3 TEORETISK GRUNNLAG
3.6 E LEKTROFLOKKULERING
3.6.2 Nøkkelparametere i elektroflokkuleringsprosessen
O estudo da vinculação foi largamente desenvolvido no contexto da primeira infância, tendo sido criados diversos instrumentos para avaliar a qualidade da vinculação da criança. Considerando que pode ocorrer uma alteração na organização da vinculação ao longo do ciclo vital do indivíduo, é importante estudar a vinculação noutras fases de desenvolvimento, nomeadamente nos anos pré-escolares e escolares, na adolescência e na idade adulta, sendo de destacar as relações de vinculação com as figuras cuidadoras, mas também com outras figuras (e.g. pares, professores, parceiro romântico). Neste sentido, têm sido elaborados instrumentos a fim de avaliar os processos de vinculação em adolescentes e adultos. O desenvolvimento da Adult Attachment Interview (AAI)6 por George, Kaplan e Main (1984) permitiu avaliar a representação da vinculação e estudar a convergência entre os padrões de vinculação do adulto e do bebé.
As medidas de avaliação da vinculação têm de se adequar ao período de desenvolvimento a que se dirigem, e só recentemente começaram a ser desenvolvidas medidas de avaliação da vinculação no período escolar. Isto pode dever-se, principalmente, à dificuldade em perceber como se operacionaliza o construto e como ele opera nesta fase de desenvolvimento (Kerns et al., 2005; Solomon & George, 1999). Assim, levanta-se a questão de saber o que medir no período escolar. Ora, se na primeira infância a vinculação remete para a interacção entre a criança e a figura de vinculação, que lhe oferece conforto perante o perigo e segurança para explorar o meio (Ainsworth et al., 1978), a partir da adolescência pode envolver uma representação generalizada da relação com a figura de vinculação. Enfim, coloca-se a questão de saber especificamente quando é que a criança começa a elaborar representações generalizadas da vinculação (Kerns et al., 2005).
Estilos educativos parentais e qualidade da vinculação no período escolar
De igual modo, existe discordância em relação à importância das figuras de vinculação, visto que alguns autores sustentam que a vinculação aos pais continua a ser predominante, enquanto outros pensam que é importante considerar a vinculação aos pares (Kerns et al., 2005). Neste contexto, é importante considerar como a criança utiliza a base segura nesta idade.
Outra dificuldade que se coloca à avaliação da vinculação da criança em idade escolar, resulta do facto do sistema comportamental de vinculação se complexificar e o comportamento de vinculação se tornar cada vez mais abstracto e menos dependente da proximidade física da figura de vinculação (Kerns et al., 2005). Tendo em atenção que a relação da criança com os pais se altera e que as suas capacidades cognitivas se complexificam, é importante compreender as mudanças operadas, de modo a definir a vinculação, respeitando o enquadramento desenvolvimental deste período (Kerns et al., 2005; Weinfield, 2005). Por exemplo, visto que a sensibilidade parental tem sido referida como o principal factor que contribui para uma vinculação segura na criança, é importante operacionalizar este conceito para o período escolar (Weinfield, 2005). Deste modo, é de extrema importância que a avaliação da vinculação contemple o contexto em que ocorre o desenvolvimento da criança (Kerns et al., 2005; Raikes & Thompson, 2005).
Nos últimos anos foram desenvolvidos vários instrumentos para avaliar a vinculação da criança em idade escolar, assentes em diferentes definições do constructo, de que resultam medidas e métodos com características variadas, que poderão não ser equivalentes (Dwyer, 2005; Kerns et al., 2005; Raikes & Thompson, 2005; Scaramella & Leve, 2004). Assim, têm sido desenvolvidas medidas baseadas nos relatos dos pais e dos professores, e no auto-relato da criança, para avaliar a vinculação em crianças dos 8 aos 12 anos. Acrescente-se que Solomon e George (1999) já tinham apresentado as medidas de avaliação da vinculação de crianças do 1 aos 7 anos. Os instrumentos podem ser divididos em questionários, análise de desenho, e técnicas de discurso narrativo (para uma revisão cf. Dwyer, 2005; Fairchild, 2006; Kerns et al., 2005). Quando se usam questionários de auto-preenchimento pela criança considera-se que esta é capaz de descrever os seus pensamentos, sentimentos e comportamentos relevantes para a vinculação. Por seu lado, o uso de técnicas de discurso narrativo pressupõe que a representação da vinculação da criança pode ser inferida a partir da qualidade e do conteúdo das narrativas, resultantes de entrevistas com temas sobre as relações com os seus pais (Dwyer, 2005).
Os questionários permitem identificar as figuras de vinculação e avaliar as percepções da criança sobre as suas relações de vinculação, porém não permitem aceder à organização da vinculação da criança (Kerns et al., 2005). Alguns questionários
pretendem identificar as figuras de vinculação, como são exemplos o Important People
Interview (Kobak, Esposito & Serwik, 2003) e o Attachment Figure Interview (Kerns,
Tomich & Kim, 2003).
O Important People Interview (IPI – Kobak et al., 2003) estabelece a hierarquia do sistema de vinculação da criança, pela identificação da figura de vinculação primária e secundária e do grau de consistência dessa hierarquia. É pedido à criança que identifique quais são as 4 pessoas mais importantes para si, e a qual das 4 recorreria em situações relevantes do ponto de vista da vinculação (e.g. se a criança está chateada ou a chorar). Este questionário permite avaliar 4 componentes de vinculação: procura de proximidade, conforto, base segura e protesto de separação. Não há estudos sobre a comparação deste instrumento com outras medidas de vinculação ou resultados do teste-reteste (Kerns et al., 2005).
O Attachment Figure Interview (Kerns et al., 2003) pemite identificar as figuras de vinculação primária e secundária. Pede-se à criança para nomear 2 pessoas com quem ela gostaria de estar em cada um dos dois tipos de situações: quando estão presentes necessidades de vinculação e em situações que evocam companheirismo (Kerns et al., 2005).
Num segundo grupo de questionários, incluem-se os que avaliam a percepção da qualidade da vinculação, nomeadamente o Security Scale (Kerns, Aspelmeier, Gentzler & Grabill, 2001), o Avoidant and Preoccupied Coping Scales (Finnegan, Hodges & Perry, 1996), o Inventory of Parent and Peer Attachment (Armsden & Greenberg, 1987), e o
Inventário sobre a Vinculação na Infância e Adolescência (Carvalho, Soares, & Baptista,
2006).
O Security Scale (Kerns et al., 2001) avalia a percepção da criança acerca da sua relação com os seus pais, designadamente se os percepciona como responsivos e disponíveis, se recorre a eles em situações de stress, e se demonstra facilidade e interesse em comunicar com eles. Para o efeito, são preenchidos dois questionários, um para o pai e outro para a mãe, constituídos por 15 itens, com questões como: “algumas crianças…”, “outras crianças…”. Quanto mais elevada for a pontuação, melhor é a percepção de segurança da criança. Tem sido referido que este instrumento tem uma consistência interna adequada, com alphas de Cronbach na ordem dos .80, e a fidelidade dos resultados de teste-reteste é aceitável (r=.75). Esta escala tem, ainda, demonstrado associações com outros instrumentos de avaliação da vinculação. Acrescente-se, porém, que os resultados sugerem que este instrumento pode não considerar o aumento de autonomia esperável durante os últimos anos da infância (Dwyer, 2005; Kerns et al., 2001, 2005).
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O Avoidant and Preoccupied Coping Scales (Finnegan et al., 1996) permite avaliar a percepção da criança sobre os estilos de coping, avaliando em separado o grau em que a criança reporta o uso de estratégias de coping de preocupação (não preocupação) e de evitamento (não evitamento). É solicitado à criança que escolha uma de várias alternativas de resposta sobre o modo como se comportaria nas situações de vinculação apresentadas. Uma pontuação elevada corresponde a um elevado evitamento ou preocupação. Contudo, os autores salvaguardam que este instrumento não deve ser considerado uma medida da insegurança da relação de vinculação, visto que não é avaliada a percepção da criança acerca da disponibilidade e responsividade do cuidador, mas sim o modo como a criança usa esta figura para lidar com o stress e com os desafios usuais. Esta escala, incialmente composta por 36 itens, foi recentemente reduzida para 20 itens. Alguns estudos realizados indicam uma consistência interna adequada, com alphas de Cronbach de .80, e uma fidelidade dos resultados aceitável (r=.83 para a escala preocupado e .76 para a escala evitante), obtida através de teste- reteste. Pelo menos um estudo relatou uma correlação negativa da escala de evitamento deste instrumento com a segurança da vinculação e com a disponibilidade parental, avaliadas por outro instrumento da vinculação (Dwyer, 2005; Kerns et al., 2005).
O Inventory of Parent and Peer Attachment (IPPA - Armsden & Greenberg, 1987), originalmente criado para avaliar a vinculação durante a fase final da adolescência, tem sido usado recentemente junto de crianças mais velhas e adolescentes. A escala avalia a percepção sobre a disponibilidade, a sensibilidade e a qualidade da comunicação com as figuras de vinculação, designadamente com os pais e com os amigos próximos. São 3 as dimensões avaliadas: disponibilidade, comunicação e alienação. Estudos referem que este instrumento tem uma boa consistência interna, com alphas de Cronbach na ordem dos .90, e uma boa fidelidade teste-reteste. Não foram encontrados estudos com dados sobre a relação deste com outros instrumentos (Dwyer, 2005).
O Inventário sobre a Vinculação na Infância e Adolescência (IVIA – Carvalho, Soares, & Baptista, 2006), desenvolvido em Portugal, baseia-se nos relatos das crianças e dos pais para avaliar os comportamentos de vinculação na infância e adolescência, nomeadamente entre os 7 e os 17 anos. O instrumento, organizado numa escala tipo
Likert de 5 pontos (1. Nunca; 5. Sempre), comporta 64 itens, agrupados nas categorias:
procura de proximidade, evitação, dependência, confiança, expectativas dos outros, valor dos relacionamentos, medo da rejeição/abandono, procura de ajuda e auto-revelação. É pedido à criança e ao pais que avaliem a frequência com que experienciam cada pensamento ou comportamento descritos. Resultam 3 dimensões do comportamento de vinculação: segura, ansiosa/ambivalente e evitante. O instrumento apresentou valores
aceitáveis de validade discriminante, e uma consistência interna razoável, com alphas de
Cronbach a variar entre .71 e .85. Porém, ainda não foi estudada a estabilidade temporal
do IVIA nem a sua validade com outras medidas da segurança da vinculação (Carvalho, 2007).
Também têm sido construídos instrumentos que se baseiam no relato dos pais e dos professores. Pianta (1996) criou a Student-Teacher Relationship Scale para avaliar a percepção que educadores e professores possuem sobre a sua relação com uma determinada criança. Em Portugal, Dias, Soares e Freire (2002, 2004) desenvolveram dois questionários para avaliar a percepção sobre o comportamento de vinculação da criança aos 6 anos. Um instrumento (Percepção Materna do Comportamento de
Vinculação – versão para mães; PCV-M, 2002)7 avalia a percepção da mãe e o outro
instrumento (Percepção do Comportamento de Vinculação – versão para professores; PCV-P, 2004) baseia-se na percepção do professor.
As técnicas de discurso narrativo englobam entrevistas com questões abertas dirigidas à criança que são, posteriormente, codificadas por juízes treinados. Estas técnicas permitem aceder a atitudes de vinculação conscientes e inconscientes e podem ser basicamente divididas em dois tipos. Um primeiro tipo remete para procedimentos em que se conta uma história à criança que ela deve completar, não sendo questionada directamente sobre a vinculação, assumindo-se que a história completada se refere aos seus próprios pensamentos e sentimentos. O outro tipo de procedimentos baseia-se na AAI e questiona directamente a criança sobre as suas experiências actuais com a família (Kerns et al., 2005). Incluem-se nas técnicas de discurso narrativo a Doll Story
Completion Task (Granot & Mayseless, 2001); o Separation Anxiety Test (Resnick,
1993)8; a Attachment Interview for Childhood and Adolescence (AICA - Ammaniti, Van IJzendoorn, Speranza & Tambelli, 2000), a Child Attachment Interview (CAI - Target, Fonagy, & Shmueli-Goetz, 2003), e a Friends and Family Interview (FFI - Steele & Steele, 2005a).
A Doll Story Completion Task (DSCT - Granot & Mayseless, 2001) resultou da adaptação do sistema utilizado por Bretherton, Ridgeway e Cassidy (1990) para as crianças no período pré-escolar a crianças dos 9 aos 12 anos. Esta metodologia é composta por 5 histórias contadas pelo entrevistador, solicitando-se à criança que encontre um final para a história, recorrendo a bonecas e adereços. A DSCT avalia a representação da vinculação, através das expectativas da criança em relação às figuras de vinculação como sendo figuras de autoridade e fonte de conforto e protecção. As
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Estilos educativos parentais e qualidade da vinculação no período escolar
histórias são posteriormente codificadas em 3 categorias de segurança: seguro, pouco seguro e inseguro. Foi ainda desenvolvido um sistema de cotação para classificação das crianças em 4 padrões: segura, evitante, ambivalente e desorganizada, a partir da avaliação das dimensões expressão emocional, relação com o cuidador, visão do mundo do protagonista, e qualidade da narrativa. Os estudos que recorrem a este instrumento revelam um bom acordo inter-juízes, bons índices de fidelidade teste-reteste e uma relação significativa com outros instrumentos (Dwyer, 2005; Kerns et al., 2005).
A Attachment Interview for Childhood and Adolescence (AICA – Ammaniti et al., 2000) é uma adaptação da AAI para a idade escolar, designadamente entre os 10 e os 14 anos, que avalia o estado mental da criança em relação à vinculação e não um relacionamento de vinculação em particular. O sistema de cotação das narrativas é muito semelhante ao da AAI, excepto na escala da coerência, modificado devido à violação mais frequente das regras da coerência por parte de crianças e adolescentes. O sistema de cotação é composto por 12 escalas de 9 pontos cada, que avaliam 2 domínios: a qualidade das relações prévias com os pais e as representações da vinculação actuais. O instrumento permite classificar a vinculação em segura, desligada, preocupada e não resolvida. As investigações que usaram a AICA indicam um bom acordo inter-juízes, bons índices de fidelidade teste-reteste, apesar de não existir clara evidência da validade discriminante deste instrumento. Há estudos que referem uma boa relação com outros instrumentos de avaliação da vinculação, ao passo que outros estudos encontram resultados inconsistentes. Uma hipótese explicativa para estes resultados remete para a ausência de relação entre a descrição das crianças de emoções e soluções para os sentimentos e os modelos internos dinâmicos (Ammantini, Speranza, & Fedele, 2005; Kerns et al., 2005).
A Child Attachment Interview (CAI – Target et al., 2003) também é uma adaptação da AAI. Porém, foram desenvolvidas novas questões para activar o sistema de vinculação de crianças dos 7 aos 12 anos. Este instrumento avalia apenas os acontecimentos recentes relacionados com situações de vinculação e as representações de relações actuais com os pais. Foi desenvolvido um novo sistema de cotação que inclui 9 dimensões e em que algumas das escalas são cotadas em separado para as representações de vinculação da criança-mãe e da criança-pai. A vinculação é classificada em 4 categorias possíveis: segura, preocupada, desligada e desorganizada. Os estudos indicam um acordo inter-juízes aceitável e bons índices de fidelidade teste- reteste. Não há dados sobre a relação deste instrumento com outras medidas da vinculação (Dwyer, 2005).
A Friends and Family Interview (FFI - Steele & Steele, 2005a) abrange um conjunto de questões abertas para avaliar as relações próximas da criança, englobando o
self, os pais, os irmãos e os amigos. É solicitado à criança que indique o que gosta mais
e o que gosta menos em cada um deles. O sistema de cotação baseia-se em diferentes dimensões, que permitem a classificação da vinculação em segura, autónoma, evitante e preocupada. Os estudos realizados com o FFI demonstram que ele tem validade discriminante e os resultados obtidos associam-se de modo significativo à classificação da vinculação dos pais antes do nascimento, através da AAI (Kerns et al., 2005; Steele & Steele, 2005a).
Por fim, a análise de desenho, é uma técnica que permite que avaliadores treinados classifiquem os desenhos em 3 domínios: classificação da vinculação (segura, evitante, resistente); sinais concretos que indiciam segurança (e.g. colocação de braços); avaliações que reflectem a qualidade dos desenhos (e.g. distanciamento emocional). Esta técnica foi utilizada num estudo longitudinal (Fury, Carlson & Sroufe, 1997), em que se associou à classificação da vinculação na infância obtida na Situação Estranha. Não obstante, sublinha-se a necessidade de desenvolver mais estudos de validação para que possa ser utilizada como uma medida robusta de vinculação (Kerns et al., 2005).
Weinfield (2005) defende que os diferentes tipos de medidas, sejam de auto-relato ou representacionais, têm informações únicas e específicas sobre a segurança da vinculação no período escolar. Acrescente-se que outros autores (Buist, Dekovic, Meeus, & van Aken, 2002) reconhecem a importância de recorrer a diferentes fontes de informação, visto que os comportamentos de vinculação relatados podem ser influenciados pelas características do indivíduo que os avalia.
Os procedimentos de avaliação da vinculação deverão adaptar-se às características desenvolvimentais do período escolar, pelo que alguns autores defendem que será mais adequado utilizar técnicas projectivas que permitam aceder aos modelos internos dinâmicos da criança ou, mesmo, fazer observações das interacções da criança com a figura de vinculação (Marvin & Britner, 1999). No mesmo sentido, Kerns, Tomich, Aspelmier e Contreras (2000) consideram que, quando a disponibilidade dos pais passa a ser o objectivo do sistema de vinculação, as expectativas e crenças da criança em relação às figuras de vinculação são indicadores importantes da vinculação. Porém, recentemente, alguns investigadores sugerem o uso de medidas dimensionais que, por serem contínuas, poderão ser mais precisas a apreender as características complexas e multivariadas do sistema de vinculação neste período de desenvolvimento, em
Estilos educativos parentais e qualidade da vinculação no período escolar
comparação com as medidas categoriais baseadas em protótipos de seguro versus inseguro (Dwyer, 2005; Fraley & Spieker 2003).