• No results found

BARNEVERNTILTAK OG INNVANDRING – REGISTERDATA

Pesquisas em Ensino de Física no contexto da inovação curricular, por meio da inserção de tópicos de Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio, figuram no cenário acadêmico há duas décadas, pelo menos, como dito anteriormente. No entanto, lembramos que muitas estão focadas nas justificativas para inserir tais tópicos no currículo e poucos são os trabalhos focados na elaboração e aplicação de materiais e sequências de ensino- aprendizagem que possam realmente levar a Física Moderna e Contemporânea para a sala de aula. Nosso trabalho aponta nesta direção, de “como fazer”, e precisamos de uma metodologia de pesquisa apropriada para este estudo. Entretanto, segundo Gonçalves (1997), quando nos referimos à pesquisa em ensino, deparamo-nos com diferentes fenômenos educacionais, o que permite ao pesquisador adequar sua investigação quanto a suas convicções, à sua visão de Ciência e sua formação acadêmica.

A pesquisa em Educação pode ser classificada quanto à forma de abordagem do problema, podendo ser quantitativa, traduzindo em números as opiniões e informações a fim de classificá-las e analisá-las, ou qualitativa, na qual a objetividade e a subjetividade do sujeito estão intrinsecamente ligadas e é a interpretação do fenômeno a base da pesquisa. Para este trabalho, escolhemos caminhar com base na pesquisa qualitativa devido à complexidade e à subjetividade no desenvolvimento e na implementação da sequência de ensino e aprendizagem que nos propomos a realizar.

Luna (2000) diz que, na pesquisa qualitativa, a escolha da técnica de análise está diretamente relacionada ao problema a ser investigado, devendo a teoria sugerir perguntas, mas também indicar possibilidades de interpretação.

58 Minayo (1994) afirma que a pesquisa qualitativa permeia o mundo real, onde as questões são particulares e não podem ser traduzidas em números, pois carregam inúmeros sentimentos e significados, motivos, aspirações, valores e crenças.

Para Suassuna, o pesquisador conduz sua investigação e analisa à medida que o processo se desenvolve, tomando suas hipóteses como ferramenta que o norteia em um contexto real.

Numa abordagem qualitativa, o pesquisador coloca interrogações que vão sendo discutidas durante o próprio curso da investigação. Ele formula e reformula hipóteses, tentando compreender as mediações e correlações entre os múltiplos objetos de reflexão e análise. Assim, as hipóteses deixam de ter um papel comprobatório para servir de balizas no confronto com a realidade estudada (SUASSUANA, 2008, p.349). A pesquisa qualitativa não é evidente, obrigando o pesquisador a ter uma postura bastante flexível para formular e reformular hipóteses. No entanto, toda a subjetividade inerente a este processo não se classifica como obstáculo na construção de conhecimentos científicos, pois a subjetividade pode ser considerada parte integrante da singularidade do fenômeno social (MINAYO, 2000).

Segundo André (2000), em uma abordagem qualitativa, a teoria se constrói e reconstrói no próprio processo de pesquisa, onde a análise ocorre de maneira paralela à observação. A todo o momento, o pesquisador decide o que deve selecionar e o que irá abandonar.

Cavalcanti e Moita Lopes4 apud Suassuna (2008)apontam algumas características da pesquisa qualitativa:

 Ser uma pesquisa eminentemente exploratória;

 Não exigir hipóteses prévias nem categorias rígidas de análise;

 Permitir ao pesquisador tomar decisões ao longo do estudo;

4 CAVALCANTI, M. C.; MOITA LOPES, L. P. Implementação de pesquisa na sala de aula de

línguas no contexto brasileiro. Trabalhos em Linguística Aplicada, n.17, p. 133-144, jan./jun.1991.

59  Possibilitar uma teorização calcada nos dados;

 Preocupar-se com o particular.

Erickson (1998) também nos mostra como a pesquisa qualitativa se encaixa de maneira mais adequada neste trabalho.

Os objetivos essenciais da pesquisa qualitativa são detalhar a condução de eventos diários e identificar o significado que estes eventos têm para aqueles que participam deles e para quem os presenciam.[...] A pesquisa qualitativa em educação é especialmente apropriada quando se deseja: informações detalhadas sobre implementação; identificar nuances do entendimento subjetivo que motiva vários participantes (ERICKSON5 apud BROCKINGTON, 2008, p. 116).

Lüdke e André (1986) apontam a insuficiência da abordagem analítica experimental no caso de estudos na área da Educação, pois no processo de se isolar as variáveis envolvidas no problema, corre-se o risco de perder informações, submetendo a complexa realidade a um simples mecanismo de análise de dados.

O fenômeno educacional encaixa-se num contexto sócio-histórico mais amplo, e o pesquisador preocupa-se mais com o processo do que com o produto, é mais interessante consolidar abstrações do que comprovar hipóteses. Porém, a ausência de hipóteses não reflete a falta de referencial teórico para a coleta de dados ou não significa que tal pesquisa seja desprovida de rigor e confiabilidade, pois simplesmente, neste tipo de abordagem, os procedimentos são um pouco diferentes, atendendo às demandas de diferentes dimensões que, após análise de dados, deverão ser possivelmente explicadas por meio de princípios subjacentes ao fenômeno estudado, situando-os em um contexto amplo dentro do qual o fenômeno possa ser interpretado.

Na pesquisa qualitativa, os dados não estão evidentes e devem ser cuidadosamente selecionados pelo pesquisador. Na verdade, segundo Lüdke e

5 ERICKSON, F. Qualitative Research Methods for Science Education. In: FRASER, B.J.;

TOBIN, K.G. (Org.). International Handbook of Science Education, Part One. Kluwer Academic Publishers, 1998.

60 André (1986), os melhores dados são aqueles que ajudam o pesquisador a compreender e a interpretar melhor o fenômeno estudado.

Neste trabalho, tomamos como referencial metodológico o estudo de caso no qual buscamos analisar se uma sequência de ensino e aprendizagem que tenha sofrido um processo transformador pôde ser aplicada com êxito em sala de aula.

O estudo de caso consiste na observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma fonte de documentos ou de um acontecimento específico (MERRIAM6, 1988 apud BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 89). Neste tipo de pesquisa, os dados e as respectivas análises vão afunilando no decorrer de todo o processo, pois no início de um estudo qualitativo as perguntas aparecem num âmbito mais amplo, sem muita especificidade. A condução do estudo e as estratégias a serem utilizadas podem sofrer modificações à medida que se aprofunda o conhecimento da pesquisa.

Os instrumentos de coleta de dados podem ser de diferentes naturezas: observação participante, entrevista aberta ou semi-estruturada e análise documental. Segundo Bogdan e Biklen (1994), estes estudos estão centrados em três setores:

 Um local específico dentro de uma organização (neste trabalho, focamos a sala de aula dentro da organização escola).

 Um grupo específico de pessoas (um determinado grupo de alunos na sala de aula).

 Qualquer atividade dentro dessa organização (a atividade da determinação da direção de um Raio Cósmico).

O estudo de caso de observação participante exige uma interação entre o pesquisador e o pesquisado. As informações coletadas e as respostas às indagações da pesquisa dependem, de certo modo, do comportamento e das relações do pesquisador com o pesquisado. Como estamos analisando um grupo de alunos em uma situação de sala de aula, na qual há um envolvimento

6 MERRIAM, S. B. Case study research in education. São Francisco: Jossey-Bass Publishers,

61 direto do professor/pesquisador, que tem um papel de condutor e norteador dos conflitos e atividades desenvolvidas por seus alunos, escolhemos a observação participante como instrumento de coleta de dados mais relevante.

É através deste referencial e de dados gerados por meio de gravações das atividades de uma sequência de ensino e aprendizagem sobre Raios Cósmicos que vamos buscar uma análise subjetiva, mas que nos permita levantar possíveis explicações a fim de interpretarmos e compreendermos de maneira satisfatória como se dá o processo de implementação desta sequência sobre Raios Cósmicos.

5.2 A professora pesquisadora e o curso de formação de professores