lov 29. mars 2019 nr. 9
6.2 Lov om godkjenning av
O perfil Sazes 1 localiza-se no desvio da EN 235 para uma estrada de terra, em frente ao cemitério de Sazes de Lorvão, aproximadamente nas seguintes coordenadas: N40º19’0.8’’ W8º20’8.3’’.
O corte inicia-se com as rochas vulcaniclásticas pertencentes à Formação Porto de Santa Ana e, a topo destas, encontram-se os sedimentos da Formação Sazes. O contacto entre ambas as formações é feito por falha, no entanto, neste local não se consegue observar nenhum tipo de acidente. Os sedimentos silúricos são constituídos por níveis finos de pelitos cinzentos, intercalados com quartzitos impuros, típicos da parte superior desta formação. Estes níveis sedimentares encontram-se dobrados e apresentam alteração meteórica, tendo sido recolhidas amostras apenas nos primeiros 16 metros do corte (espessura aparente) (fig. 4.9).
Neste local foram, igualmente, recolhidas amostras de graptólitos estudadas pelo colega J.M.Piçarra (LNEG), tendo sido identificado o graptólito Colonograptus deubeli, indicativo da Biozona praedeubeli-deubeli do Homeriano (info. oral).
Figura 4.9. Coluna estratigráfica do Perfil VI (Sazes 1), com localização das amostras estudadas. Assinalam-se a vermelho as amostras produtivas para palinologia.
No corte foram recolhidas 8 amostras para estudos palinológicos (amostras 102 a 109), em duas campanhas de campo, sendo uma delas de reforço de amostragem após análise dos
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primeiros dados obtidos. Seis amostras apresentaram resultados positivos (amostras 102, 103, 104, 105, 107, 108). A associação de palinomorfos recuperados (acritarcas, prasinófitas, criptosporos, esporos e quitinozoários) encontrava-se moderadamente preservada e, é moderadamente diversificada (tab. 4.3). O tempo de oxidação médio destas amostras foi de 20 minutos.
A associação de acritarcas e prasinófitas recuperadas nestas amostras incluem:
Baltisphaeridium areolatum subsp. granulosum, Baltisphaeridium sp., Cymatiosphaera spp., Dictyotidium sp. 1, Diexallophasis sp. 1, Duvernaysphaera aranaides, Leiosphaeridia sp. 1, Leiosphaeridia sp. 2, Leiosphaeridia sp. 3, Lophosphaeridium sp. 1, Lophosphaeridium sp. 2, Multiplicisphaeridium spp., Oppilatala cf. O. juvensis, Veryhachium lairdii e Veryhachium
spp. (tab. 4.3).
A associação de criptosporos inclui: Artemopyra sp., Cheilotetras caledonica,
Gneudnaspora divellomedia var. minor, Quadrisporites variabilis, Rimosotetras problematica
e Tetrahedraletes medinensis. Já a associação de esporos trilete recuperada abarca exemplares de: Ambitisporites avitus Morphon, A. capitaneus, Archaeozonotriletes chulus Morphon,
Chelinospora cantabrica, C. obscura, C. poecilomorpha, C. sanpetrensis,
Concentricosisporites saggitarius, Cymbosporites sp., Emphanisporites protaphanus, Retusotriletes abundo, Retusotriletes warringtonii, Retusotriletes spp., Stellatispora inframurinata e Synorisporites sp. (tab. 4.3). Nas amostras estudadas foram, igualmente,
recuperados diversos espécimenes de quitinozoários (Ancyrochitina sp., Angochitina sp., A.
echinata, ?Conochitina sp.), identificados pelo colega Nuno Vaz (UTAD), assim como,
escolecodentes e fragmentos de graptólitos e tecidos de plantas.
Os resultados obtidos foram interpretados tendo em conta os esquemas biozonais propostos por Burgess e Richardson (1995) e Richardson et al. (2001) (consultar página 72 deste capítulo), assim como, a distribuição estratigráfica de acritarcas proposta por Le Hérissé (1989), Fensome et al. (1990), Mullins (2001); Le Hérissé (2002) e Playford (2003).
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Tabela 4.3. Distribuição estratigráfica dos palinomorfos recuperados nas amostras produtivas do Perfil VI (Sazes 1). Cronostratigrafia: 1- ?Ludlow (Ludfordiano) a Pridoli?. Biozonas de esporos baseadas no esquema biozonal de Richardson et al. (2001).
108 ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ●●● ●●● ●● 107 ●● ● ● ● ● ● 103 ● ● ● ● ●● ● ● ● ● ●● 105 ●● ●● 104 ● ●● ● 102 ●● ● ● ●● ●● ● ● ●● ●● ●●● ●●● ● Leiosphaeridia sp. 1 Cymatiosphaera spp. Amostras ref. Es p o ro s Tr ile te Dictyotidium sp. 1 Tetrahedraletes medinensis Multiplicisphaeridium spp. Oppilatala cf. O. juvensis
Archaeozonotriletes chulus Morphon
Ambitisporites capitaneus Ac ri ta rc a s Chelinospora cantabrica Leiosphaeridia sp. 2 Leiosphaeridia sp. 1 Leiosphaeridia sp. 3 Diexallophasis sp. 1 1 Biozona de Esporos RS Stellatispora inframurinata Synorisporites sp. Concentricosisporites saggitarius Emphanisporites protophanus Chelinospora obscura Cymbosporites sp.
Ambitisporites avitus Morphon
Chelinospora poecilomorpha Chelinospora sanpetrensis Retusotriletes spp. Cronostratigrafia Retusotriletes abundo Retusotriletes warringtonii Duvernaysphaera aranaides Baltisphaeridium sp. C ri p to s p or os
Baltisphaeridium areolatum subsp. granulosum
Veryhachium lairdii Rimosotetras problematica Lophosphaeridium sp. 1 Lophosphaeridium sp. 2 Quadrisporites variabilis Artemopyra sp.
Gneudnaspora divellomedia var. minor Veryhachium spp.
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Comparando com o esquema proposto por Richardson et al. (2001), as associações de esporos e criptosporos recuperadas correspondem à Biozona de esporos Coronaspora
reticulata – Chelinospora sanpetrensis, de idade Ludlow (Ludfordiano) – Pridoli basal,
definida na Zona Cantábrica.
A presença de diversos espécimenes de C. sanpetrensis (espécie índex) nas amostras estudadas, indicam a presença desta biozona ao longo do corte. No entanto, nas amostras não foram encontrados espécimenes da outra espécie guia que carateriza esta biozona, o esporo trilete Coronaspora reticulata. Esta situação pode indicar que nesta área, as plantas produtoras destes esporos não existiam, ou então, a sua ausência pode ficar a dever-se apenas a problemas de preservação. A primeira hipótese deverá ser tida em conta visto que, conjuntamente com a espécie índex C. sanpetrensis, foram identificados exemplares de C.
poecilomorpha e C. cantabrica, espécies acessórias presentes nesta biozona, segundo
Richardson et al. (2001). Estes autores fazem, ainda, referência ao facto de que ambas as espécies índex desta biozona não se encontram nas áreas tipo de Inglaterra e no País de Gales, onde foi definido o esquema biozonal proposto por Burgess e Richardson (1995) e que, serviu de base para o estabelecimento do esquema biozonal proposto para a Zona Cantábrica.
No Buçaco poderá dar-se o caso de apenas termos a presença da espécie índex C.
sanpetrensis, quando comparado com o esquema biozonal de Richardson et al. (2001). No
entanto, a presença de diversos exemplares de Chelinospora poecilomorpha e de esporos similiares a Synorisporites lybicus, espécies índex do esquema biozonal proposto por Burgess e Richardson (1995), sugere que as associações encontradas podem, igualmente, ser correlacionadas com as associações de esporos encontradas em Inglaterra e no País de Gales, nomeadamente, com a parte superior da Biozona libycus-poecilomorpha, que se estende do Gorstiano médio ao final do Ludfordiano (consultar tabela da página 72) (Richardson e McGregor, 1986; Burgess e Richardson, 1995).
A presença de esporos da espécie Stellatispora inframurinata no nível mais baixo amostrado (amostra 102), restringe a idade da associação nos níveis de base, indicando o Ludfordiano (Burgess e Richardson, 1995; Richardson et al., 2001). Infelizmente, devido à má preservação dos exemplares identificados, não foi possível identificar a variante de
Stellatispora inframurinata presente na associação, o que poderia fornecer mais informações
acerca da idade.
Relativamente aos níveis de topo do corte (amostra 108), a presença de alguns espécimenes de Ambitisporites capitaneus, assim como, de um espécimen de Cymbosporites sp., podem
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fornecer mais informações visto, este género e esta espécie terem o seu primeiro aparecimento na base do Pridoli (Richardson e McGregor, 1986; Beck e Strother, 2001). Sendo assim, duas inferências podem ser realizadas: ou o topo do corte estudado poderá atingir a base do Pridoli, o que não pode ser confirmado com recurso a tão poucos exemplares; ou, o aparecimento destes esporos poderá ter surgido mais cedo ao nível local, já no Ludfordiano. Desta forma, a passagem entre o Ludlow e o Pridoli pode ocorrer neste corte. Infelizmente, devido ao estado de preservação do afloramento, não se conseguiram recolher amostras que permitissem confirmar esta passagem.
A presença da Biozona de graptólitos praedeubeli-deubeli neste afloramento (J.M. Piçarra, info. oral), pode indicar que nos níveis mais baixos desta secção, os sedimentos atingirão o Homeriano. Por sua vez, o topo do corte poderá atingir o Pridoli, tal como indicam os palinomorfos. Este resultado tem suporte nos dados de Delgado (1908) e Romariz (1962) onde, com base em resultados obtidos com graptólitos encontrados nos afloramentos da Formação de Sazes, foi identificada a Biozona Neocolonograptus ultimus, do Pridoli basal. No entanto, a revisão do material de Delgado (1908), realizada por J. M. Piçarra (Piçarra e Sequeira, 2010), não permitiu confirmar esta biozona.
As dobras que se observam no perfil podem explicar a presença de níveis com idades muito diferentes numa extensão tão pequena, principalmente tendo em conta que a sucessão de idade Silúrica se encontra muito condensada nesta região.
Relativamente aos outros grupos de palinomorfos, a associação de criptosporos recuperada tem distribuições estratigráficas alargadas, que não permitem confirmar ou constranger mais a idade. Já a associação de acritarcas e algas prasinófitas recuperadas, devido à presença de exemplares de Baltisphaeridium areolatum subsp. granulosum, Duvernaysphaera aranaides e
Oppilatala cf. O. juvensis, permite confirmar a idade da associação dos esporos,
constrangendo a idade da associação dos acritarcas ao Silúrico superior.
Os dados provenientes dos quitinozoários identificados por Nuno Vaz (UTAD), permitiram inferir novos dados que apontam, igualmente, para uma idade de Silúrico superior. Embora não tenha sido encontrada nenhuma espécie diagnóstica, a espécie Angulochitina
echinata, identificada nas associações recuperadas, tem o seu aparecimento no Gorstiano e
prolonga-se até à base do Pridoli (Verniers et al., 1995), estando em concordância com os dados acima apresentados.
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