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In document Remote vessel survey using VR (sider 60-63)

As infraestruturas confeccionadas pela técnica CAD/CAM foram as que apresentaram menores valores de desadaptação marginal vertical, como também, menores médias de tensão. Quanto a desadaptação marginal vertical, verificou-se que o grupo de infraestruturas confeccionadas por fundição, além de apresentar maior valor médio da desadaptação, também possuiu a maior variabilidade dos resultados, demonstrando que essa técnica foi menos precisa.

Takahashi e Gunne (2003) apresentaram resultados semelhantes ao comparar a adaptação marginal vertical de infraestruturas confeccionadas por CAD/CAM (15 infraestruturas), com liga de titânio e fundição, com liga de ouro (5 infraestruturas). Seus resultados demonstraram que houve significativamente melhor adaptação das infraestruturas em CAD/CAM.

No entanto, Zaghloul e Youniis (2012) demonstraram alto valor de desadaptação marginal vertical em todos os grupos (Cerec3 - Sirona Dental System, Bensheim, Germany, Fundição em monobloco e Zircozahn- Zirconzahn, Italy). Dessa vez, os maiores resultados foram para o grupo CAD/CAM.

A presente pesquisa e o estudo de Zaghloul e Youniis (2012), apesar de utilizarem a zircônia para fabricar infraestruturas em CAD/CAM, apresentaram resultados diferentes. Entretanto, além de haver diferenças na composição da zircônia, as diferenças no grau de contração entre os blocos de zircônia durante a sinterização podem ter influenciado essa divergência (OH et al., 2010). Ainda, o presente estudo, bem como os estudos de Zaghloul e Youniis (2012) e de Takahashi e Gunne (2003) utilizaram sistemas CAD/CAM distintos e esse fator pode também interferir nos resultados, já que há variação no processo CAD e na usinagem entre as marcas (CUNHA et al., 2012).

Quanto aos resultados do estudo em questão, verificou-se que o grupo de infraestruturas confeccionadas por fundição, além de apresentar maior valor médio da desadaptação, também possuiu a maior variabilidade dos resultados, demonstrando que essa técnica foi menos precisa. Assim, acredita-se que a tecnologia CAD/CAM possibilite a obtenção de peças mais precisas, pois as desadaptações seriam amplamente minimizadas devido à ausência das etapas manuais de enceramento, inclusão, fundição e polimento. Ademais, haveria maior controle do meio ambiente de processamento pela utilização de

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softwares específicos para determinar as dimensões necessárias dos materiais com base nas suas propriedades físicas e mecânicas (HURSON, 1996; HAMMERLE et al., 2009).

Entretanto, a literatura apresenta-se dividida. Quando compararam a desadaptação vertical de infraestruturas fabricadas por CAD/CAM com fundição sobre implantes, Torsello et al. (2008) verificaram que houve maior desadaptação para peças de CAD/CAM, enquanto Katsoulis et al. (2012) e Sierraalta et al. (2012) obtiveram menores resultados para o método CAD/CAM. Contudo, não houve uma padronização na fabricação das infraestruturas em CAD/CAM, tipo de material utilizado para confecção das mesmas, nem da metodologia de avaliação entre as pesquisas, ficando limitada a comparação entre elas.

Katsoulis et al. (2012) testaram mais de um tipo de material em sua pesquisa e, ao comparar titânio com zircônia, não encontraram diferença estatísticamente significante de desadaptação marginal vertical. Enquanto no trabalho em questão, houve influência do material, pois o grupo Zircad demonstrou maior média de desadaptação marginal vertical do que o grupo CoCrcad.

Sierraalta et al. (2012) utilizaram o método de medição virtual CMM (Máquina de Medição por Coordenadas). Segundo Hjalmarsson et al. (2010) esse processo pode subestimar as desadaptações verticais possíveis de serem encontradas, já que nele há uma sobreposição virtual de imagens de forma que haja um encaixe das peças com uma posição que ofereça o melhor ajuste. Para Katsoulis et al. (2012), a melhor maneira de medir a desadaptação é diretamente sobre as imagens que podem ser obtidas a partir do microscópio óptico, utilizado por esses autores em seu estudo, ou do microscópio eletrônico, metodologia eleita nesta pesquisa - pois o microscópio eletrônico apresenta melhor nitidez de ampliação das imagens do que o microscópio óptico.

No que concerne a tensão, outro fator importante que deve ser padronizado nos estudos é a avaliação da desadaptação com todos os parafusos apertados ou com o parafusamento apenas de uma extremidade da infraestrutura. A pesquisa de Katsoulis et al. (2012) relata que aplicou o teste do parafuso único para as suas análises, já Torsello et al. (2008) não forneceram essa informação. O presente estudo optou pelo teste do parafuso único para realizar as medições, pois, de acordo com Hjalmarsson et al. (2010), ao aumentar o aperto do parafuso, há uma diminuição da desadaptação vertical existente, todavia, ocorre a geração de altos níveis de estresse nos parafusos e na região de tecido peri-implantar. Assim, o parafusamento de todos os parafusos poderia transmitir uma falsa informação de melhor passividade.

Segundo Millington e Leung (1995), a concentração de cargas é influenciada pela discrepância marginal existente entre a infraestrutura parafusada e o pilar ou entre ela e o implante.Eles puderam verificar essa influência em infraestruturas fundidas parafusadas sobre pilares com desadaptações marginais verticais induzidas através de calços na interface pilar/infraestrutura, fazendo as medições das áreas de tensão por intermédio de ensaio fotoelástico. Concluíram, então, que há relação direta entre a magnitude da tensão e o tamanho da discrepância.

Isso pôde ser verificado na presente pesquisa. Ela avaliou a tensão pelo ensaio fotoelástico por ser um método que possibilita de maneira eficaz a sua análise qualitativa e também quantitativa (BERNARDES et al., 2009). O grupo CoCrci, que fez uso da técnica convencional, apresentou maior tensão ao redor dos implantes e foi o que possuiu maior índice de desadaptação marginal vertical sobre os pilares protéticos.

A literatura encontrada obteve resultados similares. Karl e Holst (2012), ao estudar a tensão gerada em torno de dois implantes com medidores de tensão posicionados na região mesial e distal dos mesmos, concluíram que infraestruturas, parafusadas sobre os implantes, confeccionadas por CAD/CAM em zircônia foram mais passivas do que aquelas parafusadas sobre os pilares e fabricadas por fundição.

Lee et al. (2013) também avaliaram, por meio de extensometria, as áreas de tensão ao redor dos implantes em infraestruturas parafusadas e fabricadas pela tecnologia CAD/CAM com liga de titânio comparadas com peças cimentadas fundidas. Como pequenos desalinhamentos e desadaptações verticais podem ser compensados com o cimento (HEBEL; GAJJAR, 1997) e as próteses cimentadas não foram diferentes das parafusadas quanto à área de tensão, foi possível inferir que a tecnologia CAD/CAM possibilitou a fabricação de infraestruturas com melhor adaptação.

A comparação entre esta pesquisa e os trabalhos de Karl e Holst (2012) e Lee et al. (2013) ficou limitado, já que esses dois últimos estudos utilizaram uma metodologia diferente para medir a tensão.

A presente pesquisa também apresentou como limitação o pequeno número de amostras, pois as infraestruturas possuem um alto valor, restringindo a quantidade de peças produzidas, mesmo assim, as medidas de desadaptação vertical e tensão apresentaram distribuição normal. Além disso, só houve a utilização de um tipo de sistema CAD/CAM e há grandes diferenças nas fases de escaneamento, CAD e CAM entre as marcas.

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Sendo assim, verificou-se que há a necessidade de mais estudos que avaliem variados tipos de material, os diversos sistemas de CAD/CAM, verificando se essas distinções interferem na desadaptação marginal vertical na interface infraestrutura/pilares protéticos e infraestrutura/ implantes, como também na geração de tensões em torno dos implantes tanto a nível laboratorial, quanto analisando essas variáveis clinicamente, avaliando o comportamento in vivo dessas peças confeccionadas por CAD/CAM quanto ao índice de sucesso do tratamento.

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