5 Masterutdanning eller utdanning på lavere grads nivå
5.1 Bivariate analyser – utdanning på mastergrads- eller lavere grads nivå
O Ceará sempre se destacou como um dos grandes produtores de artesanato do país. A atividade é fonte de sobrevivência de significativa parcela da população de baixa renda, sendo reconhecida como expressão da identidade cultural e por sua importância no sistema econômico do estado.
As políticas desenvolvidas pelo BNB e SUDENE, iniciadas na década de 1950 destacaram a importância da atividade artesanal no Ceará. No entanto, desde a década de 1970 que o artesanato cearense testemunhou um incentivo jamais visto. A comercialização de rendas e bordados antes restrita ao Mercado Central de Fortaleza137, expandiu-se pelos bairros da cidade, concentrando-se
principalmente na Avenida Monsenhor Tabosa.138
136 Idem. p..118
137 O Mercado Central de Fortaleza foi por muito tempo o principal centro de comercialização dos
Nos anos de 1970, a ação de fomento às atividades artesanais era exercida pelo Departamento de Artesanato e Turismo da Secretaria de Indústria e Comércio. Assim sendo, através da Empresa Cearense de Turismo (ENCETUR), foi elaborado, em 1975, o Primeiro Plano Piloto do Artesanato Cearense. Em 1976, apoiado pela Secretaria de Planejamento do Estado, pelo INCRA e pela SUDENE, deu-se início ao Programa Integrado do Desenvolvimento Artesanal (PIDART). 139
Foi também desta década, a fundação da Associação Brasileira de Artesãos – seção Ceará, em 1975, e a realização da ENXANOR – Exposição do Artesanato no Nordeste, sediada por quatro anos consecutivos em Fortaleza. Além disto, foi inaugurado o “Centro de Turismo, instalado na velha cadeia pública de
Fortaleza, e com a quase totalidade de suas salas ocupadas por lojas de artesanato”.140
Nesta perspectiva, a Secretaria de Indústria e Comércio, articulada com o INCRA, deu os primeiros passos para montar no Ceará a estrutura de produção e comercialização do nosso artesanato em moldes cooperativistas. As atividades de treinamento, promoção e comercialização foi o primeiro esforço do governo estadual nesse setor.
Essa iniciativa justificava-se, em parte, pela importância atribuída ao artesanato como uma atividade econômica, e também porque “Segundo pesquisa
realizada pela SUDENE na época, o estado do Ceará configurava-se como um dos maiores produtores de artesanato do Brasil, 75% das artesãs nordestinas seriam cearenses”.141
No final da década de 1970, as diretrizes do Programa Nacional de Desenvolvimento do Artesanato (PNDA) foram implantadas pela Fundação dos Serviços Sociais do Estado do Ceará (FUNSESCE)142, criada em 1979, pelo
artigos em madeira, palha, cerâmica e outros artigos típicos da cultura plural que caracterizam a região Nordeste.
138 A Avenida Monsenhor Tabosa, antiga Rua do Seminário, passou a ser referência para quem
queria adquirir produtos artesanais. Foram construídas lojas de requintes especializadas em produtos artesanais locais. Nesta rua está situada também o Palácio da Microempresa do Serviço Brasileiro de apoio à Micro e Pequena Empresas (SEBRAE), que dá suporte econômico às pequenas empresas do Estado.
139 PLAMEG II, op. cit, p.183
140 SAMPAIO, Dorian. Anuário do Ceará. O Ceará nos anos 70. p103
141 BARREIRA, Maria Holanda. Perfil do artesão cearense. In: HOLANDA, Violeta. op.cit.,, p.67 142 A FUNSESCE era subordinada ao Governo Estadual e atuava através da Coordenadoria de
governador Virgílio Távora e administrada por Luiza Távora. Dessa forma, no Ceará toda a ação de fomento ao artesanato passou a ser de responsabilidade desta fundação.
Segundo a FUNSESCE, no ano de 1979, já existiam 24.927 artesãos cadastrados. Nesse mesmo ano foram “treinados 111 monitores e mais de 30
pessoas destinadas à gerência de cooperativas”143. Já havia, portanto, uma
preocupação, a exemplo das políticas nacionais, com a atividade artesanal no Ceará. A FUNSESCE recebia recursos do Programa Intensivo de Preparação de Mão-de-Obra do Ministério do Trabalho (PIPMO), da Fundação de Desenvolvimento do Ceará (FDC) e da Legião Brasileira de Assistência (LBA), sendo, porém, os recursos vindos do PNDA144 mais significativos. Tais recursos viabilizavam a construção de centros artesanais, e investimento nos já existentes. Os centros em sua totalidade se apresentavam como possibilidades concretas de novas cooperativas. Foi deste período a construção do Centro das Rendeiras 145da Prainha, em Aquiraz.
Foi também de responsabilidade da FUNSESCE a criação da Central de Artesanato (CEART) que, será analisada no capítulo três. Ela, que nasceu ainda no fim dos anos de 1970 e foi inaugurada em 1981, caracterizava-se como espaço de venda, exposição e oficinas de trabalhos artesanais produzidos no Ceará.
Na prática, os artesãos cearenses só se beneficiaram dessas ações governamentais, a partir de 1979, quando o governador Virgílio Távora, apoiado pelo Governo Federal através do Programa Nacional de Desenvolvimento do Artesanato (PNDA), elaborou, sob a coordenação de Luiz de Gonzaga Fonseca Mota, o II Plano de Metas Governamentais do Estado do Ceará. O II PLAMEG146
143 LIMA, Antônio Aquilino de Macedo e Azevedo.. op. cit p.121.
144 No ano de 1978 foi elaborado um projeto de solicitação de recursos do PNDA no montante de 6
bilhões. Por sugestão da própria coordenadoria do PNDA, tal projeto deveria ser reformulado e, assim obter um montante maior.
145 No ano de 1982 havia além do Centro das Rendeiras da Prainha, o Centro Artesanal São Vicente
de Paula, no Bairro do Pirambu (Fortaleza); o Centro Artesanal São Vicente de Paula, em Aracati; o Centro Artesanal Feiticeiro, em Jaguaribe; o Centro Artesanal de São Gonçalo do Amarante (Centro Social Urbano); e o Centro Artesanal Nosso Lar, em Camocim.
146 O II PLAMEG abrangia todas as áreas administrativas do Estado e determinavam as diretrizes de
atuação do Governo. Nesta perspectiva, o artesanato como atividade economicamente promissora, fazia parte dos objetivos e prioridades desse Plano Governamental que se consolidava por três documentos básicos. O primeiro era o Diagnóstico Socioeconômico do Estado, “compreendendo a
análise dos componentes econômicos e sociais do Ceará, inclusive a participação do poder público em cada um deles.” Em seguida seria a Programação que estabelecia “as ações diretas a cargo do Governo Estadual e as indiretas em que o poder público age como incentivador ou até mesmo, catalisador.” Por último um Diagnóstico e Proposições do Setor Público, destinado “basicamente à
para um período de cinco anos, 1979-1983, “cobrindo, portanto todo o Governo do
Cel. Virgílio Távora e um ano do seguinte, a exemplo da sistemática que vinha sendo seguida em planos semelhantes”147.
Procurando justificar o II PLAMEG, afirma o coordenador do Plano, Gonzaga da Fonseca Mota:
Na elaboração do Plano, procurou-se desenvolver um trabalho fundamentado na identificação dos problemas e das reais potencialidades do estado, evitando-se, assim, idéias preconcebidas ou uma abordagem de cunho nitidamente emocional. Ademais, deu-se ênfase à maior participação possível das Comunidades e dos Grupos de opinião do estado, através de um processo de consultas e negociações, como forma de se obter diretrizes e instrumentos de ação compatíveis com as reais necessidades estaduais. 148
Inserido em um plano maior, o fomento ao artesanato cearense complementa as discussões políticas e econômicas do estado. As verbas para o artesanato do II PLAMEG, antes administradas pela Secretaria da Indústria e Comércio, passam à administração da recém-criada FUNSESCE (Fundação de Serviços Sociais do Estado do Ceará), a qual agregava todas as atribuições de Serviço Social, Ação Comunitária e Artesanato.
Conhecer a produção artesanal do Ceará, nas mais variadas expressões, os municípios de origem, as formas de comercialização e, principalmente, os reais obstáculos ao seu desenvolvimento, foram as preocupações primordiais dos órgãos públicos estaduais voltados ao incentivo deste setor econômico.
Cientes dos verdadeiros empecilhos à ampliação das atividades artesanais no Estado, diante da importância que vinham assumindo nos estados e no país nos últimos anos, as atenções voltaram-se para o artesanato e para o artesão. O estado, com o apoio do PNDA, desenvolveu uma política de estruturação e pólos artesanais.
futura equipe do Governo, contemplando modificações para a melhoria e aperfeiçoamento dos métodos e processos inerentes à maquina administrativa estadual.” Para maiores detalhes, ver a
Apresentação do II PLAMEG.
147 PLAMEG II. Apresentação. Op;cit, p.9 148 Idem.
A fala da rendeira Olenir nos fornece informações sobre as negociações que antecederam à construção do Centro das Rendeiras, da Prainha, em 1979. Segundo ela, este Centro foi o primeiro a ser construído, inaugurando no Ceará a estruturação de centros artesanais a que o estado se propunha.
Tinha a FUNSESCE, né? Que veio a Dona Luiza Távora, né? Encomenda aqueles técnicos dela vêm aqui. Então compraram esse espaço, esse terreno que foi cedido. Aqui tinha tipo um sítio, era um cercado da Dona Ana Câmara e do Sr. Jorge Amaro Câmara. Dona Luiza Távora através da FUNSESCE veio aqui para comprar. E depois é que foi criado a CEART, porque aqui é a primeira Associação, nós somos ainda mais antiga que a CEART.149
A interferência do Estado no universo de trabalho das rendeiras da Prainha transformou seus produtos em bens de consumo no mercado turístico. A importância da construção do Centro para as artesãs da renda e para toda a comunidade, será analisada detalhadamente nos tópicos seguintes.