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Negative faktorer for lærings- og kunnskapsdelingsaktiviteter i virtuelle team

4. Analyse

4.2. Analyse av samtaleintervjuer

4.2.1.4. Negative faktorer for lærings- og kunnskapsdelingsaktiviteter i virtuelle team

O documentário passa a falar da busca da normalidade, em Fortaleza e em outros centos urbanos como Pacatuba e Maranguape, apesar do caos causado pela seca. De acordo com o documentário, o anseio pela normalidade apareceu quando a Assembléia Provincial negou a supressão de aulas públicas interrompidas pela seca e quando autorizou empréstimos para construção de açudes. Ou seja, por meio destas ações da Assembléia Provincial, o programa tenta mostrar que alguma ação positiva por parte da Assembléia diante da estiagem. Para retratar este período e reafirmar que a Capital almejava a tranquilidade, o roteirista faz um apanhado de outras deliberações da Assembléia Provincial como a autorização para construção de uma fábrica de gelo em Fortaleza e a aprovação de seus códigos de postura.

Porém se estas eram as únicas ações que podem ser destacadas como positivas hoje, é possível ao telespectador mais atento imaginar então o que deixou de ser

feito pelos parlamentares diante daquela tragédia.

Mais uma vez baseado em leis da Assembléia Provincial, José Mapurunga estabelece um paralelo entre o cotidiano da cidade e as decisões tomadas pelos parlamentares. É o caso das exigências com a limpeza e ordem públicas mostrada pelo documentário.

Seis horas da manhã a cidade já deveria estar limpa. O serviço de limpeza, feito de madrugada, deveria ocorrer silencioso, sem conversas e algazarras para que o sossego público não fosse perturbado. As posturas estabeleciam as obrigações da empresa contratada para o serviço de limpeza pública e as obrigações da população. Ai daquele que, de dois em dois dias, não varresse sua calçada. Ai daquele que fosse pego em flagrante lançando animais mortos em terrenos baldios. Ai daquele que usasse seu quintal como privada a céu aberto. As posturas municipais de Fortaleza, aprovadas pela Assembléia Provincial, também estabeleciam que a venda de animais para abate só deveria acontecer na feira da povoação de Parangaba, longe, bem longe da pequena Fortaleza de então que, no máximo, só ia onde hoje é a avenida Duque de Caxias. Havia outras proibições que visavam dar ordem à vida urbana. A proibição de se colocar objetos nas calçadas, para não embaraçar o trânsito de pessoas. E a proibição de se colocar nas calçadas quaisquer tipos de fogareiros. Como vimos o milho cozido e o espetinho na calçada já criavam problemas nos recuados anos de 1876 a 1879. 28

No texto acima, encenado por Robério Diógenes, podemos ainda observar que, além de falar dos serviços de limpeza, o texto tenta estabelecer uma relação de afinidade entre os problemas de ordem pública da época com os de atualmente. Técnica esta utilizada pela equipe do programa para aproximar o telespectador do assunto, fazendo-o reconhecer os problemas de trânsito de pedestres enfrentados pela cidade atualmente, como o milho cozido e o espetinho que tomam os espaços dos pedestres nas calçadas, imagens exibidas no documentário.

Percebemos que o programa, conforme vai seguindo a ordem cronológica dos fatos, vai opondo desordem e ordem e associando esta última sempre as ações da Assembléia Legislativa. O sentido geral do programa é de que “depois da

28 Fala do ator Robério Diógenes, no décimo primeiro capítulo exibido do programa “Ceará, terra e gente que faz história”.

tempestade, vem a bonança” e, assim, a narrativa segue o padrão de uma suposta “evolução” da política local. O documentário mostra, mais adiante, que os flagelados da seca serviram de mão de obra para construção de estradas, pontes, pequenos açudes, cemitérios, igrejas, cadeias públicas e mercados.

A historiadora Karine Garcia faz outra intervenção no documentário e reforça a idéia do roteirista de que as transformações começam a ocorrer, destacando que a esfera privada e o poder público foram decisivos na resolução dos problemas decorrentes da seca. Em conformidade com a história tradicional, o documentário é encerrado dizendo que melhorias estruturais ocorreram no Ceará em 1879, como se houvesse uma “evolução” na sua história. A “evolução” pensada pelo roteirista seria a chegada de novas tecnologias no âmbito estrutural no Ceará? Mas será que essas melhorias mudaram realmente a vida das pessoas mais atingidas com a seca? Como as conseqüências desta tragédia e do tratamento político dado a ela chegam até o presente?

3.4 – O cotidiano da cidade em enfoque

Náutico Atlético Clube Cearense. É neste cenário que a apresentadora Sandra Chaves inicia o vigésimo documentário da série apresentada no início deste estudo. Conforme Freitas (2005), o começo do XX em Fortaleza foi marcado pelo início das atividades de luxuosos clubes na cidade. Eles seriam, segundo a autora, uma opção de lazer para a elite da época, pela falta de alternativas de entretenimento. Por serem freqüentados pelas classes mais altas, esses espaços eram, portanto, lugares em que se configurava a segregação dos grupos urbanos. “Os bailes e eventos que aí se realizavam eram acontecimentos cercados de pompa e luxo”. (FREITAS, 2005, p.120).

E como este documentário tratará da “Bella Époque” de Fortaleza, a produção resolveu, então, inserir a apresentadora em um cenário que configurasse tal glamour da época - mesmo sabendo que o Náutico fora fundado somente na

década de 1950, enquanto cenário, estabelece essa relação de luxo e gala com a época. “A trajetória do clube é a própria trajetória dos setores privilegiados, sempre tão seduzidos pelo novo e constantemente em busca de símbolos exteriores de status e poder”. (FREITAS, 2005, p.236).

Em sua fala inicial, a apresentadora revela aos telespectadores que neste episódio será enfocada a vida cearense entre os anos de 1909 e 1912, e que nele também serão vistos um pouco do cotidiano e de pequenos e grandes acontecimentos que marcaram pontos na “evolução” do Ceará. Analisaremos, mais adiante, com o desenrolar do documentário, a que tipo de cotidiano e de pequenos e grandes acontecimentos a apresentadora se refere.

Por sua vez, o locutor Jânio Alves, em seu primeiro off, fala que os jornais da época “reclamavam” da qualidade do peixe que era vendido de porta em porta nas ruas de Fortaleza, e que os jangadeiros cearenses, com suas frágeis embarcações, continuavam a desafiar o oceano. Nesta locução, podemos verificar que a presença dos jornais como fonte para a elaboração do roteiro deste episódio permanece como uma característica marcante do documentário. Além disso, os jornais utilizados como fonte possibilitam ao documentário mostrar um pouco do cotidiano da cidade naquela época, uma vez que o jornalismo tem como objetivo, segundo Vizeu e Correa (2008), organizar, sistematizar e interpretar a realidade.

A imagem que a mídia constrói da realidade é resultado de uma atividade profissional de mediação vinculada a uma organização que se dedica basicamente a interpretar a realidade social e mediar os que fazem parte do espetáculo mundano e o público. (VIZEU & CORREA, 2008 p.13)

A influência dos jornais ainda é percebida na cena seguinte, que narra que jangadeiros de Canoa Quebrada encontraram em alto mar o também jangadeiro Manoel Caetano que, há dez dias, sem comer e sem beber, havia se perdido pelo oceano. Na continuidade da história do jangadeiro, observamos que além do cotidiano, o texto escrito por José Mapurunga pretende mostrar a influência exercida pela religião na vida das comunidades que surgiam às margens do litoral. Nesta época, o sepultamento já era um dos costumes cristãos.

“No resto de jangada em que navegava, Manoel Caetano levava o corpo, já em estado de putrefação, de seu proeiro de nome Ceciliano, que morrera de fome e sede, cujo corpo ele manteve na frágil embarcação para em terra dar-lhe uma sepultura cristã.”. 29

Diferentemente dos dois documentários analisados anteriormente, onde fatos relacionados à vida e à cultura popular eram relatados somente pelo ator, em tom de parêntesis cômico na narrativa oficial, nota-se neste uma mudança de estrutura, na qual os fatos relacionados a “pessoas comuns” ganham a cena principal, já que são relatados pela voz off. Porém, estes fatos continuam a ser tratados de forma distanciada dos acontecimentos tidos como propriamente “políticos” da história oficial.

O documentário dá seqüência apresentando um conjunto de novidades que chegaram ao Ceará, em especial à Capital. Em mais uma de suas locuções, Jânio Alves, narra que, em 1912, pela primeira vez, um automóvel circulava pelo Ceará e, que, com seu aparecimento, os cavalos seriam retirados das ruas. Logo, o documentário nos conta que este animal era o meio de transporte mais utilizado pela maioria dos cearenses, até 1912. No trecho abaixo, percebemos também a influência do pensamento europeu e suas tendências no cotidiano cearense neste período.

“Exemplo era o que acontecia em Londres, onde com o advento do automóvel reduzira de 450 mil para 110 mil o número de cavalos que circulavam pela cidade, desobstruindo e deixando mais limpas as ruas.”. 30

Em seguida, o texto do ator Robério Diógenes, que continua interpretando com o seu tom sarcástico, apresenta outros meios de transporte da época além dos cavalos, como bondes, carroças, trem, bicicletas e jumentos. Para tanto, mais uma vez, a equipe do programa vale-se das pesquisas feitas nos jornais, pois verificamos que são fatos do cotidiano com suas respectivas datas, e narra os acidentes de trânsito ocorridos neste período.

29 Locução de Jânio Alves, no vigésimo capítulo exibido do programa “Ceará, terra e gente que faz história”.

“No dia 15 de janeiro de 1911, a senhora dona Maria de Melo Sidney, quando descia de um bonde da linha do Alagadiço, em Fortaleza, teve o pé esmagado por uma carroça que vinha em disparada. No dia 20 do mesmo mês de janeiro, também em Fortaleza, um rapaz ao querer ganhar tempo fez foi perder a vida, quando saltou de um trem em movimento no bairro do Matadouro. Ainda no mesmo ano de 1911, em Fortaleza, jornais reclamavam de certos rapazinhos que circulavam pela cidade em correrias de bicicleta, sendo que um deles atropelou um empregado da Farmácia Teófilo, que ficou mais quebrado que arroz de terceira. Em Sobral, que nesse tempo já possuía ares de grande cidade, um bonde da F.C. Sobralense atropelou o pobre velhinho Silvino Ximenes Aragão, fraturando- lhe uma tíbia. Imaginem vocês os que eram atropelados por cavalos. E os meninos malinos que recebiam coices nas ventas quando iam puxar os rabos dos burros que estavam amarrados no tronco das árvores e nos postes da iluminação pública.”. 31

O depoimento do historiador Olavo Colares, que também se remete ao surgimento do automóvel no Ceará, nos leva a refletir mais uma vez sobre o ponto de vista das divergências da história tradicional e da História Nova. Em sua declaração, Colares afirma que a chegada do automóvel constituiu uma revolução no Ceará, e complementa:

“Um empresário chamado Júlio Pinto resolveu comprar uma frota de veículos para alugar, fazer o que hoje seria o táxi. Nas festas, nos casamentos, nos aniversários, nos momentos de solenidades religiosas, qualquer liturgia, políticos contratavam os carros de Júlio Pinto. E assim nós tivemos, no início do século XX, por volta de 1911 – 1912, na época que o Accioly caiu, o automóvel começou a tomar conta das ruas de Fortaleza.”. 32

Podemos perceber que o automóvel, de fato, trouxe mudanças, mas não para a vida de grande maioria da população, e sim, para a elite da época, que tinha condições financeiras de usufruir do novo meio de transporte, embora isso não seja dito pelo documentário. De acordo com Le Goff (1998), toda revolução é a subversão de uma estrutura e o aparecimento de uma nova estrutura. Então, verificamos que a revolução a que se refere Colares está ligada aos políticos e as pessoas mais

31

Fala de Robério Diógenes, no vigésimo capítulo exibido do programa “Ceará, terra e gente que faz história”. 32

Depoimento do historiador Olavo Colares ao vigésimo capítulo exibido do programa “Ceará, terra e gente que faz história”.

abastadas da época e não a grande massa da sociedade, embora também acabe por influenciar a todos.

“Os problemas colocados pela presença de revoluções na história parecem, pois, ser bastante diferentes dos que apaixonavam a geração dos nossos avós. É, em primeiro lugar, o do ponto inicial, do lugar em que a inovação aparece, daquele ou daqueles que se arriscam a fazer alguma coisa que – na sociedade em questão, e até mesmo em todas as outras partes – jamais fora feita ainda. Não se trata de psicologia individual, ainda que os aspectos psicológicos sejam importantes. Trata-se de sociologia histórica: onde, numa determinada sociedade, uma inovação é possível? Que tipo de inovação é lícito e tem chance de se propagar nela? Quais são os primeiros grupos a aceitar a inovação e quais são as razões que os levam a tanto? Como a inovação se propaga? Que resistências ela encontra e quais são as modificações que sofre em seu caminho?”. (LE GOFF, 1998, p.120-121)

Logo após falar sobre os acidentes de trânsito ocorridos no início do século XX, mais precisamente entre os anos de 1909 a 1912, o locutor passa a contar histórias registradas nas crônicas policiais da época, em que ganhavam destaques os crimes. O locutor destaca que a crônica cearense “registrava crimes que iam desde a exploração da boa fé até assassinatos que ganhavam maior ou menor repercussão conforme a importância dos envolvidos”.33 Vimos que o sangue e a violência já ganhavam as páginas dos jornais e que, como lembra Bourdieu (1997), eles estavam ali porque “sempre fizeram vender”.

Além disso, outro aspecto relevante que encontramos neste momento do documentário é que os critérios para que uma notícia repercutisse ou não também estavam ligados à importância das pessoas envolvidas nele, assim como já discutimos neste estudo, no segundo capítulo, no qual vimos que, para Wolf (2003), “quanto mais o acontecimento disser respeito às pessoas de elite, mais provavelmente se transformará em notícia” (WOLF, 2003, p.201). O documentário segue o mesmo padrão de noticiabilidade ao reproduzir as notícias de jornal sem questionamentos. Segue abaixo o texto que cita os crimes encontrados nas crônicas, lidos pela apresentadora Sandra Chaves:

“A crônica policial registrava em janeiro de 1911 que um turco andava pelo Ceará vendendo jóias falsas, jóias que os menos entendidos juravam que eram verdadeiras. Registrava a prisão de arrombadores e receptadores que agiam em Fortaleza. Denunciava o teatro de imoralidade, na capital, que era uma casa de sexo fácil na Praça da Estação, sob o olhar escandalizado de venerandas famílias que residiam nas proximidades. Registrava, também, muitos crimes ocasionados pelo excesso de cachaça em vários municípios cearenses, bem como a morte de Miguel Soares Moreira, coletor de Granja, que recebera um tiro de um cunhado seu, o comerciante João Porfírio da Mota. Vítima e matador eram, segundo informações de granjenses da época, pessoas bem nascidas.” 34

Posteriormente, o locutor fala da epidemia de varíola e da vacinação contra a doença ocorrida no Ceará, no caso de Juazeiro do Norte, realizada pelo Padre Cícero Romão Batista, e da criação do Departamento de Obras Contra as Secas (DNOCS), que realizava estudos e abria concorrências para construção de açudes pelo Estado. Para dar continuidade a “história do Ceará”, o locutor fala do crescimento populacional de Fortaleza, que já contava com 70 mil moradores. Também fala da Fortaleza que ganhava o Teatro José de Alencar e que trocava os velhos bondes puxados por burros por bondes elétricos.

A apresentadora Sandra Chaves, mais adiante, aborda a rotina cultural da cidade, que perpassava as retretas com bandas de músicas pelas praças, as quermesses em festas religiosas nos bairros, as serenatas, os encontros literários e as conferências. Para caracterizar a efervescência do interesse pela literatura e pela ciência que aparecia em Fortaleza, o roteirista decide mencionar uma das conferências ocorridas na época, cujo tema era “O Beijo”, e o roteirista assim o faz, através da encenação de Robério Diógenes.

Na seqüência do documentário, temos a utilização de uma estratégia cênica que não havia aparecido nos outros episódios analisados. Com o propósito de abordar no documentário as críticas feitas sobre a sociedade da época por João Brígido, um dos jornalistas, políticos e escritores que mais incomodavam a elite da

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Passagem da apresentadora Sandra Chaves, no vigésimo capítulo exibido do programa “Ceará, terra e gente que faz história”.

época segundo o documentário, José Mapurunga utiliza o ator Jadeilson Barbosa, que aparece para encenar as críticas de João Brígido encontradas através de pesquisas no jornal “O Unitário”. Intercaladas por off’s da apresentadora, Jadeilson, interpretando João Brígido em um escritório que remonta a época, como se fosse seu escritório particular, vai relatando as críticas encontradas no jornal, como podemos observar no roteiro:

JOÃO BRÍGIDO – Sou João Brígido. Nasci na Vila de São João da Barra a 3 de dezembro de 1929. Nasci, portanto, capixaba. Não protestei porque mamava.

LOCUÇÃO (OFF) - Sobre a mudança do nome da Rua Formosa, em Fortaleza

JOÃO BRÍGIDO – A nossa Rua Formosa, primogênita da arquitetura regencial, formosa em verdade. Irmãs da Nossa Senhora das Dores, em um dia de exaltada devoção, crismaram-lhe com o nome de Dom Luiz, em honra do bispo. A denominação não era ajustada, porque, se Dom Luiz era muito bom homem, não deixava de ser um tanto feio. Agora, um grupo de mulheres, que não procura primar pela piedade, mas sobressair pela sua dedicação à política de seus maridos, faz a municipalidade colocar placas de Rua Barão do Rio Branco na Rua Formosa. Rio Branco numa cidade pequena, que nem riachos tem, me parece excesso.

LOCUÇÃO (OFF) - Sobre a aspiração de Fortaleza em tornar-se Paris. JOÃO BRÍGIDO – Como toda cidade do Brasil, cuja população não lhe chega por mar, porém por sertões, a Fortaleza é uma cidade matuta. De costumes tão urbanos, Fortaleza é um casquilho, calçando perneiras e gibão de caititu.

LOCUÇÃO (OFF) – Sobre a república em 1909.

JOÃO BRÍGIDO - ... não passa de balbúrdia, e se destaca das outras formas de governo só pela circunstância de não termos um rei ou um imperador, mas achar-se à frente da Nação um indivíduo, que lhe levanta o falso de ter sido escolhido por ela.

LOCUÇÃO (OFF) – Sobre a peste bubônica que vinha matando pessoas e ratos.

JOÃO BRÍGIDO – No entanto, tudo dorme no Palácio do Governo, que é viveiro desses roedores.

LOCUÇÃO (OFF) - Sobre uma chuva acontecida.

JOÃO BRÍGIDO – Choveu muito, e os peixes tiveram em vadiação à tona d´água, regalando-se da gota pluvial, para caírem gordos no anzol de Antônio Pinto Nogueira Acioli. Com peixe é que engordam os jaburus. LOCUÇÃO (OFF) – Sobre a inauguração do Teatro José de Alencar.

JOÃO BRÍGIDO – O teatro José de Alencar já começa a dar espetáculos. Para diretor, Acioli escolheu um estudante de direito que, consta, ter contratado casamento com uma sobrinha do Sr. José Pinto, que além de pinto é primo de sua excelência.

Em cada intervenção, Jadeilson nos mostra as impressões de João Brígido no que tange ao cotidiano da cidade, à “matutice” de Fortaleza, à República e à política, por meio da qual ele fazia abertamente críticas à oligarquia de Nogueira Accioly.

Ao final dos quadros intercalados entre Sandra Chaves e Jadeilson Barbosa, o documentário vai relatar, como em todos os episódios da série os nomes dos deputados reeleitos e eleitos para a legislatura de 1909 a 1912, porém sem mencionar suas origens, como havia sido feito no primeiro documentário, no qual os parlamentares eram apresentados em grandes grupos: os padres, os militares, os comerciantes.

Os deputados escolhidos para serem destacados na encenação de Robério Diógenes foram Carlos Torres Câmara, que fez carreira no teatro cearense como escritor de comédias, e Antônio José Correia, assassinado aos 85 anos de idade e vítima da “política de sangue” que vinha ocorrendo no Ceará. A descrição deste último deputado serve de gancho para que o documentário comece a abordar o período chamado de “sangrento” pelo roteirista José Mapurunga.