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Buscou-se na construção das unidades de análise textuais por elementos convergentes encontrados a partir do referencial teórico que estruturou este trabalho. Inicia-se pelo sentido da linguagem, conforme argumenta Buber (2009), promovidos em uma relação dialógica. Acrescentam-se aspectos da relação de “Alguém com os outros”, conforme propõem Bauman e May (2010), e que interiorizam também uma relação dialógica. E, finaliza-se pelas observações de Larrosa (2002, 2011) acerca da experiência nessa relação.

Parte-se, portanto, de perspectivas subjetivas para investigar também aspectos objetivos do ensino de Cálculo 1, especificamente, sobre a Derivada. Contudo, entende-se que uma relação objetivante é, também, subjetivante (BUBER, 2009). Dessa forma, não há objetividade sem os aspectos subjetivos dessa construção.

Do ponto de vista do processo de ensino da Derivada, os aspectos subjetivos ficaram aparentes nos relatos dos estudantes de Cálculo 1 apresentados por meio do instrumento proposto na fase principal da coleta de dados desta pesquisa. Os sujeitos investigados são estudantes de cursos de graduação em Engenharias e

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Licenciaturas da Instituição lócus desta investigação, conforme apresentado no Capítulo da metodologia.

Na busca pela formulação das unidades de análise textuais, remeteu-se a um processo de singularização, por meio do qual se classificam os relatos dos sujeitos a partir dos aspectos por eles explicitados em pequenos textos. E a partir da experiência dos sujeitos investigados: a) como estudantes da disciplina de Cálculo 1; b) na relação do sujeito em formação com o sujeito formador e com a instituição formadora; c) na compreensão do conteúdo Derivada.

Em torno desses momentos se encontra uma relação genuinamente dialógica, cujos termos da dialética compreendem sujeito e sujeito; sujeito e objeto, sujeito e objeto e sujeito. Interações emitidas nas presentes relações dialógicas do modo “Eu- Tu”, o modo fenomenológico de ser; “Eu-Isso”, o modo coisificado de ser, e de “Alguém com os outros”, o modo sociológico de ser. São essas interações, que permitem ao estudante a experiência, quando revive o processo de construção de seu conhecimento, ao narrar-se ou ao construir os seus mapas conceituais.

Uma das bases do pensamento buberiano, provinda da experiência concreta com a vida, o logos e a práxis, propõe ao homem a vida fundada no diálogo, postas frente à categoria fundamental do Eu-Tu, o que possibilita admitir que a ação educativa é uma reflexão elaborada por meio de um princípio dialógico, que permite também, perguntar até que ponto há uma esfera dialogal, de abertura, de respeito e de responsabilidades na relação entre os sujeitos.

Para auxiliar a realização das melhores possibilidades existenciais do aluno, o professor deve apreendê-lo como esta pessoa bem determinada em sua potencialidade e atualidade, mais explicitamente, ele não deve ver nele uma simples soma de qualidades, tendências e obstáculos, ele deve compreendê-lo como uma totalidade e afirmá-lo nesta sua totalidade (BUBER, 2009, p. 131).

Nesse sentido, o diálogo não é um conjunto semântico de oralidade, mas um evento inesperado que implica uma relação de reciprocidade mútua entre os sujeitos, e que por meio de um encontro de diálogo extremamente autêntico permite uma relação genuína entre pessoas.

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A sociologia poderia fornecer observações sobre as experiências e mostrar as implicações de atos e decisões que conduzem a vida humana. É assim, um espaço de atividade contínua que compara o aprendizado com novas experiências, segundo Bauman e May (2010). Nessa direção, vive-se em um constante processo de interação com outros indivíduos e de direcionamentos para escolhas a acompanhar até o fim, ou não; de forma que uma compreensão gerada dessa maneira poderia tornar a comunicação com “os outros”, mais fácil e mais inclinada a conduzir ao mútuo entendimento.

Poucas vezes se considera necessário ultrapassar o nível das preocupações cotidianas para ampliar o horizonte das experiências, atitude que exigiria tempo e recursos de que muitos podem não possuir ou com que não se dispõem a arcar. Dada, porém, a tremenda variedade de condições de vida e de experiências no mundo, cada uma é necessariamente parcial e talvez até unidimensional.

Nessa perspectiva, de acordo com Bauman e May (2010) essas questões só podem ser examinadas quando juntas, ou seja, se comparadas às experiências prospectadas a partir da multiplicidade de mundos. Somente dessa forma as realidades delimitadas da experiência individual poderiam ser reveladas, assim como a complexa rede de dependência e interconexões na qual elas estão envolvidas. Esses autores também argumentam que, quando ocorrem disjunções entre as expectativas e a experiência, pode-se refletir sobre a possibilidade de os grupos a que se pertence não serem aqueles pelos quais se opta por livre escolha. Dessa forma, uma transformação exigirá grande esforço de mobilidade perante os grupos.

Nessa direção, o sujeito contemporâneo nem sempre consegue que a experiência aconteça. Larrosa (2011) assegura que sendo a experiência o que atravessa, passa e deixa sua marca, nem tudo o que passa efetivamente, deixa vestígios. A experiência é conduzida pela incerteza, ou seja, há um campo de possibilidades cujos resultados não são antecipáveis. Nisso é diferente do experimento, cujas regras são pré-definidas e, geralmente, seus resultados são controlados. O sujeito da experiência não é ativo, mas é um sujeito que se expõe, é receptivo. É o sujeito que não se define por imposição ou pela posição que toma, mas sim pela exposição de si.

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Assim, pretende-se apresentar o que esses sujeitos da experiência expõem ou deixam revelar em seus relatos, tendo como cenário as aulas de Cálculo 1, e como objeto específico para os MCIs, a Derivada.

Entende-se que os sujeitos da experiência são capazes de demonstrar elementos particulares e auto formadores ao fazer a experiência de si quando se observam, se decifram, se interpretam, se descrevem, se julgam, se narram. São capazes de se particularizarem, sem, contudo, deixar de estar em constante contato com os “outros”, que estão presentes nessa relação dialógica, que é única, no entanto, não é solitária.

Neste estudo, os sujeitos descrevem suas impressões de forma textual e de forma representativa, pois partem de memórias expostas, em forma de pequenos textos ou relatos, para o que se considera “outra forma de narrativa” ou texto, representada pelos Mapas Conceituais Iniciais sobre Derivadas, cuja análise será apresentada no próximo capítulo deste trabalho.

É nesse caminho que o aspecto dialógico é ressignificado, e que o sujeito ao expor a si mesmo, revive etapas da construção de um dado conhecimento, que envolve outros sujeitos. Quando faz esse movimento vê aos outros e a si mesmo, e dessa forma pode refletir, ora o outro, ora a si próprio.