3,47 0,001 0,11758 0,42364 metropol -0,75122 0,05897 -12,74 0,000 -0,86685 -0,63559 Constante: -0,77909 0,15673 -4,97 0,000 -1,08642 -0,47176

136

Tabela 24 – Estimadores do modelo logit para o grupo de famílias cuja renda per capita líquida é inferior a R$300,00

2006

Variável Coeficiente Erro-Padrão t p

Intervalo de Confiança (1 - α = 0,95) Inferior Superior Capital cultural: escchefe 0,04839 0,01089 4,44 0,000 0,02704 0,06974 escchefe2 -0,01028 0,00093 -11,03 0,000 -0,01210 -0,00845 Capital econômico: yfamlqpc -0,00412 0,00018 -23,28 0,000 -0,00447 -0,00378 setor1 -0,18386 0,04259 -4,32 0,000 -0,26737 -0,10036 setor2 0,18086 0,02992 6,05 0,000 0,12220 0,23951 Capital social: sexchefe 0,15524 0,03044 5,10 0,000 0,09555 0,21493 racchefe -0,22564 0,03094 -7,29 0,000 -0,28629 -0,16498 crianças 0,35884 0,01883 19,06 0,000 0,32193 0,39575 adolescentes 0,21542 0,01779 12,11 0,000 0,18055 0,25030

Acesso a Serviços Básicos de Saneamento:

escbanh -0,15795 0,04287 -3,68 0,000 -0,24199 -0,07391 provagua 0,00853 0,04683 0,18 0,855 -0,08329 0,10035 eletr 0,32785 0,08312 3,94 0,000 0,16489 0,49082 qtdebanhpp -1,15690 0,13592 -8,51 0,000 -1,42337 -0,89043 qtdecompp -0,06792 0,03226 -2,11 0,035 -0,13117 -0,00467 Variáveis de localização: sul -0,10631 0,06117 -1,74 0,082 -0,22623 0,01361 nordeste 0,69153 0,04476 15,45 0,000 0,60378 0,77929 norte -0,13001 0,07054 -1,84 0,065 -0,26831 0,00828 coeste -0,42762 0,07090 -6,03 0,000 -0,56661 -0,28862 sitcens 0,14085 0,05521 2,55 0,011 0,03261 0,24909 metropol -0,70813 0,03880 -18,25 0,000 -0,78420 -0,63206 Constante: -0,25418 0,11203 -2,27 0,023 -0,47382 -0,03454

*Fonte: PNAD (Elaboração Própria)

Como se pode observar nas tabelas acima, alguns dos estimadores para o modelo não se mostraram significativos. Contudo, isto não implica que tais variáveis não devam ser incluídas ao modelo. Segundo Rubin e Thomas (1996, apud CALIENDO & KOPEINIG, 2005), a exclusão de uma variável do modelo somente deve ser levada a cabo quando houver consenso de que ela não afete tanto a participação quanto as variáveis de resultado. No entanto, a manutenção destas variáveis também deve garantir que o modelo escolhido seja o

137 mais parcimonioso possível, pois a inclusão de muitas variáveis, principalmente em amostras pequenas, resulta no descarte de observações e na utilização de observações do grupo de controle por mais de uma vez (CALIENDO & KOPEINIG, 2005). Na tabela 23, as variáveis “provagua” e “qtdecompp” são as únicas não significativas ao nível de 5%, resultado que sugere que as condições de acesso a rede geral de distribuição de água e a quantidade de cômodos por pessoa nos domicílios podem não influir sobre a probabilidade de as famílias participarem do PBF. Já na tabela 24, as variáveis não significativas foram “provagua”, “sul” e “norte”. Apesar de não se mostrarem relevantes para que as famílias participem do PBF, estas variáveis importam para a emergência de trabalho por parte das crianças e adolescentes porque se referem a importantes diagnósticos para o trabalho infanto-juvenil e, por isto, não devem ser excluídas do modelo.

Com base nos resultados apresentados, observa-se que os estimadores apresentaram o sinal que se esperava. Em relação ao capital cultural, quanto menor a escolaridade do chefe de família, maior tende a ser a probabilidade de participar no programa, probabilidade esta que tende a decrescer na medida em que o chefe de família é mais escolarizado. Em respeito ao capital social, a garantia de melhores condições de saneamento tende a diminuir a probabilidade de as famílias participarem do programa, ao passo que quanto maior for o número de crianças e adolescentes na família, maior a probabilidade de participação. Em relação às variáveis de localização, famílias oriundas da região nordeste e de zonas rurais tende a elevar as chances de as famílias participarem do programa. Em relação ao capital econômico, famílias cujo chefe atue em atividades formais tende a diminuir as chances destas em participar do programa, ao passo que o exercício de trabalho em setores informais tende a elevar as chances destas famílias em participar do programa. A única ressalva está relacionada ao comportamento da renda familiar per capita líquida das transferências do PBF para o grupo de famílias cuja renda per capita não ultrapassa R$100,00, onde se pode observar elevação da probabilidade em participar do programa na medida em que a renda aumenta. Neste caso, o sinal do estimador condiz com a análise descritiva feita anteriormente e pode indicar a existência de erros de inclusão no programa em estratos de renda mais baixa.