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Nevn hvordan klubbens visjon vektlegges i forbindelse med forhandlinger ved salg av spillere?

O que é cultura? O que é popular? As teses se contradizem, se complementam, se superpõem, se excluem. Quando se unem os termos e produz uma “cultura popular” ampliam-se as contradições. Há de se tomar cuidado com a apropriação “cult” da classe dominante, nesse caso, povoado de intelectuais, bem como com os preconceitos que essa mesma classe tende a impor quando não se apropria, não comunga, não aprova aquilo que vem de baixo, dos subalternos, da periferia dos centros ou dos centros underground das urbis. No Dicionário Eletrônico Houaiss de Língua Portuguesa, o conceito de cultura está relacionado com “o conjunto dos cidadãos de um país, excluindo-se os dirigentes e a elite econômica.” Já no Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa propõe a idéia de povo “é uma parte do conjunto total de participantes de uma sociedade”. Assim, por exclusão, chegamos à conclusão que a dita cultura popular seria então um conjunto de práticas culturais realizadas pelos integrantes inferiores das camadas sociais. Para Peter Burke o termo cultura é ainda mais complexo:

O conceito é polêmico. Para o antropólogo Nestor Canclini, a abrangência do conceito proporciona dois inconvenientes: 1) apesar de ter produzido uma equivalência entre as culturas, ela não consegue dar conta das desigualdades entre elas. Ou ainda: de como as diferenças se transformam em desigualdade. 2) na medida em que pensa todos os fazeres humanos como cultura, ela não dá conta da hierarquização desses fazeres e o peso distintivo que possuem dentro de uma determinada formação social. Canclini, então, propõe:

O termo cultura tendia a referir-se à arte, literatura e música (...) hoje, contudo, seguindo o exemplo dos antropólogos, os historiadores e outros usam o termo “cultura” muito mais amplamente, para referir-se a quase tudo que pode ser apreendido em uma dada sociedade, como comer, beber, andar, falar, silenciar-se e assim por diante (Burke, 1989:25).

Cultura é a produção de fenômenos que contribuem, mediante a representação ou reelaboração simbólica das estruturas materiais, para compreensão, reprodução ou transformação do sistema social,

ou seja, a cultura diz respeito a todas as práticas e instituições dedicadas à administração, renovação e reestruturação do sentido. Canclini, 1983:29).

Os processos ideais (de representação e reelaboração simbólica) remetem a estruturas mentais, a operações de reprodução ou transformação social, a práticas e instituições que, por mais que se ocupem da cultura, implicam certa materialidade. E não só isso: não existe produção de sentido que não esteja inserida em estruturas materiais (Canclini, 1983:29).

Canclini, criticando o simplismo teórico de conceitos atuais de cultura que foca o campo das crenças, dos valores e das idéias, observa que a cultura deve se encaminhar no sentido de não se identificar o cultural com o ideal, nem o de material com o social, e sugere a impossibilidade de tratar esses níveis de forma separada:

A raiz da questão talvez esteja na etimologia. Para Marilena Chauí, em sua obra Conformismo e Resistência: Aspectos da Cultura Popular no Brasil, cultura vem do verbo latino colere, que no sentido original significava cuidado no plantio. Por analogia o termo se expandiu para uma série de situações em que se necessitava de colere. Assim, todo e qualquer cuidado com o homem, material ou simbólico, gerou uma preservação da memória e a transmissão de como se deveria processar esse cuidado, o que acabou se interagindo com a educação e o cultivo do espírito. A cultura possuiria no homem, então, um espaço onde se cultivaria a verdade e a beleza, inseparáveis da natureza e do sagrado. No século XVIII, o vocábulo se une a outro: civilização. A partir daí ocorre um deslocamento onde se digladiam várias correntes de pensamento. Para os românticos, civilização é artificialidade, convenção, “sujeição da sensibilidade e do bom natural aos espartilhos da razão artificiosa”, cultura era “bondade natural, interioridade espiritual”.

(Rousseau apud Chauí, 1986:12). Assim, o conceito estabelecido a partir do Século XVIII era gerado dentro das lides do pensamento ilustrado, que via na cultura a artificialidade, pois a natureza era entendida, por essa perspectiva, como contingência e imobilidade, o “reino das causas mecânicas”. Já a cultura era a arte inventiva, a mobilidade, o “reino humano da história”. Mas, foi na Alemanha dos irmãos Grimm e de J.G. Herder onde ocorre a maior valorização do popular. Para esses autores,

não era apenas a estética que gerenciava o processo, mas havia uma busca por outras formas de expressão que tendiam a desaparecer rapidamente em função do urbanismo e do próprio processo civilizatório, que de certa forma privilegiava o artificial em função do natural. Para esses autores, a cultura popular era uma forma de produção coletiva, desindividualizada, expressão do desejo comum de dada coletividade. A cultura popular, então, adentrou os salões da nobreza e se globalizou rapidamente. Para Burke, existiram algumas razões para esse deslocamento: 1) razões estéticas, que se referiam a uma insubordinação contra o artificial na arte culta e consequentemente na valorização das formas simples. 2) razões intelectuais, que tinham a ver com uma postura hostil para com o iluminismo, enquanto pensamento valorizador da razão em detrimento do sentimento e das emoções. Havia, também, um desprezo para com as regras clássicas da dramaturgia, herdadas do pensamento aristotélico. O próprio Herder e também Goethe se manifestaram apoiando o rompimento das unidades clássicas afirmando que elas eram por demais inibidoras da espontaneidade e da imaginação. 3) razões políticas, que estavam ligadas as hostilidades contra a França, e seu iluminismo, alimentadas por países como Alemanha e a Espanha num momento extremamente conturbado na Europa, a formação dos Estados Nacionais, o que gerava uma exaltação das “coisas populares”:

Para Barbero, a ascensão das camadas populares já estava configurada desde o século XIX. Em função disso, faz críticas a autores que sugerem que o fenômeno tenha ocorrido somente nos anos 30 e 40 do século passado. Barbero analisa, então, Tocqueville. Para ele, a massa ameaçava de fora para dentro escopo social, representando um perigo exterior. O povo era visto como parte integrante do tecido social, de onde O programa iluminista deixava clara a sua contradição, no que tange a presença do povo no novo cenário político que iria surgir a partir do final do século XVIII. A figura do povo legitimava o poder da burguesia na medida exata em que essa invocação articula sua exclusão da cultura. É essa exclusão que possibilitará a conceituação do povo pela sua negatividade. O povo será definido então pelo que lhe falta e essa ausência de cultura se ligará a idéia de povo inculto, portando, desprovido de capacidade de ação política do ponto de vista de uma ação racional. (Barbero, 2003:36).

emergia o sentido de justiça, legalidade, etc. Tocqueville percebia nessa configuração a origem da democracia moderna, o que constituía uma problemática. Barbero aponta:

Stuart Mill é outro pensador que mereceu de Barbero uma atenção. Na mesma perspectiva de Tocqueville, Mill sugere que a sociedade se constitui numa “vasta e dispersa agregação de indivíduos isolados” e que a igualdade geraria uma vida mais orgânica, mas que em função do rompimento das relações de hierarquia ocorreria uma degradação social. Assim, Mill vê a massa como uma “mediocridade coletiva”. A psicologia, principalmente as “Barricadas de Paris”, permitira uma análise mais científica das massas, principalmente em relação ao controle social. Para o psicólogo Gustave Lê Bon, a massa era inevitável diante do surgimento da indústria. Via nela um fundamento denominado “alma coletiva”, que gerava uma ação do indíviduo na massa completamente diferente se estivesse fora dela. Acrescentava, ainda, que essa alma se formava através de uma “regressão até um estado primitivo” (Barbero, 1997:60). Outro pensador citado por Barbero é Ortega y Gasset, adepto de uma análise pessimista e que enxerga na massa apenas um retrato da decadência ocidental. Para ele, o cenário do século XX foi da “mediocridade e especialização” ocupando espaços, até então, dominados por minorias criativas:

Se democrática é uma sociedade na qual desaparecem as antigas distinções de castas, categorias e classes, e na qual qualquer ofício ou dignidade é acessível a todos, uma sociedade assim não pode não relegar a liberdade dos cidadãos e a independência individual a um plano secundário: o primeiro ocupará sempre a vontade das maiorias. E desse modo o que vem a ter verdadeira importância não é aquele em que há razão e virtude, mas aquele que é querido pela maioria, isto é; o que se impõe unicamente pela quantidade de pessoas. Dessa maneira o que constitui o princípio moderno do poder legítimo acabará legitimando a maior das tiranias (Barbero, 1997:57)

A rebelião das massas é a mesma coisa que Rathenau chamava de a invasão vertical dos bárbaros. Ou seja; o retorno daquela definitiva idade média que não é a histórica, pois não está no passado, mas no futuro- presente e seus bárbaros invadindo-nos agora verticalmente, quer dizer, de baixo para cima. (Barbero,1997:65).