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Motivasjon og formidling av relevans

In document Strategi i offentlig sektor (sider 7-10)

A liberdade criativa manifestou-se na originalidade dos trabalhos plásticos apresentados pelas crianças e nas categorias metafóricas, as quais revelaram perceções do mundo e de si mesmo, receios, que raramente têm espaço de manifestação no contexto formal de aprendizagem. O material recolhido permitiu fazer uma análise dos processos criativos infantis, mas também projeções individuais - auto-estima, inseguranças, resistência ao novo e desconfiança –isto é, dimensões da ecologia pessoal que podem ser trabalhadas através de um trabalho dialético e emocional.

No projeto de investigação de Filosofia Criativa Com Crianças há propostas de superação da antinomia logos/ metaphora através de uma síntese entre os pressupostos teóricos de Lipman e as Teorias da Criatividade, de Prado Diez, na medida em que as últimas propõem a busca de relações não-lógicas, desviantes, transgressoras e fantásticas, que só a imaginação, a sensibilidade estética (aisthésis) permitem percorrer. Apesar deste aparente antagonismo (pensamento convergente/pensamento divergente; racionalidade/criatividade; discurso lógico-conceptual/arquétipos, metafóras e imagens), há lugares de encontro e de diálogo entre Lipman e Prado Diez, como se pode verificar (quadros nºs 6 e 7)

a) As faculdades conceptuais (PRADO)

Verbais (aplicadas na Analogia

Inusual, Torvelinho de Ideias,

Relaxamento Criativo e

Multiinteligências)

a) As relações lógicas (Lipman)

Reciprocidade, transitividade, simetria, Coerência e a contradição

Clareza/ambiguidade; Formulação de perguntas;

Captação das relações parte/todo e todo/parte;

Quadro nº 7. As dimensões trabalhadas por Lipman (linguísticas, lógicas, imagéticas e vivenciais) e respetiva aproximação/distanciamento do trabalho de Prado Diez.

Identificação de pressupostos; antecipar; predizer; estimar consequências (Lipman, 2002:320,321; Prado1999, 2000)

b) O processamento visual das palavras (o imaginário das palavras); as metáforas; as categorias de linguagem; a tomada de consciência das emoções que se expressam, quer através do discurso, quer através de linguagem não verbal.

O Relaxamento Criativo. A catarse. O trabalho emocional. A “imersão” em ambientes ecologicamente positivos. A compreensão de si mesmo. A busca de Sentido. A formação de um ethos.

b) Para Lipman, “a educação moral não pode separar-se da educação filosófica.” (Lipman, 2002: 282)

Os exercícios apresentados por Lipman para desenvolver a imaginação moral são de dois tipos:

Os que têm a ver com os diferentes tipos de relações meios-fins; Os que têm a ver com as relações parte/todo.

Os exercícios propostos (idem, ibidem: 277, 281), dialogam com o “Torvelinho de Ideias”, de Prado.

c) Experiências Linguísticas divergentes, através de exercícios como o Torvelinhode Ideias e as Multiinteligências.

Estabelecimento de conexões entre realidades distintas; a construção do Sentido. A percepção discriminativa comparativa.

c)Lipman propõe que se proporcionem experiências de sentido às crianças, porque “o único sentido que as crianças respeitam é aquele que deriva de si mesmos” (Lipman, ibidem. 145).

Vias processuais:

Descobrir alternativas; ter sempre presente a possibilidade da negação de que o que está dizer não está certo. “Descobrir alternativas frescas e novas” (idem, ibidem: 147-150),

mundo, promotora de sentido e de compreensão (idem, ibidem)

d) O imaginário e interesse práxico das palavras. O diálogo interior; a abertura ao outro. O reconhecimento da intuição e a compreensão íntima e silenciosa da condição humana. A experiência do sentido.

d) Para Lipman, o sentido é como um marco de referência, no domínio da experiência pessoal”(ibidem: 210);

A Interpretação corresponde a uma busca pelo significado (ibidem: 209); Há divergência de sentido que decorre das experiências verbais internalizadas e subjetivas (idem, ibidem)

No plano da linguagem, as inferências lógicas permitem encontrar significados em função do que já está implicado.129

e) A imaginação enquanto facilitadora da aquisição de conceitos e a sua relação com as imagens mentais. A formação de um “ethos”.

e) A imaginação moral não se submete ao raciocínio lógico, nem a nenhuma evidência factual (Lipman, ibidem: 275, 276)

É necessário imaginar para transformar a realidade, só a imaginação permite antecipar metas, objetivos, revisitar soluções alternativas, ensaiar possibilidades; estabelecer conexões imagéticas “meios-fins” e “parte- todo” (idem ibidem: 275, 278), promotoras da experiência moral.

f) O Pensamento criativo, autónomo, divergente, vivencial.

Supera a dicotomia

razão/emoção;

objetividade/subjetividade; real/imaginário.

f)Segundo Lipman, “o pensamento lógico só pode estimular-se no meio da atividade criativa e, inversamente, a criatividade pode ser despoletada pelo desenvolvimento da capacidade lógica” (idem, ibidem: 141)

Criatividade e Lógica devem avançar juntas, evitando a phantasia. Há situações em que Lipman reconhece que a fantasia e a invenção são bastante apropriadas, atribuindo-lhes, porém, uma função lógica e objetiva: estudar as falácias e ajudar as crianças a ter em conta situações não fácticas, isto é a ter plena inteligibilidade da distinção entre real/imaginário. (idem ,ibidem)130

129 As Teorias da Criatividade não se enquadram nesta visão de Lipman, pois sugerem a busca de relações não-lógicas; desviantes; transgressoras; fantásticas; inversosímeis, que só a imaginação, a poesia e as artes permitem estabelecer.

130 Também nesta dimensão, as propostas de Prado Diez não se reduzem às questões da lógica e os factos. Propõe, efetivamente, um mergulho nos domínios do fantástico e do alógico, nos domínios da categorização do imagético e vivencial.

Análise comparativa

David Prado Diez Mathew Lipman

Criatividade e Linguagem: Princípios Lógicos:

Superação do Princípio da não contradição; Dialética entre o que é (forma matéria, componentes) e o que não é.

Criatividade e Linguagem: Princípios Lógicos:

Princípio da não contradição; Princípio da identidade. Princípio do 3º excluído.

2. Princípio da existência ativa, evolutiva, funcional e contextual

2.Princípio da existência ativa, evolutiva, funcional e contextual

As ações a desenvolver no contexto de aplicação das metodologias.

As mudanças expectáveis.

Transmutação do lugar e do contexto.

As ações a desenvolver: definição de regra, leitura partilhada, participação de todos, discussão de ideias.

Adaptação ao contexto.

3. Princípio da Totalidade: 3.Princípio da Totalidade:

Relação entre o todo e as partes; o completo; o incompleto.

Sinomia e antinomia.

Extensão e compreensão dos conceitos; A relação da parte com o todo

Sinomia; antinomia;

4. Princípio de ordenação causal 4.Princípio de ordenação causal

O estabelecimento de nexos de causa/efeito A compreensão das causas; antecipação das consequências.

O estabelecimento de nexos de causa/efeito: As implicações lógicas entre antes de… e depois de…

Quadro nº 8: Análise comparativa das metodologias aplicadas de Mathew Lipman e David Prado Diez.

Antecipação de consequências 5. Princípio de agrupamento e pertença, segundo

categorias:

5.Princípio de agrupamento e pertença, segundo categorias:

O indíviduo/ o conjunto; a totalidade. A comunidade (o indivíduo, com um pensamento próprio integrado num grupo); A diferença individual como marca categorizadora da igualdade essencial dos seres e das espécies.

O igual/ o desigual

CAPÍTULO VII

Ninguém de nós, na verdade, tinha força de fonte. Ninguém era início de nada. 131

“Unos trescientos o cuatrocientos metros de la Pirámide me incliné, tomé un puñado de arena, lo dejé caer silenciosamente un poco más lejos y dije en voz baja: Estoy modificando el Sahara(..)”

Jorge Luiz Borges132

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