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O Brasil é considerado atualmente o 4º maior emissor de gases de efeito estufa do planeta (Figura 2), sendo o principal gás o CO2. Nobre (2001) afirma que “no Brasil, análises das observações de temperatura indicam pequeno aumento das temperaturas do ar à superfície, durante o século XX, compatíveis com o aquecimento global experimentado pelo planeta”, mostrando que a tendência é a de aquecimento e que o país sofreria o impacto de severas mudanças climáticas, sendo que

(...) as mais significativas para o país são o aumento de temperatura, modificações nos padrões de chuvas e alterações na distribuição de extremos climáticos tais como secas, inundações, penetração de frentes frias, geadas, tempestades severas, vendavais, granizo etc. Evidências científicas recentes apontam para uma intensificação da variabilidade climática associada a eventos El Niño/La Niña em função do aumento do efeito estufa (Ibidem, 2001).

Embora o país esteja em desenvolvimento, o número das emissões de gases de efeito estufa relacionado ao aumento da industrialização, não é o que chama a atenção, pelo contrário “grande parte das emissões brasileiras provem de desmatamentos na Amazônia, que vem substituindo a floresta por pastagens, com pequena produtividade e curta duração” (FEARNSIDE, 1997).

O desmatamento contribui muito para o aquecimento global, e o desmatamento da floresta Amazônica brasileira emitiu entre 258-270 milhões de toneladas de CO2 por ano no período entre 1988 a 1994. “Gases são emitidos pelo desmatamento através da queima e decomposição de biomassa, do solo, exploração florestal, usinas hidrelétricas, gado e as repetidas queimadas de pasto e florestas secundárias” (Idem, 2005).

Em estudos mais recentes, Fearnside (2006) ainda afirma que

O efeito estufa já aumentou em 0,7ºC a temperatura média do ar na superfície da Terra, fazendo subir também a temperatura da

água dos oceanos. O aquecimento não é constante sobre a superfície do planeta, mas pode causar o aparecimento de manchas mais quentes em determinados pontos, (...) a elevação até agora (0,7ºC) representa apenas um quinto do aumento médio estimado até o final deste século, de 3,5ºC. As previsões para esse aumento variam de 1,5 a 5,8ºC, dependendo dos cenários futuros das emissões de gases estufa por atividades humanas.

Figura 2. Ranking de emissões de gases de efeito estufa. (fonte: IPAM, 2008).

No Brasil, a Floresta Amazônica é tida como grande contribuinte na emissão de gases de efeito estufa, seja pelo número elevado de queimadas ou pela mudança no uso do solo (Figura 3), através do desmatamento, plantio de soja ou pecuária.

As mudanças no uso do solo contribuem para as mudanças climáticas de diversas maneiras. Mudanças climáticas afetadas pelo desmatamento incluem precipitação reduzida devido a uma redução na reciclagem da água, especialmente na estação seca. A água reciclada pela Floresta Amazônica dá uma contribuição substancial para a precipitação nas áreas do Centro e Sul do país (FEARNSIDE, 2005).

Partindo da aceitação da teoria apresentada pelo IPCC e dos estudos realizados no país sobre queimadas e mudança no uso do solo, o Governo

Brasileiro tornou-se signatário do Protocolo de Kyoto, se prontificando a reduzir as emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa.

Figura 3. Emissões de CO2 advindas da queima de combustíveis fósseis e de

mudanças no uso do solo. (fonte: IPAM, 2008).

O país produziu um Plano Nacional sobre Mudanças do Clima (PNMC) em 2008, no intuito de elaborar estratégias para o presente e o futuro do desenvolvimento nacional. O Plano afirma que:

O aquecimento do planeta pela interferência humana, apesar de incerto quanto à sua magnitude, tornou-se um fato aceito pela comunidade científica. Para isto, contribuiu o Quarto Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007. Por ser global, o problema une a todos em torno de si, na busca por caminhos e soluções que permitam que a civilização continue a prosperar em sua trajetória futura (PNMC, 2008).

Buscando a participação da população no processo de tomadas de decisão, o Plano afirma que “as escolhas são feitas à medida que a sociedade reconhece o problema, compreende a dinâmica das múltiplas forças que o provocam, define-se como parte da solução e se vê como beneficiária das

decisões tomadas” (Ibidem, 2008) mostrando a importância da opinião pública no processo de tomada de decisão feito pelos políticos.

Seguindo as definições apresentadas pelo Quarto Relatório do IPCC, o Governo Brasileiro tem, como objetivo, ao implementar o PNMC, “identificar, planejar e coordenar as ações e medidas que possam ser empreendidas para mitigar as emissões de gases de efeito estufa geradas no Brasil, bem como aquelas necessárias à adaptação da sociedade aos impactos que ocorram devido à mudança no clima” (Ibidem, 2008).

O Brasil já está se preparando para enfrentar os possíveis impactos provenientes de um maior aquecimento, com base na idéia de que a influência antrópica é tida como fato científico incontestável. Porém, a teoria que sustenta a influência humana nas mudanças climáticas ainda é muito criticada no meio científico, não devendo ser transmitida de maneira unilateral como vem sendo feito pela ONU.

Quadro 1. Principais entidades internacionais e cientistas que estudam o clima no mundo e sua posição quanto ao aquecimento global antrópico. (fonte: Verdesio, Juan José,

2009. com adaptações).

Patrick Michaels do Departm ent of Environm ental Sciences at the University of Virginia;

Robert Balling of Arizona State University;

Sherw ood B. Idso do U.S. Water Conservation Laboratory; S. Fred Singer, físico atm osférico da University of Virginia; Richard Lindzen do Massachusetts Institute of Technology; Frederick Seitz;

William M. Gray, professor em érito da Colorado State; University expertos m undial em tem pestades tropicais.

Roy Spencer m onitora tem peratura por m edidas de satélites;

Marcel Leroux Professor de Clim atologia da Universidade; Jean Moulin, Lyon III, França, diretor do Laboratório de Clim atologia do CNRS; Luiz B Molion Departamento de Meteorologia, UFAL – AL (Destaca a im portância m aior na variabilidade clim ática aos m ares, vulcões e atividade solar);

Kary Mullis, bioquím ico inventor da replicação do DNA; Andrey Illarionov, assessor econom ia de Vladim ir Putin; Ross McKitrick professor econom ia;

Michael Crichton, autor ficção científica e critico da politicizção da ciência;

David Bellam y, ecologista britânico; Ann Coulter colunista am ericano;

Steven Milloy, colunista FOX New s, publica JunkScience;

Inform ation Council on the Environm ent (extinto) Michaels, Balling and Idso participavam ;

Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change

Science and Environm ental Policy Project, fundado por S. Fred Singer. Intergovernm ental Panel on Clim ate

Change (IPCC) das Nações Unidas; A Academ ias nacionais de Ciências dos países do G8, Brasil, China e Índia; A Am erican Meteorological Society; A Am erican Geophysical Union; A Am erican Association for the Advancem ent of Science (AAAS); A Union of Concerned Scientists.

A FAVOR CONTRA

O IPCC é a fonte oficial de informações sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas. Contudo, diversos cientistas e estudiosos do clima como Singer, Seitz, Spencer, entre outros (Quadro 1) contestam algumas afirmações do Painel. Alguns discordam que o aquecimento é influenciado diretamente pelas ações antrópicas, outros como Lomborg (2007) concordam que as ações humanas estão mudando o clima, porém não concordam com a maneira como as informações são transmitidas e nem com as políticas mitigadoras propostas pela organização.

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