4 Kartlegging av aktører i innovasjonsstrukturen i Innlandet
4.4 Myndigheter og forvaltningsorganer
Gombert (1999, 2003, 2013) afirma que a criança aprende a falar e a compreender a linguagem oral sem conhecer conscientemente sua estrutura formal (fonológica, morfológica e sintática) e nem as regras que ela utiliza no processamento dessa estrutura. Destaca ainda, que cada forma linguística, ouvida e depois utilizada, é associada ao seu contexto, classificando como habilidades linguísticas primárias. Para o desenvolvimento metalinguístico a criança passa por comportamentos que não são conscientemente controlados pelo sujeito, designado pelo autor como comportamentos epilinguísticos. Como por exemplo, nos comportamentos espontâneos das crianças de aproximadamente 2 a 3 anos de idade, em que realizam as autocorreções na linguagem e estas se instalam naturalmente durante o seu desenvolvimento linguístico. O autor afirma que, para chegar às capacidades metalinguísticas, que designa como a capacidade de se distanciar do uso habitualmente comunicativo da linguagem e a de focalizar a atenção sobre suas propriedades linguísticas, estas precisariam passar por aprendizagens explícitas, como as de natureza escolar.
Neste sentido, Maluf (2010) afirma que a linguagem oral da criança faz parte de um conhecimento advindo das situações concretas vivenciadas e que dispõe de uma linguagem receptiva e expressiva, utilizando-a de forma espontânea e que certamente possui um conhecimento ao menos implícito de sua estrutura e constituição. Para ler e escrever, esta criança deverá refletir sobre a língua, tomar consciência de seus vários aspectos, isto é, será preciso adquirir um conhecimento explícito que se expressa em habilidades metalinguísticas, referindo-se aos tratamentos linguísticos fonológicos, sintáticos e morfológicos.
Assim, para o ensino da leitura e da ortografia é necessário que a criança faça esforços cognitivos que permitam o acesso consciente aos conhecimentos
implícitos, isto é, aos conhecimentos epilinguísticos. E seria sobre essa base, que a criança poderá então construir conhecimentos explícitos sofisticados. E quando ensinados, os tais conhecimentos explícitos favorecem a construção de uma consciência das estruturas linguísticas e que ao manipulá-las intencionalmente estará mobilizando propriamente dita, as capacidades metalinguísticas (Gombert, 1999, 2003 e 2013; Maluf & Gombert, 2008; Maluf, 2010).
McGuinness (2006, p. 38) afirma que os métodos de leitura são eficazes na medida em que treinam as crianças a se conscientizarem da unidade de som do seu sistema de escrita, mostrando como tais sons, daquela menor unidade da palavra são representados pelos símbolos e desta forma, teríamos que trabalhar a consciência fonêmica. A autora ainda afirma que a consciência fonêmica não é uma habilidade natural, que não temos a capacidade de perceber e isolar os fonemas uns dos outros de maneira espontânea e que adquirir tal capacidade têm implicações importantes para o ensino. Aponta ainda que, as crianças que aprendem um sistema de escrita alfabético, como o caso do português do Brasil, precisam ser ensinadas a perceber a presença do fonema e sua identificação no fluxo da fala, relacionando-os com os referentes símbolos de letras. Neste sentido, o treino para que a criança possa ouvir no nível fonético correto e fazê-la olhar para as unidades simbólicas corretas (letra(s) em uma sequencia de letras), seria um método eficaz para alcançar a habilidade da consciência fonêmica. Afirma ainda, que, podemos confundir as crianças e levá-las ao fracasso na aprendizagem, se o método de leitura, utilizado, ensinar unidade de som errada ou até múltiplas unidades de som erradas (palavras, sílabas e fragmentos de sílabas).
Siccherino (2013) verificou em seu estudo uma forte correlação entre a habilidade de segmentação fonêmica e a leitura e escrita de pseudopalavras e palavras reais. Os resultados indicaram que a instrução sistemática da correspondência entre fonemas e letras, a formação de pseudopalavras e a segmentação de pseudopalavras em fonemas foi altamente significativa para desenvolver a habilidade de leitura e escrita.
Assim, o pleno domínio da leitura e da escrita depende de conhecimentos claros dos diversos aspectos da linguagem e supõe uma tomada de consciência de suas características formais (MALUF; GUIMARÃES, 2008).
Outras pesquisas apontam que para a aquisição da linguagem escrita e o desenvolvimento da consciência metalinguística, diferentes habilidades devem ser adquiridas, tanto do ponto de vista dos aspectos segmental da linguagem oral em seus diversos níveis, quanto do ponto de vista dos aspectos sintáticos relativos à estruturação gramatical das sentenças (BARRERA; MALUF, 2003).
Sendo que, a consciência fonológica, a consciência lexical e a consciência sintática são habilidades metalinguísticas que resultam das capacidades de controle intencional dos tratamentos linguísticos requeridos para a aprendizagem da escrita (GOMBERT, 2003; BARRERA, 2003; BARRERA; MALUF, 2003).
A consciência fonológica significa a habilidade de realizar julgamentos sobre as características sonoras das palavras, quanto a sua semelhança e diferença e ao seu tamanho, seja para isolar e manipular fonemas e outras unidades suprassegmentais da fala, tais como sílabas e rimas (BARRERA, 2003; BARRERA & MALUF, 2003).
Barrera (2003) afirma que a habilidade de análise fonêmica adquire uma real importância no domínio da escrita alfabética, pois sua aprendizagem supõe a associação entre grafemas e fonemas e isolar os fonemas e representá-los por meio das letras pressupõe uma habilidade difícil de ser adquirida, devido ao fato de a maioria dos fonemas não poder ser pronunciada de forma isolada, o que dificulta sua percepção para aqueles que não são alfabetizados.
Santos (2004) destaca que a consciência fonológica engloba um conjunto de habilidades de identificação e manipulação da estrutura sonora da linguagem oral que diferem quanto ao nível de exigência cognitiva e quanto à dificuldade para sua realização. Tais habilidades são: de identificação e produção de rimas; de identificação e produção de aliteração; de segmentação de frases em palavras; de segmentação de palavras em sílabas e de segmentação de palavras em fonemas.
Ehri (1975 citado por BARRERA, 2003, p. 73-74), considera que a consciência lexical se refere à habilidade de segmentar a linguagem oral em
palavras, considerando tanto aquelas com função semântica (que possuem um significado do contexto), quanto aquelas com função sintático-relacional (com significado apenas no interior de sentenças), afirmando que a criança desenvolveu o conceito de palavra e que aos sete anos a criança estabelece critérios gramaticais para segmentar a linguagem.
A respeito da consciência lexical, alguns estudos demonstraram que esta se desenvolve gradualmente e que pode se manifestar inicialmente com o reconhecimento de palavras com função semântica como os substantivos, depois os adjetivos e, posteriormente com o reconhecimento de conjunções e preposições, de função sintática. Nos estudos, as preposições e conjunções seriam as últimas unidades linguísticas a serem percebidas (Abaurre; Silva, 1993; Tolchinski-Landsmann ;Levin, 1987 citados por BARRERA, 2003, p. 77).
A consciência sintática significa a habilidade para refletir e manipular mentalmente a estrutura gramatical das sentenças. Barrera e Maluf (2003) apontam que a sintaxe está diretamente relacionada ao caráter articulatório da linguagem humana e esta articulação se constitui por um número limitado de unidades que permitem construir um número infinito de mensagens. Para isso, são necessárias regras convencionais de combinação entre as palavras de modo a produzir enunciados com sentido.
Como salienta Guimarães (2008) a aprendizagem da leitura e da escrita é influenciada tanto pela consciência fonológica, que possibilita a aquisição das correspondências letra-som, que aparece vinculadas diretamente ao processo de decodificação e codificação quanto pela consciência morfossintática, que possibilita a identificação das palavras enquanto categorias gramaticais e a sua adequada posição na elaboração das frases, o que possibilita o aumento da capacidade de identificação e produção da linguagem escrita.