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Chapter 4: NGSCB’s Impact on Intermediary Liability

4.4 NGSCB’s Impact on Intermediary Liability Rules

Para se poder analisar a todos os níveis a transição de carreira dos jogadores de futebol e posteriormente dos reclusos, procuramos encontrar um modelo que nos permitisse incluir, na sua aplicação, todos os parâmetros para a facilitação da sua análise. O Modelo Conceptual de Adaptação à Transição de Carreira (Taylor & Ogilvie, 1998) foi o primeiro e único modelo específico do Desporto que permitiu examinar a totalidade do processo de transição de carreira de atletas de elite, amadora e profissional. O modelo em questão inicia-se com a análise das causas que deram início à transição (idade, dispensa, lesão, livre escolha) e continua por factores hierárquicos relacionados com a adaptação à transição (experiências de desenvolvimento, auto-identidade, percepções de controlo e contribuições de terceiros). Os factores seguintes incluem a análise dos recursos disponíveis e disponibilizados (capacidades desenvolvidas previamente que lhes permitem lidar com a transição, apoio social – a importância de outras pessoas, pré-planeamento da transição – como se prepararam, se o fizeram de todo). Estes factores resultaram no que foi designado como qualidade de adaptação à transição – se um atleta tinha uma transição de carreira saudável ou não, e, neste último caso, o que tinha despoletado e causado essa crise (psicopatologias, abuso de substâncias, problemas familiares/sociais). Por fim, as sugestões daí resultantes eram categorizadas ao nível cognitivo, emocional, comportamental e social. Por abranger todas, ou quase todas as dimensões do ser humano, a nossa escolha recaiu neste modelo. Estas dimensões que em si mesmas contêm a génese do modelo conceptual apresentado permitem examinar a adaptação à retirada da vida atlética durante todo o seu percurso, com as questões apresentadas aos participantes a serem separadas de maneira a: (1) identificar os factores causais que iniciaram o processo de retirada (transição desportiva); (2) especificar os factores relacionados com a adaptação à transição; (3) descrever os recursos à disposição que irão afectar a resposta à transição; (4) indicar a qualidade da adaptação a este processo de transição; e (5) discutir assuntos relacionados com o tratamento a reacção adversas ao processo de transição.

O Fundamento deste estudo é investigar as experiências de transição de carreira desportiva de antigos jogadores de futebol profissional. Para tal, será utilizado o Modelo Conceptual de Adaptação à Transição de Carreira (Taylor & Ogilvie, 1998). A aplicação deste instrumento ajuda a clarificar de forma mais evidente, o significado que essa experiência mais manifestou. Para se atingir este objectivo, foi adaptado à realidade nacional um protocolo de entrevista semi-estruturada desenvolvido e utilizado na tese doutoral de Stephany Cassandra Coakley, de acordo com o Modelo Conceptual de Adaptação à Transição de Carreira (Taylor & Ogilvie, 1998). As questões do protocolo de entrevista foram criadas no sentido de examinar as transições de carreira desportiva de antigos jogadores de futebol, começando com o momento em que tinham tido as primeiras dúvidas acerca do seu futuro no futebol profissional, e estandardizando todas as entrevistas de todos os participantes, sempre com

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o objectivo de minimizar possíveis parcialidades ou leituras ambíguas dos dados recolhidos. Durante as entrevistas, foram discutidas as quatro principais áreas. Áreas como as circunstâncias que levaram à transição de carreira desportiva, factores de desenvolvimento e psicossociais que influenciaram o período de transição de carreira desportiva, a disponibilidade de recursos e a qualidade da experiência de transição de carreira.

No início de cada entrevista, foi pedido a cada um dos participantes para completarem um pequeno questionário demográfico (Anexo E). Os questionários demoraram sensivelmente 5 minutos a completar e foram usados para recolher informação demográfica básica (idade, nível de escolaridade, estado marital, raça/etnicidade, etc.) acerca da amostra de antigos jogadores de futebol profissional que participaram neste estudo e medir o nível de auto-percepção (actual) de bem-estar subjectivo. A Escala de Satisfação com a Vida de 5 itens (SWLS) (Diener, 1993) foi incluída no questionário demográfico (Anexo E), e utilizada para medir o bem-estar subjectivo. A Escala de Satisfação com a Vida foi desenvolvida para percepcionar a satisfação do participante com a sua vida, como um todo. Esta escala não percepciona objectivamente a satisfação com a vida no domínio da saúde e das finanças, mas permite que o participante as considere da maneira que lhe pareça mais correcta. Dados normativos, são apresentados nesta escala, o que demonstra uma boa convergência de validação com outras escalas e outros tipos de análise da mesma temática. A escala é recomendada como um complemento a outros questionários e métodos de investigação, porque analisa a auto-consciência e perspectiva do indivíduo em relação à sua vida, utilizando o seu próprio critério.

A cotação é realizada através da soma da pontuação atribuída pelos participantes às frases apresentadas e depois atribuída de acordo com a seguinte tabela apresentada por Coakley, Stephany (2006), na sua tese de Doutoramento:

Tabela 1 - Escala de Cotação de Satisfação com a Vida

SWLS Mínimo Máximo Insatisfeito 25% Satisfeito 50% Bastante Satisfeito 75% Classificação 5 35 8.75 17.50 26.25

No que se refere a indivíduos ex-reclusos e devido à transição para um espaço de liberdade, dado não existir qualquer instrumento, para o efeito necessário, procuramos adaptar este mesmo instrumento, naturalmente ajustando circunstâncias que nos permitissem obter informações capazes de responder ao interesse ou não da prática desportiva na formação e desempenho do indivíduo pertencente a uma nova sociedade.

O que nos levou a associar os reclusos com o futebol de alto rendimento foi o facto de ambos viverem em mundos que se criam dentro da mesma realidade. Uns num mundo endeusado, por adeptos e demais sociedade e outros numa reclusão que os separa virtualmente e realisticamente do contacto com o que conhecemos como nosso. O choque que se apresenta a estes indivíduos, devido ao corte que é efectuado, seja com o reencontro com a liberdade, seja com a perda de uma rotina de vida, faz com que experienciem momentos de cisão com uma identidade que foi criada por eles e os definia, tendo de se reinventar a eles próprios.

Enquanto nos ex-jogadores o desporto define quem eles são, nos reclusos o desporto é o meio para que se encontrem a eles mesmos (pelas regras escritas e as subliminares a esta prática associadas).

Este tipo de inquérito (Modelo Conceptual de Adaptação à Transição de Carreira), que visa analisar o impacto desta fase da vida dos atletas e reclusos, permite-nos analisar estes indivíduos na sua dimensão social,

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emocional e também ao nível da suas perspectivas e tem por base o uso de entrevistas semi-estruturadas, solicitando aos antigos jogadores e ex-reclusos informação referente à sua própria experiência de transição de carreira/de vida, bem como os efeitos subsequentes no seu bem-estar subjectivo.

No sentido de obter respostas a questões relacionadas com as experiências de vida, os métodos de pesquisa qualitativa assumem-se como preferenciais. Segundo Krathwohl (1997), “os métodos qualitativos humanizam os problemas e fornecem dados com maior significado onde as emoções e os sentimentos fazem um apelo à vida”. Georgi, (1985, p. 14), diz que “os métodos de pesquisa qualitativa permitem ao investigador descobrir em vez de verificar, identificar mais do que uma causa e efeito, mas que, ao fornecer uma explicação com compreensão, dão-nos uma visão do comportamento do indivíduo”.

O apuramento dos dados pela aplicação dos métodos de pesquisa qualitativa, permite-nos contextualizar o conhecimento percepcionado pelos atletas ao serem descritas ao detalhe as experiências vivenciadas, ao invés de hipóteses, opiniões ou generalizações relativas ao fenómeno (Wertz, 2005).

Neste âmbito, importa voltar a referir que a essência das experiências que uma transição de carreira, ou a passagem para o outro lado da vida provoca, é o objectivo fundamental deste estudo, sendo os atletas a parte integral de todo o processo.

Quanto ao investigador, exige-se no trabalho a desenvolver uma tomada de consciência crítica no referente a uma elevada capacidade de se isolar de possíveis sentimentos que possam interferir na imparcialidade, na isenção, no rigor, que importa a todo o custo salvaguardar.

3.4 Participantes

Fazem parte do grupo de entrevistados, 20 (vinte) jogadores de nível nacional e internacional, que participaram nos campeonatos nacionais e nas competições internacionais entre as décadas de 1980 e 90, 20 (vinte) reclusos que estiveram privados de liberdade no mesmo tempo e 20 (vinte) indivíduos que praticaram o Desporto de forma regular, mas com uma vertente amadora, recreativa ou lúdica. Este último grupo foi introduzido no estudo como referência padrão, seguindo aquilo que vem preceituado na literatura de metodologias de triangulação de dados

O objectivo da utilização da triangulação na pesquisa qualitativo é aumentar a credibilidade e validade dos resultados. Vários estudiosos tentaram, ao longo dos anos, definir triangulação. Isto é o que é considerado triangulação:

 Cohen and Manion (1986) definem triangulação como “uma tentativa de explicitar ou explicar de uma forma mais completa, a riqueza e complexidade do comportamento humano ao estudá-lo através de mais do que um ponto de vista”.

 Altrichter et al. (2008) consideram que a triangulação “oferece uma visão mais detalhada e equilibrada da situação”.

 De acordo com O’Donoghue and Punch (2003), a triangulação é “um método de cruzamento de dados de múltiplas fontes para pesquisar regularidades nos dados recolhidos.”

 Denzin (1978), identificou quatro tipos básicos de triangulação:

Triangulação de dados: envolve tempo, espaço e pessoas.

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do fenómeno em estudo.

Triangulação Metodológica: Envolve a utilização de mais do que um método para a utilização de

dados, tais como entrevistas, observações, questionários e documentos.

Importa referir que o grupo de jogadores entrevistados fizeram parte das equipas e clubes onde o entrevistador (autor do trabalho) colaborou, quer na qualidade de Observador do Jogo, quer como Metodólogo de Treino Físico ou, de alguma forma, colaborou directamente em processos de recuperação de lesões. No que se refere aos reclusos, também, duma forma directa ou indirecta, pertenceram ao grupo de alunos reclusos onde o autor do trabalho um programa técnico-pedagógico no âmbito do qual o Desporto e a Actividade Física mereceu destaque. Daí uma maior facilidade de contacto e também uma capacidade de abertura pela exposição das ideias que seria possível recolher, caso dúvidas houvesse em termos da relação de confiança.

Em relação ao grupo de controlo, procurou-se entre pessoas praticantes e ex-praticantes de desporto na área de Paços de Ferreira, onde as relações sociais do pesquisador são mais fortes.

A idade dos participantes variou no caso dos atletas entre os 40 e 55 anos, no caso dos ex reclusos entre 35 e 50 anos e do grupo de controlo entre os 30 e 50 anos.

Procurámos pessoas que tivessem passado pela experiência da transição de carreira nos mais variados espaços temporais para se conseguir uma visão mais abrangente.

3.5 Instrumentos

Como já foi referido, foi utilizado na entrevista o modelo Conceptual de Adaptação à Transição de Carreira (Taylor & Ogilvie, 1998) para os antigos jogadores do Futebol Profissional e uma adaptação deste modelo para os ex-reclusos dos Estabelecimentos Profissionais. Este modelo baseia-se numa série de questões abertas e semi- direccionadas sobre as circunstâncias relacionadas com a sua transição, os factores sociais, físicos, económicos e psicossociais inerentes, assim como a qualidade da mesma transição e algumas reflexões pessoais, por parte dos participantes.

A completar o processo, é realizado um questionário demográfico tendo em vista a realização de uma caracterização exacta de cada participante.

Foi utilizada também a Escala de Satisfação com a vida. Um instrumento que permite classificar até que ponto os participantes estão satisfeitos com a sua existência. Esta análise é realizada através de uma série de afirmações que são classificados de 1 a 7, relativas à sua experiência de vida passada.

3.6 Procedimentos

A cada participante foi pessoalmente solicitado um encontro no sentido de obter apoio para a realização duma entrevista com os fins bem explícitos, agradecendo-lhes a colaboração e garantindo-lhes a condição absolutamente confidencial do projecto.

Enquanto para o caso dos ex-jogadores de Futebol, as dificuldades de acerto de data e local, foram com relativa facilidade ultrapassadas, no referente aos ex-reclusos, não foi nada fácil. No entanto as múltiplas tentativas de

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“agarrar” este grupo muito especial de cidadãos, agora colocados em liberdade, acabaram por resultar, acabando mesmo por superar as expectativas.

O grupo de controlo foi contactado e seleccionado de entre uma série de conhecimentos próximo de pessoas que praticam ou praticaram o desporto de uma forma lúdica e ou competitiva sem ter como objectivo o alto rendimento ou a superação da privação de liberdade.

O processo de recolha dos dados teve início no final do ano 2009 e prolongou-se durante cerca de 5 meses, durando cada entrevista à volta de 70 minutos, procurando aí obter as respostas inerentes ao processo da sua retirada de carreira, ou mudança de vida, registando-se as percepções, sentimentos, comportamentos e atitudes pelas mudanças registadas.

Seguiram-se diversas técnicas de “rapport” sugeridas em diversas modelos de coaching, Maggie (2011, Cap. V). Procurou-se criar um ambiente de conforto e bem-estar, encorajando cada participante a responder da forma mais honesta possível, até mesmo providenciando-se um maior comprometimento com este trabalho de pesquisa e investigação.

Nas entrevistas foi usado o registo escrito e gravador (Sony), naturalmente assegurando toda a confidencialidade. No final das mesmas, foi repetido tudo o que fora mencionado, procurando-se rectificar qualquer imprecisão registada.

Após todo o apuramento do trabalho das entrevistas realizado, foi enviada aos próprios informação que se reportou ao reconhecimento pela prestação efectuada, anexando o trabalho de respostas efectuado, solicitando possíveis revisões de transcrições expostas.

Sendo a análise realizada ao conteúdo da entrevista uma análise de tipo qualitativo, o primeiro passo foi a transcrição dos inquéritos para suporte informático, do conteúdo de cada uma das entrevistas para facilitar o acesso à informação. Posteriormente a análise fenomenológica dos dados passou pelo envio da transcrição da entrevista (correio ou e-mail) a cada um dos participantes para confirmação da veracidade e autenticidade das mesmas, pedindo-lhes que, caso fosse necessário poderiam proceder a alterações, tendo em vista a fiel transmissão das suas perspectivas. A falta de resposta por parte dos participantes foi assumida como uma aceitação por parte dos mesmos, da correcção da transcrição. As entrevistas em suporte informático foram depois verificadas através de uma justaposição destas, com o seu suporte áudio. Em seguida, procedeu-se a uma leitura literal e integral das entrevistas para familiarização com todos os dados, seguida de uma leitura interpretativa, sendo identificadas e seleccionadas as unidades de texto mais significativas. Por último, os dados recolhidos e seleccionados, foram organizados por dimensões nucleares, categorias e tópicos mais relevantes para o estudo em curso.

Para nos auxiliar na análise quantitativa e científica dos factos recolhidos, fizemos uso da Escala de Satisfação com Vida, que nos permite, através do somatório da classificação que cada um dos participantes, atribui a cada uma das frases, descobrir e definir o seu grau de satisfação para com a sua vida.

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Capítulo IV