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3 Materiale og metode

4.4 Motivering av medarbeidere

Tais desdobramentos fazem parte de um movimento ativo sob o olhar do espaço urbano, considerando o homem nas suas múltiplas dimensões, aplicando corajosamente as (des)construções necessárias. Por esta razão, um passo simples, mas genial, no entendimento do espaço na modernidade, está na passagem dos termos globaliza- ção para a mundialização. Ambos são conceitos importantes para o espaço, porém carregam semânticas distintas.

A globalização se constitui como um novo paradigma para entender o mundo moderno; mas os deba- tes em torno da noção de globalização revelam, fundamentalmente, a dimensão econômica do pro- cesso; que por isso passa a ser visto como articulação de mercados, reunião de empresas, construção do mercado mundial, etc. A esta noção contraponho aquela de mundialização, que aponta para uma outra direção ao permitir que se relita sobre a sociedade urbana em constituição, bem como sobre o conteúdo da construção de novos valores, de um modo de vida e de uma outra identidade, agora mediada pela mercadoria (CARLOS, 2007, p. 11)

A Mundialização é o “lado B” do disco? A globalização é, de fato, mais tocada, remete-nos a pensar nas transformações que o mercado global dissipou no planeta e na problemática ulterior da desterritorialização do ho- mem. A mundialização vê a fragmentação do espaço, mas não o vê anulado por completo. Profundas mudanças vêm

ocorrendo nas formas de produção do capital nas acepções do tempo na metrópole. A tecnociência presenteia o homem com seu tempo veloz, cada vez mais, incessantemente, produzindo barulhentas e caladas transformações. O local e o mundial não são oponentes, mas identiicam um processo socioeconômico impactante no espaço da metrópole. Nessa linha de pensamento, o sentido de lugar ganha importância.

A globalização materializa-se concretamente no lugar, aqui se lê/percebe/entende o mundo moderno em suas múltiplas dimensões, numa perspectiva mais ampla, o que signiica dizer que no lugar se vive, se realiza o cotidiano e é aí que ganha expressão o mundial. O mundial que existe no local, rede- ine seu conteúdo, sem todavia anularem-se as particularidades (CARLOS, 2007, p. 14).

As particularidades do lugar ganham importância por meio da perspectiva da mundialização, que com- preende não só os processos mundiais mas seu encontro e/ou ramiicações com o vivido cotidianamente. Por esse olhar, há uma especiicidade no processo de urbanização no Brasil, no qual as discrepâncias mundial-local e cen- tro-periferia vêm se alargando.

Essa polaridade sócio-espacial centro-periferia, alavancada primeiramente pela urbanização decorren- te da produção do capital industrial8, continuará no centro da discussão. A urbanização atual, escravizada pela

reprodução do capital inanceiro numa sociedade hegemonicamente de consumo, continua a produzir espaços integrados à acumulação capitalista – as operações urbanas priorizam tal facilitação – e uma enorme área fora desses investimentos, mas que fazem parte do processo de integração e desintegração dos espaços da metrópole no modo como o capitalismo se realiza na periferia do sistema. A essas áreas nomeamos frivolamente de periferia, cujas especiicidades socioespaciais, econômicas e culturais dotam-na, bem ou mal, de identidade identiicável. Não obstante, por ser o espaço urbano não somente o lócus dessa nova reprodução do capital mas também seu produto9 – também virtual e fetichizado – a metrópole ica incubada num espaço-mercadoria e fragmentada e ven-

dida nessa lógica irritante.

As consequências desse imbróglio mais complexo são, contraditoriamente, facilmente identiicadas. A

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8 Vale a pena relembrar com Marx, em “O Capital” (1980), as consequências sociais da “mais-valia absoluta”, que é usualmente adotada nos processos de industrialização insipiente. Caracteriza-se pelo prolongamento da jornada de trabalho e/ou da redução dos salários dos assalariados. Anos de mais- valia absoluta reletem, direta e indiretamente, em anos de ocupação urbana desintegrada dos espaços produtivos e mesmo dos espaços de uso para o lazer, o estudo, a saúde, etc.

9 As aplicações inanceiras passaram, em grande escala, do setor produtivo industrial para o setor imobiliário e para a construção civil atrelada a esse processo. As intervenções urbanas necessárias para que se crie “novos espaços” nessa acumulação do capital inanceiro, a geração de lucros do setor imobiliário e seus investimentos indiretos revelam o espaço urbano como condição e produto dessa nova fase do capital (ARANTES; VAINER; MARICATO, 2002)

própria história de urbanização da atual metrópole de São Paulo justiica essa airmação, em que o crescimento po- pulacional urbano intensiicou-se radicalmente a partir da segunda metade do século XX. Como exemplo, em 1940 a população urbana paulistana era de 26,3% do total. Já em 2010, ela era de 99,11%10. Isso signiica dizer, grosso modo,

que o crescimento populacional nas metrópoles, aliado às migrações, movimentou velozmente os assentamentos residenciais nas zonas anteriormente desocupadas, atendendo às necessidades de trabalho, abastecimento, trans- porte, saúde e água dessa população. Bem ou mal, a população gerou condições de vida nesses espaços. Não obstante, as reformas urbanas, realizadas entre o inal do século XIX e início do século XX, incorporaram o urba- nismo moderno nas obras de saneamento básico e legalizaram o boom imobiliário na égide do mercado capitalista, empurrando para morros e áreas afastadas a população excluída desse processo, cuja face perversa se dá pela segregação territorial (SANTOS, 1993).

É evidente que esses espaços, rapidamente ocupados, não foram seguidos nem de planejamento ter- ritorial e urbano nem de uma ocupação comprometida com o bem-estar coletivo e ambiental. O resultante desse processo, na periferia em geral, foi a consolidação de bairros pobremente equipados com serviços públicos, co- mércio ineiciente e estrutura urbana inacabada, mal planejada e desorganizada, como é o caso das ruas, calçadas, sistema elétrico e hidráulico, sistema de áreas verdes e arborização, coleta de lixo, pontos de entulho, iluminação pública, sistema de esgoto e, inalmente, da paisagem urbana. Atrelada a tal realidade, as ocupações irregulares e ilegais já existentes, assim como as novas, continuam crescendo em número de pessoas e área de extensão, aumentando consequentemente a demanda e melhoria da infraestrutura mencionada.

É sabido que a violência, o crime e o controle são duramente empregados nas comunidades, mas não somente, espalham-se frequentemente pelas bordas. Por consequência, as praças e áreas de lazer, assim como a própria rua, tornam-se lugares do medo e da ausência. Como agravante, a valorização e dependência do automóvel particular, bem como a crescente propagação de atividades, comunicações e entretenimento digital, acabaram distanciando o indivíduo ainda mais dos espaços públicos, inibindo, dessa forma, qualquer possibilidade de con- templação da vida e das pedras.

Portanto, o que nos concerne nesta pesquisa é compreender minimamente os processos mundiais inci- ______________________________

dentes nos lugares da periferia, principalmente por seus aspectos socioespaciais, de tal forma que a construção da ideia de paisagem não fuja ou ignore essa realidade.