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New Opportunities and Lasting Restrictions

Chapter 4 FINDING OPPORTUNITIES AND SETTING GOALS

4.2 General Comments on Opportunities and Goals

4.2.1 New Opportunities and Lasting Restrictions

No século XIX, por variadas razões que aqui serão analisadas, foram abertos outros hospitais. Eram unidades de tratamento que objectivavam cuidar e tratar militares doentes. A sua abertura atesta o grande volume deles e de certa forma a incapacidade do hospital de São Marcos dar resposta à procura feita por parte dos militares doentes. Esta incapacidade não advinha propriamente da falta de competências dos profissionais e funcionários do hospital, mas da sua lotação. Há que ter em conta, que o hospital de São Marcos é um hospital civil, destinado a pobres e concebido para lhes prestar assistência. Aquando da sua criação não se equacionava

70 Castro, Maria de Fátima, A Misericórdia de Braga: a assistência no hospital de S. Marcos, Volume IV …, p. 118.

71 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1826 – 1834, Nº 25, fls. 233 v. – 234.

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o tratamento de militares. As vicissitudes dos tempos, e a ausência de hospitais militares, como também a qualidade do tratamento, levaram a que os militares procurassem o hospital de São Marcos.73

1.2.1 O “hospital de sangue” do Pópulo

A solução de criar um hospital suplementar, para tratar uma enchente de enfermos militares, não era novidade. Durante a Guerra Peninsular, em Vila Viçosa, estando o hospital do Espírito Santo completamente sobrelotado, foi aberto um “hospital de sangue” no Paço Ducal, para assistir aos feridos de guerra.74

Em Braga, o antigo convento do Pópulo, além de servir de quartel para os corpos militares que se encontravam na cidade, estava a ser usado pelo menos desde 29 de Setembro de 1832 como uma enfermaria provisória para militares feridos na “acção do dia 29” de Setembro. Como o hospital de São Marcos possuía apenas 200 camas nesta altura e já tinha espalhadas pelos corredores camas improvisadas no chão por ter 357 soldados internados, foi necessário recorrer a outro espaço.75

No começo de Outubro de 1832, foi decidido pela Mesa da Santa Casa a fundação de um “hospital de Sangue” como “suplementário” ao hospital de São Marcos. A sua instalação no convento do Pópulo, tinha vindo a ser usado pelos militares como quartel76, pelo que para “bom

regime” do “hospital de sangue” do Pópulo se iria proceder à “separação de casas para uso” do hospital em questão, entre hospital e quartel. O seu sistema administrativo seria igual ao do hospital de São Marcos, tendo sido nomeado para provedor deste hospital António José Ferreira e director o cirurgião José Joaquim Gomes da Costa.77 Ou seja, o hospital do Pópulo tinha corpos

gerentes próprios, ainda que articulados com os órgãos de gestão da Misericórdia de Braga. A

73 ADB, Gomes, João Baptista Vieira, Memórias de Braga, Ms. Nº 336, fls. 104 – 105.

74 Araújo, Maria Marta Lobo de, A Misericórdia de Vila Viçosa: de finais do Antigo Regime à República …, p. 140.

75 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Registo de officios recebidos e expedidos 1814 - 1833, Nº 715, fl. 153.

76 Consulte-se Capela, José Viriato Eiras; Borralheiro, Rogério; Matos, Henrique, O Heróico Patriotismo Das Províncias do Norte: Os Concelhos Na

Restauração de Portugal de 1808 …, p. 215.

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26 de Outubro de 1832 foi assinado o “Título de autorização e nomeação do hospital erecto no Convento do Pópulo como subsidiário do de São Marcos”.78

Este hospital, contudo, apesar de ter administração independente, sempre que emitia alguma espécie de registo ou documento como, por exemplo, relações de militares feridos para expedir para cobrança junto da entidade competente, fazia-o sempre em nome do hospital de São Marcos.79

Não se sabe quando fechou, mas nos registos posteriores, o convento do Pópulo aparece apenas mencionado como quartel. É certo que foi desmantelado com o termo das Lutas Liberais, pois não havia mais razão para a sua existência.

1.2.2 O “Hospital Militar de São Marcos”

Outra solução aplicada era a “criação de um hospital Militar fora das paredes do hospital dos pobres, e fornecido por conta da fazenda nacional a fim de se evadir as despesas de perigosa satisfação, e talvez duvidosas.”80 Em Outubro 1832 o Dr. José Manuel de Araújo foi

consultado para realizar uma “tabela regulamentar” para o “hospital Militar de São Marcos”, que mal aprovada foi posta em vigor.81 Em 1837, há registo de que o boticário de São Marcos

receberia um salário superior enquanto o “hospital militar estiver no hospital” de São Marcos.82

Pode-se depreender que este tipo de hospital militar, instalado ou nas imediações do São Marcos, ou num edifício contíguo ou mesmo dentro do próprio hospital, se serviu dos profissionais de saúde do hospital de São Marcos, mas seria completamente pago pelo Estado. Pode-se assumir que era um hospital criado e gerido pela Santa Casa e os militares. Desta forma pode-se pensar que durante as Lutas Liberais, além do “hospital de sangue” do Pópulo, do hospital civil de São Marcos, haveria ainda o hospital militar de São Marcos. Contudo, seria um hospital de pequenas dimensões, tendo uma existência ainda mais dependente do hospital civil de São Marcos do que o “hospital de sangue” do Pópulo. Provavelmente, este “hospital Militar

78 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1826 – 1834, Nº 25, fl. 298 v.; Registo de officios recebidos e

expedidos 1814 - 1833, Nº 715, fl. 155.

79 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Registo de officios recebidos e expedidos 1814 - 1833, Nº 715, fl. 161.

80 ADB, Gomes, João Baptista Vieira, Memórias de Braga, Ms. Nº 336, fls. 104 – 105.

81 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1826 – 1834, Nº 25, fls. 296 – 296 v.

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de São Marcos”, criado em 1832, esteve na génese do hospital do Pópulo, na medida em que os militares procuravam meios de tratar os seus doentes. Não se encontram mais referências a este hospital depois de Outubro de 1832. As razões para o seu encerramento podem ter sido bastantes: a exiguidade do espaço, a falta de profissionais de saúde, ou questões financeiras do Exército. Ao fim e ao cabo, era mais compensatório para os militares que a Santa Casa criasse o “hospital de sangue” do Pópulo, do que estarem eles a sustentar o hospital militar de São Marcos, na medida em que se desculpavam da sua gestão e sustento, pagando meramente no Pópulo o pagamento do tratamento dos militares.

1.2.3 Outros hospitais militares de Braga

Os hospitais militares analisados no presente ponto, são hospitais fundados e sustentados pelo Exército, pelo que a Santa Casa da Misericórdia de Braga não desempenhou qualquer função na sua criação, nem muito menos na sua gestão.

Apesar de não se encontrar em funcionamento em 1810, esteve instalado um hospital militar no convento do Pópulo, por autorização do “Reitor do convento da Graça do Pópulo”. Apenas ocupou uma parte do convento. Depreende-se que se tratasse de um hospital aberto de emergência e que dada a ausência de espaços amplos, ou com condições, se tenha feito uso das instalações do convento do Pópulo. Independentemente disto, esta utilização marcou o uso do edifício do convento do Pópulo como um espaço militar, ora sendo usado como hospital para militares, ora sendo usado como quartel.83

Em 1814, dá-se o fecho de um hospital militar instalado84 em Braga que tinha o nome de

“hospital Regimental da Infantaria Nº3”85. Não há fontes que precisem a sua data de abertura,

mas é provável que se tenha dado com vista a aliviar a sobrelotação do hospital de São Marcos. Em 1828 estava, ainda que em estado deplorável, instalado um hospital militar, nos “Congregados”. Tinha por nome, “hospital Militar dos Congregados”. A sua existência efémera foi posta a cobro, quando as forças liberais em 1828 à cabeça de Sá da Bandeira, se retiraram

83 Capela, José Viriato Eiras; Borralheiro, Rogério; Matos, Henrique, O Heróico Patriotismo Das Províncias do Norte: Os Concelhos Na Restauração

de Portugal de 1808 …, p. 215.

84 Desconhece-se a sua localização.

85 Sobre a ideia de criação de hospitais regimentais em Portugal, leia-se Martins, Luís Augusto Ferreira, História do Exército Português, Lisboa,

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de Portugal rumo à Galiza, em virtude de estarem no seu encalço forças realistas. Este hospital ficou entregue ao “desleixo, e desprezo, sem sentinelas, nem quem cuidasse da vida dos doentes”, motivado pela pressa com que as forças liberais se colocaram em fuga de Braga, para evitar um confronto ainda maior com as forças realistas. Em consequências, as sentinelas puseram-se em fuga, tendo o hospital sido alvo de furtos e extravios de toda a espécie. Acabaria a população de Braga por ter compaixão dos seus doentes militares, assistindo-os como podia. O provedor da Misericórdia de Braga tratou das diligências necessárias para transferir os doentes internados nos “Congregados” para o hospital de São Marcos.86

Em 1844, há novamente notícia de um hospital Militar “que está criado” no convento do Carmo.87 Este mesmo hospital estava ainda em funcionamento em 1846.88

1.3 Os que curavam e os que ajudavam a curar: os que geriam e os que ajudavam a