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6. EMPIRICAL ANALYSES AND RESULTS

6.3 N EW EMPLOYMENT AND CAREER CHANGES FOLLOWING BANKRUPTCY

Embora tenhamos alguns fragmentos anteriores a Sócrates, como os de

Protágoras, consideramos que é nos diálogos entre Sócrates e os Sofistas sobre o que

seria a virtude (areté) e a educação para a virtude (paideia), conservada nos primeiros

Diálogos de Platão, entre eles o Protágoras (em que Sócrates dialoga com o outro

filósofo, sofista) que os debates sobre a Ética surgem no Ocidente. Para Vaz (2012), enquanto ciência do ethos, o nascimento da Ética data dos séculos V e IV a.C., na Grécia. Sócrates se opunha ao logos de persuasão (doxa) dos Sofistas, filósofos conhecidos por ensinar a arte da retórica aos cidadãos atenienses, cobrando por este ofício. Tal oposição ocorre no universo intelectual que se formara entre os gregos a partir da descoberta da

Razão demonstrativa na Jônia no século VI e que permitiu o desenvolvimento da ilustração ateniense na segunda metade do século V.

De acordo com Vaz (2012), embora tanto Sócrates como os Sofistas fizessem uso dos mesmos instrumentos racionais - em especial da Lógica e da Retórica - , eles adotam posições opostas no que diz respeito à transcrição do ethos da tradição grega nos códigos da Razão. Sócrates insiste no logos de demonstração e seus Diálogos - os chamados diálogos socráticos de Platão - têm como objeto o tema da virtude e são considerados, por muitos autores como o próprio Vaz, como o capítulo inicial da história da Ética no Ocidente.

A formação da Ética filosófica nos tempos de Sócrates deveu sua razão profunda ao conflito entre as razões sofistas e socráticas, ou às aporias que se instauraram nestes diálogos, ou seja, às dificuldades ou incertezas sobre que posição filosófica tomar na discussão, ou simplesmente, aos dilemas filosóficos de natureza ética decorrentes das questões levantadas nos diálogos com os Sofistas. A razão sofista argumentava sobre um modelo de fundamentação do ethos pautados em uma racionalidade que não conseguia ultrapassar o domínio da doxa (opinião) e que se configurava como um modelo de relativismo generalizado, incapaz de "dar razão" (logon dounai), no sentido técnico de Platão", às exigências de compreensão e inteligibilidade presentes nas categorias fundamentais do ethos, como o Bem, o Melhor, a Lei ou a Virtude (VAZ, 2012, p. 24).

As razões imanentes do ethos, nele contidos os infortúnios da história da praxis humana e suas manifestações nas normas, padrões sociais e na conduta das pessoas, se mostraram como aporias insolúveis aos sofistas. A natureza da praxis, sua estrutura teleológica e sua abertura para o universal do Bem postulam uma hermenêutica racional adequada ao teor inteligível de suas características originais que somente a Filosofia praticada por Sócrates e teorizada posteriormente por Platão se mostrou apta para explicar racionalmente (VAZ, 2012).

A tradição da razão socrática deu origem à Ética ocidental e, a partir de Platão, com a Metafísica do Bem, o horizonte teórico foi ampliado, dando origem aos grandes modelos de reflexão ética que conhecemos até os dias atuais.

Assim, em seu percurso teórico, a partir da fundação socrática, surgem dois modelos dos quais a nossa tradição filosófica sobre o pensamento ético procede. Um modelo é o da Ética de Platão, considerada como uma articulação da Teoria das Ideias e

suas bases conceituais, no campo que mais tarde se chamou de Metafísica. A Ética de Platão é estritamente normativa, obedecendo à finalidade de uma ordenação da vida humana e política subordinada ao sumo Bem, que deveria ser contemplado pela Razão. O outro modelo é a Ética de Aristóteles, que propõe que o ponto de partida da reflexão ética é a pluralidade dos bens oferecidos ao dinamismo da praxis, com vistas a atender o imperativo do bem viver na realização de uma excelência (eudaimonia), segundo a medida da vida humana. Como tal, ao relativizar a ideia do Bem à pluralidade dos bens, Aristóteles se distancia da ideia do Bem transcendente de Platão como fim único de uma

praxis legítima (VAZ, 2012).

Aristóteles propõe um saber ético prático, ou seja, aquele que tem por objeto específico a praxis ou o agir humano em seu desígnio fundamental, que é a realização do bem, do melhor na vida, tanto para o indivíduo, como para a comunidade, e o faz através de questionamentos ou do uso de categorias de natureza filosófica (VAZ, 2012).

Em Ética a Nicômaco (ARISTÓTELES, livro primeiro,1991), Aristóteles diz que a virtude se divide em virtudes intelectuais, como a sabedoria filosófica, a compreensão e a sabedoria prática e as virtudes morais, como a liberalidade e a temperança. Para Aristóteles, a Filosofia é uma virtude dianoética (ou intelectual) às quais se chega pelo aprendizado, diferentemente das virtudes éticas ou morais, às quais se chega pelo exercício e, enquanto virtudes do saber prático, se destinam à ação.

Por estas razões, a tradição filosófica mais recente e de base aristotélica, designou os estudos sobre os fundamentos da Ética como Filosofia prática (VAZ, 2012).

Questões sobre o supremo Bem do qual decorre a verdadeira eudaimonia (o viver excelente ou a beata vita) para o ser humano perpassam a problemática das grandes escolas filosóficas gregas, como a Antiga Academia, o Epicurismo e o Estoicismo, para as quais a Ética é o mais elevado saber que só pode ser adquirido pelo uso da Razão, prescrito pela Lógica e pela Física, que nos forneceria uma concepção mais abrangente de universo. Assim, historicamente, a Ética, como ensinamento sobre a eudaimonia ou a

beata vita passa a ser entendida na Antiguidade Média como a razão de ser da Filosofia e

esta concepção perpassou muitos momentos históricos e correntes filosóficas, como a filosofia cristã de São Tomás de Aquino e Santo Agostinho (VAZ, 2012).

É somente na Idade Média que se inicia no Ocidente o processo de transformação desse sistema de referências fundamentais que regia a vida intelectual na forma da

Razão clássica. A Ética no novo universo da Razão, dominada pelas ciências físico- matemáticas, acaba por se submeter à Filosofia e ao padrão cartesiano das ciências exatas, perdendo a condição de ciência reta (scientia rectrix) que tinha na versão clássica e que era a prerrogativa fundamental da Ética (VAZ, 2012).

A Ética é o cerne do projeto filosófico de muitos filósofos, de Descartes a Hegel e, de modo especial, para Kant. Na Razão moderna, com seu modelo empírico e formal, e com o desenvolvimento de múltiplas formas de racionalidade e ciências, em especial as Ciências Humanas pós-hegelianas, a Ética se transmuta e vem tomar parte das ciências empíricas e descritivas, as science des moeurs, ou Ciência da Moral, tal como preconizada por Durkheim. Ainda no século XVII, Thomas Hobbes adota um modelo fisicista e mecanicista de interpretação do ser humano e seu modo de agir, o que significou uma rejeição radical do Bem como fim, eixo do pensamento ético tradicional, e uma interpretação da atividade humana circunscrita às necessidades dos indivíduos. Este momento de desconstrução da Ética filosófica clássica parece ter sua finalização apenas em Nietzsche. A herança da tradição filosófica continuou a ser cultivada na primeira metade do século XX nas obras de alguns dos maiores filósofos deste tempo, como Scheler, Hartmann, Bergson, Blondel, Maritain, Pieper, Hildebrand, Moore, Taylor, Bubner, Spaemann, Ricoeur e Comte-Sponville, dentre outros, que ainda defendiam a conceitualidade filosófica como a única adequada para uma reflexão profunda e compreensiva sobre os fundamentos da Ética (VAZ, 2012, p.23-24).

Assim, de Platão a Hegel, a Ética se propôs a explicitar seus pensamentos filosóficos e integrar o exercício do pensar filosófico na prática ética, sob a forma da mais alta sabedoria e de explicitar seus fundamentos metafísicos, tal como o fez Aristóteles, ao tratar das virtudes dianoéticas; o Estoicismo de Zenão de Citio, Descartes, e mesmo Kant, quando certo da impossibilidade da Metafísica no domínio da Razão pura, investigando a fundação da Metafísica dos costumes, a reestabeleceu no domínio da Razão prática (VAZ, 2012).