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VIII. Nomenklatur / Forkortelser / Symboler

3.2 Kommunikasjonsgrensesnitt

3.2.1 NodeRed

A escola A em 2014 tinha dois problemas na Educação de Jovens e Adultos – EJA: a evasão escolar e a infrequência dos alunos eram elevadas apesar de terem público no bairro. Com a intenção de resolver esses problemas, as professoras desse segmento convidaram os alunos para participarem do Conselho Participativo de Classe e Ciclo – CPCC18 e nele discutirem em qual escola eles gostariam de estudar. A seguir, o depoimento da coordenadora pedagógica da escola relatando como foi o CPCC:

18 A respeito do Conselho Participativo de Classe e Ciclo (CPCC), a SME entende que é um órgão colegiado:

“Como parte da gestão democrática, o CPCC deve se constituir em um espaço de discussão coletiva para levantamento das necessidades de mudança e avanço. Devem participar de sua realização representantes de pais/responsáveis e educandos.” (GUARULHOS, 2012, p.2)

Colocamos todos os alunos no pátio, com um telão e algumas perguntas. Não sabíamos o que ia acontecer. Vários assuntos apareceram ali, como merenda, disciplina e, de repente, um dos alunos, o João19, disse que queria uma aula mais dinâmica. E eu devolvi uma pergunta para ele: “o que seria uma aula dinâmica”? Então, ele respondeu que precisavam de um tipo de aula que os deixassem mais à vontade para aprender aquilo que queriam. João disse ainda que era desconfortável vir para a escola às cegas, que, embora soubessem que teriam aulas de matemática, história, geografia, eles nunca sabiam como seriam essas aulas, os temas que estudariam naquele dia. (GUARULHOS, 2014)

Os alunos no CPCC reivindicaram uma escola com aulas em que eles possam escolher o que querem aprender e querem saber previamente o que será estudado. A diretora da escola em uma palestra conta que nessa conversa foi visto também que a escola não atendia as expectativas dos alunos, pois eles queriam estudar para serem aprovados em concurso público ou para conseguir um emprego melhor ascendendo profissionalmente. (Diretora Maria em palestra20)

Depois do CPCC as professoras discutiram em várias horas-atividades – HA – saídas para resolver essa situação. Em uma das discussões, uma professora da equipe trouxe a experiência da Escola da Ponte21, que a professora conhecia com proximidade.

A partir desse estudo, nasceu um projeto com os objetivos de promover autonomia nos educandos com relação a sua própria aprendizagem e garantir voz e decisão, por meio da reorganização dos tempos e espaços escolares em duas frentes: as assembleias escolares e o quadro de encontros.

Assembleia escolar: é um espaço de discussão que a escola propicia mensalmente aos alunos para que eles possam pensar juntos com a equipe docente e gestora o projeto e pensar a escola como um todo.

Quadro de encontros: antes do projeto, os alunos participavam das aulas de acordo com uma grade de disciplinas, em que eles participavam de todas. Com o projeto, as disciplinas foram diluídas em temas que são expostos no início de cada semana em um “Quadro de Encontros” que fica exposto no pátio da escola.

19 Nome fictício para proteger a identidade do aluno.

20 Informações fornecidas pela Diretora Maria na palestra “Ciclos de formação: uma experiência” realizada

na semana de Parada Pedagógica da Rede Municipal de Educação de Guarulhos, em abril/2015.

21 Escola da Ponte situada em Portugal desenvolve a aprendizagem dos alunos a partir de núcleos de

interesses e necessidades que os próprios alunos elencam. A partir desses temas levantados, os alunos realizam projetos de pesquisa, individualmente ou coletivamente, com o apoio do professor e/ou de colegas. Nessa escola não existe sala de aula ou turmas de alunos predeterminadas pela administração escolar, os alunos interagem de acordo com os temas. A escola ganha destaque por ter uma organização pedagógica diferente da convencional e por trazer resultados positivos no desenvolvimento dos educandos. (MARANGON, 2004)

Figura 4 - Quadro de Encontros

Fonte: Arquivo pessoal

Os alunos leem o quadro de encontros e escolhem os temas da semana de acordo com seus interesses. A seguir o depoimento de um aluno sobre a escolha de temas:

Aqui nesse quadro você tem a possibilidade de escolher as aulas, de acordo com o que a gente mais necessita, e isso realmente foi importante para mim, porque ficar numa sala de aula, vendo uma matéria que você já sabe o que é, é horrível. Estou escolhendo aquilo que eu preciso mais. (GUARULHOS, 2014)

Os temas são discutidos e articulados pela equipe docente. As professoras organizam os saberes a serem trabalhados de acordo com a temática e focam na autonomia do educando com relação a sua própria aprendizagem.

A equipe de professores explica como as áreas de interesse dos alunos são organizadas para garantir a frequência dos alunos em 75% das aulas da carga ideal e 25% na carga de livre escolha. Os temas ofertados diariamente estão vinculados aos eixos e saberes da Proposta Curricular da Rede Municipal, o Quadro de Saberes Necessários. Para o acompanhamento da frequência às aulas, os alunos recebem uma planilha, indicando a carga horária ideal e a carga horária de livre escolha. (GUARULHOS, 2014)

Outro aspecto que mudou na organização escolar foi a turma de alunos. A partir do projeto, os alunos passam a estudar com todos os educandos da escola, diferentemente da organização anterior em que eles tinham turmas fixas.

4.5.3.1 A professora e a sua formação no PPP da escola A

No projeto político-pedagógico a escola almeja que a formação docente seja alicerçada na reflexão da prática por meio de troca de experiências e leituras. Desejam que a professora supere os problemas da escola e assimile mais conhecimentos além dos que elas já possuem e, para isso, é necessário que as professoras tornem-se pesquisadoras e

sejam questionadoras. “Professores que não se limitem ao que já sabem, mas que se tornem pesquisadores e questionadores dos problemas que a escola enfrenta” (GUARULHOS, 2014) A pesquisa também aparece quando se referem ao perfil da coordenadora pedagógica: “Desejamos um profissional que seja aberto às novas possibilidades incentivando a pesquisa e a reflexão.” (GUARULHOS, 2014)

O incentivo pela pesquisa aparece em pontos diferentes do marco referencial do PPP, mas a escola não deixa claro o tipo de pesquisa que deseja. De acordo com o PPP, a escola entende que a pesquisa deve gerar novos conhecimentos suscitados pelas experiências dos colegas ou pelos saberes de teóricos e/ou profissionais da área que escrevem possibilitando leituras.

A escola traz fortemente o respeito em quase todo o documento. O respeito é evidenciado em todas as relações da escola que envolvem os alunos, professoras, gestoras, demais funcionários e comunidade. Como exemplo, o trecho a seguir em que eles dizem sobre o perfil do profissional da escola: “O mais importante é que seja, acima de tudo, ético, demonstrando respeito.” (GUARULHOS, 2014)

In document Testplattform for autonome systemer (sider 61-68)