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3. LITERATURE STUDY

3.1. Nanoparticles

Tendo em vista a conclusão das duas primeiras fases da HP (a análise sócio-histórica e a análise discursiva), procederemos agora, em acordo com Thompson (2007), a realização da etapa de interpretação/reinterpretação das formas simbólicas. Esta fase hermenêutica se apóia claramente no exame institucional feito acerca da TV Ponta Negra e na análise narrativa e argumentativa dos acontecimentos políticos precedentes que foram notícias no Jornal do Dia.

Assim, consideramos primeiramente que a política a qual faz referência o Jornal do Dia corresponde ao que Gramsci chama de “pequena política”, isto é, à “política do dia-a-dia” ou à “política parlamentar”. Pois, como vimos no capítulo precedente, refere-se àquela política que se exerce no interior de uma estrutura já estabelecida, onde se faz constante a luta por predominância entre as diferentes frações de uma mesma classe política (GRAMSCI, 2007, p. 21).

Com efeito, a prática política coberta pelo telejornal, reporta-se à política que acontece, sobretudo, no âmbito da administração da cidade, do executivo e legislativo estadual e municipal, em sua maior parte na capital do estado. Também, à atuação partidária e institucional diária. Esta política, que de fato já estabelecida, diz respeito aos agrupamentos de poder já consolidados e à atuação de uma classe política estadual, histórica, de pouca renovação em seus quadros representativos, que medem constantemente as suas forças no interior das instituições do estado45.

45 Aqui estamos considerando, de maneira geral, a prática política no estado sem pretender ir mais além. Para ter uma ideia da dinâmica política que acontece no Rio Grande do Norte, como as alianças, as sucessões, os acordos, as possíveis renovações no quadro político do estado e da capital, entre outras, pode-se conferir os

É, portanto, sobre tal perfil de política que o referido telejornal retira suas informações e as veiculam amplamente no estado, transformando o fato político em um acontecimento de caráter mediado. Assim, o Jornal do Dia realiza sobre as imagens que recolhem, como todo telejornal, os processos de “mediação” dos fatos (MIGUEL, 2004): as notícias passam a apresentar, não apenas, um determinado “enquadramento” e edição, mas também, uma linguagem específica ou um vocabulário próprio que são fortemente direcionados às camadas populares do estado.

Detendo-nos, então, à análise das matérias precedentes, podemos começar a observar que as notícias referentes à OSF e à CEI, as quais podem ser agrupadas sobre a categoria corrupção na política, revelam dois modos distintos de proceder da informação, isto é, um primeiro modo, onde os interesses que perpassam a notícia encontram-se claramente explicitados, como é o caso da OSF. E um segundo modo, onde os interesses incorporados à notícia acham-se ocultados ou engenhosamente implícitos à mensagem, como é o caso da CEI.

Como foram analisadas anteriormente, ambas as matérias respondem a interesses políticos específicos no estado. Para isto, elas se valem de estratégias de caráter ideológico que procuram dar suporte a maneira posicionada do jornal em apresentar os acontecimentos políticos. Assim, podemos destacar que respeitante à OSF o relato e o comentário do acontecimento apresentam-se carregados de termos valorativos e palavras ideológicas que associadas a uma estrutura discursiva ampla, produz, simbolicamente, o direcionamento da notícia.

No que se refere à CEI, o “ocultar mostrando” que, consoante Bourdieu (1997), configura-se em um forte mecanismo anônimo ou invisível de poder simbólico, revela estrategicamente o exercício ideológico de uma censura sobre tudo que ficou oculto ou que poderia ser mostrado pelo telejornal, já que se tratava de um caso de corrupção na administração municipal a qual foi ao ar na mídia local mediante intensos protestos. Com efeito, “uma maneira formidável de fazer da televisão um instrumento de manutenção da ordem simbólica” (BOURDIEU, 1997, p. 20).

A análise das matérias precedentes nos revela, também, o modo como a sessão política do mencionado telejornal conduziu as notícias sobre a paralisação do ITEP. Assim, sob o tema de greve no estado, três elementos do discurso jornalístico se sobressaíram durante a

trabalhos de José Antônio Spinelli, em livro organizado em parceria com Hugo Cortez (2010ab), onde os momentos que contextualizam as eleições são bastante proveitosos para esse fim.

narrativa midiática: a ausência de uma problematização do assunto, a desqualificação do movimento grevista e a construção ideológica do relato em opor a população ao movimento.

Entre essas maneiras de proceder da narrativa, destacamos o modo de operar da ideologia que por meio da fragmentação, pôs em oposição grevistas e usuários do serviço público do ITEP. A notícia orientada de forma a antagonizar os direitos do cidadão e sua real efetivação pública, promove o expurgo ao movimento de paralisação, com uma clara tentativa de enfraquecê-lo.

De forma geral, a maneira de o jornal conduzir os relatos dos acontecimentos põe em evidência o exercício da ação simbólica ou do poder simbólico em favor de uma pretensa “ordem” social. Ordem esta que desconsidera historicamente direitos de organização trabalhista e preza pela manutenção de uma estrutura de poder manifesta pela desconforme luta no interior do Estado: uma categoria de trabalhadores ou um setor da classe trabalhadora em enfrentamento ao grupo no poder, o governo Rosalba.

Sobre as matérias que podemos elencar como correspondentes às atividades do executivo e do legislativo em âmbito municipal e estadual, evidenciam-se um discurso jornalístico que procura, claramente, reforçar atuações e projetos favoráveis a determinados agrupamentos de poder, isto é, a interesses políticos seccionais que pertencem ou são representados por lideranças de destaques no estado como o senador José Agripino, a atual governadora Rosalba Ciarline e a prefeita de Natal Micarla de Sousa.

As matérias que têm como foco o cumprimento de metas fiscais da administração Rosalba, a construção do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, o projeto Pró-importe RN, a votação do OGE e da LOA e, também, as atividades desenvolvidas pela administração Micarla na capital, apresentam, assim, um direcionamento claro do fato político como ficou demonstrado através do relato e do comentário dos acontecimentos.

É possível, então, identificar um discurso midiático que, por um lado, manifesta-se propício à atuação e à imagem de políticos e legendas relacionadas aos já referenciados representantes no poder, e por outro, a desconstrução de políticos e partidos que, possivelmente, estejam na oposição ou que expressem interesses contrários, como nos embates ocorridos no interior do legislativo, os quais têm se tornado mais freqüentes em relação aos políticos vinculados ao PSB e ao PT ou as próprias instituições partidárias.

Salientamos, ainda, que a prática política mediada pelo referido telejornal é caracterizada por um forte discurso ideológico que ressalta valores políticos de origem liberal ou neoliberal como as privatizações; expressa, também, os interesses da classe proprietária do estado, através do mencionado projeto de importação; promove, conforme visto, a uma

mistificação da política e, ainda, por não problematizar o acontecimento midiatizado, contribui para uma conformização e/ou despolitização do telespectador do jornal. Tudo isso, isto é, a maneira como apresenta a política estadual, faze-se através de modos de operação e estratégias ideológicas como a fragmentação, a diferenciação, a dissimulação, a universalização, entre outras.

O exame das notícias que põe em evidência a atuação partidária no estado e na capital não nega muitas dessas observações. Podemos, assim, observar que a apresentação das matérias, formalmente analisadas, revela ser recorrente a construção do acontecimento político de modo a privilegiar os representantes e as legendas partidárias mencionadas, bem como desconstruir os possíveis adversários políticos.

Como acentuamos em outros momentos, o uso de estratégias como a universalização põe em evidência os interesses dos grupos partidários (DEM, PV, PSDB) como sendo gerais que, juntamente a todo um discurso, articulado em ideias e termos valorativos, apresentam como favoráveis os referidos partidos e políticos (bem como seus projetos e ideias), do mesmo modo que descaracterizam outros, como tem sido freqüente em relação ao Partido dos Trabalhadores (PT).

É fundamental ainda observar que, juntamente à veiculação das matérias jornalísticas, a cobertura realizada pelo Jornal do Dia apresenta o comentário do jornalista Ricardo Rosado no mencionado quadro “Opinião”.

Rosado por apresentar uma posição destacada no telejornal, caracterizada por uma participação especial, onde tece opiniões sobre determinadas notícias escolhidas previamente, faz uso de um discurso bastante articulado, propositivo e incisivo que difunde ideias e representações acerca da sociedade e da política em afinidade às imagens e discursos respeitantes aos mencionados representantes da política estadual e municipal (Natal). Estes, por sua vez, representam as classes economicamente mais poderosas no estado.

Assim, por meio de argumentações calcadas em estratégias ideológicas que procuram racionalizar as ideias, generalizar ou simplificar determinadas asserções, ou mesmo, proceder a uma fragmentação dos grupos que, possivelmente, se constituam como oposição ao poder, entre outros, Rosado procura legitimar projetos e ações de âmbito político, econômico e/ou social salvaguardados por partidos e políticos como os já supracitados, bem como proceder à desconstrução de também já referenciadas legendas e representantes da política estadual.

É, assim, uma estratégia do discurso de Rosado mobilizar as crenças do telespectador e com isso introduzir, mais facilmente, os interesses de classe que perpassam as notícias. A própria linguagem, inclusive, é um recurso importante para realização de tal tarefa. Pois,

apesar do elevado nível de instrução do jornalista (e, tal vez, por isso mesmo), procura, sempre que possível, se adequar ao discurso popular com o objetivo de atingir mais diretamente o público.

É, assim, comum à fala do jornalista expressões coloquiais como “né?”, “tá”, “a gente”, “essas coisas começaram a pipocar”, entre outras, que diferem de um discurso mais elaborado, voltado para o meio acadêmico, por exemplo, já que Rosado é, também, professor universitário e poderia se “preocupar” com um maior rigor ou mesmo manter um certo grau de rebuscamento nas palavras.

Isso tudo, nos permite fazer uma reflexão ainda mais ampla sobre o Jornal do Dia, a partir do conjunto de elementos mostrados e da participação de Rosado como defensor e propagador de determinadas ideias e pensamentos acerca da política. Podemos vislumbrar, nesse sentido, conforme as leituras de Gramsci (2004), que o jornal, de modo geral, faz a vez de um “intelectual orgânico” e, assim, cumpre uma função determinada no campo social e político do capitalismo.

Como sabemos, o conceito de intelectual para o autor é bastante nuançado, todavia podemos buscar entendê-lo naquilo que é essencial, pois conforme Gramsci, o critério mais importante para distinguir uma atividade intelectual deve ser buscado não no que é “intrínseco às atividades intelectuais”, mas “no conjunto do sistema de relações no qual estas atividades (e, portanto, os grupos que as personificam) se encontram no conjunto geral das relações sociais” (GRAMSCI, 2004, p. 18).

Neste sentido, Gramsci afirma, por exemplo, que o que caracteriza o operário não é especificamente o trabalho manual ou instrumental que realiza, mas por realizar este trabalho em determinadas condições e relações sociais (sabendo-se que não existe atividade manual pura, pois todo trabalho necessita do mínimo de atividade intelectual). Da mesma forma, o que caracteriza o empresário não é o fato de possuir certa qualificação para sua atividade (embora seja necessária), mas a sua posição no conjunto das relações sociais gerais, isto é, a posição de empresário na indústria (GRAMSCI, 2004, p. 18).

Por isso, seria possível dizer que todos os homens são intelectuais, mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais (assim, o fato de que alguém possa, em determinado momento, fritar dois ovos ou costurar um rasgão no paletó não significa que todos sejam cozinheiros ou alfaiates). Formam-se assim, historicamente, categorias especializadas para o exercício da função de intelectual; forma-se em conexão com todos os grupos sociais, mas, sobretudo, em conexão com os grupos sociais mais importantes, e sofrem elaborações mais amplas e complexas com o grupo social dominante (GRAMSCI, 2004, p. 18-9).

Conforme o autor, o intelectual pode ser visto como uma “categoria especializada para o exercício da função de intelectual”. Como, porém, os intelectuais não constituem uma classe propriamente dita, mas grupos vinculados às diferentes classes, pois, “não existe uma classe independente de intelectuais, mas cada grupo social possui sua própria camada de intelectuais ou tende a formá-la” (GRAMSCI, apud PORTELLI, 2002, p. 105), decorre daí a questão da organicidade e da representação da classe, o que, para nós, torna a função do intelectual na sociedade mais clara:

Todo grupo social, nascendo no terreno originário de uma função essencial no mundo da produção econômica, cria para si, ao mesmo tempo, organicamente, uma ou mais camadas de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência da própria função, não apenas no campo econômico, mas também no social e político (GRAMSCI, 2004, p. 15).

Para Gramsci, o vinculo entre o intelectual e a classe é particularmente estreito, “orgânico”, quando o intelectual se origina da classe que representa e isto se expressa essencialmente na atividade que ele exerce no seio da superestrutura para tornar essa classe hegemônica e homogênea (PORTELLI, 2002, p. 109).

Podemos dizer que o intelectual, organicamente ligado a uma classe, exerce uma função superestrutural na sociedade. Com efeito, esta função toma o aspecto de consenso, de direção e organização, quando a classe (fundamental) aspira à hegemonia e à dominação, o que, consoante o filósofo italiano, ocorre através de dois grandes planos superestruturais: a sociedade civil e a sociedade política ou Estado (GRAMSCI, 2004, p. 20-1).

Portanto,

Os intelectuais são as células vivas da sociedade civil e da sociedade política: são eles que elaboram a ideologia da classe dominante, dando-lhe assim consciência de seu papel e a transformam em “concepção de mundo” que impregna todo corpo social. No nível da difusão da ideologia, os intelectuais são os encarregados de animar e gerir a “estrutura ideológica” da calasse dominante no seio das organizações da sociedade civil (igrejas, sistema escolar, sindicatos, partidos etc.) e de seu material de difusão (mass media). [...] são igualmente os agentes da sociedade política, encarregados da gestão do aparelho do estado e das forças armadas (homens políticos, funcionários etc.) (PORTELLI, 2002, p. 109).

Podemos, então, afirmar que o Jornal do Dia ao representar, de modo geral, os interesses da “classe fundamental”, nos coloca em posição de considerá-lo um intelectual gramsciano. Ao realizar o exercício e difusão de formas simbólicas, o jornal, ideologicamente, representa interesses particulares no estado, os quais são identificados como projetos de caráter dominantes na sociedade potiguar.

As notícias veiculadas apresentam um relato e um comentário do acontecimento de forma a satisfazer a interesses específicos na sociedade, pois a maneira como vem sendo construído o fato político procura beneficiar determinados agrupamentos de poder, como os já mencionados políticos, e assim a satisfazer interesses de classe.

Desse modo, como conseqüência principal de tal atuação, vislumbra-se a construção e/ou a perpetuação de uma estrutura social hierárquica que privilegia grupos socialmente e politicamente dominantes no estado. Isso fica evidente pelo fato de que as formas simbólicas compartilhadas, — uma vez constituídas como estruturas ideológicas de poder e de acesso diferenciado a “elites simbólicas” (como é o caso de Rosado e dos políticos supracitados, entre outros) —, legitimam interesses particulares ou de minorias políticas (DIJK, 2008).

Os detentores de poder, assim, conforme citamos van Dijk (2008, p. 44-5), possuem a capacidade de influenciar a agenda pública, selecionar a informação e/ou de decidir pela visibilidade na televisão. Colocando-se, portanto, como formuladores de conhecimentos, crenças, ideologias, entre outros.

Podemos, então, dizer que a estas características da apresentação dos acontecimentos pelo telejornal, considerando-se como um uso instrumentalizado da notícia, põe em evidência um papel político desempenhado pela televisão, na media que pode, até certo ponto, significar a construção da opinião do telespectador sobre a política, condicionando uma visão da coisa pública, expressa por meio de narrativas e opiniões como situação 46.

Assim, podemos pensar como Sartori (2000, p. 50), resguardadas as devidas proporções de seu pensamento, que se trata de uma “videopolítica” ou “telepolítica”, isto é, a capacidade que a TV Ponta Negra, em especial o Jornal do Dia, tem em conduzir a informação pública na sociedade, o que é um poder político socialmente expresso.

É possível, também, refletirmos no sentido de que as formas simbólicas difundidas pelo telejornal não são neutras ou objetivas como pretende a referida emissora. Pelo contrário, a presente análise nos revela, entre outros, um posicionamento claro a respeito do relato e do comentário do fato político, sendo agora falso afirmar que o jornal se limita em apresentar apenas o ocorrido político, uma vez que ela mesma promove interpretações e inspira constantemente ideias.

Ao que indicamos anteriormente, contudo, a questão não é simplesmente a forma parcial ou tendenciosa da informação jornalística, até por que não acreditamos em

46 Embora não citemos, mas sabe-se que as imagens televisivas apresentam-se como elementos de forte convencimento social, se constituindo para muitos, consoante Alessandra Aldé (2004), como importante “critério da verdade”.

neutralidade, porém indagamos sobre a maneira como estão sendo apresentadas as notícias de modo a beneficiar grupos políticos específicos e a contribuir para a construção e manutenção de uma estrutura ampla de dominação e poder no Rio Grande do Norte.

Conclusão

Acentuamos, ao longo do presente trabalho, o quão desenvolvido encontram-se os meios de comunicação de massa na contemporaneidade. Nesse sentido, sua expansão e fortalecimento, calcados nas transformações da economia capitalista e nas recentes inovações tecnológicas, foram responsáveis por propiciar condições desejáveis para que se tornassem, na atualidade, veículos bastante poderosos e onipresentes (mas, não onipotentes — é importante que frisemos isso mais uma vez), dado o seu caráter global e globalizante.

Assim, é que observamos como sendo praticamente incomensurável o fluxo de informações, imagens, palavras e idéias que aparecem em nosso cotidiano, advindos justamente de meios como a televisão, o rádio, jornais e revistas impressos, entre outros. Por isso alguns estudiosos acentuam que os mass media são os principais responsáveis por engendrar e operar um processo de ampliação do uso e valorização das formas simbólicas na sociedade de forma geral (DAMASCENO, 2007).

Nessas condições, como bem observa Damasceno (2007), esses meios de transmissão de formas simbólicas, apesar de serem resultantes de uma concessão pública, pertencem a grupos privados dominantes economicamente e dirigentes politicamente, é o caso, por exemplo, da TV Ponta Negra ao qual viemos estudando. A sua produção simbólica fica restrita a um específico grupo social, uma vez que o acesso a tais veículos de comunicação representa o alcance de poder, por abrir ao indivíduo ou ao grupo ao qual pertence, a possibilidade, através da exposição de significantes, de produzir ou difundir idéias e representações no e acerca do mundo.

Com efeito, trata-se do poder simbólico (BOURDIEU, 1997; DIJK, 2008), como dissemos a pouco, que determinadas pessoas ou grupos sociais possuem em virtude do controle ou acesso aos recursos comunicacionais, notadamente, por sua disponibilidade à fala pública, ao discurso, que ocorre através dos meios de comunicação de massa. Assim, acentuamos que os “guardiões” do poder simbólico apresentam o potencial de influenciar, até certo ponto (já que somos de opinião que os receptores de mensagens não são “espojas”), a opinião do telespectador ao elaborar e difundir as formas simbólicas.

A presente pesquisa pautando-se, então, nessas reflexões procurou realizar um estudo sobre o Jornal do Dia da TV Ponta Negra, emissora comercial do Rio Grande do Norte e afiliada da Rede SBT de televisão. Indagamos sobre o comportamento de sua seção política, respeitante a maneira como vem efetuando a cobertura dos assuntos políticos do estado.

Assim, procuramos saber como os acontecimentos políticos do Rio Grande do Norte, entendido estes como a prática política noticiada, são apresentados pelo referido telejornal. Neste sentido, a hipótese que lançamos é que os acontecimentos que viram notícias no Jornal do Dia são apresentados, em sua grande parte, de forma instrumentalizada com objetivo de atender a interesses específicos no estado e assim a contribuir decisivamente para a manutenção de uma estrutura de poder e status quo na sociedade potiguar.