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Negociación ’líder a robot’: estrategia no preemptiva

4. Formación de coaliciones en entornos sin restricciones temporales 79

4.3. Mecanismo de subastas propuesto para entornos sin restricciones tem-

4.3.2. Negociación ’líder a robot’: estrategia no preemptiva

Ao encaminhar para o entendimento do termo bestiário, é oportuno interrogar e discutir sobre gêneros literários, ainda que o conceito não seja de tão simples definição. Para tal fim, utilizaremos problematizações teóricas pertinentes a este trabalho com fito de refletir a poética de Guimarães Rosa. Partiremos, de uma forma geral, dos gêneros, os quais agregam e distribuem as obras no universo literário para a particularização da produção literária do autor de Ave, Palavra.

Percebemos que a discussão a respeito dos gêneros literários orienta, normalmente, para o estudo da literatura por meio da história, isto é, da tradição. Por exemplo, no ensaio “A questão dos gêneros”, de Luiz Costa Lima (2002), observamos que o crítico propõe uma retomada da terminologia a partir de Platão, cuja referência define a possibilidade de três gêneros: o drama, o epos, a lírica. O ensaio pauta-se por uma retrospectiva cronológica para demonstrar como as definições e classificações dos gêneros literários se deram em épocas distintas.

Com isso, podemos sugerir que, para pensar sobre as características que marcam cada tipo de texto sob a ótica de sua construção, principalmente discursiva e estética, possamos considerar o momento histórico. No entanto, dessa inferência simplória surge uma questão que, para nossa proposta, é imprescindível: como conceituar e classificar uma produção literária atemporal?

Não podemos negar que compreender a gênese da definição de gênero literário e identificar as peculiaridades das três tipologias básicas, designadas pelos gregos é um caminho promissor para acompanhar a “evolução” das modalidades literárias, pois isso, em alguma medida, dá conta de outra problemática: diferenciar produções quanto à ficcional ou não e, por conseguinte, dentro do universo da ficção, reconhecer as produções literárias. Contudo, para buscar respostas para nosso questionamento, utilizaremos os estudos de Jean-Yves Tadié, uma vez que suas reflexões acerca dos gêneros culminam no projeto de análise da prosa poética, temática essa que poderá atender nossos anseios de analisar os recursos literários, em suma, o estilo empregado por Guimarães Rosa em sua última obra, que acolhe os textos de nossa empreitada maior: discussão interpretativa em busca dos

bestiários em Ave, Palavra.

Si critiquée que soit la notion de genre littéraire – mais c’est à Brunetière que l’on s’adresse -, elle a une utilité qui est toute d’application: elle permet de traiter de formes communes à plusieurs oeuvres, à plusieurs auteurs, à plusieurs époques. Une théorie – ou, comme on redit aujourd’hui, une poétique – du roman, du théâtre, de la poésie, quand même elle ne survivrait que dans sa propre réputation, a pour effet de faire comprendre ce qui unit Mallarmé et Rimbaud, Balzac et Stendhal, Claudel et Giraudoux: d’abord le choix qui a été fait, un jour, au musée de l’histoire des formes, s’il est vrai que l’on écrit toujours avec et contre ses devanciers ou ses contemporaines; ensuite, la place que l’on occupe dans le développement d’une série: il est, tout de même, moins arbritaire de rapprocher Nathalie Sarraute de Proust que de René Char (TADIÉ, 1994, p 6).10

Tomando como base o parágrafo introdutório do trabalho Le récit poétique, de Tadié, podemos confirmar a estreita relação entre a noção de gêneros literários e a tradição da literatura. Mais do que isso, conscientizamo-nos da importância de compreender a teoria dos gêneros para analisar as produções literárias e evidenciar suas características com relação à forma que um escritor poderia eleger para desenvolver seu texto.

Por essa linha de raciocínio, podemos ainda traçar análises comparativas entre obras de autores diferentes, em épocas também diferentes, ou mesmo, entre obras de escritores contemporâneos. Destacar, assim, elementos que aproximam ou distanciam as obras, ainda que cada produção seja única, identificando, dessa forma, procedimentos técnicos, utilizados como “ferramentas” para criação artística.

A poética empregada por um escritor aproxima-se em termos gerais, em maior ou menor grau, de uma das três formas básicas: a épica, a poética ou a dramática, ou ainda, de uma quarta forma, considerada também básica pelo crítico Northrop Frye (1973, p 237- 329): a prosa. As noções de épico, lírico e dramático são trabalhadas por Emil Staiger (1975), em sua obra Conceitos fundamentais da poética, na qual o autor enfatiza que as conceituações sobre poética se apresentam como herança da antiguidade e adverte ainda que

10 Mesmo que seja tão criticada, a noção de gênero – e aqui nos dirigimos a Brunetière – tem uma utilidade e

uma aplicação: ela permite tratar de formas comuns em diferentes obras, diferentes autores, diferentes épocas. Uma teoria – ou, como se diz atualmente, uma poética – de romance, do teatro, da poesia, mesmo que ela não ... – vivesse à sua própria reputação, tem por efeito fazer compreender o que une Mallarmé e Rimbaud, Balzac e Stendhal , Claudel e Giraudoux: Inicialmente a escolha que foi feito um dia no museu da história das formas – se é verdade que se escreve contra ou a favor dos contemporâneos – em seguida, o lugar que se ocupa no desenvolvimento de uma série : é assim mesmo menos arbitrário aproximar Nathalie Sarraute de René char (Tradução nossa).

algo a poética nos garante, a possibilidade de se compreender a própria valoração, se não melhor, ao menos em relacionamentos mais amplos. Seria a ocasião de dizer-se: sem dúvida uma obra é mais perfeita se consegue manter-se mais no meio, e não nas duas situações-limites, o lírico que ameaça desfazer-se, ou o dramático que conduz à rigidez. Ou então poder-se-ia considerar: uma obra é mais completa quando todos os gêneros dela participam em grande intensidade, e totalmente em equilíbrio (STAIGER, 1975, p 199).

Por esse prisma, não podemos desconsiderar a noção dos gêneros e, de certa forma, a ideia de “evolução” dos mesmos, desenvolvida pelo crítico francês, Brunetirère, e resgatada pelo trabalho de Tadié. Ademais, compreender que os gêneros permitem subdivisões: as categorias, diferentes maneiras de trabalhar a matéria-prima da literatura, que é a linguagem.

Para tornar um pouco mais claro esses argumentos, tomaremos as ideias desenvolvidas por Tzevan Todorov em seu trabalho Introdução à literatura fantástica, que, em sua parte introdutória, percorre uma trajetória argumentativa bastante didática com relação à teoria dos gêneros literários; e Todorov, no processo conclusivo sobre a questão, infere:

Terei que dizer que uma obra manifesta tal ou qual gênero, e não que este existe em dita obra. Mas esta relação de manifestação entre o abstrato e o concreto é tão só provável; em outras palavras, não há nenhuma necessidade de que uma obra encarne fielmente um gênero: só existe a probabilidade de que isso aconteça. Isto significa que nenhuma observação das obras pode, em rigor, confirmar nem invalidar uma teoria uma teoria dos gêneros. [...] as obras não devem coincidir com as categorias que não têm mais que uma existência construída; uma obra pode, por exemplo, manifestar mais de uma categoria, mais de um gênero (TODOROV, 1980, p 14).

À medida que aumenta a compreensão em relação à questão dos gêneros e suas implicações, especialmente, criando um elo entre gênero e história da literatura, aumenta também a possibilidade de percepção de que as obras, sobretudo, modernas, não podem mais ser enclausuradas em gêneros “puros” ou básicos, para retomar termos já mencionados. Faz-se bastante necessário, para o crítico literário atual, um trabalho consonante à teoria do hibridismo dos gêneros.

Portanto, em harmonia com os estudos contemporâneos, trataremos de discutir sobre a impossibilidade de determinar fronteiras entre um gênero e outro, bem como sobre as fusões dos gêneros, à luz do trabalho de Tadié, com o intuito de buscar argumentos tanto para a questão da atemporalidade das obras de Guimarães Rosa quanto para outros

elementos estéticos que particularizam as produções deste escritor.