lov 29. mars 2019 nr. 9
7.2 Nærmere om de enkelte
O perfil Sazes 2 localiza-se na EN235, entre o Km 51.6 e 51.7, aproximadamente nas seguintes coordenadas: N40º18’59.2’’ W8º20’3.9’’. Esta secção tem sido alvo de diversos estudos nos últimos anos, incluindo da própria autora (Piçarra e Sequeira, 2010 e referências anteriores; Lopes et al., 2010; Sequeira e Piçarra, 2012), como apoio às atividades de cartografia geológica de A.J.D. Sequeira para a edição da Carta Geológica à escala 1:50 000, Folha 19-B (Coimbra-Penacova). Nos estudos efetuados foram descritas novas biozonas de macrofósseis (graptólitos) e de microfósseis (esporos).
Assumindo as novas designações estratigráficas atribuída por Sequeira e Piçarra (2012) para a Formação Sazes, passa-se a descrever o corte analisado (fig. 4.10). A secção inicia-se com as rochas vulcânicas da Fm. Porto de Santa Ana que, contactam por falha, a topo, com cerca de 20 metros de pelitos negros carbonosos, micáceos, constituintes do “Membro Inferior” da Formação Sazes. Estes sedimentos passam, gradualmente, a sedimentos constituídos por finos leitos de pelitos cinzentos intercalados com quartzitos impuros, estes, tornando-se mais predominantes e de maior espessura (até 20 cm), para o topo da sucessão. A esta segunda parte da sucessão foi dada a designação informal de “Membro Superior”, tendo sido amostrados apenas os primeiros 8 metros de sedimentos. Para o topo da sucessão as fáceis não eram propícias para a recolha de amostras, tornando-se bastante quartzíticas.
Nesta secção foram reconhecidas biozonas de graptólitos nos trabalhos de Romariz (1962) e Paris (1981, identificados por Jaeger), tendo sido identificadas e confirmadas mais recentemente em Piçarra e Sequeira (2010) e, Sequeira e Piçarra (2012), as Biozonas
Monograptus belophorus do Sheinwoodiano (Wenlock baixo), Gothograptus nassa e Colonograptus praedeubeli – Colonograptus deubeli do Homeriano.
No total foram recolhidas 12 amostras (amostras 110 a 121) para estudo palinológico, em duas campanhas de campo, sendo uma delas de reforço, após análise dos primeiros dados obtidos. Quatro das amostras apresentaram resultados positivos (amostras 112, 114, 116, 120). As associações de palinomorfos recuperados (acritarcas, prasinófitas, criptosporos, esporos e quitinozoários) encontravam-se moderadamente preservadas, sendo similares às associações descritas no perfil anterior (Sazes 1). O tempo de oxidação médio destas amostras foi de 25 minutos.
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Figura 4.10. Coluna estratigráfica do Perfil VII (Sazes 2), com localização das amostras estudadas. Assinalam- se a vermelho as amostras produtivas para palinologia. Os dados de micro e macrofauna indicados baseiam-se nos trabalhos de Lopes et al. (2010), Piçarra e Sequeira (2010) e Sequeira e Piçarra (2012). (ver Anexo 2, estampa de afloramento 3, foto 2; estampa 4, foto 1)
A associação de acritarcas e prasinófitas recuperadas incluem: Baltisphaeridium areolatum subsp. granulosum, Baltisphaeridium areolatum subsp. laevigatum, Cymatiosphaera sp.,
Dictyotidium sp. 2, Dictyotidium sp., Diexallophasis remota, Dorsennidium sp., Duvernaysphaera aranaides, Leiosphaeridia sp. 2, Leiosphaeridia spp., Lophosphaeridium
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sp. 1, Lophosphaeridium sp. 2, Multiplicisphaeridium spp. Neoveryhachium carminae, V.
trispinosum e Visbysphaera sp..
A associação compreende, igualmente, os seguintes criptosporos: Artemopyra sp.,
Gneudnaspora chibrikovae, G. divellomedia var. minor, G. plicata, Pseudodyadospora petasus, Quadrisporites variabilis, Rugosphaera sp., Tetrahedraletes medinensis, Velatitetras
sp.. Relativamente aos esporos identificados nas associações, estes correspondem a exemplares de Ambitisporites avitus Morphon, Archaeozonotriletes chulus Morphon,
Chelinospora cantabrica, C. obscura, Chelinospora poecilomorpha, C. sanpetrensis, Emphanisporites protophanus e Retusotriletes warringtonii.
Nas associações também foi possível identificar exemplares de quitinozoários (Angochitina echinata e o género Cingulochitina), identificados pelo colega Nuno Vaz, assim como, fragmentos de graptólitos, escolecodontes e de tecidos vegetais.
A distribuição dos géneros e espécies presentes em cada amostra é apresentado na tabela 4.4, com excepção para os quitinozoários, que não são alvo de estudo neste trabalho.
As associações recuperadas permitiram o estabelecimento de 2 biozonas de esporos com base nos esquemas biozonais propostos por Richardson e McGregor (1986), Burgess e Richardson (1995) e Richardson et al. (2001), apresentando semelhanças com as associações descritas em Inglaterra, País de Gales e na Zona Cantábrica.
Neste corte foi possível identificar, com base na associação recolhida na amostra 114, a Biozona de esporos Synorisporites lybicus – Lophozonotriletes? poecilomorphus (agora denominada Chelinospora poecilomorpha, de acordo com Beck e Strother (2001)), mais específicamente, a subzona Chelinospora obscura, do Gorstiano médio a superior (Burgess e Richardson, 1995). A presença da espécie guia C. obscura, permite a identificação desta subzona. Nesta amostra, por sua vez, não se conseguiu identificar nenhuma das espécies guia da zona de esporos referida, nomeadamente, Synorisporites lybicus e Chelinospora
poecilomorpha, o que se pode ficar a dever à pouca quantidade de material recuperado, assim
como, à sua má preservação. Esta hipótese é a mais provável, uma vez que os exemplares de esporos reticulados são bastante abundantes no material observado, no entanto, muitos deles encontravam-se muito mal preservados, impossibilitando assim, a sua classificação.
A presença de dois exemplares de Gneudnaspora chibrikovae (criptosporo) na amostra 114, pode indicar remobilização de material, visto a distribuição desta espécie apenas ser reconhecida em estratos do Ordovícico Superior ao Silúrico Inferior (Rhuddaniano), segundo Rubinstein e Vaccari (2004).
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Tabela 4.4. Distribuição estratigráfica dos palinomorfos recuperados nas amostras produtivas do Perfil VII (Sazes 2). Cronostratigrafia: 1- Homeriano; 2- Gorstiano; 3- Ludfordiano. Biozonas de esporos: A- Esquema biozonal proposto por Richardson et al. (2001); B- Esquema biozonal adaptado de Burgess & Richardson (1995)
A 116 ● ● ● ● ●● ● ● ● ●●● ●● ●● ● ●●● ●● ●● 3 RS 120 ●● ● ● ● ● 114 ●●● ● ● ●●● ●●● ● ● ● ● ●● ● 112 ●● ● ● ● ● 1 2 Cronostratigrafia Biozonas de Esporos Es p o r o s T r il e te Chelinospora poecilomorpha Chelinospora cantabrica Chelinospora sanpetrensis
Archaeozonotriletes chulus Morphon Ambitisporites avitus Morphon Retusotriletes warringtonii Chelinospora obscura Emphanisporites protophanus B lybicus-poecilomorphus C. obscura Pseudodyadospora petasus Tetrahedraletes medinensis
Gneudnaspora divellomedia var. minor Gneudnaspora plicata Gneudnaspora chibrikovae Quadrisporites variabilis Rugosphaera sp. Leiosphaeridia spp. Duvernaysphaera aranaides Cymatiosphaera sp. Dictyotidium sp. A c rit a rc a s Visbysphaera sp. C r ip to s p or os Amostras ref. Leiosphaeridia sp. 2 Lophosphaeridium sp. 2 Multiplicisphaeridium spp. Dorsennidium sp. Lophosphaeridium sp. 1 Veryhachium trispinosum Diexallophasis remota
Baltisphaeridium areolatum subsp. granulosum
Neoveryhachium carminae Velatitetras sp. Al g a s P r as in ó fi tas
Baltisphaeridium areolatum subsp. laevigatum
Artemopyra sp. Dictyotidium sp. 2
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Os exemplares de acritarcas e algas prasinófitas que completam esta associação são similares à associação presente no corte anterior (Sazes 1). Devido à presença de exemplares de Baltisphaeridium areolatum subsp. granulosum, Baltisphaeridium areolatum subsp.
laevigatum, Diexallophasis remota e Duvernaysphaera aranaides, é possível cingir a idade
da associação de acritarcas ao Silúrico médio a superior. O que está de acordo com os dados provenientes dos esporos, já analisados.
Com base nos resultados obtidos torna-se, igualmente possível, estabelecer correlação com as biozonas de graptólitos identificadas no corte. A amostra 114 foi recolhida a cerca de 5 metros a topo da amostra 113. A amostra 113, embora desprovida de palinomorfos, forneceu a Biozona de graptólitos Colonograptus praedeubeli – Colonograptus deubeli, do Wenlock (Homeriano médio) (Piçarra e Sequeira, 2010; Sequeira e Piçarra, 2012) (fig. 4.10). Sendo assim, é possível dizer-se que dentro daqueles 5 metros se encontrará a passagem entre o Homeriano e o Gorstiano.
Cerca de 10 metros a topo da amostra 114 foi recolhida a amostra 116 onde, com base na associação de esporos e criptosporos recuperada, foi identificada a base da Biozona de esporos Coronaspora reticulata – Chelinospora sanpetrensis (Biozona RS) (Richardson et
al., 2001), definida entre o Ludfordiano basal (Ludlow) e a base do Pridoli, na Zona
Cantábrica. A associação recuperada nesta amostra pode, igualmente, ser correlacionada com a parte média e superior da Biozona de esporos Synorisporites lybicus – Lophozonotriletes?
poecilomorphus, definida em Inglaterra e no País de Gales (Burgess e Richardson, 1995).
A presença de numerosos exemplares de Chelinospora sanpetrensis (espécie índex da Biozona RS), quando comparados com a presença de apenas 3 exemplares de C. cantábrica, espécimen que tem o seu aparecimento mais tarde, pode indicar que a associação se localize na base da biozona referida (Richardson et al., 2001), ou seja, na base do Ludfordiano.
A presença de exemplares de C. poecilomorpha permite confirmar a identificação da Biozona RS, visto ser uma das espécies acessórias descritas para esta biozona (Richardson et
al., 2001), assim como, permite incluir a associação no outro esquema biozonal,
identificando-se a Biozona lybicus–poecilomorphus (Burgess e Richardson, 1995).
A associação de esporos e criptosporos identificada é semelhante à apresentada no perfil anterior, embora nesta associação, o número de géneros e espécies de criptosporos apresentados seja superior, o que poderá ter a ver com o estado de preservação observado nas associações. Apesar da associação de esporos ser pouco diversificada, a idade fornecida pode ser confirmada pelos dados de graptólitos recuperados numa outra jazida, onde se identificou a Biozona de graptólitos Saetograptus f. linearis, do Ludfordiano basal, na Fm. Sazes
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(Sequeira e Piçarra, 2012). Sendo assim, é provável que entre os níveis das amostras 114 e 116, se encontre a passagem entre o Gorstiano e o Ludfordiano.
Os resultados provenientes dos quitinozoários recolhidos na amostra 116 e, identificados e interpretados por Nuno Vaz (Lopes et al., 2010), permitiram inferir novos dados que, igualmente, apontam para o Silúrico superior. Embora não tenha sido encontrada nenhuma espécie diagnóstica, a espécie Angulochitina echinata (Gorstiano (Ludlow) a Pridoli basal) (Verniers et al., 1995), identificada nesta amostra (116), é frequentemente acompanhada pela espécie Cingulochitina convexa (Laufeld, 1974) que tem o seu aparecimento no Gorstiano e se prolonga até ao Ludfordiano. Infelizmente não se conseguiu identificar a espécie de
Cingulochitina recuperada, no entanto, estes dados confirmam os resultados obtidos com base
nas associações de esporos trilete recuperadas.
Relativamente à associação de acritarcas e algas prasinófitas, a amostra 116 é pouco diversificada, sendo apenas de salientar os espéciemenes Baltisphaeridium areolatum subsp.
granulosum, Baltisphaeridium areolatum subsp. laevigatum e Visbysphaera sp., que podem
fornecer indicações de idade correspondentes ao Silúrico médio a superior.
Numa primeira fase deste estudo, a associação de palinomorfos presentes na amostra 116 tinha sido identificada como pertencendo à Biozona de esporos Synorisporites lybicus –
Lophozonotriletes? poecilomorphus, subzona Chelinospora obscura do Gorstiano médio a
superior (Lopes et al., 2010), mesmo já tendo sido identificados exemplares de C.
?cantabrica e C. sanpetrensis em mau estado de preservação. No entanto, devido às
incongruências existentes, novas amostras foram processadas, tendo sido feita, igualmente, nova campanha de amostragem que permitiu precisar muito mais os resultados obtidos numa fase preliminar, tal como foi referido nos parágrafos anteriores.
A amostra 120 forneceu uma associação muito pobre, tendo sido identificados apenas, exemplares de C. cantabrica, o que poderá indicar que este nível ainda se encontra dentro da Biozona RS.