Em 2013, um movimento contra o aumento das tarifas dos ônibus, em algumas capitais, desencadeou a maior onda de protestos da história do País. O ápice das manifestações ocorreu em junho, durante a Copa das Confederações FIFA 2013, evento teste para a Copa do Mundo FIFA de 2014. Os protestos se espalharam pelas sedes da Copa das Confederações, vários terminaram em conflito entre os manifestantes e as polícias militares. Durante um mês, protestos diários levaram milhares de pessoas às ruas contra a corrupção e por melhorias nos serviços públicos, como transporte, saúde e educação (PORTAL G1, 2013).
Em 17 de junho, cerca de cinco mil pessoas protestaram na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Um grupo de manifestantes invadiu o espelho d’água e subiu no teto do Congresso Nacional. No dia 20, mais de um milhão de pessoas participaram de protestos realizados em mais de uma centena de cidades, pelo País. À noite, a presidente Dilma Rousseff pediu para que todos os ministros ficassem em Brasília, convocou reunião para o dia seguinte e cancelou viagem oficial que faria ao Japão (PORTAL G1, 2013).
Em resposta às reivindicações das manifestações de rua, a presidente Dilma Rousseff, no dia 24 de junho, reuniu 27 governadores e 26 prefeitos de capitais, em Brasília, e propôs a adoção de cinco pactos nacionais por: (1) responsabilidade fiscal, estabilidade da economia e controle da inflação; (2) plebiscito para formação de uma constituinte sobre reforma política; (3) saúde; (4) educação; e (5) transporte (PORTAL G1, 2013).
No dia 8 de julho, o governo federal lançou o programa “Mais médicos” que teve como objetivo o aumento do número de médicos atuantes na rede pública de saúde em regiões carentes, e permitiria a vinda de profissionais formados no exterior sem a necessidade de revalidação do diploma. Médicos protestaram contra a importação de estrangeiros sem a revalidação de diploma (PORTAL G1, 2013).
No dia 9 de setembro, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei n. 12.858, que destinava 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, e ainda determinava que 25% dos royalties devessem ser usados em saúde. Segundo declaração do então ministro da Educação, Aluízio Mercadante, a estimativa para os próximos 30 anos seria de um crescimento de R$ 368 bilhões no investimento em educação, no mínimo, podendo a chegar a R$ 500 bilhões (PORTAL G1, 2013).
No dia 5 de outubro, a ex-senadora pelo estado do Acre, Marina Silva, decidiu filiar-se ao PSB de Eduardo Campos e apoiá-lo na eleição à Presidência da República em 2014, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar o registro do partido fundado por ela, o Rede
Sustentabilidade, pela não comprovação de no mínimo 500 mil assinaturas de apoio para criação da nova legenda (PORTAL G1, 2013). Mas o futuro reservaria mudanças no cenário político.
Um ano depois de o STF condenar 25 réus da Ação Penal 470, processo do mensalão, maior escândalo político do governo Lula, no dia 15 de novembro, a justiça expediu os primeiros mandados de prisão. O réu Henrique Pizzolato fugiu para a Itália (PORTAL G1, 2013). O ex-diretor do Banco do Brasil, seria extraditado da Itália quase dois anos depois.
No dia 27 de novembro, na última reunião do ano, o Copom subiu a taxa básica de juros da economia brasileira; a Selic passou de 9,5% para 10% ao ano, confirmando, na ocasião, a expectativa do mercado financeiro. Era a sexta alta seguida, os juros voltaram a ter dois dígitos, o que não ocorria há 20 meses (PORTAL G1, 2013).
No dia 28 de novembro, o Congresso Nacional promulgou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que previa o fim do voto secreto para cassação de mandato de deputados federais e senadores. A PEC do Voto Aberto, como ficou conhecida, pôs fim também ao voto secreto na análise de vetos presidenciais. No entanto, o Senado Federal alterara o texto aprovado pela Câmara dos Deputados no trecho que previa o fim do voto secreto também para eleição de membros da mesa diretora das casas do Congresso e para indicações de autoridades, como ministros do STF e procurador-geral da República (PORTAL G1, 2013). Essa mudança expusera os votos dos parlamentares à opinião pública.
Em 2013, a economia brasileira cresceu 2,3%. Segundo o IBGE, a alta tivera forte influência do desempenho da agropecuária, que teve expansão de 7%, a maior desde 1996. Em valores correntes, a soma das riquezas produzidas atingiu R$ 4,84 trilhões e o PIB per capita ficou em R$ 24.065. Já o IPCA, índice oficial de inflação, fechou o ano em 5,91%, acima da taxa de 5,84% registrada em 2012. De acordo com os números do IBGE, a variação do índice em dezembro, 0,92%, foi a maior desde abril de 2003, quando ficou em 0,97% (PORTAL G1, 2014).
No dia 13 de março, o STF concluiu o julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão, após um ano e meio e 69 sessões. O tribunal entendeu que houve desvio de recursos públicos e fraude em empréstimos, com a finalidade de prover um esquema de suborno de parlamentares para que votassem a favor de projetos de interesse do governo federal. O Supremo começou a julgar o caso em agosto de 2012. Dos 40 denunciados em 2006, 38 tornaram-se réus e 24 foram condenados (PORTAL G1, 2014).
No dia 17, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Lava-Jato que investiga um esquema bilionário de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras. Segundo a PF e
o Ministério Público Federal (MPF), grandes empreiteiras organizadas em cartel pagavam propina a diretores e gerentes da Petrobras e outros agentes públicos (PORTAL G1, 2014).
No dia 24, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil, de BBB para BBB-. Apesar do rebaixamento, o Brasil ainda manteve o grau de investimento, mas era o último degrau para perda desse posto. A agência assinalou, em sua justificativa, sinais pouco claros da política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, o Ministério da Fazenda avaliou que a decisão da agência, apesar de mantido o grau de investimento, era inconsistente e contraditória com as condições da economia brasileira. No dia 27, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, completou oito anos no cargo e se igualou, assim, a Pedro Malan que, até então, mais permanecera na função em governos democraticamente eleitos. No dia 28, Mantega declarou que a economia brasileira cresceria, em média, 4% ao ano entre 2014 e 2022. Segundo o ministro, o País estava entrando em um novo ciclo econômico e os investimentos deveriam crescer 7% ao ano (PORTAL G1, 2014).
No dia 12 de junho, a presidente Dilma Rousseff foi hostilizada durante a abertura da Copa do Mundo FIFA 2014, na Arena Corinthians, em São Paulo. Os xingamentos à presidente começaram na área VIP e se espalharam por outras partes das arquibancadas do estádio, em Itaquera (PORTAL G1, 2014).
Em junho, a inflação oficial do País foi de 0,4%, mas, no acumulado, em 12 meses, o IPCA ficou em 6,52%, acima do teto da meta de inflação definido pelo Banco Central, de 6,5%. No dia 7 de julho, o mercado financeiro baixou novamente sua estimativa de crescimento da economia brasileira para 2014. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa dos analistas para o PIB recuou de 1,10% para 1,07%. Foi a sexta semana consecutiva de queda nesse indicador. Para 2015, a previsão de alta do PIB permaneceu estável em 1,5% (PORTAL G1, 2014).
No dia 8 de julho, 27º dia da Copa do Mundo, os brasileiros assistiram à maior goleada que o Brasil sofreu na história das Copas. A seleção brasileira levou sete gols da alemã, cinco deles nos primeiros 30 minutos de jogo no Mineirão, em Belo Horizonte. O torneio da Fifa, que reuniu seleções de 32 países, terminou no dia 13 com a vitória da Alemanha sobre a Argentina, no Maracanã, no Rio de Janeiro (PORTAL G1, 2014).
Na manhã do dia 13 de agosto, o candidato a presidente da República pelo PSB, o ex- governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morreu após a queda do jato particular em que viajava em um bairro residencial, na cidade de Santos. O PSB oficializou a então vice na chapa, Marina Silva, como candidata à Presidência, e Beto Albuquerque como vice. A
tragédia mudara o cenário eleitoral, Marina chegou a liderar as pesquisas de intenção de votos, mas ao final não conseguiu avançar para o segundo turno (PORTAL G1, 2014).
Em 29 de agosto, o IBGE divulgou recuo de 0,4% do PIB do segundo trimestre de 2014 ante os três meses antecedentes, que já apresentara redução de 0,2% em relação ao último trimestre de 2013. Com dois trimestres seguidos de retração, o Brasil entrou em recessão técnica, após cinco anos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, rejeitou o termo e falou em “parada prolongada” da economia (PORTAL G1, 2014).