Em relação às oportunidades geradas a partir do surgimento das universidades corporativas no contexto da educação superior pode-se citar aquela mais relevante, materializada na formação de parcerias entre as instituições de ensino superior tradicionais e as universidades corporativas.
A pesquisa conduzida em 1997 pela Corporate University Xchange, uma consultoria sediada em Nova York, descobriu que quase metade das 100 universidades corporativas investigadas, contavam com algum tipo de aliança com uma instituição educacional. A mesma pesquisa também apurou que 4 entre 10 universidades corporativas esperam começar a conceder diplomas reconhecidos, por meio de parcerias com instituições de ensino superior (Meister, 1999).
As universidades corporativas podem buscar o estabelecimento de parcerias com as instituições de ensino superior tradicionais, motivadas por diferentes necessidades (Alperstedt, 2000c):
a) possibilidade de validação das disciplinas cursadas – a instituição de ensino reconhece como válidos os créditos obtidos por meio de disciplinas cursadas nas universidades corporativas. Tais créditos podem ser contabilizados no somatório total de créditos necessários para obtenção de um diploma, conferindo credibilidade aos serviços educacionais prestados pelas universidades corporativas;
b) possibilidade de outorga de diploma – em situações nas quais a universidade corporativa não tem licença para conferir individualmente diplomas, ela pode fazê-lo por meio da instituição de ensino superior com a qual estabeleceu parceria. Os diplomas expedidos nessas condições contam com o lastro da instituição de ensino, o qual é apreciado pelos beneficiários dos programas;
c) ausência de espaço físico disponível – que pode ser provido pela instituição de ensino no que compete à utilização de salas de aula, bibliotecas, laboratórios e equipamentos;
d) necessidade de docentes com conhecimento especializado – normalmente titulados e vinculados à academia, com habilidade em pesquisa;
e) necessidade de docentes com experiência didática – o corpo docente de instituições de ensino superior tradicionais apresentam, em sua maioria, melhores condições de promoção do processo de ensino-aprendizagem; f) necessidade de fundir o currículo com a cultura corporativa – valendo-se do
currículo desenvolvido pela instituição de ensino superior, porém conjugando casos específicos da empresa e enfatizando uma linguagem comum;
g) interesse na formação de mão-de-obra especializada na comunidade – os ex-alunos de instituições de ensino locais podem vir a fazer parte do quadro de empregados da empresa. Por isso a discussão e sugestão por parte da empresa a respeito dos conteúdos de ensino-aprendizagem abordados nas instituições de ensino superior, possibilitada a partir do estabelecimento da parceria, é, muitas vezes, objetivada.
Do ponto de vista das instituições de ensino superior tradicionais também o estabelecimento de parcerias é representativo de uma série de vantagens:
a) aproximação com a realidade organizacional das empresas – os professores das instituições de ensino superior tradicionais aumentam seus
conhecimentos práticos, os quais são multiplicados, posteriormente, junto ao corpo discente;
b) incremento das possibilidades de pesquisa – conhecimentos e contatos com o mundo organizacional real facilitam o estabelecimento e o desenvolvimento de projetos de pesquisa de interesse mútuo;
c) aumento da arrecadação de recursos financeiros – a instituição de ensino, em função do incremento das matrículas, bem como seu corpo docente, em função da ampliação de suas atividades; têm aumentada a sua fonte de renda;
d) aumento do potencial de captação de alunos – decorrente dos incentivos representados pelo reconhecimento dos créditos das disciplinas cursadas nas universidades corporativas, reduzindo-se a carga horária necessária à finalização de cursos de graduação e pós-graduação oferecidos pela instituição de ensino superior. E também, em função da criação de novos tipos de cursos decorrentes dos interesses decorrentes das parcerias.
Embora já tenha sido abordado ao longo do texto, vale lembrar que as parcerias entre instituições de ensino superior tradicionais e empresas podem ocorrer sob diferentes modalidades: desenvolvimento de programas personalizados de educação continuada, graduação ou pós-graduação; e formação de um consórcio de parceiros de aprendizagem, envolvendo por exemplo, mais de uma instituição de ensino superior e uma única empresa (Whirpool Brandywine Creek Performance Centre e Indiana University,
University of Michigan e INSEAD), ou mais de uma empresa e uma única
instituição de ensino superior (Southern Company, mais 12 empresas de Atlanta e Emory University dando origem a Emory University Consortium). Também é realidade a formação de um consórcio entre mais de uma empresa e mais de uma instituição de ensino superior (Ericsson, AT&T Wireless
Services, Lucent Technologies, AirTouch Communication, Motorola, e Mankato State University, South Central Technical College e University of Texas, que
Como se vê, as parcerias entre empresas e instituições de ensino superior tradicionais podem assumir formas bastante variadas. Um outro exemplo é o caso da United Healthcare, que selecionou uma instituição de ensino superior – Rensselaer Learning Institute, com sede no estado de Nova York, em função de sua capacidade de oferecer treinamento à distância, para atuar como agenciadora, oferecendo programas à distância de outras instituições de ensino superior tradicionais, tais como Boston University,
Carnegie Mellon University, Stanford University e Massachusetts Institute of Technology.
No Brasil a Universidade Datasul estabeleceu uma parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC a fim de desenvolver uma ferramenta específica para viabilizar treinamentos à distância, e outra parceria com a Universidade para o Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina – UDESC, para o oferecimento do primeiro curso superior voltado para a formação de consultores de Enterprise Resource Planning – ERP; e a
Universidade Illy da Illycaffè estabeleceu uma parceria com a Universidade de
São Paulo – USP, por intermédio de um núcleo de estudos da Fundação Instituto de Administração – FIA, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – FEA.
A iniciativa do estabelecimento de parcerias freqüentemente é das empresas: a empresa detecta uma necessidade de aprendizagem e propõe um programa ou um curriculum à instituição de ensino superior tradicional. Entretanto, o inverso também pode ocorrer, embora seja menos freqüente: a instituição tradicional de ensino superior detecta uma possibilidade que seja do interesse de determinada empresa ou setor, e propõe um programa individual ou conjunto.
Claramente, o estabelecimento de parcerias entre universidades corporativas e instituições de ensino superior tradicionais, denota uma situação representativa de oportunidades estratégicas para as instituições de ensino superior tradicionais.