O primeiro passo da atividade foi a identificação dos tanques, que estão numerados na tabela, mas não na folha representativa da superfície do Observatório e que recebeu o impacto do chuveiro. Conhecer a posição de cada tanque é fundamental para fazer a analogia com a escala de tempo. Este passo poderia ter sido realizado depois, justamente no momento de se criar esta escala; no entanto, preferimos pedir aos alunos que a fizessem primeiro, antes de calcular o centro de “energia” do chuveiro, pois assim os alunos poderiam familiarizar-se mais rapidamente com o plano cartesiano, retomando conceitos que talvez estivessem esquecidos.
Iniciamos a atividade dividindo os grupos, e cada um recebeu uma folha com os dados do evento, outra com as posições dos tanques e um pedaço de isopor para servir de base para a construção da maquete.
12 Podemos utilizar o Stellarium. Trata-se de um planetário de código aberto para computador.
Mostra um céu realista em três dimensões igual ao que se vê a olho nu, com binóculos ou telescópio.
É necessário apenas ajustar as coordenadas geográficas para poder observar o céu. Disponível em http://www.stellarium.org/pt/
95 Figura 22. Grupo de alunas no início da atividade.
Fonte: Elaborada pelo autor.
Aluna Natália:Deixa eu ver.
Aluna Vívian: A gente vai ter que transcrever isso aqui aí. Aluna Natália: Professora!!
Aluna Vívian: Ela vai explicar o que é pra fazer. Aluna Natália: Nossa, vai fazer os nove?
Profª: Gente, olha só! Então eu vou explicar pra vocês o que vocês vão fazer, oh. Então, o que que é isso que vocês receberam? [...] Já conseguiram identificar o que que é isso?
Aluna Vívian: Já!
Aluna Natália:São os tanques!
Profª: Isso! São os nossos tanques, oh! Os detectores do Observatório. Pessoal, esta atividade, isso aqui, são dados reais detectados lá no Observatório.
96 Figura 23. Identificando os tanques.
Fonte: Elaborada pelo autor.
Em todos os encontros, realizamos atividades que foram desenvolvidas em grupos, no entanto percebemos que esta última causou grande excitação entre os alunos, pois trata-se efetivamente de uma atividade prática, e podemos dizer que é uma reprodução dos experimentos de detecção da direção de um Raio Cósmico primário do Observatório Pierre Auger. Nas falas mencionadas acima, percebemos tal expectativa e a empolgação das alunas, o que pode caracterizar esta atividade como motivadora. Além disso, mostra que elas compreenderam que os tanques possuem coordenadas de posições e identificaram-nos na folha que receberam.
Neste momento, explicamos aos alunos o que deveriam fazer, mas sem dar a resposta. Como já haviam visto na apresentação, todo o processo de detecção e que este exige várias etapas, foi necessária uma intervenção e a orientação dos passos que deveriam seguir. Identificamos os dados fornecidos nas tabelas e como seria o procedimento da atividade, etapa por etapa: identificação dos tanques detectores no plano cartesiano; cálculo do “centro de energia”; e analogia do tempo com os canudinhos com a montagem da maquete.
As alunas do grupo analisado foram logo dando início ao processo de identificação dos tanques. Demonstram grande facilidade com o sistema de coordenadas e a identificação de dados, pois deveriam relacionar as posições fornecidas na tabela com as marcações no plano cartesiano. Abaixo, seguem as transcrições das falas neste momento.
97 Aluna Vívian: Professora, pode fazer o desenho pra representar, não pode? Tipo, os risquinhos assim, pra representar qual que é o zero, o um, assim...
Profª:Pode, vocês têm que representar... Aluna Vívian: O zero é esse, né?
Profª: Como você sabe que o zero é esse?
Aluna Vívian: Porque a gente já fez (a aluna falou baixo). Profª: ah?
Aluna Vívian: A gente já tinha feito (risos). Profª: Ah, vocês já tinham identificado? Aluna Vívian: Já... (risos).
Profª: Pelas posições né, vocês identificaram?
Aluna Vívian: Já. 2,25... aí vai indo... (a aluna mostra no plano os pontos que identificou).
Profª: Isso mesmo!
Aluna Natália: Vamos marcar isso direito! [...]
Aluna Vívian: Será que tem que marcar? O valor? Aluna Maria: Não sei...
Aluna Vívian:Ó professora, tem que marcar o valor do x e y? Não, né?! Profª: Não.
Aluna Vívian: Ou só marcar a posição?
Profª: Só marcar os tanques, quais são os tanques. Aluna Vívian: Então esse aqui é o quatro.
Como esta atividade envolve várias etapas, é de se esperar que haja um pouco de confusão na sequência em que deve ser desenvolvida, e embora estivéssemos a todo instante orientando os alunos, também esperávamos que, ao final de toda a apresentação sobre o processo de detecção do chuveiro, e de posse dos dados, os alunos conseguissem construir suas próprias linhas de raciocínio e levantassem hipóteses sobre os próximos passos. Esperamos
98 sempre que os alunos tenham estas iniciativas e observamos isto nas falas a seguir.
Aluna Vívian: Agora, o que é mesmo?
Aluna Maria: Agora é o tempo, não é? Saber de onde que vem? Aluna Vívian: É?!
Aluna Maria: Aqui tem tempo marcado, oh! O zero foi de um .... um virgula sessenta e dois segundos.
Aluna Vívian: Mas será ..? Deixa eu perguntar pra ela.... Oh professora! Professora! Vem aqui, fazendo favor! Agora o que que a gente faz mesmo?
Aluna Maria: Marca o tempo? Aluna Vívian: Marca o tempo?
As alunas Vívian e Maria discutem o que deverão fazer. Percebemos que entenderam cada etapa separadamente, e que poderiam analisar os tempos de acionamento dos tanques, determinando a escala de tempo e a direção de propagação da frente de onda, como pensaram, porém ficaram inseguras se este passo estaria certo, se era o momento certo, e decidiram pedir ajuda à professora.