5. Environmental pathways and multimedia models
5.2 Multimedia models principles
Assaf Neto (2005, p.315) descreve que, na prática, as decisões financeiras não são tomadas em um ambiente sob o qual não se possa ter total controle. Na verdade, por estarem essas decisões fundamentalmente voltadas para o futuro, é imprescindível que se introduza a variável incerteza como um dos mais significantes aspectos do estudo das operações do mercado financeiro.
Toda vez que a incerteza associada à verificação de determinado evento possa ser quantificada por meio de uma distribuição de probabilidade dos diversos resultados previstos, pode-se dizer que a decisão está sendo tomada sob uma condição de
risco. Dessa maneira, o risco pode ser entendido pela capacidade de se mensurar o estado de incerteza de uma decisão mediante o conhecimento das probabilidades associadas à ocorrência de determinados resultados ou valores.
Para a SUSEP, segundo sua apresentação sobre o questionário de risco, o risco pode ser definido como uma medida da incerteza associada aos retornos esperados de um investimento e, conceitualmente, associado a uma idéia negativa.
Uma visão contábil de risco é apresentada por Watts e Zimmerman (1986, p.29) apud Iudícibus e Lopes (2004, p.191). Esses autores consideram que se os lucros contábeis podem ser um substituto para o fluxo de caixa, então, a informação sobre a extensão da variabilidade dos lucros contábeis com a flutuação nas atividades do negócio, poderia suprir informação sobre o risco da empresa.
Fonte - IUDICÍBUS e LOPES (2004, Pg. 191) FIGURA 8
Mensuração do Risco através dos dados contábeis Lucros Contábeis (LC) ˜ Fluxo de caixa (FC
sendo:
LC { f (atividade do negócio)} LC { risco da empresa (informação)}
Uma descrição bastante interessante de risco foi dada por Garcia (1999, p 1) – O conceito de risco, ponto central dentro da idéia do VaR (Value at Risk), apareceu
muito antes da existência do mercado financeiro. Nas civilizações antigas, ligadas à atividade do comércio marítimo, o risco era encarado como a possibilidade de uma
apesar de um conceito antigo, é muito pertinente, pois o aparecimento de um coral poderia significar naufrágio, perda de mercadorias e conseqüente prejuízo financeiro. Do ponto de vista moderno, o conceito de risco está ligado, de uma maneira genérica, à possibilidade de se alcançar um resultado adverso e indesejável que supere os limites de perda considerados razoáveis.
As diferentes instituições financeiras modernas estão sujeitas a diversos tipos de risco sendo o principal: o risco financeiro, causador de grandes prejuízos. O risco financeiro pode ser subdividido nas seguintes categorias:
a. Risco de Mercado: É um dos principais componentes de risco para uma instituição financeira; está ligado às flutuações nos preços dos ativos financeiros;
b. Risco de Crédito: Outro importante componente de risco, conseqüente da possibilidade de default de contrapartes, ou seja, da impossibilidade de se
honrar compromissos assumidos;
c. Risco de Liquidez: Fator de risco não modelável do ponto de vista estatístico; surge quando não se consegue executar uma operação por contração do número de negócios realizados num determinado mercado e/ou volume financeiro. Aliás, esse fator foi um dos principais potencializadores da última grande crise que assolou os mercados mundiais em setembro de 1998; d. Risco Operacional: Falhas humanas, erros de sistemas, fraudes e falta de controle no desenrolar das operações realizadas. Esses fatores também são capazes de gerar prejuízos às instituições financeiras.
Os diferentes tipos de risco descrito por Garcia serão estudados com maior detalhe mais à frente.
4.1.1 Medidas de Risco
Em Marshall (2002, p.35), o risco é apresentado como efeito das constantes mudanças inerentes ao mundo em que se vive. Na verdade, como efeito das mudanças e da incapacidade de prevê-las. Embora seja um fato que o aumento da capacidade de entender as mudanças possa diminuir o risco, também é fato que nenhuma quantidade de conhecimento removerá todos os riscos. Marshall também discorre sobre a ampla gama de definições que um conceito tão fundamental como o risco pode ter:
a. Risco como Resultado Médio: Atuários denotam o risco de um evento como sendo o resultado esperado. Em operações, ele é tipicamente uma perda. É claro que o resultado médio pouco diz a respeito da gama de resultados potenciais – algo com o qual gerentes de risco e planejamento com objetivos de crescimento e de alocação de capital estão instintivamente preocupados.
A definição de risco como média de eventos é pouco ortodoxa dado que a definição mais clássica do risco é dada como a perda inesperada, porem pode ser aceita em situações especificas como a descrita acima onde os eventos sempre serão de perda.
b. O Risco como Variância do Resultado: Uma definição comum postula que o risco se refere à variância estatística ou desvio-padrão de resultados, normalmente Lucros e Perdas (P&L) ou perdas. Essa visão de risco está
baseada na observação da perda inesperada, que está totalmente alinhada com a idéia mais ortodoxa do risco.
c. O Risco como Fator Catastrófico Negativo: Uma visão mais defensiva de risco considera-o como um perigo para a empresa e procura minimizar grandes eventos de impacto negativo, como perdas decorrentes de inadimplência de clientes, fraude ou desastres naturais e humanos. Seguros, planejamento de contingência, controle interno, tradicionalmente se focalizam em cenários potenciais de pior hipótese. Uma perspectiva de risco como fator negativo é mais útil quando uma abordagem extremamente conservadora é exigida ou quando tomadores de decisão institucionais se vêem limitados por uma responsabilidade fiduciária que imponha altos padrões de cuidado.
d. O Risco como Fator Positivo de Oportunidade: Freqüentemente
negligenciada é a visão de risco como oportunidade. Gerenciar fatores positivos de risco significa avaliar as oportunidades existentes na assunção de risco. Os negócios são inerentemente arriscados; o sucesso chega àqueles que assumem riscos que dão certo. Gerentes, geralmente, passam muito tempo preocupados com os fatores negativos de risco e pouco tempo pensando em risco como oportunidade.
e. Risco e Incerteza: É importante fazer-se a distinção entre risco e incerteza. Risco aplica-se a resultados que, embora não certos, tenham probabilidade de que possam ser estimados pela experiência ou por dados estatísticos. A incerteza está presente quando o resultado não pode ser previsto, nem mesmo em um sentido probabilístico. Na prática, a incerteza está sempre presente e qualquer análise deve testar suas suposições de risco (ou seja, distribuições
teóricas) através da análise de sensibilidade, ou seja, utilizando suposições, alternativas e avaliando o impacto da mudança.
Essa separação entre risco e incerteza não é muito comum a maior parte dos autores definem o risco como a incerteza dos resultados, porem aqui a incerteza diz respeito à parcela totalmente imensurável do risco podendo ser o erro aceitável dos modelos.
Agora, concordando com Marshall, pode-se dizer que nenhuma definição única de risco é perfeita. Todas essas definições abrangem alguns aspectos do risco e desconsideram outras. ”Número algum jamais poderá capturar uma distribuição de todos os resultados possíveis”. (Marshall 2002, p.35).