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Neurofeedback som en behandlingsmetode

2.   TEORETISK REFERANSERAMME

2.3.   Neurofeedback som en behandlingsmetode

A presente dissertação chega, neste capítulo, ao seu final. A breve iniciação ao tema proposto para a elaboração desta dissertação, assim como os objetivos e questões da pesquisa contidos nesta, foram expostos no capítulo 1. Como objetivo, estabeleceu-se o estudo da Saúde e Segurança nas Pequenas e Médias Empresas do setor industrial da cidade de São José dos Campos, SP, estudo este apoiado pela análise de casos, feita qualitativamente. Centrou-se tal investigação na forma de inserção de ações em SST nas PME, com especial enfoque nas ações Ergonômicas.

Diante do problema de saúde pública refletida no adoecimento do trabalhador por conseqüência não só da falta de vigilância por parte deste, mas também por uma suposta falta de ações efetivas provindas e gerenciadas pelas empresas, decidiu-se investigar tanto literatura quanto empresas, para assim sugerir constructos que explicassem o problema de Saúde, Segurança e pouca disseminação da Ergonomia nas PME. A literatura evidenciou, quanto às PME, uma série de peculiaridades inerentes a estas, tais como grande heterogeneidade entre si em termos de cultura, capacidade inovativa, disposição de recursos etc – os quais dificultam estabelecer critérios classificatórios –, bem como a grande diferença entre estas e as grandes empresas, em termos de estrutura, gerenciamento, formação e qualificação profissional, formalização, fomento etc. Toda essa diferença entre empresas evidenciou que não se podem desenvolver programas e mecanismos, sejam estes gerenciais, de financiamento ou políticas, sem considerar a grande diversidade encontrada no meio, ficando claro que principalmente os programas voltados para as grandes empresas não são facilmente adaptáveis às pequenas. Os mecanismos e programas para a PME devem ser flexíveis ante às particularidades e dificuldades de cada ambiente no qual propõe intervir, para que desta forma não haja barreiras intransponíveis ou para que as dificuldades não desestimulem sua adoção.

Em se tratando de ações voltadas à Saúde e Segurança dos trabalhadores nas PME, a revisão mostrou diversas formas de abordagens em países como Japão, Coréia, Dinamarca, Noruega, França e outros. Observou-se em todos os estudos um consenso, relativo à condução muitas vezes informal ou incompleta das ações em SST e em Ergonomia, com pouca elaboração destas e grandes dessaranjos locais, sendo muitas das empresas investigadas marcadas por possuir um ambiente que não provê condições para a manutenção

da saúde e segurança, estando muitas das ações em segurança focadas no estímulo ao uso dos EPI’s e orientações. Outra evidência em muitos destes estudos é o cumprimento do mínimo exigido por lei. Os motivos podem ser diversos, particulares de cada empresa, sendo que as justificativas versam em torno da falta de recursos, de informações e de pessoas treinadas para administrar ações deste tipo em empresas pequenas, uma vez que faltam profissionais providos de tal competência no quadro das PME.

Alguns autores, entretanto, perguntam até onde os programas estão ajustados aos constrangimentos vivenciados pelas PME, sendo claro que as principais correntes da Ergonomia –Human Factors e Abordagem Situada –, tiveram como base para seu desenvolvimento as Grandes Corporações, estando também muito disseminadas no setor de serviços pela grande incidência de LER1, esta fortemente relacionada às condições de trabalho. Em tempo, é importante destacar a importância de transformar o trabalho não só para reduzir casos de LER/DORT, mas também para eliminar outros riscos inerentes ao local ou agravos à psique do trabalhador. Tal redução dos constrangimentos relaciona-se a uma nova situação de trabalho, estimulada pela mudança de artefatos, maquinários e mesmo à estrutura organizacional. A evidência de problemas relativos à disseminação da Ergonomia fica clara diante de alguns caminhos procurados por pesquisadores de outros países para desenvolver métodos principalmente destinados à PME, tais como a Lista de Verificação Ergonômica (ILO/IEA) e o Diagnostic Court (ANACT).

A elaboração das questões principais da pesquisa desenvolveu-se à medida que a revisão da literatura refinava-se e a exploração dos primeiros dados práticos, caracterizados em um estudo piloto, foi feita. Logo, tanto o processo exploratório inicial dos dados empíricos quanto o refino da pesquisa bibliográfica foram colaboradores para o direcionamento da investigação a ser conduzida e apresentada nesta dissertação. No final do capítulo 2 foram apresentadas, com maior refino, as perguntas que conduziram a investigação prática. Convém repeti-las:

- “Como são gerenciadas e conduzidas ações em SST no ambiente laboral?” - “Quais as condições de SST evidenciadas nas empresas de pequeno e médio porte em nosso país?”

- “Como a ergonomia insere-se nestes ambientes – incluindo a visão corporativa sobre a importância da ação?”

1 Rememorando que hoje há uma terminologia mais abrangente, DORT – Doenças Osteomusculares

- “As dificuldades em cumprir as normas de SST dentro das empresas de pequeno e médio porte guardam relação com o fato das mesmas terem sido criadas para as grandes empresas, as quais por sua vez apresentam características organizacionais e recursos financeiros diferentes dos encontrados nas empresas de menor porte?”

Expandir a investigação para o estudo das ações em SST, não se restringindo somente à investigação da Ergonomia, mostrou-se essencial para uma melhor compreensão do tratamento à saúde nas PME e, conseqüentemente, para entender o processo que motiva investimentos nestas áreas, uma vez que a SST mantém estreita relação com a Ergonomia, sendo a última parte da primeira, já que agir sobre o ambiente trará conseqüências sobre a saúde dos trabalhadores.

Seguindo a metodologia exposta no capítulo 3 – entrevistas, checklists, questionários –, obteve-se como resultado prático a comprovação do cumprimento do mínimo exigido pela nossa legislação em termos de ações de SST no que tange às NRs 4,5,6,7 e 9. A Ergonomia –NR 17, por sua vez, não está presente em todos os ambientes estudados, sendo cumprida informalmente mesmo aonde há este interesse em intervir e aonde há o reconhecimento da importância da disciplina. Tal resultado, exposto no capítulo 4, evidencia a dificuldade na implementação de ações formais na empresa, já demonstrado anteriormente na literatura. O estudo prático desenvolvido neste trabalho mostrou que também a cultura de fábrica característica por sua resistência gera comprovada contribuição para a não-aceitação de ações em Ergonomia por muitos empresários, sendo a resistência às mudanças e a possível tendência à falta de diálogo, aliada ao autoritarismo, outros possíveis agentes impeditivos de ações ergonômicas, principalmente no que tange a um processo participativo de elaboração das mudanças, comum em ações moldadas na Abordagem Situada. Observou-se que, nas empresas estudadas, quanto maior o autoritarismo e a falta de recursos, menor a tendência em assumir ações ergonômicas.

O estudo nesta dissertação apresentado mostra, neste último capítulo, o confronto entre seus resultados apresentados no capítulo 4 e os dados presentes na literatura explícita no capítulo 2, seguidos por uma crítica aos métodos e aos meios como são feitas ações em SST e em Ergonomia nas PME. As considerações finais do estudo também são apresentadas após toda a discussão.