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3 INTERNASJONAL INNFLYTELSE PÅ HELGENDEDIKASJONENE

3.5 N OEN TENDENSER

Para analisar as implicações gerais do modelo é interessante tomar como ponto de partida a análise dos impactos de ganhos de produtividade sobre a taxa de crescimento do produto, como descrito por Ocampo, Rada e Taylor (2009). Como se observará, embora o modelo aqui descrito apresente inúmeras alterações, as relações teóricas entre as variáveis é mantida, de forma que o mesmo quadro utilizado por Ocampo, Rada e Taylor (2009) pode ser utilizado para descrever os movimentos do presente modelo.

Em primeiro lugar, se a elasticidade-lucro do investimento ((φ1µwAT −φ2)ψ <[φ1µrAT −φ2](1−ψ)+φ2) for elevada, então ganhos de produtividade que

proporcionam elevação dos lucros aumentam a taxa de crescimento do produto – equação (23b). Esse quadro caracteriza o regime de crescimento profit-led, descrito na Figura 1108. O que caracteriza essa situação, na figura, é a inclinação positiva da curva lAT no quadrante nordeste,

que demonstra que há uma relação positiva entre o aumento da produtividade e o aumento do emprego. Ou seja, aumentos na produtividade motivam aumentos do investimento que elevam o emprego no setor.

O ponto de partida se dá pelo equilíbrio entre as taxas de crescimento da produtividade e do emprego do setor de alta tecnologia (quadrante nordeste – determinando a taxa de crescimento do emprego A). Esse equilíbrio determina a taxa de crescimento do emprego no setor de baixa tecnologia (quadrante noroeste), o que determina a taxa de crescimento da renda do setor (quadrante sudoeste), determinando por fim a magnitude do impacto da taxa de

108

A interpretação da Figura 1, assim como a orientação geral do modelo, é baseada em Rada (2007) e Ocampo, Rada e Taylor (2009, cap.8).

crescimento da demanda do setor de baixa tecnologia sobre a taxa de crescimento do setor de alta tecnologia (quadrante sudeste).

FIGURA 1: Modelo de Heterogeneidade estrutural com regime profit-led

lBT (9b) AT lAT (20b) KV (11b) lAT lBT yBT yBT (3b) lAT (23b) A B

Fonte: Elaboração própria a partir de Ocampo, Rada e Taylor (2009, cap.8, p.126).

Com um aumento da produtividade do setor de alta tecnologia, portanto, a curva que indica o coeficiente de Kaldor-Verdoorn (KV) se desloca para cima, elevando a lucratividade, impulsionando o crescimento do investimento e aumentando então a taxa de crescimento do emprego (de A para B no quadrante nordeste). Esse novo equilíbrio implica redução da taxa de crescimento do emprego no setor de baixa tecnologia (quadrante noroeste), o que resulta em redução da taxa de crescimento do produto do setor de baixa tecnologia. Tal redução implica redução da taxa de crescimento da demanda provinda desse setor, reduzindo levemente a taxa de crescimento do produto do setor de alta tecnologia109.

Além disso, a redução do emprego do setor de baixa tecnologia, por elevar sua produtividade, resulta na elevação dos salários de ambos os setores – equação (4b). Por um lado, esse aumento eleva a demanda e gera um impacto positivo sobre o investimento. Por outro lado, maiores salários reduzem os lucros do setor de alta tecnologia – equação (18b) – o que reduz o

109

O efeito fica aparente ao avaliar os interceptos da curva lAT no quadrante nordeste desconsiderando o

deslocamento da equação (23b). Esses interceptos são determinados pela taxa de crescimento do setor de baixa tecnologia.

investimento. Dessa forma, como o regime de acumulação é profit-led, predomina então o efeito sobre os lucros, de tal modo que se verifica um deslocamento para a esquerda da curva lAT no

quadrante sudeste. Esse deslocamento indica que para um mesmo nível de produto do setor de baixa tecnologia o trabalho no setor de alta tecnologia será menor em função do menor investimento resultante da compressão dos lucros devido ao aumento dos salários.

É interessante ressaltar ainda que, no caso de uma elevação da inovação no setor de baixa tecnologia – equação (9b) –, o que se observa na figura é um deslocamento para a direita da curva yBT no quadrante sudoeste. Além disso, deve-se mencionar que se por um lado uma

redução do emprego do setor de baixa tecnologia tem um impacto negativo sobre o produto do setor (quadrante sudoeste), por outro lado o aumento da produtividade tem um impacto positivo sobre o produto. Dessa forma, para que com uma redução do emprego se reduza o produto do setor, é preciso que o efeito dessa redução predomine, ou seja, é preciso que a elasticidade da produtividade desse setor seja baixa. Em outras palavras, deve-se verificar retornos apenas levemente decrescentes no setor – η <1 na equação (9b) –, o que é uma suposição extremamente realista.110

Passando então aos efeitos de um aumento na taxa de crescimento da produtividade em um regime wage-led, observa-se que a caracterização dessa situação na Figura 2 é dada pela inclinação negativa da curva lAT no quadrante nordeste. Assim como na Figura 1, na Figura 2 o

aumento da taxa de crescimento da produtividade no setor de alta tecnologia desloca a curva KV para cima, elevando a lucratividade.

Entretanto, a fraca resposta do investimento ao aumento da taxa de crescimento dos lucros ((φ1µwAT −φ2)ψ >[φ1µrAT−φ2](1−ψ)+φ2) faz com que se reduza a taxa de crescimento do emprego (de A para B no quadrante nordeste). Esse novo equilíbrio implica aumento da taxa de crescimento do emprego no setor de baixa tecnologia (quadrante noroeste), o que leva ao aumento da taxa de crescimento do produto do setor de baixa tecnologia (quadrante sudoeste). Tal quadro aumenta a taxa de crescimento da demanda provinda desse setor, o que eleva levemente a taxa de crescimento do produto do setor de alta tecnologia111. Por outro lado, com o aumento do emprego no setor de baixa tecnologia, reduz-se sua produtividade, reduzindo então o

110

Para uma discussão mais ampla sobre as inclinações das curvas dos quadrantes nordeste e sudoeste, ver Rada (2007) e Ocampo, Rada e Taylor (2009).

111

Novamente o efeito fica aparente ao avaliar os interceptos da curva lAT no quadrante nordeste desconsiderando

nível de salários em ambos os setores – equação (4b). A redução dos salários eleva os lucros, mas como estamos considerando um regime wage-led, então o efeito predominante sobre o investimento é o da redução da taxa de crescimento dos salários. Verifica-se assim um deslocamento para a esquerda da curva (23b), aprofundando assim a redução do emprego do setor de alta tecnologia.

FIGURA 2: Modelo de Heterogeneidade estrutural com regime wage-led

lBT (9b) AT lAT (20b) KV (11b) lAT lBT yBT yBT(3b) l AT(23b) A B

Fonte: Elaboração própria a partir de Ocampo, Rada e Taylor (2009, cap.8, p.129).

Percebe-se, portanto, que em um país caracterizado pelo regime de crescimento wage-led (baixa elasticidade-lucro do investimento, (φ1µwAT −φ2)ψ >[φ1µrAT −φ2](1−ψ)+φ2), aumentos

da produtividade no setor de elevada tecnologia podem levar a uma mudança estrutural inversa à desejada, elevando a participação do setor de baixa tecnologia, em detrimento do setor de alta tecnologia. Tal quadro prejudicaria não só a produtividade média da economia, como também a distribuição de renda, uma vez que prejudica a produtividade do setor de baixa tecnologia, e assim rebaixa os salários em ambos os setores.

Este quadro de aumento da produtividade setorial associada a uma mudança estrutural inversa à desejada é exatamente o quadro verificado por McMillan e Rodrik (2011) para a América Latina no período recente, o que corrobora as implicações do modelo aqui descrito.