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Nektet døden

In document Melankoli og apokalypse (sider 43-47)

3. Perspektiver på tilværelsen

3.2. Melankoli – Holk og Nilsen og Folkeboken om Faust

3.2.2. Nektet døden

Na relação luso-americana, a Base dos Açores era o único trunfo de Portugal, pelo que era de esperar que nas negociações que se avizinhavam os portugueses o utilizassem até à sua vantagem máxima (Rodrigues, 2002 a, p. 171). No entanto, a sua importância estratégica não foi suficiente para convencer todos os setores da Administração Kennedy a moderar a política em relação a Portugal. Assim, a posição dos EUA estava permanentemente condicionada por dois fatores: de um lado as suas tradições anticolonialistas; de outro, o contexto da NATO e os seus interesses na Base das Lajes.

Face a essa situação, a Administração Kennedy debateu-se entre a fidelidade à sua estratégia anticolonial e a necessidade dos Açores e, devido a isso, começou a surgir um intenso debate entre as duas posições praticamente antagónicas. Como Luís Rodrigues analisa, de um lado estavam os chamados “europeístas”, que consideravam que a grande prioridade nas relações luso-americanas era a Base dos Açores e que toda a política americana em relação a Portugal deveria ser subordinada a esse interesse. Portanto, esse grupo pensava que o fator essencial da política externa norte- americana devia ser o seu relacionamento com a Europa e com os parceiros da NATO. De outro lado, estavam os chamados “africanistas” que consideravam que os Estados Unidos deviam manter inalterada a posição iniciada com a Administração Kennedy de apoiar a autodeterminação e a independência dos países africanos (Rodrigues, 2000, p. 57).

Diante desta problemática, Dean Rusk Acheson escreveu um extenso memorando sobre as perspetivas de renovação do acordo dos Açores, no qual considerava ser imperativo a melhoria das relações luso-americanas antes de se iniciarem as negociações, propondo, para tal, diversas linhas de ação. Posto isso, o secretário de Estado considerava que o governo americano devia anunciar a suspensão de todas as formas de apoio aberto ou clandestino às atividades nacionalistas angolanas, bem como manter-se fora dos debates sobre Angola na ONU. Esses passos iriam permitir

não só melhorar o relacionamento entre os dois países como também iniciar as negociações para a renovação do acordo das Lajes.

Como Luís Rodrigues desenvolve, ainda, o secretário de Estado analisa no seu comunicado, escrito a 28 de abril de 1962, que os Estados Unidos enfrentavam um dilema “Açores ou Angola?” nas suas relações com Portugal. Contudo, Dean Acheson considerava que nenhum dos objetivos devia ser sacrificado em prol do outro sendo, portanto, possível estender o acordo dos Açores ao mesmo tempo que se continuava a defender a autodeterminação dos territórios africanos. Para tal, os Estados Unidos deviam dar garantias de que não pretendiam desmantelar o estado colonial português (Rodrigues, 2000, p. 58).

Todavia, os “africanistas” não concordavam com a opinião do secretário de Estado e consideravam que os Estados Unidos deviam manter a sua posição inicial de apoio à autodeterminação e de defesa da independência dos países africanos. Como tal, consideravam que os “Açores não se deveriam sobrepor ao dever ideológico de apoiar a emancipação dos novos africanos e, simultaneamente, evitar a penetração soviética em África” (Rodrigues, 2000, p. 58). É nesse âmbito que, em junho de 1961, é criada, pelos africanistas do Departamento de Estado, a Task Force on Portuguese

Territories que propunha, como política a ser adotada, a retirada dos Açores e a

expulsão de Portugal da NATO, presente no anexo K. As recomendações produzidas pela Task Force ganharam força de lei dando origem ao Nation Security Action

Memorandum (NSAM 60). De acordo com a Task Force e a NSAM 60, os Estados

Unidos deviam alterar o estatuto da Base dos Açores passando-a de uma instalação militar exclusivamente americana para uma Base da NATO, pela qual todos os seus membros fossem responsáveis. Chester Bowles, conselheiro do presidente nos assuntos africanos, concluía dizendo que os EUA não deviam permitir que Salazar usasse a Base “que é essencial para a nossa defesa e para a defesa dos seus aliados europeus” como um instrumento para obrigar o governo dos Estados Unidos “a modificar uma política africana que tem gerado importantes dividendos para o mundo ocidental” (Rodrigues, 2000, p. 59).

Por essa altura, Kennedy considerava Angola como uma prioridade da política externa, encarregando Mennen Williams, secretário de Estado assistente para os assuntos africanos, de presidir a Task Force sobre a África portuguesa. O secretário dos assuntos africanos estabeleceu algumas recomendações, como a proibição de exportação de armas para Portugal e a implementação de programas de educação para

os africanos que tivessem nascido nas colónias portuguesas. Embora essa tese tivesse sido adotada como a política oficial da Administração Kennedy ao longo de 1961, tal acabou por se alterar, em 1962, prevalecendo a importância dos Açores. O governo americano decidiu, por fim, que os Açores eram o elemento fulcral das relações com Portugal o que, por conseguinte, alterou a sua política na ONU e se refletiu numa melhoria nas relações bilaterais, tornando mais fácil para Portugal permitir a presença continuada dos americanos nas Lajes.

Esse debate, que ficou conhecido por “Angola ou Açores?”, durante a presidência de John Kennedy, conheceu três momentos cruciais. O primeiro ocorreu em março de 1961, com a discussão em torno da votação norte-americana no conselho de Segurança da ONU. De seguida, em julho desse mesmo ano, devido à criação da Task

Force on Portuguese Territories e da elaboração do NSAM 60. Por fim, na primeira

metade de 1962, com o prolongado debate relativamente à renovação do acordo das Lajes (Rodrigues, 2002 a, p. 172). Contudo, a fase crucial do debate “Angola ou Açores?” ocorrer na primeira metade de 1962 por ter isso nessa altura que as teses “europeístas” se impuseram.

Por fim, a posição dos “europeístas” acabou por prevalecer na Casa Branca e no Departamento do Estado, uma vez que conseguiram fazer ver que seria impensável hipotecar a presença norte-americana nos Açores. Portanto, era fundamental modelar as políticas seguidas, doravante, com Portugal. Em suma, o governo norte-americano, inicialmente simpatizante do ponto de vista africanista, percebeu que os Açores eram tão importantes do ponto de vista geoestratégico que justificavam a mudança de muitos dos aspetos da sua política externa. Assim, em meados de 1962, a Administração americana chegou à conclusão de que a linha da sua política externa deveria privilegiar a política europeia. O debate “Açores ou Angola?” terminava, assim, com o triunfo dos Açores. Segundo Galbraith, “o continente africano foi trocado por uns quilómetros de asfalto no Atlântico” (Marques, 2011, p. 62).

Assim, o acordo dos Açores deveria ser renovado, uma vez que, para Portugal era difícil permanecer isolado no contexto internacional e não podia prescindir dos benefícios militares, económicos e políticos que um novo acordo com os Estados Unidos traria. No entanto, ao governo português interessava especialmente as exigências de caráter político, nomeadamente que o governo americano alterasse o seu posicionamento na ONU onde votava constantemente a favor da condenação da política africana portuguesa. Franco Nogueira foi dando indicações sobre o que os

portugueses pretendiam dos Estados Unidos para que houvesse a renovação do acordo da Base das Lajes (Rodrigues, 2000, p. 60). Nesse seguimento, foi criado um extenso relatório sobre a renovação do acordo das Lajes por parte da Comissão Encarregada de Estudar os Acordos Luso-Americanos, criada por Franco Nogueira, que ficou concluído a 30 de abril de 1962.

É importante mencionar, ainda, que, no contexto de decisão entre qual das políticas externas o governo americano deveria seguir, ocorreram alguns conflitos entre o presidente e o congresso norte-americano. Por conseguinte, é legítimo depreender que o equilíbrio de forças do Congresso norte-americano foi um fator que contribuiu para o gradual abrandamento da política adotada inicialmente pela Administração Kennedy em relação a Portugal. No entanto, as críticas dirigidas à nova política externa adotada foram constantes, quer através de discursos proferidos no Senado e na Câmara dos Representantes quer através de declarações à imprensa (Rodrigues, 2002 a, p. 189).

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