3. NUMERICAL SIMULATION AND ANALYTICAL WELL TESTS
3.5. A NALYTICAL W ELL T EST S CENARIOS
A atividade de projetar por si só, já é uma atividade que envolve várias pessoas. Como coloca Lawson (op cit), “não se pode projetar num vácuo social. Na verdade, é a própria
existência de outros participantes, tais como, clientes, usuários e legisladores, que torna a atividade de projetar tão desafiadora”. Além dessa face de interação relativa ao projeto, nota- se que, com o aumento da complexidade das edificações e a grande inovação tecnológica contemporânea, o conhecimento no campo da construção civil está cada vez mais especializado, com vários profissionais para solucionar os vários problemas de projeto e a consequente necessidade de integração entre vários projetos, de forma que se tenha uma otimização técnica e econômica do empreendimento.
Segundo Cavalcante e Veloso (2012), a necessidade de integrar conhecimentos das mais diversas áreas é própria da atuação do arquiteto, que concretiza através do projeto a análise das questões envolvidas, bem como a síntese de soluções propostas. Teixeira (2005) coloca que a questão da ausência de integração nos cursos de Arquitetura e Urbanismo (AU), nas diversas áreas envolvidas, por parte dos alunos é uma das mais recorrentes questões levantadas pelos envolvidos com esses cursos, discentes e docentes. A autora afirma que a situação é registrada por muitos estudos e é, em parte, consequência do ensino marcado por uma visão fundada nos conteúdos isolados de cada área (...) a tese de Teixeira (op cit) considera que há entraves de diversas ordens para serem considerados, desde a ausência de experiências duradouras nesse sentido, no Brasil, às estruturas administrativas em cada curso se insere, muitas vezes provocando recuos.
Correa e Naveiro (2001) - apresentam o problema da integração entre as atividades técnicas de projeto de arquitetura e estrutura de edifícios na etapa de estudo preliminar, abordando a questão do aprendizado do lançamento das estruturas no ensino de graduação. Segundo os autores, geralmente a forma de integração entre essas atividades técnicas varia de equipe para equipe, ou seja, há uma padronização individual das atividades de cada escritório. Os autores afirmam que a interface9 entre arquitetura e estrutura requer uma atenção maior, pois a estrutura representa a maior percentagem de gastos na execução e os erros cometidos na execução da estrutura são os mais difíceis de serem corrigidos. Dessa forma, é mais econômico solucionar os problemas na fase de projeto.
9 O dicionário Aurélio online (2014) disponibiliza duas definições de “interface” que fazem pertinência a esta pesquisa: 1 Dispositivo (material e lógico) graças ao qual se efetuam as trocas de informações entre dois sistemas; 2 Limite comum a dois sistemas ou duas unidades que permite troca de informações.
Quanto ao papel dos atores, nesta interface o projeto estrutural deve respeitar a forma e a estética do projeto arquitetônico, assim como a arquitetura deve propor soluções viáveis técnica e economicamente. A comunicação entre os projetistas é um fator primordial no processo de projeto integrado, como colocam Correa e Naveiro (op cit):
Um fator que interfere na integração entre esses dois projetos é a comunicação entre dois projetistas de formação diferenciada: arquiteto e engenheiro civil. Conhecimento técnico, capacidade de trabalho em equipe e experiência de cada projetista atuam diretamente na qualidade de integração entre os projetos de arquitetura e estrutura.
Para um engenheiro ou um arquiteto recém-formado, é necessário espírito de equipe e conhecimento técnico bastante fundamentado sobre lançamento e pré- dimensionamento de estruturas a fim de suprir a sua pouca experiência em integrar os dois projetos. Esse fato mostra a importância dos cursos de graduação de arquitetura e engenharia civil darem maior ênfase ao ensino de integração entre os dois projetos.
Os autores apontam ainda para o panorama do ensino com o distanciamento entre os cursos de arquitetura e engenharia, assim como a ementa e relacionamento insuficientes entre disciplinas e a falta de normas técnicas e bibliografia sobre integração de projetos de arquitetura e estrutura. Concluem que essa defasagem das publicações nacionais, em relação aos novos processos de projetar e construir empregados pelo subsetor de edificações, também ocorrida no ensino de graduação de arquitetura e engenharia civil “mostra a necessidade de se encontrar métodos, tanto de ensino como de reformulação da estrutura acadêmica, para que haja uma adaptação dinâmica dos cursos ao perfil de profissional desejado pelo mercado”. Para os autores a realidade mostra os escritórios elaborando os projetos em paralelo, adquirindo vantagem nos prazos e na agilidade de corrigir erros decorrentes do processo, aumentando sua competitividade.
Em outro artigo, Correa (2002), apresenta o ensino da integração de projetos de estrutura e de arquitetura para a disciplina de Estruturas de Concreto Armado I (do curso de Engenharia Civil), referente aos tópicos de lançamento de estruturas e pré-dimensionamento, onde o emprego de ferramentas computacionais serve para auxilio do ensino desses tópicos, buscando harmonizar as interfaces de arquitetura e estrutura e informar ao professor dados sobre a aprendizagem dos alunos com a ferramenta. Correa (op cit) Aponta para a cultura de se fazer projetos em série - ou seja, primeiro a arquitetura, depois se elabora o projeto estrutural – o que implica em risco de retrabalho. A carência dos cursos de graduação em estimular o trabalho de projeto em equipe acaba gerando dificuldade e pouca capacitação para resolver problemas de interface entre projetos, principalmente para recém-formados.
A dissertação de Saramago (2011) avalia como vem sucedendo a educação dos arquitetos e urbanistas no Brasil especificamente na área de Estruturas. A autora destaca os dois tipos de currículos praticados pelos cursos de arquitetura: o de Belas Artes e o de orientação politécnica, sendo até hoje as influências principais dos cursos no Brasil. A autora argumenta que:
logo, a convivência de métodos diferenciados de ensino, dentro de um mesmo processo de graduação, pode se constituir como um motivo que explique a dificuldade de integração, apontada pelos autores revisados, entre as disciplinas de Projeto e de Tecnologia nas escolas brasileiras de arquitetura – ou seja, a “ruptura” entre as profissões (o tão apontado “divórcio entre arte e técnica”) se reproduziria no processo de formação dos profissionais.
Contudo, Saramago (op cit), faz um panorama histórico da educação em estruturas dentro dos cursos de arquitetura e destaca algumas práticas diferenciadas, como as dos professores Vitor Lotufo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Farias Brito, que “promovia a integração entre a atividade projetual e sua posterior concretização, mediante a confecção de protótipos em escala 1:1”; outro destaque foi a atuação dos engenheiros Adolpho Polillo na FAU/UFRJ e de Aluízio Margarido e Mario Franco, onde além das aulas conceituais e de aplicação de exercícios numéricos, eles fizeram uma abordaram empírica através de modelos físicos, análises históricas e realização de trabalhos práticos em turmas de AU. Estes professores engenheiros foram, ainda, responsáveis pela organização do primeiro Encontro Nacional de Professores de Estrutura para Escolas de Arquitetura em 1974. Este evento recomendava, entre outras coisas, proposição de divisão da sequência de Estruturas em três fases: análise qualitativa com caráter intuitivo; análise quantitativa por métodos de dimensionamento; e integração com o projeto.
Uma metodologia inovadora destacada pela autora foi a desenvolvida por Yopanan Rebello, para a Escola de Belas Artes de São Paulo (FEBASP), em 1981, a partir de experiência com Maria Amélia Leite dentro do curso da Universidade Católica de Santos (FAU SANTOS), onde propunham os seguintes pressupostos para o ensino de Estruturas: discussão conceitual sobre os fenômenos físicos que regem o Comportamento Estrutural; demonstração da existência desses conceitos nos sistemas estruturais naturais e cotidianos; uso de modelos físicos demonstrativos dos fenômenos; e apresentação de sua tradução matemática, com a realização de exercícios numéricos e o teste de protótipos.