5.2 Obligatorisk kurs: 40-timers HMS-kurs
5.2.2 Motivasjon i forkant av kursdeltakelse
Na dimensão acidentes provocatórios, encontramos duas causas distintas para o entendimento do problema. A visão por parte dos entrevistados aponta num sentido de
concordância, no que se refere a que as lombalgias podem decorrer de bases fisiológicas e/ou psicológicas.
«… Ainda jovem, com sensivelmente doze anos, passei uma fase complicada por causa de um problema que tive, que não foi de saúde, e devido a isso fiquei de tal maneira que simplesmente não conseguia fazer movimentos de costas!» (e.g., participante 1, p. 2).
«… caí e fiquei toda enrolada no fundo da cama e o “gajo” ainda me diz “espere ai um bocadinho para eu tirar o casaco primeiro para a ajudar”. Depois ele levantou-me de maneira incorrecta, quer-se dizer, eu estou de cabeça completamente torta, toda enrolada de pernas e costas, e eu digo…”isto está bonito está”. Depois de tirar o casaco, diz ele “eu não posso fazer muito esforço, porque eu tenho uma hérnia discal na zona lombar”.» (e.g., participante 2, p. 10).
«… Eu sofri de uma queda no ano de 1991 que originou uma hérnia discal aos meus 49 anos.» (e.g., participante 3, p. 10).
«… Como disse na outra entrevista, sofri um acidente de mota fez em outubro um ano, mas as lombalgias não têm nada a ver com o acidente.» (e.g., participante 4, p. 28).
Os relatos dos sujeitos referem que a origem do problema deriva de ocorrências físicas, tais como acidentes, traumatismos, quedas, entre outros, assim como também de desordens ou de traumas de índole psicológica e/ou situações de tormenta mental, que consideram variáveis como a preocupação, a perturbação, o stresse e a ansiedade.
«… Na verdade, foram duas vezes que ele me violou… sim, porque eu ainda era tão nova e nem sabia o que ele iria fazer, quanto mais saber o que estávamos a fazer.» (e.g., participante 1, p. 3).
«… no fundo da minha cama, entre uma parede e o armário, de marcha atrás, a cadeira de rodas prende- se, caí e fiquei toda enrolada no fundo da cama.» (e.g., participante 2, p. 10).
«… Andava tão agitada e perturbada com determinadas situações que nem sempre tinha cuidado onde colocava os pés, até que, um dia, escorreguei, bati com as costas no chão e assim se deu esta hérnia, mas também sei que as tensões físicas que já lá se encontravam ajudaram muito a angariar este problema. Poderemos ainda questionar, porque ficamos sem saber, se a hérnia já se encontrava nas minhas costas antes da queda ou se foi devido ao trambolhão que dei, que a originou.» (e.g., participante 3, p. 19).
«… O stresse e estar ansioso é o que me bloqueia sempre aqui estas zonas. Cada pessoa tem a sua fadiga, mas para mim é o pescoço e a lombar. Quando começo a ficar com o pescoço e a lombar muito duros é o problema, fico logo sem me mexer e não aguento muito tempo sem ter que parar de realizar o que estou a fazer. Sinto-me logo incapacitado. É uma grande chatice.» (e.g., participante 4, p. 38).
Na recorrência da dor lombar, quase sempre salientaram as bases fisiológicas; porém, o cerne dessa repetição pode ter ocorrido do recalcamento emocional derivado do episódio traumatizante que foi determinante na origem do problema. A retração muscular, a tensão física
generalizada, o confronto com determinadas situações potenciadoras de alterações dos estados emocionais e o impedimento da superação da situação originadora da recorrência da dor leva a que, face a isto, assumam que provoca agravamento da lombalgia originando a sua repetência.
«… Na altura melhorei, mas voltei a ter mais dois ou três episódios parecidos durante a minha vida.»
(e.g., participante 1, p. 2).
«… Nunca tinha tido problemas disso. A partir daí, comecei a ter dores aqui na lombar e pronto. Comecei a ter dores e depois começou uma moinha e depois começou aqui a parte muscular a doer praticamente todos os dias.» (e.g., participante 2, p. 10).
«… Hoje em dia esta parte está dorida, está frágil, portanto eu sei que tenho uma base fisiológica de dor muito forte há mais de 24 anos.» (e.g., participante 3, p. 19).
«… dou por mim quase sempre tenso, duro faz um ano e devido a tudo isto todas as dores aumentam.»
(e.g., participante 4, p. 36).
Regra geral, os sujeitos apresentam, com conexão do problema, a possibilidade de uma representação da doença mais negativa, atribuindo a causalidade do controlo da sua dor ao acontecimento e, desta forma, apresentam menor controlo interno ou pessoal, assumindo mais sofrimento físico e emocional.
«… Desde essa altura, sempre que vejo determinadas coisas que me remetem para o passado longínquo, fico toda crispada, com tanta tensão como aquelas que surgiram nos dias depois daqueles acontecimentos. As tensões corporais advém desses pensamentos quase sempre.» (e.g., participante 1, p. 3).
«… Resultado, eu comecei a ter dores onde não era costume, fui fazer uma TAC e uma RM e só tinha arranjado 3 hérnias discais na zona lombar com essa brincadeira de ele me ter deixado muito tempo da mesma maneira e me ter levantado muito mal.» (e.g., participante 2, p. 10).
«… mas também psicológica. Claro que a dor não é nada ajudada por todos os acontecimentos difíceis e dolorosos da minha existência, que só tem feito é piorar.» (e.g., participante 3, p. 20).
«… só de pensar na seguradora.» (e.g., participante 4, p. 36).
Os sentimentos e as sensações que estes indivíduos relataram, apesar de os desfechos residirem quase sempre com a dor física, todos eles manifestaram sérias implicações de caráter emocional nas suas vidas pessoais diárias e ininterruptamente. As crenças emocionais negativas mais alegadas foram categoricamente: culpa, medo, ansiedade, sofrimento, incapacidade, frustração, raiva, angústia e revolta.
«… Sabe, durante muitos anos me culpei daquilo, pensei sempre que a culpada tinha sido eu, por ser alegre, divertida, espontânea, sei lá tanta coisa… e acabei por provocar-lhe determinadas sensações e ideias que depois acabaram por se concretizar.» (e.g., participante 1, p. 3).
dores e a rigidez para a anca e para os braços. Depois tenho imensa dificuldade em mexer-me.» (e.g., participante 2, p. 13).
«… Sinto-me que fico mesmo um pau. Depois complica-me com a cabeça e com a minha ansiedade. O que queria mesmo era poder sair de casa. Sempre fui uma mulher de fazer muitas coisas, de nunca estar parada e quieta. Agora quero fazer as coisas e não as posso fazer. Tento fazer mas… nem sempre consigo. Depois fico ansiosa por ter coisas para fazer, tenho que fazer e… viver sozinha neste estado não é nada fácil! Só queria sair daqui para fora.» (e.g., participante 2, p. 13).
«… porque desde a morte do meu filho aos seus 18 anos que não deixo de sofrer, sofrer... sofrer!» (e.g., participante 3, p. 20).
«… Mas o que ultrapassa a dor ultimamente é a angústia… é a angústia sobre a qual eu não tenho poder nenhum, que está cá. É a faca que está cá espetada no meu peito, não tenho acesso ao cabo… não posso tirá-la.»
(e.g., participante 3, p. 23).
«… sinto-me tão triste com tudo o que está a acontecer, tudo por causa de um acidente. Eu bem tento abstrair-me disto tudo, porque estou a dar cabo de mim desta maneira. Tento não pensar muito nas coisas… mas elas atormentam-me de tal forma que pareço uma libelinha numa tempestade. Quem sou eu agora? Nunca fui assim, malditas dores de costas! Maldito acidente! Aquele bandido do condutor nem sabe quem eu sou e nem sequer tem a ideia do que me fez à minha vida e à minha família.» (e.g., participante 4, p. 34).