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Motivations for microgrid deployment in Norway

In document A study of microgrids in Norway (sider 63-66)

5 Power grid development in Norway

FME CINELDI

7.1 Motivations for microgrid deployment in Norway

Esse poema é de autoria de Fernando Pessoa, ortônimo. Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, em Lisboa. Foi admitido na Universidade do Cabo em 1903, mas, após um ano, deixou a universidade. Foi nesse período que o poeta português criou seus vários poetas fictícios. Em 1905, chegou a inscrever-se na Faculdade de Letras, mas quase não frequentava o curso, do qual desistiu, definitivamente, com a morte da irmã Maria Clara. Em 1908, exerceu a profissão de “correspondente de língua estrangeira” e tradutor que desempenharia até o fim de sua vida. Em 1912, ocorreu sua estreia na literatura com a publicação de artigos na revista A Águia e, em 1914, o poeta criou seus três principais heterônimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Morreu no dia 30 de novembro de 1935 (ver PESSOA, 2011, p. 7-20).

Esclarecemos que Maria Bethânia citou o poema Eros e Psique por inteiro, eliminando apenas a epígrafe. Reproduzimos abaixo o poema, de acordo com sua forma de publicação no livro Ficções do interlúdio (PESSOA, 1998).

EROS E PSIQUE

E assim vedes, meu irmão, que as verdades que vos foram dadas no Grau de Neófito, e aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.

Do ritual do Grau de Mestre do Átrio na Ordem Templária de Portugal

Conta a lenda que dormia Uma Princesa encantada A quem só despertaria Um Infante, que viria De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida, Se espera, dormindo espera, Sonha em morte a sua vida, E orna-lhe a fronte esquecida, Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado, Ele dela é ignorado, Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro, E vencendo estrada e muro, Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera, À cabeça, em maresia,

Ergue a mão, e encontra hera, E vê que ele mesmo era A Princesa que dormia.

(PESSOA, 1914-1935/1998, p. 103-104, grifos do autor).

Iniciando a análise do poema pela epígrafe, encontramos uma reflexão que remete ao tema da verdade, mostrada como algo irredutível à gradação (ela independe do grau de conhecimento do sujeito: Grau de Neófito ou Grau de Adepto Menor). O que existe, pois, é uma verdade única e não progressiva.

Já no poema propriamente dito, apreendemos, em primeiro lugar, o tema da dominação masculina. O homem é valorizado como um ser ativo, ao contrário da mulher, que é passiva, o que está subjacente à oposição entre os percursos figurativos: “dormia uma princesa”, “sonha em morte a sua vida”, “dormindo”, “em sono ela mora”, de um lado, e “O infante, esforçado”, “rompe o caminho”, “busca-a”, “vencendo estrada e muro”, de outro. Aqui cabe, inclusive, uma pequena alusão ao mito de Eros e Psique que nomeia o poema. Nele, é Eros, filho de Afrodite, que toma atitudes. Ele desobedece à mãe ao apaixonar-se por Psique. Também é ele que implora a Zeus que apazigue a ira de Afrodite e ratifique seu casamento com Psique24. O tema da passividade feminina, no poema, é “atravessado” por outro: o tema da vaidade, recuperável em figuras como “orna-lhe” e “grinalda”, tema que também se ancora no mito grego, pois Psique é descrita como uma mulher muito bonita.

Há ainda o percurso figurativo da predestinação para o amor, já que homem e mulher comportam-se de acordo com o “destino”, com o “processo divino”. No caso desse poema, a predestinação é um tema relevante, pois ainda que o infante tenha a impressão de que tudo era falso (“obscuro”, “falso”), ele continua seguindo o seu caminho de forma inexorável, como se não pudesse deixar de fazê-lo.

Em terceiro lugar, apreendemos um percurso que poderíamos denominar percurso do “desencontro amoroso”, já que o homem descobre, enfim, ser ele mesmo a princesa que dormia. Mas é exatamente essa espécie de desencontro amoroso que lhe permite, por meio do encontro consigo mesmo, chegar à razão, ou ainda, à autodescoberta, o que remete à reflexão da epígrafe sobre a verdade, fechando o ciclo do poema. Por último, Eros e Psique são figuras que nos remetem ao tema da presença da mitologia grega no gênero poema, o que, aliás, orienta o estilo de determinados poetas.

24 Ainda que na lenda Psique adormeça por obra de Perséfone (como castigo por ter sido movida pela

curiosidade) e Eros volte para buscá-la por amor, acreditamos que tais fatos não descaracterizam o tema da passividade feminina em oposição ao da ação masculina. Até porque, a referência à lenda pode ser vista como opção de leitura, enriquecedora, mas não obrigatória ou de interpretação unívoca.

Apreendemos esses conjuntos de temas e figuras como formações discursivas que remetem a determinações ideológicas, de acordo com o que propõe Fiorin (2007). Assim, a “visão de mundo” do enunciador do poema (EP) é a de descrença na busca do amor figurativizado por uma mulher passiva que espera ser encontrada por um homem corajoso. No entanto, esse fato não neutraliza a formação ideológica machista; ao contrário, reafirma-a, porque a ação filosófica da descoberta dessa espécie de “ateísmo” amoroso é feita pela figura masculina, enquanto a figura feminina continua passiva. Esses são, em suma, os elementos que regem um parecer de sentido que julgamos relevante para o poema apresentado.

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