Os arquipélagos de FN e AS pertencem ao estado do Pernambuco, mas não necessariamente estão mais próximos a este estado, sendo o Rio Grande Norte o estado com porções de terra mais próximas as ilhas oceânicas do nordeste brasileiro. FN esta a 540Km na direção sudoeste da capital pernambucana (Recife) e 375Km de Natal (Capital do RN). Considerando uma paralela longitudinal entre a ilha e a porção de terra continental, a ilha estaria distante da costa do estado do Ceará cerca de 675Km. O arquipélago de Fernando de Noronha é formado por ilhas e rochedos de origem vulcânica, sendo que a base desta montanha submarina esta a 4km de profundidade (ANGULO et al., 2013). A atividade vulcânica final ocorreu a 1,8 milhões de anos atrás. Durante o período Quaternário, o intemperismo e a erosão costeira foram as principais responsáveis por esculpir a morfologia atual das ilhas. Os registros geológicos de Fernando de Noronha fornecem dados do oceano Atlântico ocidental equatorial, onde apenas duas outras massas de terra emergentes são encontradas. Estes são os arquipélagos do Atol das Rocas, 150 km a oeste e São Pedro e São Paulo, 630 km a nordeste (ANGULO et al., 2013). A área total das 21 ilhotas compreendem 26Km2 dos quais 17Km2 pertencem a ilha principal (Vila dos Remédios), com 10km de
comprimento e 3,5km de largura (TEIXEIRA et al., 2003). O clima da ilha é o tropical típico, quente o ano todo com temperatura média anual de 26°C e chuvas concentradas entre fevereiro e julho, sendo abril o mês mais chuvoso (290mm). A vegetação atual é composta por restingas e uma mata pouco densa de médio porte secundária, uma vez que a ilha já foi extremamente alterada ao longo da historia de ocupação/descoberta, que remonta desde a década de 1500 (TEIXEIRA et al., 2003). A maior parte do arquipélago foi declarada parque nacional marinho desde 1988, abrangendo uma área de 112,7Km2 de preservação (parte
marinha incluída). O plano de gestão aborda o turismo, pesquisa, educação ambiental, proteção e monitoramento da biodiversidade, levando em consideração a capacidade de carga de diferentes áreas dentro do parque e regula a navegação e o mergulho (MOHR et al., 2009).
A cerca de 150Km a oeste de FN situa-se a reserva biológica do Atol da Rocas, o único atol do Atlântico Sul. Pertence ao território do Rio Grande do Norte, com 7,5Km2
abrigando a ilha do Farol e do Cemitério. Possui um formato oval, com 3,5km de comprimento e 2,5km de largura (PEREIRA et al., 2010). Em linha reta paralela estaria 505Km distante da costa cearense a oeste, e a sul-sudoeste distante 260Km de Natal/RN e
475Km de Recife/PE. O Atol das Rocas foi a primeira área protegida por uma reserva biológica marinha no Brasil, desde 1979. As únicas atividades humanas permitidas em seu interior são aquelas relacionadas à pesquisa científica. A gestão das áreas de preservação integral de FN e AR cabe atualmente ao ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Esta duas áreas abrangem cerca de 422,7Km2 de território preservado. Pela
presença das unidades de conservação, em 2001, Fernando de Noronha e o Atol das Rocas foram designados pela UNESCO como Sítios do Patrimônio Marinho, reiterando a importância única destas áreas para a conservação da biodiversidade mundial (CORDEIRO et al., 2013; MOHR et al., 2009).
O arquipélago de São Pedro e São Paulo está a 1.160km na direção sudoeste de Recife/PE e cerca de 985Km de Natal/RN. Em linha paralela longitudinal, dista 2.305Km da costa do estado do Amapá, já no hemisfério norte. AS é composto por um conjunto de 5 ilhotas e mais 4 pequenos rochedos que compreendem 0,012Km2. A maior ilha é chamada
Belmonte e ocupa metade da área total do arquipélago, com 100m de comprimento e aproximadamente 60m de largura (SICHEL et al., 2008; MOTOKI et al., 2009). Situada sobre a cordilheira submarina Dorsal Mesoatlântica, em uma das maiores falhas transformantes do oceano Atlântico, 630 quilômetros de descontinuidade dos segmentos da cadeia meso- oceânica. É a única exposição mundial do manto abissal acima do nível do mar composta de rochas peridotito (SICHEL et al., 2008). O ASPSP está situado no topo da elevação morfológica submarina mais profunda bacia oceânica a frente da costa norte e nordeste do Brasil, com sua base a aproximadamente 5Km de profundidade. É diferente de vulcões submarinos, pois é constituído de duas grandes elevações tabulares, que não possuem uma plataforma submarina de pequena profundidade ao entorno, ao sul existe uma escarpa vertical com desnível superior a 2Km (MOTOKI et al., 2009). Estas morfologias submarinas sugerem que o soerguimento é decorrente de tectonismo recente, com um processo ativo de ascensão com taxa anual de soerguimento de 0,15cm por ano (MOTOKI et al., 2009). O clima predominante é o equatorial, quente e úmido ao longo do ano. Apenas a maior ilha possui vegetação, rasteira e pouco abundante, nenhum dos rochedos dispõe de mananciais de água potável. A vegetação da ilha Belmonte não é natural, sendo transportada do continente durante as construção e manutenções do Farol. A amplitude térmica é muito pequena, característica da zona da linha do Equador. Ao longo do ano a temperatura da água do mar varia entre 26°C e 28°C e umidade do ar relativamente elevada, com médias mensais entre 70% e 90% (MOHR et al., 2009). O interesse pelo AS decorreu da assinatura da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, ratificado pelo Brasil em 1988, dando direito de 200 milhas náuticas em torno de qualquer território brasileiro pertencentes a Zona Econômica Exclusiva - ZEE. Em 1995 a Marinha do Brasil iniciou a construção de um novo farol e um ano após, a Marinha junto a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar
- SECIRM iniciou o projeto “Pro-Arquipélago”. Em 1998 houve a implantação de uma estação científica de 45m2 na ilha Belmonte. A presença permanente de cientistas na estação
científica é necessária para provar a habitabilidade no arquipélago, que é fundamental para obter o seu reconhecimento internacional como território brasileiro, garantindo a incorporação de 450.000km2 em área de pesca e exploração submarina a ZEE brasileira (MARINHO et al.,
2010). Embora o ASPSP seja mantido pela Marinha uma unidade de conservação de uso sustentável também regula as atividades de pesca neste arquipélago, a área de proteção ambiental de Fernando de Noronha-Rocas-São Pedro e São Paulo - APA FN. Com o decreto assinado desde 1986, apenas anos depois foi criada a Secretaria do Meio Ambiente de Fernando de Noronha que gerencia a APA como órgão gestor. Cerca de 797Km2 de área são
regulamentadas pela APA (MOHR et al., 2009).