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From Hopes and Dreams to Everyday Struggles and Challenges

Chapter 4 FINDING OPPORTUNITIES AND SETTING GOALS

4.2 General Comments on Opportunities and Goals

4.2.3 From Hopes and Dreams to Everyday Struggles and Challenges

Cabia ao cirurgião a missão de ser o mecânico do corpo, reparando-o quando este avariava, ou apresentava anomalias.

110 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1834 - 1842, Nº 26, fls. 106 v. – 107.

111 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Este livro ha de servir para nelle se lançarem as rezoloções de negócios que se

resolveram nesta Meza, 1799 – 1806, Nº 22, fl. 24 v.

112 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Este livro ha de servir para nelle se lançarem as rezoloções de negócios que se

resolveram nesta Meza, 1799 – 1806, Nº 22, fls. 51 v. – 52 v.

113 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Este livro ha de servir para nelle se lançarem as rezoloções de negócios que se

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O médico fazia os diagnósticos das doenças e dava o respectivo tratamento para lhe fazer frente. Fazia visitas regulares às enfermarias, aumentando as mesmas em épocas de avultado número de doentes, para acompanhar a sua recuperação.114 O médico, tinha ainda

como função, prescrever a alimentação dos doentes. Pelo que em 1832, a Mesa forçou os directores de São Marcos e do Pópulo a obrigarem a cumprir-se as dietas dispostas no regulamento dos hospitais militares.115 Eram dietas elaboradas por médicos militares, que tinham

racionamentos calibrados.

Em 1837, exigiu-se aos médicos que formalizassem dois “mapas necrológicos”, de acordo com o decreto de 31 de Janeiro de 1837.116 Muito provavelmente seria para serem

usados pelas autoridades civis para alguma forma de controlo. E provavelmente no caso dos militares, para terem um conhecimento mais específico sobre as “baixas” militares. Os médicos civis, pelo regulamento dos hospitais militares, sempre que tratassem de enfermos militares, teriam direito a uma “gratificação” dada pela “Tesouraria Geral dos Exércitos”. Contudo, para obterem esta “gratificação”, era necessário que redigissem os mapas correctamente.117 Era uma

tarefa que exigia tempo, fazendo com que os médicos fossem auxiliados por escriturários. É provável, que repartissem a “gratificação” entre si, daí explicar, por vezes, um tão grande número de escriturários quando aumentava a entrada de militares no hospital.

Cabia aos médicos e cirurgiões do hospital a realização dos exames do “Corpo de delito”118 na “Sala da Anatomia”. Para obviar a esta função, foi aberta uma porta nessa sala para

que tal entrada e saída fosse mais cómoda.119 Por um lado, a existência de cadáveres facilitava o

ensino na Escola de Cirurgia,120 e desta forma os professores poderiam dar aulas práticas de

melhor qualidade aos alunos, bastante abonatório para os conhecimentos gerais destes sobre anatomia.

114 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1817 – 1826, Nº 24, fls. 254 – 255.

115 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1817 – 1826, Nº 24, fls. 297 v. – 298.

116 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1834 - 1842, Nº 26, fls. 208 v. – 209 v.

117 Regulamento para os Hospitais Militares, Lisboa, Impressão Régia, 1813, pp. 145 – 146.

118 Como, por exemplo, fazer a autópsia de um indivíduo vítima de assassinato.

119 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Este livro ha de servir para nelle se lançarem as rezoloções de negócios que se

resolveram nesta Meza, 1799 – 1806, Nº 22, fls. 70 – 70 v.

120 A aula de cirurgia foi criada por D. frei Caetano Brandão em 1798 no hospital de São Marcos. Veja-se Abreu, José Paulo, Em Braga de 1790 –

1805. D. frei Caetano Brandão: o reformador contestado, Braga, Universidade Católica Portuguesa/Faculdade de Teologia – Braga, Cabido Metropolitano e Primacial de Braga, 1997, p. 165.

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Os cirurgiões de São Marcos eram profissionais de boa qualidade, a avaliar pelas “gratificações” monetárias que recebiam, pelo bom desempenho de suas funções.121

Os cirurgiões eram recrutados da mesma forma que os funcionários. O mesmo se deduz para os médicos e o boticário. Era fixado um edital, onde se estipulava os requerimentos necessários a apresentar pelos interessados.

Cada enfermaria, até 1806, possuía apenas um cirurgião, contudo, nessa data houve alterações, muito provavelmente motivadas com questões racionais e pragmáticas relacionadas com o melhor funcionamento e eficácia do tratamento. As enfermarias passaram agora a dispor de dois cirurgiões, o “1º Cirurgião” e o “2º Cirurgião”. Desapareceu o cargo de sangrador, passando o “2º Cirurgião” a desempenhar a sua função e a função de “lançar as ventosas” também. Depreende-se que o “2º Cirurgião” deveria ser um cirurgião mais novo e com menor experiência profissional, da mesma forma se pode pensar que quando saía o “1º Cirurgião” de funções, o seu lugar era assumido pelo “2º Cirurgião”, passando desta forma por progressão na carreira a “1º Cirurgião” e contratando-se um novo “2º Cirurgião”.122

Alguns cirurgiões eram irmãos da Santa Casa, como o caso de António de Oliveira, que em situação de emergência pela ausência de um dos cirurgiões foi nomeado para desempenhar funções como cirurgião dos homens, em Dezembro de 1807, visto que o cargo estava vagante naquele momento.123

Os conflitos armados, que decorreram ao longo da primeira metade do século XIX, muito naturalmente fizeram com que estes cirurgiões aumentassem a sua capacidade, conhecimentos e destreza nas cirurgias.124 Muito provavelmente o mesmo também aconteceu quer com

funcionários, quer com os restantes clínicos.

121 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1806 - 1817, Nº 23, fls. 19, 53 - 54; Livro dos Termos 1826 – 1834,

Nº 25, fls. 36 - 36 v.

122 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1806 - 1817, Nº 23, fl. 19.

123 ADB, Fundo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Livro dos Termos 1806 - 1817, Nº 23, fls. 55 v. – 56.

124 Veja-se a seguinte análise sobre a experiência adquirida pelos cirurgiões franceses em tempo de guerra em Ackernecht, Erwin H. , La médicine

hospitalière à Paris (1794-1848) …, pp. 182-183.

Sobre a acção de alguns cirurgiões portugueses na Guerra Peninsular, veja-se Assis, José Luís, “Cirurgiões e cirurgia nas campanhas peninsulares”, in Actas do Colóquio de História Militar. O serviço de saúde militar na comemoração do IV centenário dos irmãos hospitaleiros de São João de Deus em Portugal, Vol. II …, pp. 791 – 822.

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Mesmo assim, havia cirurgiões que abusavam do seu poder, como aconteceu em 1821, com o “Primeiro Cirurgião” João António da Maia, sendo este acusado de “excessos” que prejudicavam as suas actividades, bem como de “usurpações”.125

O boticário era o responsável pela botica do hospital.126 Da mesma forma que era ele o

responsável pelo fabrico dos medicamentos prescritos pelos médicos para serem usados nos doentes internados no hospital. Desempenhou sempre um papel de destaque na cura dos militares, na medida em que possuía os conhecimentos necessários para produzir os medicamentos.127

Os boticários do hospital devem ter sido bons profissionais, mesmo em tempo de crise, a avaliar pelas “gratificações” monetárias que recebiam por bons préstimos.128