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7 Vilkåret «organisert» i angrerettloven § 5 bokstav b – når den næringsdrivende

7.6 Når forbrukeren inngår en salgsavtale med et annet fjernkommunikasjonsmiddel

7.6.3 Når forbrukeren inngår avtale via en link på markedskanalen

Ao longo desta dissertação procurou-se investigar a validade do conceito de gênero literário na contemporaneidade, tendo em vista a incidência, cada vez mais explícita, na literatura ocidental das últimas décadas, de obras híbridas que tendem a burlar ou perturbar a ordem taxonômica estabelecida pela lei do gênero.

Tomando como ponto de partida O dicionário kazar, romance- enciclopédia em 100.000 palavras, de Milorad Pávitch – escritor que se inscreve na lista daqueles que trabalham com o modelo do hiper-romance, herdeiro do projeto enciclopedista –, e por viés teórico-metodológico as teorias do gênero e do hipertexto, permitiu-se observar mais de perto a atuação de cada gênero inscrito no título da obra, bem como os tipos de transgressões e as conseqüências decorrentes dessa mistura.

Quanto ao dicionário e à enciclopédia, por terem uma natureza estável e de pouca variabilidade, discorreu-se, necessariamente, sobre os seus traços mais significativos: livro como imagem do mundo, totalidade significante, objeto de transmissão, sistema de reenvios, instrumento de classificação, obra coletiva. Em relação ao gênero romanesco, pôde-se sondar não somente sua capacidade de expansão indefinida, uma vez que se apropria das outras formas textuais, explorando em benefício próprio todos os procedimentos disponíveis, mas também verificar a presença de um traço que o distingue dos demais gêneros, que implica exclusivamente o modelo humano em sua composição.

Desse encontro genérico ainda se percebeu que o romance, pela sua natureza instável e parasitária, adquiriu substancialmente certas peculiaridades tanto do dicionário quanto da enciclopédia: do primeiro, a infalibilidade e a

brevidade e, da segunda, a multiplicidade. É a partir dessa vulnerabilidade do romance que se permitiu pensar o literário como um saber múltiplo, aberto para a diversidade.

Esse diálogo intenso da literatura com os saberes enciclopédicos, no entanto, não somente estabeleceu uma discussão contundente sobre a impossibilidade de se fazer um inventário exato e completo dos saberes e encerrá- lo em um livro, assim como trouxe para dentro do romance uma multiplicidade de vozes que, em termos práticos, representou a participação de diversos narradores na sua construção e, como conseqüência, o texto literário abriu-se para novas possibilidades de interpretação, já que sua estrutura fragmentária e descontínua propiciou percursos distintos e inusitados.

Neste estudo procurou-se discorrer sobre temas caros à literatura, como é o caso da leitura e da escrita, e como essas reflexões estão incorporadas no livro de Milorad Pávitch. A princípio, foram tomadas as reflexões teóricas do projeto do Livro Total e a criação de O lance de dados, de Mallarmé, como uma sólida experiência do espaço literário e uma antecipação da era da hipertextualidade. Depreendeu-se daí a mobilidade e a transmutação das palavras, a valorização do branco da página, a incorporação da estrutura fragmentária do jornal impresso e o leitor como co-autor da obra.

Em outro momento do trabalho, discorreu-se sobre as experiências literárias de Jorge Luis Borges, destacando, sobretudo, a importância do leitor e do entendimento da ficção como uma teoria da leitura. Como diria Piglia (2006, p.28), depois de Borges passou-se a pensar que “a ficção não depende apenas de quem a constrói, mas também de quem a lê. A ficção também é uma posição do intérprete”. Sua poética do Aleph, o ponto de luz de onde se vê em um lampejo a

desorganização e a organização do universo conforme a posição do intérprete, sintetiza toda essa reflexão sobre o ler e o decifrar.

O mesmo se pode dizer da poética de O dicionário kazar, já que também valoriza o papel do leitor e mostra-se inconclusa, tal como uma “enciclopédia aberta”, termo cunhado por Italo Calvino para definir obras que jogam ao mesmo tempo com duas idéias contrastantes: a idéia de reunir todo o conhecimento ou de obter um entendimento subjetivo do universo em um único volume e a idéia da impossibilidade de se ter uma unidade significativa. Portanto, a obra de Pávitch, por engendrar a noção de conhecimento como multiplicidade, configura um emaranhado de histórias, de identidades e revela, de certa forma, que o conhecimento do mundo deve ser entendido de acordo com uma modalidade aberta, plurívoca e distribuída. Nesse sentido, Pávitch parece ter transformado a literatura em uma arte reversível, à feição da pintura, da escultura e da arquitetura, que apresentam um objeto que pode ser visto em diferentes ângulos, escolhidos por perspectivas e direções que estejam de acordo com a preferência de seu observador. No caso em discussão, seu leitor.

Diante da impossibilidade de se chegar a uma conclusão definitiva sobre um objeto que apresenta várias alternativas de desenlace, foi viável apresentar não apenas uma única e exclusiva leitura, mas determinados trajetos de leitura, uma vez que em obras desse porte cada leitor tem a liberdade de escolher por onde começar e terminar. Assim como em Borges, em que “a leitura constrói um espaço entre o imaginário e o real e desmonta a clássica oposição binária entre ilusão e realidade” (PIGLIA, 2006, p.29), o narrador de O dicionário kazar admite também que é pelo viés da leitura que um livro ganha novos contornos, podendo ser

transformado, engordado ou violado. Seu fio condutor pode mudar de sentido, há sempre alguma coisa que nos escapa, perdemos letras entre as linhas, páginas entre os dedos, enquanto outras crescem entre nossos olhos, como repolhos (PÁVITCH, 1989, p.297).