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Multivariate analyser av heltids- og deltidsutdanning

4 Heltids- eller deltidsutdanning

4.2 Multivariate analyser av heltids- og deltidsutdanning

Quanto aos aspectos relacionados à problemática do estudo voltados às estratégias de inserção da clientela masculina na atenção básica a saúde, a análise das unidades temáticas oriundas dos relatos dos enfermeiros participantes da pesquisa, revelou um campo amplo de estratégias, caracterizado por três categorias e seis subcategorias as quais estão apresentadas no Quadro 2 e, posteriormente, discutidas com base na literatura pertinente.

Quadro 2- Categorias e subcategorias relacionadas às estratégias para a inserção dos usuários do gênero masculino na ABS, João Pessoa, 2013.

Categorias Subcategorias

Estratégias de inserção vinculadas à mulher  Inserção masculina a partir do Pré- Natal

Estratégias de inserção relacionadas ao processo de trabalho na ABS

 Escuta qualificada no acolhimento à saúde masculina

 Ações específicas de saúde do homem na comunidade

 Busca ativa por meio da visita domiciliar

Estratégias de inserção vinculada ao Programa de Planejamento Familiar

 Retomada de ações do Programa de Planejamento Familiar

As estratégias de inserção dos homens no contexto da ABS, reveladas pelos enfermeiros, perpassam por três aspectos vinculados: à mulher; ao processo de trabalho na ABS e ao Programa de Planejamento Familiar.

A categoria intitulada Estratégias de inserção vinculadas à mulherteve como base, para a sua identificação, as subcategorias: Inserção masculina a partir do Pré-Natal e Participação colaborativa da mulher. A primeira foi construída a partir dos relatos:

[...]inserir ações para o homem no Pré-natal (E25)/[...]acompanhando a esposa no pré-natal[...] (E23)/[...]a partir dos cuidados com a própria mulher (pré-natal) (E20) [...]o pré-Natal (E2)/[...]no pré- natal, cuidar do casal (E7)/[...]participar do pré-natal (E18)

A presença masculina nos cenários de assistência à saúde da mulher, principalmente no pré-natal, acompanhando as esposas/companheiras nas consultas, vem, por um lado crescendo e fortalecendo o vínculo casal-filho, à medida que contribui para estreitar as relações familiares, e, por outro, abrindo espaços de construção de vínculos entre homens e profissionais, facilitando a participação destes nas demais ações de saúde. Segundo Oliveira; Brito (2009, p. 596) “a participação do homem no processo gestacional, no parto e puerpério, em sentido mais amplo, é expressa por atitudes, comportamentos e sentimentos que se entrelaçam durante o ato de cuidar” do filho e da esposa, percebida pelos companheiros como envolvimento afetivo, contribuindo efetivamente na consolidação da estrutura familiar.

Ressalta-se que os serviços de saúde que permanecem com o enfoque voltado apenas para as necessidades das mulheres nesta fase da vida, não inserindo os homens de forma sistemática nas suas ações distanciam os mesmos desses cenários de cuidar. Para Cavalcante (2007, p.108), introduzir o homem nos cuidados e orientações “pré-natais poderá propiciar a presença de um ator, particularmente, interessado no processo gestacional e estimulado a cuidar da mulher e do bebê”. Contudo, deve-se absorver essa demanda de homens nesses espaços, criando oportunidades de inserção desse pai nas ações voltadas ao cuidado para com a sua saúde.

Essa nova postura do homem no campo da saúde reprodutiva promove uma ressignificação do masculino, pois eles também se inclui como responsável pelas questões do planejamento familiar, gravidez e puerpério. De acordo com Gomes; Nascimento; Araújo (2007), assim como se tem a perspectiva de empoderamento das mulheres nas esferas decisórias, investimentos deverão ser promovidos para que os homens também se sintam sujeitos no campo reprodutivo.

A inclusão da população masculina nas discussões de temáticas relacionadas à saúde reprodutiva é uma estratégia de grande relevância para que eles possam viver, de forma plena, seus direitos reprodutivos. Diante desse contexto, não é só a mulher que deve fazer exames no período pré-natal. O Ministério da Saúde recomenda e estimula os futuros pais, assim como suas companheiras gestantes, a fazerem exames preventivos, ao definir, neste contexto, como principio: “o homem precisa se cuidar para cuidar de sua família”. Sendo assim, essa estratégia política denominada “Pré-Natal Masculino” pretende estimular o pai a frequentar o serviço de saúde de forma preventiva, além de estimular o vinculo afetivo entre ele, parceira e filho (Brasil (2010).

Conforme Figueiredo (2005, p. 107), para alcançar uma maior compreensão das necessidades de saúde da população masculina no reconhecimento dos direitos reprodutivos é preciso analisar a luz da perspectiva de gênero, pois, “afinal é oportuno trabalhar a ideia de gênero como elemento constitutivo das relações sociais, o qual está fundamentado nas diferenças percebidas entre os sexos” e que influencia a concepção de participação nas ações reprodutivas.

No que se refere à estratégia de inclusão dos homens na AB, vale destacar que a PNAISH tem como objetivo qualificar a atenção de saúde, oferecendo maior assistência a este grupo. Uma das estratégias desta política é a integração transversal a outras políticas de saúde, para melhor construção e operacionalização, já que historicamente, o homem tem dificuldade em reconhecer suas necessidades, bem como, sua possibilidade de adoecer. Nesta perspectiva, Brasil (2008), afirma que o pré-natal irá promover o acesso dos homens aos serviços de saúde, servindo como porta de entrada, a fim de resguardar a prevenção, promoção, investigação e intervenção, se necessário.

Sendo assim, repensar o pré-natal para otimizar suas ações, tornando-as inclusivas para os homens, representa uma estratégia pertinente de inclusão masculina nos serviços vinculados à promoção da saúde e prevenção de agravos na ABS, uma vez que nesta fase da vida se entrelaçam atitudes e comportamentos afetivos, que os tornam mais sensíveis às ações de cuidado do outro (esposa e filhos) e autocuidado. Entretanto, essas ações devem ser

desenvolvidas por meio de estratégias efetivas que resultem em acesso dessa clientela e contribua para promover discussões de temáticas voltadas ao campo da saúde do homem.

É sabido que os modos de homens e mulheres vivenciarem o processo de cuidado do corpo/saúde é marcado por diferenças importantes, pois verifica-se historicamente que as mulheres se apropriam de modo efetivo das ações da ABS e os homens se distanciam dela e fazem acesso aos serviços de saúde em cenários especializados, geralmente de média e alta complexidade do cuidado. Entretanto, estudos, a exemplo de Diniz (2004) e Machin et al. (2011), reforçam a ideia de que a presença da mulher nos espaços da ABS é uma estratégia de adesão dos homens para ações de promoção da saúde e prevenção de agravos nesses cenários.

Isto reafirma a fala dos enfermeiros participantes da pesquisa quando revelam que a participação da mulher, através do próprio cuidado, é fundamental para atrair os homens para os serviços públicos de saúde, seja no âmbito preventivo, frente aos agravos ou na promoção da saúde, participando de grupos específicos ou acompanhando as parceiras nas consultas, a exemplo dos relatos:

[...]a companheira, a esposa convença de trazer ele para a unidade (E2)/[...]elas tem que trazer eles aqui (E3)/[...]atrair através da mulher(E9)/[...]a presença da companheira é muito importante nesse processo (E9)/[...]minha estratégia maior é através das mulheres (E15)/[...] a partir dos cuidados com a própria mulher (citológico) (E20)/[...]aproveito essas oportunidades de vir na unidade acompanhando a esposa[...] (E23)

Desse modo, foi possível a identificação da subcategoria Participação colaborativa da mulher.

Diniz (2004) afirma que as mulheres parecem estar mais atentas às mudanças relativas à sua saúde e se mostram mais dispostas a buscar orientações com os profissionais. Neste contexto, de um modo claro, os enfermeiros da pesquisa afirmam que a presença da mulher nas UBS é real nas ações e programas ofertados no âmbito da promoção e prevenção da saúde, e diante dessa presença apontam a participação da mulher como uma porta de entrada na ABS para a clientela masculina.

Assim, esta estratégia de inserção – participação colaborativa da mulher – representa uma maior possibilidade de adesão dos homens aos cuidados com a própria saúde (MARCHIN et al., 2011; COUTO et al., 2010).

Verifica-se, a partir da vivência no cotidiano do cuidado na ABS, que a necessidade da mulher em cuidar do próprio corpo e da saúde, seja por sua biologia ímpar e/ou por sua

condição histórico-social vinculado aos valores associado ao cenário feminino, legitimado pela sociedade ao longo de décadas, retrata e reafirma sua visibilidade nos espaços deste nível de atenção à saúde, refletida pela busca de cuidados de promoção da saúde e prevenção de agravos. Entretanto, diante da invisibilidade dos homens nos serviços da ABS, e as consequências negativas desta atitude, exige dos gestores e profissionais da saúde a necessidade de repensar estratégias capazes de associar estes diferentes modos do cuidar (cuidado/descuidado), para contribuir com a inserção masculina neste nível de atenção. Brasil (2009a) destaca que a colaboração da mulher para a inserção dos homens, é tida como uma das principais vias de acesso dos homens ao Sistema Único de Saúde.

O processo de trabalho na ABS no âmbito do acolhimento, bem como de ações específicas, voltadas às demandas da clientela masculina, apresenta possibilidade de estratégias para a inserção dos homens neste nível de atenção à saúde. Assim, a partir dos relatos:

[...]na acolhida, faz a escuta e vê a necessidade dele (E2)/[...]no acolhimento é um momento [...] de escuta qualificada (E5)/[...]sala de

espera (acolhimento) em momentos da consulta médica.

(E13)/[...]aproveitar o momento que eles estão aqui (sala de espera) (E21); bem como [...] ações de saúde (específicas ao homem). (E16, E14, E17, E12)/[...] ações de saúde na área [...] para atender demandas espontâneas. (E27)/[...]dia D só para o homem[...]um sábado ou a noite[...]/(E3,E22, E25,E12, E6, E7, E8, E20), :[...]os ACS chamando para ver se eles vem. (E3)[...]é ir na casa dele, principalmente a noite. (E3)[...]é durante a visita domiciliar a família. (E5).

foi possível, respectivamente, a identificação das subcategorias: Escuta qualificada no

acolhimento à saúde masculina e Ações Específicas de educação em saúde do homem, cuja

vinculação encontra respaldo na categoria Estratégias de Inserção relacionados ao processo de trabalho na ABS.

O acolhimento nas unidades de saúde é uma atividade de recepção e organização das ações no serviço, sendo responsável pela organização do fluxo da assistência, atendimento clínico conforme demandas apresentadas individualmente pelos usuários. Assim, de acordo com os relatos dos enfermeiros participantes, é uma estratégia que favorece a aproximação do homem nos serviços de saúde.

É de reconhecimento dos profissionais desta área que as ações na Atenção Básica, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde, inicia-se com o ato de acolher, escutar e oferecer respostas resolutivas para a maioria dos problemas de saúde da população, minorando danos e sofrimentos e responsabilizando-se pela efetividade do cuidado, ainda que

este seja ofertado em outros pontos de atenção da rede, garantindo sua integralidade (BRASIL, 2011). Para isso, é necessário que o trabalho seja realizado em equipe, de forma que os saberes se somem e possam se concretizar em cuidados efetivos, favorecendo a inserção dos usuários e a integralidade do processo de cuidar-cuidado.

Esse tipo de vínculo é capaz de gerar satisfação e segurança, sendo fruto de um atendimento baseado na escuta e no bom desempenho dos profissionais, influenciando inclusive o acesso geográfico, pois o atendimento com resolutividade promove a procura por determinadas unidades, mesmo implicando maior deslocamento dos usuários (TRESSE, 2008; LIMA et al., 2007).

O acolhimento, segundo Brasil (2006a) é uma das diretrizes da Política Nacional de humanização (PNH) e tem se tornado sua face mais visível especialmente na atenção básica, pelas consequências diretas que pode determinar o acesso dos usuários, a fim de atender todos aqueles que buscam os serviços de saúde e, ao mesmo tempo, valorizar a capacidade técnica dos profissionais que fazem a intermediação até a consulta médica.

A estratégia de inserção da clientela masculina acima referida constitui-se em um elemento de mudança no processo de trabalho em saúde para usuários do gênero masculino, com potencial de ampliar as práticas de cuidado envolvidas nas ações dos profissionais da ABS. Entretanto, tais profissionais devem atentar para que o acolhimento não se torne uma atitude apenas normativa e burocrática, vinculada apenas à produção laboral para cumprir tarefas, que desse modo perderia a amplitude de sua dimensão – melhorar a acessibilidade dos usuários na ABS; melhorar a escuta dos profissionais; priorizar as necessidades de saúde; inserir os usuários nas diferentes ações e serviços de saúde no âmbito da promoção da saúde e prevenção de agravos; e criar e/ou melhorar sua satisfação e segurança.

Assim, o acolhimento qualificado é uma estratégia vasta de possibilidades para a inserção da clientela masculina no âmbito das ações da ABS. Neste contexto, Brasil (2006a) afirma que os profissionais devem criar espaços nos serviços de saúde que permitam uma escuta qualificada, conduzindo à responsabilização pelo problema do usuário e dando-lhe uma resposta adequada. Para Brasil (2011) para implantar práticas e processos de acolhimento visando a melhorar a acessibilidade do usuário e a escuta dos profissionais, não são suficientes ações normativas, burocráticas nem discursivas.

É perceptível que a escuta qualificada no acolhimento é um momento impar para otimizar ações de saúde, haja vista que quando eficaz, possibilita a criação de vínculos e melhora na relação usuários-homens e profissionais, favorecendo a inserção dos mesmos nas demais ações de saúde.

No âmbito das ações especificas de saúde do homem na comunidade, a exemplo de ações específicas de educação em saúde, instituição do dia D, formação de grupos e a realização de busca ativa, representam algumas estratégias de ações de saúde referidas pelos profissionais participantes da pesquisa, em relação ao seu processo de trabalho, para inserir o homem no cotidiano do cuidado no nível da ABS.

A adoção de práticas, que estimulem a participação masculina nas ações de promoção da saúde e prevenção de agravos deve ter início nos cenários onde ocorrem as atividades da atenção básica em saúde. Entretanto, seu planejamento e implementação deve ocorrer considerando abordagens educativas que possibilitem a valorização e a construção da criticidade dos usuários frente à realidade concreta. Em outras palavras, possibilite o empoderamento do homem no âmbito da saúde, à medida que, as práticas educativas se tornem essenciais para mudar estilos de vida prejudiciais que o expõe aos riscos ambientais e fisiológicos.

Couto et al. (2010) ressaltam que a educação em saúde representa um importante instrumento facilitador para a capacitação da comunidade, contribuindo, para a promoção da saúde. Desta forma, os trabalhadores da área devem desenvolver, com conhecimento das práticas educativas, ações para os usuários, considerando conhecer o olhar do outro, interagir com ele e reconstruir, coletivamente, saberes e práticas do cotidiano.

Destaca-se que, dentre essas ações, algumas atividades pontuais a exemplo do dia D e a formação de grupos de discussões, referidas pelos enfermeiros participantes da pesquisa, tem sido positiva, pois os mesmos relatam o sucesso destas estratégias em conseguir atrair homens à unidade e reconhecem a importância que a maior proximidade com o usuário possibilita aprofundar o entendimento da relação entre a queixa e o seu cotidiano e, a partir disto, desenvolvem ações de prevenção e promoção da saúde. Tal importância vincula-se à não existência no cotidiano do cronograma dos serviços de saúde, um momento específico para a clientela masculina, o que tem dificultado o reconhecimento das UBS como espaço para cuidar desses usuários.

Oliveira (2013) afirma que a estratégia do dia D da saúde do homem é um instrumento de trabalho para as equipes da atenção básica, tendo por objetivo conscientizar a população masculina sobre os aspectos que envolvem sua saúde, como por exemplo: os agravos mais acometidos, os modos de prevenção por meio da educação em saúde, o atendimento especializado e a distribuição de informativos e serviços. É um método de ampla utilização pelas equipes na busca do empoderamento do homem nas questões do autocuidado com a saúde.

Outra estratégia referida pelos enfermeiros enquanto ações específicas vinculadas ao processo de trabalho na ABS referem-se à busca ativa, que pressupõe atender as necessidades da clientela para além das demandas espontâneas na perspectiva da integralidade do cuidado. Esta estratégia segundo Brasil (2005a) é um procedimento de suma importância no conjunto de ações em vigilância epidemiológica, de investigação de campo, e tem como objetivo a identificação precoce de casos suspeitos e uma rápida confirmação para orientar adequadamente a aplicação de medidas de controle.

A busca ativa dar-se no momento das visitas domiciliares, espaço ímpar de aproximação dos profissionais da saúde com a realidade de sua clientela, permitindo o reconhecimento tanto dos espaços físicos quanto das necessidades reais e prioritárias, aspectos essenciais para o planejamento e pactuações de ações de saúde que visem minimizá- las ou resolvê-las. Mandú (2008) afirma que a visita domiciliar é concebida como um meio extraordinário de aproximação entre o Programa de Saúde da Família (PSF) e as famílias e favorece o acesso aos serviços, a construção de novas relações, a formação de vínculos entre usuários e equipes.

Sabe-se que durante o processo de busca ativa implementada especialmente nas visitas domiciliares, alguns profissionais desenvolvem ações que podem contribuir para a inserção dos usuários, aqui em ênfase, aqueles do gênero masculino. Neste contexto destaca-se a ação dos enfermeiros, que segundo Silva (2009) devem desenvolver suas ações de modo a captar o que é concreto e o que é subjetivo, o que está ali onde a população habita e que pode indicar intervenções.Além destes profissionais, sobressai-se a participação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Para Gomes et al. (2010) o seu papel de agente transformador é considerado como algo possível, na medida em que realiza as visitas domiciliares, conhece as reais necessidades daquela comunidade e faz a mediação desta com a equipe e o sistema de saúde. Tais aspectos são apontados por Oliveira (2013) quando afirma que o ACS tem um papel estratégico para a realização da busca ativa, uma vez que, é o profissional que mantém maior aproximação com a população em geral, e atua efetivamente na identificação das necessidades apresentadas pela comunidade.

Diante do exposto, as ações específicas de saúde do homem referidas pelos enfermeiros enquanto estratégias de inserção da população masculina nas ações da ABS são importantes na medida em que podem contribuir significativamente para a redução dos índices de morbimortalidade por causas preveníveis e evitáveis desses usuários, bem como o aumento da expectativa de vida.

No contexto dos Direitos sexuais e reprodutivos, sabe-se que tais direitos revelam-se, ao longo dos tempos, como temas de atenção especial por parte de estudiosos, principalmente os da área de sociologia, educação e saúde. Segundo Campos; Oliveira (2009), falar dos direitos sexuais e reprodutivos como marco dos direitos humanos significa reconhecer que são direitos universais (abarcam os seres humanos desde o seu nascimento), interdependentes (conectam-se com os demais direitos humanos) e indivisíveis (são vividos e atuam de forma conjunta e integral). Isto quer dizer que, mesmo tendo a saúde maior ênfase como o arcabouço da construção dos direitos sexuais e reprodutivos, a sua efetivação deve ser pensada para além de normas legais e ocorrer de modo conectado com outros campos da vivência da cidadania, como o político e as dimensões culturais.

De acordo com Santos (2003), somente após a Conferência de Cairo, em 1994, os homens passaram a ser incluídos nas questões de direitos reprodutivos. Passo esse de extrema relevância, visto que, pela nova concepção, saúde reprodutiva não se preocupa apenas com o corpo feminino durante momentos particulares, tais como a gravidez, o parto e a lactação.

A saúde reprodutiva, antes tradicionalmente abordada como um assunto da saúde da mulher, hoje é um espaço de homens e mulheres na partilha de responsabilidades. Consequentemente, a inserção dos homens nestes assuntos tem aumentado a busca por métodos contraceptivos, a exemplo da pílula anticoncepcional masculina (em estudo), a vasectomia e o preservativo. Vários estudos a exemplo de Oliveira (2013), Lucilla (2011) e Barboza (2009), apontam que a questão do masculino emergiu com força nos estudos de gênero no Brasil nos últimos anos, especialmente nas discussões e análises sobre sexualidade e saúde reprodutiva, dominadas até então por mulheres.

Desse modo, as ações da atenção básica em saúde que envolvam a participação do homem na saúde reprodutiva, se constitui como ferramenta ímpar para a inserção dos homens no cuidado com a saúde, haja vista que esta problemática caracteriza-se tanto como uma