4. CULTURE
4.4 A NALYSING N ORWAY AND J APAN WITH T ROMPENAARS AND H AMPDEN -T URNER
Como já explicitado, o referencial teórico-metodológico de nossa pesquisa exige que os dados sejam analisados sob a perspectiva da imanência, de modo que a partir daquilo que há sob a aparência sejam desveladas as conexões entre as tendências identificadas e a totalidade que as legitima.
Buscaremos no arcabouço teórico aqui desenvolvido os subsídios para estabelecer as devidas conexões. Desta maneira, as contribuições de Adorno (1970; 1986; 1991; 1994; 1995; 2010) e Adorno & Horkheimer (1985) fomentarão nossas análises. Também não deixaremos de
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lançar mão dos estudos contemporâneos de autores que tratam da temática sob uma perspectiva crítica; voltamo-nos, especialmente, para os trabalhos de Loureiro (1996; 2005; 2006; 2008; 2012) e Loureiro e Della Fonte (2003), bem como para as investigações de Almeida (1994), Jameson (1997), Omar (2007), Roth (2014), Gadelha (2014), Carone (2003), e outros que contribuíram para o escopo de nossas questões centrais.
Em termos estruturais, a categorização dos dados obtidos se reporta aos seguintes eixos: 1) O filme no tempo livre; 2) Concepções sobre o filme; 3) A função atribuída ao filme na educação escolar; 4) Limites e possibilidades para a reeducação dos sentidos e 5) Filme e formação. O quadro quatro apresenta a relação entre as questões norteadoras das entrevistas e sua respectiva inclusão em cada uma das categorias de análise citadas.
Quadro 4: Categorias de análise Categorias de
análise Questões analisadas
O filme no
tempo livre O que você gosta em um filme? Dê o exemplo de dois filmes que tenham isso que você gosta. Que tipo de filme você mais gosta? Por quê?
Em média, quantas vezes por ano você vai ao cinema?
Você costuma assistir televisão? Que tipo de programa você mais gosta? Você tem TV a cabo? Há canais exclusivos de filmes? Costuma assisti-los? Quanto tempo por semana você passa na frente da TV?
Que tipo de filme desperta maior interesse dos alunos?
Concepções
sobre o filme Você acha que os filmes transmitem algum tipo de mensagem? Que mensagens você acha importante serem veiculadas pelo filme? Na sua concepção: o que é um filme?
Você vê alguma diferença entre os filmes e os programas de televisão?
Você vê alguma diferença entre os filmes produzidos pela grande indústria cinematográfica e os vídeos produzidos por aparatos como celular, câmera digital?
O filme na educação
escolar
Você é professor (a) de qual ano?
Você já utilizou o filme em algum momento da sua prática? Com que frequência você costuma utilizar filmes?
Você já lecionou em outros anos do Ensino Fundamental? Caso tenha lecionado, costumava também utilizar filmes?
Por que você escolheu/escolhe utilizar filmes em sala de aula?
Como você escolhe os filmes que serão reproduzidos? Com base em quais critérios?
Em que momentos você julga ser importante utilizar os filmes? Os filmes são vinculados a algum conteúdo escolar? Caso sim, quais?
Há na escola um ambiente específico para a reprodução de filmes? Você costuma utiliza-lo?
146 Os filmes que você utiliza estão inseridos no planejamento?
O material didático adotado pela unidade em que você trabalha prevê a utilização de filmes? Limites e possibilidades da reeducação dos sentidos
Como você prepara o momento da exibição do filme?
Existe algum tipo de reflexão levantada após a exibição do filme? Dê o exemplo de um momento em que a utilização do filme foi exitosa.
Houve alguma experiência em que a utilização de filmes não rendeu o resultado esperado?
Filme e
formação Você acha que o filme pode proporcionar algum tipo de formação para quem o assiste? Por quê? Você acha necessário que o professor possua algum tipo de formação específica
para utilizar o filme em sala de aula?
É necessário conhecer a linguagem cinematográfica para reproduzir filmes para os alunos?
Fonte: elaboração dos autores
Tais categorias visam à necessidade de se compreender os dados sobre as relações entre forma e conteúdo no filme e sua compreensão pelos professores, bem como os fins previstos para o filme na perspectiva da indústria cultural, que fomentam a semiformação, em tensão com os fins apresentados sob a perspectiva crítica.
Na categoria O filme no tempo livre serão analisados os elementos presentes nas falas dos sujeitos que expressem sua relação cotidiana com o filme e com os aparatos audiovisuais. As questões relacionadas ao gosto, às preferências por determinados gêneros, bem como o tempo destinado ao papel de espectador em seu “tempo livre” – seja do filme, da televisão ou do vídeo – cabem aqui como um meio para a compreensão do tipo de afinidade estabelecida pelos sujeitos com os produtos da indústria cultural. Embora nosso objetivo esteja direcionado ao contexto da educação formal, vemos relevância em compreender essa relação pessoal devido às possíveis traduções desta para o âmbito escolar.
Da mesma forma, consideramos a possibilidade de que as concepções sobre o filme também possam se relacionar com o tipo de abordagem no momento de sua reprodução em sala de aula. Inevitavelmente, a pressuposição de que o filme possa transmitir algum tipo de mensagem, ou que ele se diferencie de algum modo da televisão, remete à associação de um critério ético a um critério estético – ou, na situação do filme na indústria cultural, um critério estético consumido por uma estrutura rígida. Deste modo, compreender tais concepções ampliará nossa visibilidade sobre o filme na educação escolar – próxima categoria a ser analisada, e cerne de nossos dados.
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Os limites e possibilidades da reeducação dos sentidos serão compreendidos a partir dos relatos mais específicos que dizem respeito às experiências efetivadas pelos professores com o filme, em momentos que os próprios sujeitos consideraram falhos ou exitosos, e também a partir da análise das reflexões suscitadas a partir dos filmes utilizados. Por fim, na categoria filme
e formação buscaremos analisar os elementos referentes à formação da individualidade
promovida pelo filme e à formação docente, em tensão com a perspectiva explicitada no decorrer deste trabalho sobre o lugar do filme no processo de semiformação.