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A facilidade do assessor de redigir um bom texto, de se relacionar e ter coerência na argumentação com seus clientes e os jornalistas que buscam pelos seus serviços não são qualidades suficientes para os profissionais dos dias atuais. Agilidade, atenção aos diversos públicos e principalmente atualização com as novas formas de divulgação de notícias são fatores que têm contado pontos para as chamadas Assessorias de Imprensa 3.0.

Esta denominação abarca uma comunicação mais mercadológica e extremamente envolvida com a internet, com as novas tecnologias e com as novas mídias, a exemplo dos blogs, portais e redes sociais, como Twitter, Facebook, Instagran, entre outros.

Com o uso destas plataformas, as informações chegam ao público cada vez mais rápido, contando, inclusive, com o feed-back deste e com uma interatividade instantânea. Neste modelo é incentivada a comunicação “de todos com todos”, onde a produção, cooperação e compartilhamento de informação é livre e global, planetária. LEMOS (2010) cita a existência de uma “função pós-massiva”, surgida com as novas mídias e que favorece uma comunicação mais aberta, interativa e colaborativa.

Essa mutação na comunicação está atrelada a processos midiáticos que não se enquadram mais na denominação de “mídias de massa”. Alguns autores chamam de mídias digitais, outros de mídias interativas, novas mídias, etc. Independente do termo utilizado, parece ser uma evidência que diferentes formas de consumo, de produção e de distribuição da informação aparecem hoje com os dispositivos e as redes digitais. O que era fluxo massivo nas mídias, como a TV, o rádio e o impresso, passa a desempenhar agora o que sugerimos chamar de “função pós-massiva”,

função personalizável, interativa, estimulando não só o consumo, mas também a produção e a distribuição de informação. As chamadas “novas mídias”, como a Internet, os telefones celulares, os microcomputadores, assim como os softwares, agentes e inúmeras ferramentas de comunicação, podem desempenhar funções não centralizadoras ou simplesmente massivas, mas abertas, colaborativas, interativas, distributivas... “pós-massivas.” (LEMOS, 2010, p.47).

O termo Assessoria de Imprensa 3.0, ou AI 3.0, faz referência ao termo mais amplo da Web 3.0, considerada a terceira geração de Internet – na verdade, a Internet continua a mesma, mas a denominação se refere ao avanço dos comportamentos dos usuários diante das novas tecnologias que se desenvolveram com o passar dos anos.

Na Web 3.0, os conteúdos on-line mostram-se mais organizados, personalizados de acordo com as preferências e condutas dos usuários; um avanço aprimorado da Web 2.0, na qual os conteúdos eram produzidos pelos próprios internautas, com alguma interatividade, proporcionada pelos blogs, chats e por sites, a exemplo do YouTube; mas muito distante da “primeira onda da internet” ou seja, a Web 1.0, na qual se destacavam os sites com conteúdos estáticos, pouco interativos, geralmente produzidos por empresas ou instituições, que muitas vezes geravam insatisfação ou ineficiência dos serviços.

‘Web 2.0’ é o termo criado em 2004 por NE O´Reilly para diferenciar a primeira fase do desenvolvimento do ciberespaço, onde as páginas na Internet eram mais estáticas, para a fase atual, onde diversas ferramentas e novas funcionalidades foram adicionadas aos websites, fazendo-os mais abertos e participativos. Fala-se também de ‘Web 3.0’ para apontar o desenvolvimento futuro de uma ‘Web Semântica’. Muitos criticam o termo por achar que se trata apenas de uma jogada de marketing. (LEMOS, 2010, p.38)

Esta “Web Semântica”, proposta com o advento da Web 3.0, busca apresentar facilidades ao trabalho dos seres humanos e às práticas do dia a dia, mas também promover e deixar disponível um banco de dados na rede, acessível através de aplicativos, páginas na web e com o uso de tags. As informações podem ser processadas por máquinas com o fim de reunir, organizar e disponibilizar aos interessados, de acordo com as preferências do usuário.

A Web Semântica vem possibilitar uma utilidade bem maior para internet. A sua aplicabilidade será algo inovador, agregando valor nos serviços direcionados aos usuários. Com ela os efeitos das buscas serão mais precisos, economizando tempo e compreendendo o contexto do internauta, disponibilizando resultados de acordo com a necessidade de cada indivíduo. (SANTOS, 2012, p.10).

Assim, usuários da Web 3.0 e conseqüentemente da AI 3.0 utilizam o amplo campo da Internet para gerir uma maior participação entre os diversos personagens da comunicação e dos negócios, sejam eles produtores de textos, de conteúdos, consumidores, negociantes, compradores de produtos e/ou serviços, gestores de informação ou influenciadores digitais, cabendo a cada qual lidar com as informações que lhes são interessantes e descartando as que

não consideram importantes. A todos é permitido que sejam “mais que espectadores, tornem- se parte do espetáculo, possibilitando a construção coletiva de conhecimento.” (SANTOS, 2012, p.06).

De maneira mais específica, o assessor de imprensa 3.0 sabe que seu trabalho também está envolvido com o mercado e com algumas estratégias de visibilidade, de exposição em tempo real, afinal ele trabalha principalmente com a imagem da organização e deve observar o que é de interesse público e quais informações podem ser apresentadas aos jornalistas dos veículos de comunicação, de modo a facilitar seu trabalho ao mesmo tempo em que amplia as aparições de sua organização na mídia.

Assim, além de incluir e manter a empresa para a qual trabalha nas principais redes sociais, expandindo a sua visibilidade, o assessor 3.0 deve ficar atento aos comentários, dúvidas, contatos iniciados através destas redes, permitindo uma maior aproximação e comunicação direta com clientes e usuários. “Uma empresa que busca marcar seu espaço no mundo contemporâneo, precisa investir no relacionamento com todos. E assessoria de imprensa passa, pois, a fazer parte do composto mercadológico, em uma batalha visível pelo apoio da opinião pública e pela fidelidade de clientes”. (SAVERI, 2013, p.11).

Para encarar esta batalha, o assessor de comunicação deve se familiarizar com as redes sociais, as tecnologias mais atualizadas, os aplicativos inteligentes e que facilitam seus contatos e o dia a dia, acercando-se dos assuntos que interessam a si e à empresa ou organização para a qual trabalha, enviando aos contatos certos material de qualidade, que possa ser repercutido nas redes, gerando comentários positivos entre potenciais interessados nos produtos e serviços da organização.

Quando se pensa que não há mais maneiras de modernizar uma atividade tão remota como a assessoria de imprensa, percebe-se que, como tudo, ela vem sendo constantemente repensada e atualizada.