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Este capítulo é dedicado à apresentação da opção metodológica e dos procedimentos metodológicos utilizados nesta pesquisa para coleta e análise de dados. Inicialmente justificamos a opção por uma pesquisa qualitativa. Esse tipo de pesquisa é muito requisitado para as investigações em pesquisas educacionais. Através dela se torna mais significativa a construção do conhecimento sobre o ambiente escolar. Em seguida, apresentaremos o contexto dos sujeitos, do cenário, e algumas características apresentadas para a realização deste trabalho.

A metodologia de pesquisa que consideramos em pauta é a pesquisa qualitativa. Decidimos optar por esse tipo de pesquisa por acreditar que, a partir da construção da questão norteadora deste trabalho investigativo, realizaremos um estudo de caráter fundamentalmente descritivo e interpretativo.

Buscamos na pesquisa qualitativa a possibilidade de conhecer o cenário para vivenciarmos estas experiências e nos envolvermos na compreensão das situações vivenciadas pelos sujeitos no espaço escolar.

Ludke e André (1986, p. 11) ressaltam que a abordagem qualitativa de estudo de caso tem apresentado cinco características básicas que constituiriam esse tipo de estudo:

1. A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural tornando-se para o pesquisador

seu instrumento principal. Os dados coletados pelo pesquisador deverão ser

mostrados em um maior número de situações, de forma que isto se comprove no contato direto e constante do pesquisador com o ambiente da pesquisa. Nos preocupamos em descrever os sentimentos, as opiniões, as expectativas e os desejos dos alunos da EJA, bem como suas dificuldades em relação à Matemática, antes e após a experiência com a Modelagem.

Como uma modalidade da análise qualitativa, a opção pela Observação Participante se coadunou com o que pensávamos em desenvolver no decorrer da pesquisa. É característica do pesquisador na Observação Participante, entrar em contato direto com o fenômeno. A descrição deste fenômeno é feita a partir da observação direta das ações dos sujeitos pesquisados, em seu contexto natural.

Esse procedimento metodológico atenta para a necessidade de um registro cuidadoso, que garanta a confiabilidade e a pertinência dos dados.

O observador, como parte do contexto em observação, estabelece uma relação face a face com os observados. Nesse processo, ele, ao mesmo tempo pode, modificar e ser modificado pelo contexto (CRUZ NETO, 2001, p. 59).

Em nossa pesquisa com a Modelagem, fica claro o contato direto com os alunos, no jeito de participar das atividades, permitindo aos poucos que ficássemos mais próximos um do outro, como forma importante de contribuir para a aprendizagem de cada aluno neste processo. A opção pela observação participante nos faz acreditar que a relação da professora-pesquisadora com os sujeitos estabelecia uma relação de interação e de responsabilidade à medida que nos envolvíamos com cada situação quando os alunos nos solicitavam ajuda nas atividades.

Esta relação nos envolveu em cada diálogo, em cada explicação e em cada aula. Acreditamos que a convivência da professora-pesquisadora com os alunos estabeleceu possíveis modificações tanto na maneira de pensar da professora- pesquisadora como na maneira de pensar dos alunos, que a Modelagem pode exercer o papel de ensinar Matemática de uma forma mais criativa.

O papel e as posturas do pesquisador de acordo com Freitas (apud ALVES, 2004, p. 40) são determinantes na efetivação do trabalho de campo.

O pesquisador é um dos principais instrumentos da pesquisa porque, sendo parte integrante da investigação, sua compreensão se constrói a partir do lugar sócio histórico no qual se situa e depende das relações intersubjetivas que estabelece com os sujeitos com quem pesquisa [...] Disso resulta que pesquisador e pesquisado têm oportunidade para refletir, aprender e ressignificar-se no processo de pesquisa.

Para Thiollent (1998, p. 15) esta modalidade de pesquisa é baseada “[...] num tipo de observação participante na qual os pesquisadores estabelecem relações comunicativas com pessoas ou grupos da situação investigada com o intuito de serem melhor aceitos”.

2. Ênfase aos dados coletados que devem ser predominantemente

descritivos. Todo o material adquirido nesse tipo de pesquisa é rico em descrições

depoimentos, fotografias, desenhos e extratos de vários tipos de documentos. Em nossa pesquisa, registramos a importância dos questionários respondidos pelos alunos da EJA, e as atividades escritas que propomos aos alunos no decorrer das experiências de Modelagem. Nesta característica todas as questões que foram surgindo na pesquisa, devem ser mencionadas e investigadas, isso pode facilitar a compreensão do problema que está sendo investigado.

3. A atenção ao processo é muito maior do que com o produto ou

resultado final. O interesse do pesquisador neste momento é o de estudar um

determinado objeto de pesquisa e verificar como ele se manifesta nas atividades, em nosso caso, nas atividades de Modelagem, nos procedimentos destas atividades e nas interações cotidianas. Em alguns momentos em nossa pesquisa é possível perceber a relevância que os alunos deram às atividades de Modelagem relacionadas ao cotidiano de cada um.

4. A relevância que as pessoas dão às coisas e à sua vida são fatores de

forte atenção especial por aquele que pesquisa. Deve haver cuidado da parte do

pesquisador ao revelar os pontos de vista dos participantes com a acuidade de suas percepções. Entretanto, o pesquisador deve encontrar meios de checá-las, discutindo-as abertamente com os participantes ou confrontando-as com outros pesquisadores no intuito de serem ou não confirmadas.

5. A análise de dados tende a ser um processo de indução. Nesta

característica Ludke e André (1986, p. 13) evidenciam a questão do enxugamento ao que condiz o objeto a ser pesquisado. Assim,

[...] O desenvolvimento do estudo aproxima-se a um funil: no início há questões ou focos de interesse muito amplos, que no final se tornam mais diretos e específicos. O pesquisador vai precisando melhor esses focos à medida que o estudo se desenvolve.

Na realização da pesquisa, nos atentamos para as dificuldades dos alunos no processo de adaptação e no processo de Modelagem, nos relatos, falas e depoimentos. Entretanto, nosso objetivo, através do estudo qualitativo era sempre de observar como a professora-pesquisadora e os alunos se envolveram nos dois momentos, buscando a partir dessas observações, discussões para tais

comportamentos. Portanto, essas informações contribuíram para as análises feitas no processo, visando sempre conclusões para as análises finais.

A partir das entrevistas e atividades de Modelagem, aqui atribuídas como

material de investigação, registros e gravações, procuramos analisar os dados da

fase preparatória, com o objetivo de perceber quais informações acrescentariam ou complementariam nossas análises sobre a investigação do estudo na análise final do trabalho.