KAPITTEL 6 MITT MUSIKKTERAPEUTISKE STÅSTED STÅSTED
6.3 MUSIKKTERAPI I PRAKSIS
6.3.1 MUSIKKTERAPI: EN RESSURSORIENTERT TILNÆRMING
Dentre as especificidades tipológicas e construtivas dos imóveis edificados e/ou financiados pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs), pela Fundação da Casa Popular (FCP) e pela Fundação da Habitação Popular do RN (FUNDHAP) na capital norte-riograndense, se destacam a utilização do concreto armado, inserida no contexto do emprego dos princípios modernos da arquitetura e, principalmente, a utilização da taipa - técnica construtiva em terra – em um grande número de residências financiadas e, inclusive, construídas pelos IAPs na cidade.
As determinações do Conselho Nacional do Trabalho (órgão responsável pela normatização, fiscalização e aprovação dos procedimentos dos IAPs) ligado ao Ministério do Trabalho, pregavam uma arquitetura moderna, desprezando o supérfluo com materiais e elementos decorativos, defendendo: a construção em blocos coletivos, primando à economia de material; a localização das obras, de preferência, em espaços afastados do núcleo central da cidade (menor custo dos terrenos); blocos com no máximo quatro andares, não tornando necessária a utilização de elevador o que em muito encareceria as obras; o uso de pilotis, para aproveitar o espaço térreo, facilitando a circulação de vento e de pessoas (espaço comum); quando possível à aplicação da tipologia duplex, que além de proporcionar economia garante mais intimidade (separação entre área social da íntima); a construção racionalizada e de preferência auto-suficiente, com assistência básica de equipamentos coletivos e serviços urbanos; e assentamentos privando pelo tráfego de pedestres em detrimento ao de automóveis, com vias de circulação de carros na periferia (BONDUKI, 2002).
Em Natal, no entanto, poucos foram os exemplares de arquitetura moderna construídos pelos Institutos. Os únicos exemplares de moradia moderna coletiva equivalem aos quatro edifícios de apartamentos que conformam o Conjunto Residencial Nova Tirol, construído pelo IAP dos Comerciários na década de 1950. Eles possuem quatro pavimentos, teto-jardim, volumes e linhas retas, fachadas sem ornamentos, elementos vazados como, combogó e brise, plantas mínimas, além de equipamentos coletivos.
A maior parte dos exemplares de arquitetura moderna, financiados pelos órgãos entre as décadas de 1930 e 1960 na cidade, corresponde às moradias isoladas e unifamiliares, cuja construção foi de responsabilidade dos proprietários de acordo com os distintos planos e classes nos quais as ações imobiliárias de cada Carteira Predial mostravam-se organizadas. Apesar de não construírem diretamente moradias modernas, os Institutos em Natal financiaram a construção e disponibilizaram seus engenheiros para a elaboração de diversos projetos que estavam de acordo com os ditames da arquitetura moderna,
HABITAÇÃO SOCIAL: ORIGENS E PRODUÇÃO (NATAL,1889-1964)
que foram executados por dezenas de construtores atuantes na cidade entre as décadas de 1940 e 1960. Os Institutos que mais promoveram a edificação de moradias de arquitetura moderna foram o IAP dos Bancários (IAPB) e o IAP dos Servidores Públicos Estaduais (IPASE), que financiaram respectivamente, 25% e 15% de moradias modernas do volume total pleitos concedidos por esses Institutos na cidade. Cabe destacar que grande parte desses projetos não se destinava às camadas mais carentes da população.
De acordo com os jornais em circulação no período, havia por parte dos profissionais dos IAPs e de setores das elites em Natal, o estigma de que a arquitetura moderna era deveras cara para atender às necessidades das camadas carentes, além de requerer mão-de-obra especializada, o que em muito encarecia a obra. Por esse motivo, provavelmente, grande parte das residências modernas encontradas foi financiada e/ou edificada pelos Institutos cujas reservas imobiliárias eram as mais vultosas. Porém, comparando-se os valores concedidos para financiamentos pelos IAPs atuantes na cidade, os financiamentos para a construção de exemplares da arquitetura moderna não diferiam daqueles direcionados para a edificação de residências tidas como “convencionais” ou “comuns”.
Por outro viés, observou-se que as adequações das moradias aos princípios da arquitetura moderna eram empregadas mais nas fachadas e nos volumes das unidades residenciais que na planta propriamente dita. Evidenciaram-se casos em que os associados solicitavam verbas aos IAPs para a realização de reformas somente nas fachadas da edificação. Nesse sentido, a redução das dimensões dos cômodos e das circulações, assim como, a simplificação do programa da casa, quesitos colocados nas duas primeiras edições do CIAM, não representavam a prioridade dos projetistas da época e nem equivaliam ao intento das camadas mais abastadas da população, a quem se destinava grande parte dessas residências. Contudo, o elemento em planta mais recorrente nos exemplares encontrados refere- se à copa-cozinha e à cozinha americana, que passaram a receber grande atenção dos profissionais da construção civil a partir da década de 1930.
O emprego de linhas retas, dos volumes cúbicos, a eliminação dos ornamentos e da rígida simetria das fachadas era recorrentemente utilizada nas moradias em Natal (Figura 117). Ainda acerca dos aspectos formais, as moradias financiadas pelos IAPs apresentavam, no geral: pequenas varandas e/ou terraços onde aparecem os pilotis ou pilares esguios em “V” aos moldes de Niemeyer (Figura 118); fachadas livres; elementos vazados; ângulos retos e jogo Figura 117: Residência construída pelo IAPB, Tirol (1961).
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Figura 119: Residência no Tirol (IAPB, 1962). Fonte: INSS, 2007.
Figura 120: Residência no Tirol (IPASE, 1960). Fonte: INSS, 2007.
de volumes simples (Figura 119). Outra peculiaridade das construções modernas na cidade, a semelhança com algumas cidades litorâneas do nordeste em especial Maceió e Recife, refere-se ao emprego de azulejos no tratamento das fachadas das casas. O teto-jardim, por outro lado, foi pouco utilizado nas moradias encontradas. Na grande maioria das edificações se utilizava platibandas para ocultar as águas do telhado em telha de amianto ou em telha colonial, provavelmente pelo alto custo para aquisição do material e execução daquele elemento, além da necessidade de mão-de-obra especializada (Figura 120).
Diversas das moradias correspondiam às casas de porta-e-janela, ou casas de meia- morada como eram conhecidas (Figura 121). Em se tratando da composição das fachadas dessas habitações, de modo geral, observava-se a sobressalência de três partes: o embasamento, o corpo e a platibanda. O embasamento era comumente resguardado de materiais que são associados à idéia de resistência como a pedra, principalmente em tons de rosa e cinza, o ladrilho hidráulico e o marmorite, remetendo à sua função primeira de sustentação da edificação (Figura 122). O corpo da casa, onde se encontram as aberturas das portas e janelas em madeira ou ferro ao invés dos largos planos de vidro modernos, de modo geral, não recebia tratamento qualquer e estavam livres de ornamentos. Em alguns casos, o embasamento chegava até a altura dos peitoris das janelas ou até a linha da platibanda (Figuras 123). Esse artifício foi bastante utilizado nas moradias edificadas na década de 1950 em Natal. As platibandas, por sua vez, não recebiam tratamento algum, por vezes eram destacadas por linhas, conhecidas como gigantes, em azulejos, auto-relevos e/ou pintadas com cores
Figura 118: Residência no Alecrim (IAPB,1961). Fonte: INSS, 2007.
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marcantes, que serviam como uma espécie de moldura, essencialmente, para a distinção dos limites das casas quando geminadas (Figura 124).
Ainda em se tratando da composição das fachadas das moradias natalenses, muitas vezes, o limite entre o corpo da edificação e a platibanda era salientado pela diferença de planos ou apenas de cores. Por vezes, as esquadrias também recebiam em seu contorno a distinção de planos, cores ou ladrilhos cerâmicos ou hidráulicos. Em algumas residências percebe-se também o emprego dos elementos vazados na platibanda, cuja função primeira era a de ventilar e iluminar, como o combogó, notadamente destituído dessa função.
No tocante à arquitetura das moradias construídas pela FCP e pela FUNDHAP na capital norte- riograndense pode-se afirmar que, de maneira geral, elas apresentavam alguns elementos da arquitetura moderna, essencialmente os elementos vazados como percebido nas residências do Conjunto Cidade da Esperança. As demais unidades encontradas seguem o padrão tradicional tanto no que concerne às plantas quanto às fachadas.
Figura 121: Casa no Alecrim (IAPI, 1947). Fonte: HCURB, 2007.
Figura 123: Vila Janete no Alecrim (IAPI, 1947). Fonte: HCURB, 2007.
Figura 122: Residência no Tirol (IAPB, 1961). Fonte: INSS, 2007.
Figura 124: Residência no Alecrim (IAPB, 1963). Fonte: INSS, 2007.
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A utilização do concreto armado foi observada na construção de algumas residências edificadas essencialmente pelos IAPs em Natal, principalmente, pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Servidores Públicos Estaduais (IPASE). Essas moradias foram construídas principalmente a partir da década de 1960, quando a arquitetura moderna passou efetivamente a ocupar importante papel no campo da construção e na ideologia dos profissionais envolvidos com a construção civil em Natal, concomitantemente ao início do processo de verticalização da cidade.
As casas foram endereçadas aos funcionários da prefeitura e equivaliam aos financiamentos que variavam entre Cr$700.000,00 (setecentos mil cruzeiros) e Cr$750.000,00 (setecentos e cinqüenta mil cruzeiros), de acordo com as determinações do plano C do Instituto que correspondia à construção de casa mediante garantia hipotecária. As residências foram implantadas essencialmente no bairro de Petrópolis e se aproximam de vinte unidades (Figura 125). Pode-se citar ainda a casa no. 644, localizada na esquina da Rua dos Canindés e a Rua Alexandrino de Alencar, no Alecrim, dentre outras (Figura 126).
Em se tratando da tipologia construtiva adotada na edificação das residências
diretamente e indiretamente pelo IAP dos Comerciários (IAPC), de aproximadamente noventa financiamentos realizados na cidade135, não considerando os edifícios de apartamentos que conformam o Conjunto Residencial Nova Tirol edificado pelo Instituto na década de 1950, apenas quatro moradias foram construídas utilizando-se do concreto armado nas lajes e/ou paredes. As moradias estão encravadas no bairro do Tirol e foram erguidas nos três primeiros anos da década de 1950 por valores que variavam entre Cr$100.000,00 (cem mil cruzeiros) e Cr$250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil cruzeiros) adquiridos por financiamentos para compra de residência isolada de propriedade do Instituto ou para a compra de terreno do Instituto para a construção de moradia própria, de acordo com o plano B, classe I (Figura 127).
135 Número referente à quantidade de processo encontrada nos arquivos do Patrimônio Imobiliário do INSS-RN.
Figura 125: Residência em Petrópolis (IPASE, 1957). Fonte: INSS, 2007.
Figura 126: Residência no Alecrim (IPASE, 1958). Fonte: INSS, 2007.