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A N ECONOMETRIC ANALYSIS OF THE DETERMINANTS OF FDI FLOWS BY INDUSTRY

O conceito de multimodalidade brota da Teoria da Semiótica, mais especificamente, da Semiótica Social. Consoante Barros (2005), a Semiótica concede prima pelo estudo do texto, mais especificamente, focando em explicar “o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz” (BARROS, 2005, p. 11). Em outras palavras, a Semiótica prima não só pelo estudo daquilo que é dito pelo texto, como também pelas estratégias textual-discursivas traçadas pelo autor do texto, a fim de exteriorizar o seu dizer. Diante disto, este campo de estudo se debruça sobre as mais distintas construções linguísticas do texto, para materializar seu dizer. Quando falo, aqui, em texto, adoto a perspectiva trazida por Xavier (2006), que postula o texto enquanto uma prática comunicativa materializada, por intermédio das múltiplas modalidades da linguagem, tais como: verbal [escrita e oral] e não verbal [visual]. O texto é, aqui, concebido como algo resultante da atuação das múltiplas formas da linguagem (LUNA, 2002). Isto é, o texto não é construído linguisticamente apenas, por meio da escrita. Pelo contrário, ele pode se materializar através da linguagem escrita, oral e/ ou imagética, bem como da articulação/ integração destas modalidades. Este mesmo texto que, agora, está sendo lido no suporte impresso e/

ou no suporte hipertextual poderia ser materializado mediante a oralidade. Com isto, ele deixaria de ser um texto? Não. Ele seria um texto materializado, por intermédio da oralidade, ou melhor, um texto construído através da linguagem oral. Mas, ainda assim seria um texto. Adoto, então, o conceito trazido por Luna (2002, p. 1), segundo o qual, “o texto é um evento comunicativo em que podem atuar várias linguagens (verbal, visual etc.)”.

Diante dessa perspectiva, a Semiótica se debruça sobre todas as construções textuais, sejam elas traçadas através da linguagem escrita, oral e/ ou visual. A Semiótica vai, desse modo, estudar os ditos e os não ditos do texto, abarcando, também, os recursos linguísticos articulados para a materialização do seu dizer.

No dizer de Dionísio (2006; 2010), a multimodalidade refere-se às mais distintas formas e modos de representação utilizados na construção linguística de uma dada mensagem, tais como: palavras, imagens cores, formatos, marcas/ traços tipográficos, disposição da grafia, gestos, padrões de entonação, olhares etc. (DIONÍSIO, 2006; 2010; SILVINO, 2012). A multimodalidade abrange, portanto, a escrita, a fala e a imagem. Nesse sentido, no ato da construção de um dado texto – seja ele escrito, oral e/ ou imagético, o autor pode fazer uso de uma vasta quantidade de recursos linguísticos multimodais provenientes tanto do plano verbal, como do visual.

Segundo Kress e Van Leeuwen a multimodalidade também está na língua/linguagem:

“Linguagem, por exemplo, é um modo semiótico porque pode se materializar em fala ou escrita, e a escrita é um modo semiótico também, porque pode se materializar como (uma mensagem) gravada em uma pedra, como caligrafia em um certificado, como impressão em um papel, e todos esses meios adicionam uma camada a mais de significado.” (Kress & Van Leeweun, 2001)

Assim, todo texto pode ser multimodal, mesmo que só tenha texto escrito. Os simples destaques do título, os usos de diferentes tipos de letras, tamanho, e cor, tornam qualquer texto escrito multimodal. Na sala de aula, de um modo geral, existe uma tendência a ver e entender o objeto de ensino como sendo monomodal, ou seja, trabalhar com um texto de leitura seria uma questão de explorar a linguagem verbal, privilegiando sempre o sistema de estruturas verbais. Mas hoje em dia essa prática pedagógica se mostra inadequada, considerando as mudanças nos meios de comunicação, por exemplo, jornais, websites, e-mail, MSN, muitas surgidas com os avanços tecnológicos na sociedade.

Kress e Van Leeweun (2001) apontam essa mudança, na qual a linguagem verbal deixa de explicar os significados nos gêneros discursivos, como consequência das mudanças nos meios de comunicação que passaram a dar espaço para outros meios além do linguístico. Com o advento da Internet, e dos celulares com acesso à web, jornais e revistas on-line e web sites passaram a explorar muitos outros recursos como música, vídeo e animações, para construir significados. A tecnologia, segundo Kress e Van Leeweun (2001), ajudou muito ao desenvolvimento do uso de recursos semióticos na comunicação. Todas essas mudanças vêm levando as escolas e os professores a começar a experimentar mudanças, primeiramente, no intuito de tornar as aulas mais atraentes aos alunos, e também de criar ambientes condizentes e coerentes com o mundo que vivemos hoje, um mundo de palavras, imagens e sons: um mundo multimodal; depois prover o aluno de instrumentos que possam ajudá-lo a desenvolver estratégias para ler (entender) textos e recursos multimodais e produzi-los..

Kress e Van Leeuwen (2001) definiram multimodalidade como o uso de diversos modos semióticos na concepção de um produto ou evento semiótico, juntamente com o modo particular segundo o qual esses modos são combinados – podem, por exemplo, reforçar-se mutuamente (“dizer a mesma coisa de formas diferentes”), desempenhar papéis complementares, ser hierarquicamente ordenados, como nos filmes de ação, onde a ação é dominante, com a música acrescentando um toque de cor emotiva e sincronizar o som de um toque realista “presença”. Ou seja, a multimodalidade pode ser entendida como um reflexo do modo como os sujeitos que nasceram no contexto das tecnologias de informação interagem com os outros: em um mesmo espaço de tempo, eles conseguem falar ao telefone, conversar no “whats ap”, ler e-mails, ouvir músicas e outras tantas coisas.

A convivência, portanto, com os multiletramentos advindos das novas relações sócio-históricas e dos instrumentos multissemióticos que essas relações materializam, impulsiona a escola a desenvolver capacidades de linguagem com diferentes semioses, como as imagens estáticas ou em movimento, as cores, os sons, os efeitos computacionais etc. Paralelamente a esse novo movimento dentro do universo de textos e de gêneros que as interações sociais permitem, temos ainda as diferentes culturas e ideologias que atravessam as práticas de linguagem e que também devem ser consideradas no espaço da sala de aula.

Cope e Kalantzis (2009) salientam a importância da criação de contextos de aprendizagem que despertem a sensibilidade dos aprendizes para o mundo global digital. Os autores enfatizam que aprendizados cotidianos são diferentes de aprendizados escolares. Isso significa que, para eles, os aprendizados cotidianos envolvem movimentos endógenos, involuntários, inconscientes, amorfos, casuais (fortuitos), indiretos. Já os aprendizados desenvolvidos em contexto escolar são oxógenos, conscientes, sistemáticos, explícitos, estruturados, orientados.

Cope e Kalantzis, (2009) sugerem, frente às novas formas de aprendizagem e, consequentemente, novas possibilidades de ensino contemporâneas, que se busque formular uma pedagogia para os multiletramentos, levando em conta ações pedagógicas específicas, que valorizem todas as formas de linguagem (verbal e não verbal), cujo foco deve ser o aprendiz, que passava a ser o protagonista nesse processo dinâmico de transformação e de produção de conhecimento e não mais um simples reprodutor de saberes.

Para os autores, essa proposta deve considerar a aprendizagem de leitura e de escrita de textos multimodais que incorporem outras linguagens, sendo que novas práticas de comunicação / interação em diferentes linguagens convocam os multiletramentos. Novos modos de significar, de fazer sentido e de fazer circular discursos na sociedade contemporânea convocam os multiletramentos.

Conforme Rojo (2012, p. 26) precisamos pensar um pouco em como as novas tecnologias da informação podem transformar nossos hábitos institucionais de ensinar e aprender. Em vez de impedir /disciplinar o uso de internetês na internet (e fora dela), posso investigar por que e como esse modo de se expressar por escrito funciona. Em vez de proibir o celular em sala de aula, posso usá-lo para a comunicação, a navegação, a pesquisa, a filmagem a fotografia.

Vivemos em um mundo em que se espera (empregadores, professores, cidadão, dirigentes) que as pessoas saibam guiar suas próprias aprendizagens na direção do possível, do necessário e do desejável, que tenham autonomia e saibam como e o que aprender que tenham flexibilidade e consigam colaborar com urbanidade.

A multimodalidade é um dos conceitos centrais para esta pesquisa, pois o foco está nas práticas sociais de uso da linguagem ligadas a contextos específicos e significativos à busca dos sentidos que circulam a sala de aula e ambiente digital. E através desse conceito responder a segunda pergunta de pesquisa: De que forma

os contextos criados em sala de aula possibilitaram o envolvimento coletivo e colaborativo- crítico dos participantes, com foco na aprendizagem da língua inglesa? (obj. 2)