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5. Helselovgivningen

5.5 Varsling 29

Olhando para a relação que os nossos entrevistados têm com o país de origem, nota-se que todos eles conservam uma relação regular e de proximidade com Angola. Relatam que, para além de estarem atentos à realidade do país que os viu nascer, de igual maneira têm comunicado com a família (pai, mãe, irmãos, primos) e amigos. Os entrevistados dizem mesmo que o contacto com o país de origem é permanente, assegurando:

“Mantenho contacto com a família com os amigos e eu digo sempre que não devemos esquecer as nossas origens, a nossa história, se a gente esquecer a nossa história ficamos sem identidade e se perdemos a nossa identidade somos um povo sem futuro; mantenho contacto muito forte e inclusive o facto de estar a trabalhar na Associação de Estudantes no Porto, é mais para fortalecer este vínculo com o país, com a comunidade, não estou em Angola, estou cá em Portugal, mas entretanto procuro sempre ajudar o país no que eu puder” (E5).

“Todos os dias falo com alguém de Angola, ainda que não sejam familiares, e várias vezes, cinco vezes por semana estou sempre em contacto com os meus irmãos por causa da família alargada, se não estou a falar com um, estou a falar com o outro, por isso o contacto é constante” (E11).

“Contacto físico eu não tenho com Angola por causa da impossibilidade económica (…) o contacto que eu tenho com Angola é mais por motivo dos laços que eu tenho com os meus pais do que o sentido da terra e das qualidades que aquilo tem e que me possa fazer conscientemente pensar em voltar” (E17).

“Mantenho contacto, acho que constantemente, todos os dias, quer seja diretamente, quer seja indiretamente, diretamente por intermédio de pessoas que vivem lá, que neste caso são os meus familiares” (E20).

Nesta perspetiva, e de acordo com os dados recolhidos, conclui-se que os emigrantes angolanos estabelecem uma relação de vizinhança com o país de origem. Na visão de alguns entrevistados o vínculo com Angola mostra-se importante no sentido de garantir as condições de retorno e de igual forma assegurar uma boa reintegração no país, particularmente no sistema de emprego. Esta ideia é mencionada por dois interlocutores (E23 e E25) quando afirmam:

“Mantenho contacto através da Associação de Estudantes Angolanos, é uma forma de manter contacto com o país, pronto, se estamos na Associação de Estudantes é porque temos aquele instinto patriota, e com familiares e amigos estou sempre a falar; tenho mantido o contacto de modo a que, quando tiver que voltar tenho sempre um suporte ali e aqui” (E23).

“Eu vou normalmente a Angola duas vezes por ano no mínimo e tenho familiares lá, então uma pessoa tem de estar sempre em contacto de um jeito ou de outro [sorrisos] (…) pretendo trabalhar em Angola, então, não tenho como cortar completamente o contacto, porque será muito difícil a minha reintegração” (E25)

Estas posições dos entrevistados vão ao encontro daquilo que é defendido por Delicado, que assevera que a “estadia prolongada no estrangeiro pode levar à quebra das redes locais, frequentemente determinantes para identificar oportunidades de emprego e obter uma posição após o retorno” (Delicado, 2010, cit. em Araújo, Fontes & Bento, 2013: 103). Na mesma linha de raciocínio, Massey (cit. em Faria, 2012: 41) diz que “as redes migratórias podem ser vistas como complexos de laços interpessoais que ligam migrantes, migrantes retornados e não migrantes nos países de origem e de destino, por meio de vínculos de parentesco, amizade e afetividade”. Para muitos emigrantes angolanos, os contactos que estabelecem e as conversas que vão tendo com os familiares e amigos que se encontram em Angola, servem muitas vezes como barómetro da realidade socioeconómica e política do país, ou seja, é mediante a conversa que vão adquirindo informação acerca do país e que vai se construindo uma imagem do país. Logo, estas imagens ou

ideias constituídas vão influenciar bastante no que diz respeito às perspetivas para o regresso ao país de origem, ou para a sua manutenção no país de acolhimento.

5.5.1. Meios de contacto

Dos 26 emigrantes qualificados entrevistados, verifica-se que grande parte dos interlocutores se serve das “redes sociais” para entrar em contacto com Angola (apenas um entrevistado não faz referência a redes sociais). As redes sociais que usam com mais frequência são o WhatsApp e o Facebook.

Para além das redes sociais, há relatos de indivíduos (E2, E4, E6, E13, E15, E19, E24) que utilizam as chamadas tradicionais para entrar em contacto com o país de origem. De igual modo, há registo de emigrantes que, para além de utilizarem as redes sociais, também usam os meios de comunicação social mais tradicionais, especificamente a TPA (Televisão Pública de Angola), jornais e alguns portais online para interagirem com o país. Concretamente, os emigrantes narram o seguinte:

“Os maiores recursos que eu utilizo para contactar os meus familiares são as plataformas que a internet nos proporciona, como por exemplo: temos WhatsApp, temos o Facebook” (E1).

“Vejo o Jornal de Angola (TPA) a partir da internet, yeah, hoje em dia a internet também veio facilitar isso; (…) Chamada normal dificilmente, uma vez ou outra no ano acontece com o meu pai, que não domina bem as redes socias” (E4).

“Por telefone ou pelas redes sociais; em casa de tenho a televisão angolana” (E6). “Geralmente falo com a minha família via Skype e WhatsApp” (E7).

“Videochamadas ou mensagens pelas redes sociais (WhatsApp)” (E10).

“Videochamada; Uso para contactar com eles as redes sociais, principalmente o WhatsApp, Facebook nem tanto, é mais WhatsApp” (E11).

“Redes sociais, Facebook, WhatsApp (…) comprámos o Likemobile para podermos falar diretamente por um curto tempo com os nossos familiares e amigos e dizer que a vida aqui em Portugal não é assim tão difícil, mas também não tão fácil” (E13).

“Por intermédio das redes sociais, tenho obtido informações a partir de jornais, portais que escrevem notícias de Angola” (E20).

“As redes sociais vieram facilitar muito as comunicações para qualquer indivíduo, mas também continuo a usar as comunicações tradicionais para ouvir a voz embora que no Facebook e no WhatsApp também se pode, mas a qualidade não é a mesma coisa e então às vezes utilizo mesmo ligações tradicionais” (E24).

Os meios de contacto mais comuns que os emigrantes utilizam para interagir com o país de origem são, como seria de esperar, as novas plataformas virtuais, as chamadas “redes sociais”. Os entrevistados sentem-se mais confortáveis usando estes meios, porque desta forma conseguem ouvir e ver as pessoas com quem falam, além de ser a forma mais fácil e económica para se comunicar com o país de origem. Em suma, estas novas tecnologias têm-se mostrado fundamentais na vida destas pessoas, quer em termos de minimização das saudades do país de origem, quer no sentido de estarem sempre dentro dos assuntos sociais, económicos e políticos que envolvem o país. Por outro lado, muitas das vezes estas redes sociais apresentam-se como uma ferramenta impulsionadora de migração, no sentido em que os indivíduos que estão fora do país vão publicando vídeos e fotografias nas redes sociais, dos lugares onde se encontram, atraindo desta forma a atenção dos indivíduos que residem no país de origem (Angola) e, consequentemente, os mesmos começam a encarar a possibilidade de viverem e melhorarem as suas condições de vida indo para esses países. Entretanto, “as redes sociais contribuem para aumentar a emigração, começando a exercer a sua ação a partir de um certo limiar de desenvolvimento do país de origem” (Massey, 1993 cit. em Gonçalves, 2009: 22).

As múltiplas relações familiares, sociais, culturais, religiosas e políticas, mantidas pelos emigrantes angolanos demostram muito bem como o “nacionalismo” está a perder o esplendor, dando lugar ao transnacionalismo, ou seja, muitos angolanos estabelecem inúmeras relações com dois ou mais países. Para Castles (2005), este fenómeno é influenciado pela globalização e pode ser entendido como um fragmento de um procedimento, que reforça a integração global e muda a perceção do espaço e do tempo. O fluxo migratório, bem como as múltiplas relações que advêm dele, para além de estarem alicerçados em teses tecnológicas (melhoramento dos transportes, comunicação eletrónica em tempo real e de fácil acesso), são sustentáculos concretos da globalização. Maioritariamente, trata-se de questões sociais e culturais, ou melhor, a globalização está estreitamente associada a alterações nas estruturas e nas relações sociais e a alterações nos valores culturais relacionados com o lugar, com a mobilidade e a pertença (Castles, 2005: 78). Partilham da mesma ideia Ravenstein e Lee, ou seja, num dos pontos da “lei de migração” elaborada por eles, afirmam que “o desenvolvimento dos meios de transporte e a expansão da

indústria e do comércio induzem ao aumento dos fluxos migratórios” (Ravenstein & Lee, cit. em Gonçalves, 2009: 9).