4. Resultater og diskusjon
4.16 Ioner/Saltinnhold
4.16.3 Natrium og kalium
Os resultados demonstraram que as crianças do sexo masculino foram mais acometidas por problemas auditivos que as crianças do sexo feminino; as perdas auditivas sensorioneurais foram predominantes.
Salermo et al. (1979), em estudo desenvolvido no centro educacional de audição e linguagem “Ludovico Padovan em Brasília DF, concluíram que houve uma pequena predominância de deficiência auditiva no sexo masculino. Já nos estudos de Oliveira et al (1993) realizados em crianças atendidas na Clínica de Fonoaudiologia das Faculdades Integradas São Camilo, em São Paulo, não foi observado diferença significante entre o sexo masculino e feminino, com relação ao tipo de perda auditiva (condutiva ou sensorioneural).
Na literatura consultada, não foi encontrado referência ao predomínio do tipo de perda, em relação ao sexo (Salermo et al. 1979; Oliveira et al 1993).
O acesso ao serviço de saúde da população, principalmente ao especializados, e bastante limitado. A inexistência desses serviços, bem como problema econômicos e culturais impedem a captação adequada desses pacientes, influenciando na redução do atendimento da demanda.
A procedência da população estudada foi, basicamente, da capital, no entanto, verificamos considerável percentual de crianças provenientes do interior, Sistemas Locais de Saúde (SILOS) podem não dispor de recursos para proporcionar serviços de audiologia em sua Unidades de Saúde; no entanto essa possibilidade pode ser obtida através da criação de consórcios municipais ou de Regionais de Saúde (Silva 1993).
Dos pacientes oriundos da capital, o maior foi da Regional VI, população alvo, à qual se destina o atendimento do NAMI; porem observou-se demanda de outras Regionais, ratificando o serviço de audiologia do NAMI, como de referência para ao atendimento de avaliação audiológica, nesta faixa etária
Para que o diagnóstico da deficiência auditiva seja realmente precoce, é necessário contar com um sistema de saúde que proporciona atenção básica de qualidade para todas as pessoas. Atualmente, o Programa de Saúde da Família tem buscado alcançar tal objetivo.
Os pediatras são os profissionais a quem, inicialmente, os pais recorrem, quando percebem algo de anormal no desenvolvimento dos seus filhos, cabendo a elas a tarefa de orientar a família, na procura do profissional capacitado, para avaliar e diagnosticar a perda auditiva (Oliveira et al. , 1998). Tais profissionais são os que atuam diretamente com o lactente desde o nascimento ( Silva et al ., 1995).
Verificou-se que o profissional que mais encaminhou crianças para avaliação audiológica foi o otorrinolaringologista; os pediatras representaram apenas 1,8% da amostra.
Balieiro & Balieiro (1987) verificaram que 60,4% dos pediatras que trabalham em Centros de Saúde em São Paulo nunca investigaram audição das crianças atendidas por eles; 70,8% declararam não ter conhecimento sobre triagem auditiva; 54,1% ignoravam os métodos de avaliação infantil e 43,7% não conhecia os fatores de risco da surdes. Entretanto 81,2% declararão que seria possível de testar a audição das crianças antes do final do primeiro ano de vida, se eles fosse mais bem orientados. Recentemente, Oliveira et al. (1998) referiram que 96,77% dos pediatras de Santa Maria (RS) preocupavam-se com a condição auditiva da criança, ao atendê-la no hospital ou consultório particular, bem como já encaminharam algumas para avaliação audiológica. Para os autores, os médicos pediatras de Santa Maria estão atentos às condições auditivas de seus pacientes.
Não podemos deixar de considerar os encaminhamentos do pediatra ao especialista, no caso o otorrinolaringologista, aspecto que não pode ser verificado no estudo. Porém como a população avaliada é de baixa renda, a demora, na marcação de consultas para o especialista, muitas vezes, é longa, em torno de 4 a 6 meses. Esse período de tempo dificulta a identificação e a correspondente intervenção precoce, fato que retarda ainda mais o início do processo terapêutico.
A importância do diagnóstico precoce é fundamental, e , para isso, o encaminhamento da criança ao serviço de audiologia deve ser realizado mais cedo possível. O período que vai do nascimento até os 2 anos de idade é conhecido como período de plasticidade neuronal da via auditiva, em cuja etapa pode-se atuar de maneira positiva ou negativa, sobre o desenvolvimento da via auditiva (Katz, 1989).
Caso não ocorra a estimulação adequada, é praticamente impossível recuperar o tempo perdido, com conseqüente retardo da linguagem (Northen & Dows, 1984).
A deficiência auditiva não detectada, no primeiro ano de vida, traz conseqüências para o desenvolvimento emocional, social e escolar da criança tornando-a muitas vezes incapaz de contribuir produtivamente para a sociedade.
Somente 1,3% da nossa amostra foi avaliada, no primeiro ano de vida, dado bastante preocupante quando sabemos a importância da detecção precoce e a necessidade do diagnóstico rápido para um processo de intervenção terapêutica e, em alguns casos, verificou-se que o primeiro diagnóstico de surdez ocorreu aos 14 anos de idade! É de se esperar que, para esta criança pouco pode ser feito em relação a estimulação da sua linguagem e fala, sendo realizado apenas exame que atestará sua surdez e suas limitações para o seu desempenho pessoal e social!!!!
Em estudo realizado por Sousa et al. (1998), no serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Santa Lydia em Ribeirão Preto-SP, apenas 7% da amostra foi examinada, no primeiro ano de vida.
Nóbrega et al.(1998), em trabalho desenvolvido no ambulatório de deficiência auditiva do Departamento de Otorrino e Distúrbios da Comunicação Humana da Escola Paulista de Medicina, o número de crianças avaliadas, nos dois primeiros anos de vida, correspondeu a apenas 13% da amostra.
Linden et al. (1998), em estudo realizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, observaram que 77,33% dos pacientes avaliados consultaram-se pela primeira vez, com idade superior a 5 anos.
Mesmo sendo demonstrado, na literatura,o baixo percentual de crianças avaliadas, no primeiro ano de vida, em nosso estudo, não conseguimos atingir nem mesmo esse índice, o que nos permite maior reflexão e atenção sobre dado tão inquietante.
Em estudo realizado por Das (1988), na cidade de Manchester, a idade média para o diagnóstico da perda auditiva foi de 21,5 meses sendo 14,8 meses nos distúrbios graves e 28,9 meses no mais leves.
A média da idade das crianças com deficiência auditiva verificada nesse estudo foi 6 anos e 2 meses; a criança mais nova avaliada aos 3 meses e a mais velha, de 14 anos. É importante ressaltar que a criança avaliada aos 3 meses, considerada idade ideal para o diagnóstico da surdez, apresentava Síndrome de Pierre Robin, o que tornava evidente a possibilidade da perda auditiva justificando, dessa forma, o encaminhamento precoce ao serviço.
Sousa et al. (1998), em estudo desenvolvido no Hospital Santa Lydia, em Ribeirão Preto-SP, obtiveram a média de idade de 3 anos e 6 meses, longe também do período ideal, menor de 1 ano.
Nos Estados Unidos, á média de idade de identificação está em torno de 2 anos e 5 meses. (Koop.1993).
Esperamos que em um futuro breve, essa realidade seja diferente em nosso serviço o que dependerá diretamente de ações educativas valorizando a audição humana, serviços de saúde e profissionais atentos para identificar a criança de risco para perda auditiva e o encaminhamento precoce para realização do diagnóstico audiológico.
Em relação ao tempo médio decorrido entre a queixa da deficiência auditiva pela família e o primeiro diagnóstico de surdez, observou-se o período de 3 anos e 2 meses, considerado inadequado para o inicio da estimulação da fala e linguagem, o que traz prejuízos irreparáveis para o adequado tratamento da criança deficiente auditiva.
Na análise dos dados, constatou-se que as maninas foram diagnosticadas mais tardiamente. No trabalho realizado por Nóbrega et al. (1998), com crianças atendidas no ambulatório da Escola Paulista de Medicina, em São Paulo, não foi verificada associação entre o tempo da suspeita e confirmação de deficiência auditiva e o sexo.
Para os distúrbios mais graves, consideradas os problemas sensorioneurais, o tempo médio foi de 3 anos e 5 meses e, para os mais leves, de 4 anos.
Nos Estados Unidos, nos serviços em que foram implantados programas de triagem para detecção precoce da deficiência auditiva, esse período foi de 11 meses (Reilly & Epstein 1997).
Atualmente o Comitê Brasileiro Sobre Perdas Auditivas, na Infância, recomenda a Triagem Auditiva Universal. Todas as crianças devem ser testadas ao nascimento ou, no máximo, até 3 meses de idade e, em caso de deficiência auditiva confirmada, receber intervenção educacional, até 6 meses. No Brasil a realidade ainda é considerada distante, sendo a idade média do diagnóstico em torno de 3 a 4 anos (INES, 1990), podendo levar até 2 anos para ser concluído (Nóbrega, 1994).
As perdas auditivas bilaterais foram de maior ocorrência, tanto para o tipo sensorioneural como condutivo. Dentre as perdas sensorioneurais bilaterais, o grau severo e profundo foi de maior prevalência.
Oliveira et al. (1993) em estudo realizado com crianças atendidas na Clinica de Fonoaudiologia das Faculdades Integradas São Camilo, em São Paulo, observaram predomínio de perdas bilaterais em relação às unilaterais.
Castro et al. (1975) afirmaram. Em sua pesquisa, que a maioria dos casos estudados foram de perdas bilaterais e simétricas.
Não observamos diferença, em relação ao tipo de perda e a faixa etária para as crianças com idade superior a 7 anos, em relação às crianças mais novas, dados diferentes dos encontrados por Oliveira et al . (1993). Nesse estudo, a faixa etária de maior ocorrência de perda auditiva do tipo condutivo foi de 2 a 5 anos. Para Hubig (1991) em crianças provenientes de família de baixa renda, na faixa etária de zero a 7 anos, foi verificado que a prevalência de problemas condutivos resultou em 45 % da amostra.
Salerno et al., (1985), em estudo realizado, no Centro Audiológico do CEAL, em Brasília, os problemas condutivos representaram 93,11% da amostra sendo observada ocorrência mais acentuada na faixa etária de 3 a 8 anos, com pico máximo de aos 5 anos.
Em nosso estudo, o pequeno número de crianças avaliadas com idade inferior a 7 anos justifique a diferença estatisticamente não-significante. Esse aspecto corrobora o fato de que em nosso serviço, a avaliação das crianças ocorreu tardiamente.
Não se conseguiu identificar os prováveis fatores etiológicos para surdez em 62% das crianças avaliadas. Esse elevado número pode ser resultado da dificuldade, na hora da realização da história clinica, em obter informações precisas
dos pais sobre dados referentes ao desenvolvimento da criança, bem como dados de gestação e doenças pregressas. Com o passar dos anos, torna-se cada vez menor a confiabilidade desses dados, ocorrendo assim imprecisões e falhas quanto à determinação da causa especifica da surdez.
Para Marchesi (1991), existem dois grandes grupos de causas da deficiência auditiva: as hereditárias e as adquiridas e que, em 1/3 das pessoas surdas, a origem é desconhecida. As de caráter hereditário apresentam menor probabilidade de transtornos associados. Ao contrário, as adquiridas têm tendência maior à associação a outras lesões ou problemas, principalmente quando causadas por rubéola, incompatibilidade RH, anóxia neonatal ou meningite.
De acordo com Portman & Portman (1993), muitas vezes, é difícil atribuir causa definida a cada caso, devido à falta de precisão dos dados fornecidos pelos pais.
Tabith et al. (1989), em trabalho realizado sobre a etiologia da deficiência auditiva concluíram que a incidência de fatores etiológicos não identificados é a mais freqüente, seguida pela rubéola na gestação.
Oliveira (1990), em levantamento realizado no Hospital Universitário de Santa Maria, concluiu que a falta de precisão dos dados fornecidos pelos pais é decorrente do baixo nível socioeconômico e cultural da população.
Para Russo & Santos (1993), o diagnóstico preciso de fatores etiológicos da deficiência auditiva é suma importância, tanto para a adoção de medidas preventivas, como para adequação de métodos fonoaudiológicos e educacionais a serem realizados.
No nosso estudo, as prováveis causas de deficiência auditiva foram classificados em pré-natais, neonatais e pós -natais.
Entre as causas de origem pré-natais, a hereditariedade foi predominante representando 22% da amostra . As causas de origem ambiental tais como: rubéola congênita, problemas condutivos, sarampo, meningite e caxumba, representaram em mais de 50%, os fatores etiológicos responsáveis pela surdez, demonstrando alta prevalência de causas evitáveis. Tal fato, enseja preocupação e ao mesmo tempo, possibilidade de controle e erradicação de tais fatores etiológicos. Permitir o aparecimento de surdez , em uma criança cuja causa é comprovadamente evitável,
é atestar o descaso e irresponsabilidade dos profissionais de saúde e dos programas de atenção primária à saúde da população infantil.
Para Pelegrim (1990), 65% dos casos de perda auditiva são adquiridos no período pré e pós-natal, sendo somente 4% decorrentes de fatores hereditários; assim, mais de 50% das causas de perda auditiva, na infância, poderiam ser teoricamente evitadas.
Simões & Guerra (1992), em trabalho realizado com crianças matriculadas em centro de reabilitação de Campinas-SP, constataram que 18% das causas de surdez são ambientais, com predomínio da rubéola congênita e anóxia neonatal, seguindo- se os casos de etiologia desconhecida (5%) e de herança autossômica recessiva (4%).
Tabith et al. (1989), observaram que a incidência de perda auditiva foi de 14,8% para a rubéola congênita e 10,8% para a meningite. Para 37,81% as causas foram desconhecidas.
De acordo com Santos et al. (1987), 25% das perdas auditivas sensorioneurais classificadas como desconhecidas são conseqüentes da rubéola.
Salerno et al. (1985) verificaram que a principal causa pré-natal é a hereditariedade, em que consangüinidade contribui com 53,57%; a rubéola em segundo lugar, com, 29,85%. Dentre as causas neonatais, a prematuridade alcançou 57,9%. Para as causas pós-natais, a parotidite e o sarampo continuam a causas significativas, com 16,7% e 25,0% respectivamente. A meningite continua a ser causas predominante de surdez pós-natal (33,03%). Segundo os autores foi observado o crescimento perigoso do uso de ototóxicos (22,32%) e as otites representaram 93,11% da amostra.
Lindem et al. (1990), revelaram as principais causas identificáveis da surdez: a meningite com 11,8% a rubéola congênita com 7,8% e ototoxidade com 7,3%, sendo 43% dos casos de etiologia indeterminada.
Verificou-se, no momento da determinação da causa de surdez, que para muitas crianças, houve a ocorrência de mais de um fator de risco, sendo assim esse dado bastante superior ao da amostra estudada.
No que diz respeito ao grau de surdez, a perda auditiva profunda ocorreu em 50,0% para o fator etiológico hereditariedade, 50,0% para a meningite e em 75% para a rubéola na gravidez.
Mais uma vez comprovaram-se os graves prejuízos de doenças evitáveis ao desenvolvimento da criança, privando-a de função vital para a aquisição dos processos de fala e linguagem. Não se justifica que, nos tempos atuais, a mulher contraia doença infecto-contagiosa passível de imunização. A rubéola pode ser prevenida através da vacina MMR, até os 15 meses de idade e pela vacina anti- rubeólica, nas mulheres, em idade fértil e, nas meninas, até os 9 anos; logo não podemos permitir surdez em decorrência de tal fator.
Outro dado bastante preocupante, em relação a esses dois fatores de risco foi a média da idade das crianças avaliadas. Para a rubéola, na gravidez, a média da idade foi de 5 anos e para a hereditariedade, de 6 anos. É assustador saber que existindo a presença de um desses fatores de risco para a surdez, o encaminhamento dessa criança, para avaliação audiológica, não esteja acontecendo de forma precoce, seja por dificuldades na percepção do problema por parte das famílias seja por parte dos profissionais de saúde.
O declínio da freqüência dos casos de etiologia ambiental, ou seja, de surdez evitável, entre os portadores de deficiência auditiva, dependerá da melhoria nas condições de saúde da população, bem como de maior conscientização por parte dos profissionais de saúde, especialmente dos médicos gerais e pediatras, sobre o prejuízo desses fatores à audição e comunicação da criança, realizando, de forma precoce, o encaminhamento desta para um diagnóstico e tratamento adequado.
A surdez evitável é passível de controle e, conforme demonstrado em nosso estudo, sobrepujou os fatores de origem hereditária e genética, sendo responsável por mais de 50% das causas de deficiência auditiva.
Os fatores ambientais podem ser controlados através de ações de saúde programas educativos, alertando pais e profissionais da saúde sobre a importância da audição, sobre a necessidade do encaminhamento e diagnóstico precoce, em qualquer caso de surdez. Não podemos permitir que crianças sejam acometidas pela surdez cuja causa é evitável; se assim o fizermos estaremos condenando-as uma
serie de limitações socioeconômicas e em casos extremos, à marginalização da sociedade.
6.1 Limitações do Estudo
Alguns fatores contribuíram de forma direta para a limitação deste estudo podendo ter dificultado as estratégias de coleta e análise dos dados.
A coleta dos dados foi realizada em um período anterior ao inicio da pesquisa e com instrumentos não planejados pelo pesquisador, o que culminou com algumas informações não sendo coletadas (Pereira, 1997).
As entrevistas com os pacientes não puderam ser realizadas, uma vez que as informações já haviam sido coletadas a partir da história clinica. Tal instrumento tem como finalidade coletar informações para a atividade assistencial realizada no NAMI e foram realizadas por alunos de graduação em Fonoaudiologia ou pelo fonoaudiólogo do serviço. Tais entrevistadores não foram previamente treinados, o que ocasionou uma diversidade no preenchimento do instrumento e, muitas vezes a falta de atenção para algumas questões importantes.
Os entrevistadores que, no caso, foram os pais da criança ou acompanhante, muitas vezes esqueciam ou eram imprecisos nas respostas, no momento da realização da história clinica, dificultando estabelecer a analise das condições de risco para a perda auditiva.
No período de realização do estudo, o serviço não dispunha de equipamentos de melhor precisão para o diagnóstico audiológico tais como BERA e EOA, no entanto a pequena proporção de crianças menores de 1 ano avaliadas amenizou o potencial impacto limitante desse aspecto para os resultados encontrados nesse estudo.
As dificuldades apresentadas foram, muitas vezes, inerentes ao tipo de delineamento escolhido, não podendo ser evitadas, no entanto coube ao pesquisador definir estratégias para garantir a qualidade dos dados obtidos.
7 CONCLUSÕES
Considerando que NAMI é o único serviço de audiologia de referência para a
cidade de Fortaleza, nosso estudo evidenciou que:
I. O tempo médio decorrido entre suspeita de perda auditiva pela família e o primeiro diagnóstico de surdez foi de 3 anos e 2 meses, considerado longe do período ideal para o início da estimulação da fala e linguagem.
II. Somente 1,3% da amostra foi avaliada, no primeiro ano de vida, sendo observados alguns casos cujo diagnostico de surdez ocorreu aos 14 anos!
III. Os pediatras foram responsáveis por apenas 1,8% dos encaminhamentos ao serviço de audiologia. Possivelmente este fato possa ser decorrente dos pediatras terem encaminhado as crianças primeiramente para consulta com o otorrinolaringologista ou por desconhecimento da importância e dos meios de avaliação auditiva no primeiro ano de vida.
IV. As perdas auditivas sensorioneurais bilaterais de grau severo e profundo, consideradas de maior gravidade para o desenvolvimento da fala e linguagem, foram as de maior ocorrência, representando o total de 42,2% da amostra.
V. Não foi possível identificar 63% dos prováveis fatores etiológicos para a surdez, provavelmente isto ocorreu pela imprecisão ou falha na coleta dos dados por partes dos entrevistadores ou por problemas de recordação de fatos ocorridos com as crianças pelos pais na hora da realização da história clinica.
VI. As causas de origem ambiental como a rubéola congênita, problemas condutivos, sarampo, meningite e caxumba representaram em mais de 50%, os prováveis fatores etiológicos responsáveis pela perdas auditivas, dando origem à denominação de surdez evitável.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A implantação de programa de detecção precoce da acuidade auditiva implica o envolvimento de vários profissionais da área de saúde (pediatras, médicos gerais, otorrinolaringologistas, enfermeiras, obstetras, etc) e da comunidade, informada sobre a importância da audição, no desenvolvimento global do individuo, bem como os cuidados necessários para uma boa saúde auditiva.
A captação precoce da criança de risco, por meio de ações primarias de saúde pode se constituir em estratégia efetiva na prevenção da perda auditiva. O encaminhamento precoce e a utilização de exames, tais como o BERA e EOA, pode possibilitar aos especialistas (otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos) o diagnóstico precoce e objetivo de surdez.
A utilização desses exames, a partir de janeiro de 2000, já é uma realidade em nosso serviço, o que tem contribuído na avaliação de crianças menores de 1 ano ou difíceis de testar diminuindo consideravelmente os exames inconclusivos que em nosso trabalho foi de 13,9%.
Levando-se em consideração os aspectos anteriormente abordados, a