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K OAGULERING

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3   TEORETISK GRUNNLAG

3.2   K OAGULERING

Existem vários factores ambientais que determinam os comportamentos parentais dos pais e o percurso desenvolvimental de crianças e adolescentes, destacando-se os factores socioculturais e étnicos, a presença de factores de stress, o nível socioeconómico, as habilitações académicas, o número de filhos e a posição na fratria, as características da rede social de suporte e as características do emprego dos pais.

Diversos estudos têm encontrado diferenças socioculturais e étnicas no modo como os pais educam os seus filhos. Assim, pais pertencentes a diferentes contextos socioeconómicos e histórico-culturais têm crenças, valores e objectivos de socialização

Estilos educativos parentais e qualidade da vinculação no período escolar

diferentes para os seus filhos e, deste modo, recorrem a estratégias parentais diferenciadas e relacionam-se de modo singular com os seus filhos (Carlson & Hardwood, 2003; Dornbusch et al., 1987; Feldman et al., 2006; Halgunseth, Ispa, & Rudy, 2006; Harkness & Super, 2002; Parke, 2002; Parke, et al., 2004; Pinderhughes et al., 2000; Trommsdorff & Kornadt, 2003; Uhlendorff, 2004; Wade, 2004). Nesta linha, vários autores defendem que cada cultura selecciona caminhos singulares para realizar diferentes tarefas desenvolvimentais universais, como a socialização e a auto-regulação (Greenfield, Keller, Fuligni, & Maynard, 2003; Keller, 2003).

Tem sido, igualmente, descrito o impacto de factores socioculturais e étnicos no modo como diferentes práticas educativas e estilos educativos parentais se repercutem no desenvolvimento infantil. As normas da cultura de pertença em relação ao comportamento parental determinam o seu significado, resultando daí diferentes consequências desenvolvimentais associadas ao mesmo estilo ou prática educativa parental (e.g. uso de controlo parental, punição física), dependendo da comunidade de pertença e do nível socioeconómico (Dixon, Graber, & Brooks-Gunn, 2008; Halgunseth et al., 2006; Ho, Bluestein, & Jenkins, 2008; Parke, 2002; Trommsdorff & Kornadt, 2003).

Os factores de stress a que os pais estão sujeitos podem influenciar negativamente os comportamentos parentais, seja tratando-se da presença de factores de risco social (e.g. dificuldades económicas, desemprego, monoparentalidade, problemas jurídicos) ou de acontecimentos de vida negativos (e.g. doença física ou mental, luto, conflito conjugal, divórcio). Quando aumenta o número de factores de stress percebidos pelos pais, estes avaliam mais negativamente o comportamento dos seus filhos, sentem maior stress parental, demonstram menor apoio e responsividade face aos seus filhos e recorrem mais frequentemente a estratégias educativas punitivas e de afirmação de poder (Bronte-Tinkew, Horowitz, & Carrano, 2010; Parke et al., 2004; Pinderhughes et al., 2000; Scaramella, Neppl, Ontai, & Conger, 2008).

Por conseguinte, a presença de factores de stress, ao potenciar o enfraquecimento das competências parentais poderá, por sua vez, precipitar dificuldades de ajustamento de crianças a viver em condições de vida desfavoráveis (Asbury et al., 2003; Kim-Cohen et al., 2004; McLoyd, 1998; Pettit et al., 1997; Prevatt, 2003; Wadsworth & Santiago, 2008). Não será de estranhar que as crianças com dificuldades socioeconómicas terão, com maior probabilidade, dificuldades psicossociais a longo prazo (Puckering, 2004; Scaramella et al., 2008).

A variável nível socioeconómico é complexa e multivariada, sendo utilizados um ou mais indicadores para a definir (e.g. educação, ocupação, rendimento per capita), pelo que deverá atender-se que influencia de modo complexo e multideterminado, não só a

parentalidade, como muitas outras dimensões da vida dos indivíduos. Assim, deve haver alguma cautela no estudo do efeito do nível socioeconómico, uma vez que existem muitas outras variáveis frequentemente associadas, como nível de escolaridade, monoparentalidade, tipo de emprego, idade dos pais, tamanho da família e etnia (Hoff, Laursen, & Tardif, 2002).

Não obstante, o nível socioeconómico é um bom indicador dos recursos financeiros, humanos e sociais dos pais, sendo considerado um bom preditor das crenças e dos comportamentos parentais (Brooks-Gunn & Markman, 2005). Nesta linha, a pobreza e a pressão económica são factores de stress na parentalidade, exacerbando características parentais negativas existentes e contribuindo para um aumento da probabilidade de rejeição, hostilidade, controlo excessivo e menor sensibilidade e responsividade parentais (Bronte-Tinkew et al., 2010; Guttman & Eccles, 1999; Kotchick, Dorsey, & Heller, 2005; McLoyd, 1998; Puckering, 2004). Os resultados empíricos apoiam a assumpção de que os estilos educativos parentais variam com o nível socioeconómico da família. Deste modo, os pais pertencentes a um nível socioeconómico mais baixo têm estilos educativos mais autoritários, usam mais o controlo e as estratégias baseadas na afirmação do poder (e.g. restrição e castigo) e demonstram menos afecto. Em contraste, os pais de nível socioeconómico mais elevado são mais autorizados e permissivos, utilizam mais estratégias indutivas e promovem mais actividades lúdicas e culturais (Ceballos & Rodrigo, 2008; Dornbusch et al., 1987; Parke, 2002; Pereira, 2007; Scaramella et al., 2008).

As investigações também têm encontrado associações entre o nível de escolaridade dos pais e os estilos educativos e as práticas educativas parentais utilizadas (Pereira, 2007; Querido et al., 2002). O estudo português de Cruz (1996, cit. in Cruz, 2005) sublinhou que as mães com um nível de educação superior utilizam predominantemente estratégias disciplinares indutivas, enquanto as mães com um menor nível de educação usam mais estratégias punitivas.

O número de filhos e o posicionamento da criança na fratria são variáveis relevantes na forma como os pais exercem a sua parentalidade, ainda que os resultados sejam inconsistentes. Assim, tem sido sugerido que o número de filhos aumenta a utilização de práticas punitivas pelos pais e diminui a utilização de comportamentos de suporte (Bögels & Brechman-Toussaint, 2006; Someya et al., 1999). Na mesma continuidade, os pais são mais sensíveis e próximos ao primeiro filho e têm expectativas mais elevadas para ele, em comparação com a relação desenvolvida com os outros filhos (Bögels & Brechman-Toussaint, 2006).

Estilos educativos parentais e qualidade da vinculação no período escolar

O suporte social em geral tem sido identificado como uma variável protectora e moderadora dos efeitos adversos do stress na saúde mental e no comportamento parental dos pais, que se associa ao bem-estar físico e psicológico dos pais. E isto, seja o stress devido à presença de factores de risco familiares e socioeconómicos (e.g. divórcio, desemprego, maternidade na adolescência), seja o stress associado à psicopatologia (e.g. depressão, ansiedade) (Gee & Rhodes, 2003; North, Holahan, Moos, & Cronkite, 2008). Incluem-se como figuras de suporte social o companheiro, bem como elementos da família alargada, amigos e recursos formais e informais da comunidade de pertença. Estes podem prestar suporte emocional (amor, empatia, compreensão, encorajamento e aconselhamento), suporte instrumental (ajuda em tarefas de cuidado da criança ou da casa), suporte informacional (conselhos ou informação sobre educação e cuidados à criança) e suporte económico (ajuda material) (Barrón, 1996; Conley et al., 2004; Gee & Rhodes, 2003). São descritos efeitos directos e indirectos do suporte social no comportamento parental (Conley et al., 2004). Assim sendo, os recursos de que os pais dispõem podem ser uma fonte de suporte na adversidade, contribuindo significativamente para uma parentalidade competente e mais sensível (Belsky, 1984; Cheng & Liu, 1997; Henly, 1997; North et al., 2008; Osofsky & Thompson, 2000).

Por fim, uma área que tem merecido atenção crescente é o estudo dos contextos de trabalho, nomeadamente o impacto da perda do emprego, e as características do trabalho do pai e da mãe (e.g. tipo de trabalho, satisfação com o trabalho) na qualidade da relação conjugal, na interacção pais-filho e, em consequência, no desenvolvimento da criança (Belsky, 1984; Crouter & Head, 2002; Parke & Buriel, 2006).

Em síntese, existem relações bidireccionais entre os determinantes do comportamento parental, que poderão ter efeitos directos e indirectos no comportamento parental e no desenvolvimento da criança (Conley et al., 2004; Parke, 2002).

4. Conclusão

A parentalidade abarca o conjunto de actividades, empreendidas pelos indivíduos que assumem um papel e funções parentais, para responder às necessidades dos filhos com vista à promoção do seu desenvolvimento harmonioso. Portanto, deve ter-se em conta todas as mudanças da criança durante o período escolar que conduzem, inevitavelmente, a alterações no modo de relacionamento com as figuras parentais.

A área da parentalidade tem definido as características do comportamento parental que melhor contribuem para o desenvolvimento das crianças em idade escolar. Deste modo, uma parentalidade sensível é aquela que encoraja a autonomia psicológica

da criança e, em simultâneo, monitoriza as actividades da criança, estabelecendo limites adequados à sua idade num contexto de envolvimento afectivo (Karavasilis et al., 2003). À semelhança de Karavasilis et al. (2003), pode-se resumir que as dimensões do comportamento parental que contribuem para o desenvolvimento saudável das crianças em idade escolar incluem: envolvimento responsivo e afecto; encorajamento da autonomia psicológica e da individuação através da utilização de uma disciplina não coerciva; e exigências comportamentais, estabelecimento de limites e monitorização adaptados à idade da criança (Baumrind, 1991; Lamborn et al., 1991; Maccoby & Martin, 1983; Steinberg et al. 1995).

Estilos educativos parentais e qualidade da vinculação no período escolar

Capítulo II

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