2. Betydningen av et godt arbeidsmiljø
3.7 Arbeidstid 25
No que diz respeito às perspetivas para o futuro, particularmente sobre se esperam regressar ao país de origem, a grande maioria dos entrevistados afirma tencionar regressar a Angola. Dos 26 entrevistados, 15 têm intenção de regressar definitivamente a Angola e 9 tencionam permanecer no país de acolhimento. Por outro lado, importa realçar que, devido à situação de incerteza vivida pelo país de origem, nomeadamente a instabilidade socioeconómica, há ainda 2 entrevistados que dizem não saber ainda se vão regressar. O gráfico n.º 4 mostra a distribuição, em percentagem, das intenções de regresso ao país de origem.
Nas palavras dos entrevistados, os principais fatores incentivadores do regresso ao país de origem são: a vontade de contribuir para o desenvolvimento do país, as motivações familiares e a possibilidade de terem um emprego na área de formação. Sobre isto, alguns entrevistados acreditam que têm mais possibilidade de trabalhar na área de formação no país de origem do que no país de destino, para além de a remuneração ser melhor em Angola. Em contrapartida, as motivações do não regresso a Angola mencionadas foram a precariedade na área social em Angola, nomeadamente a instabilidade no sistema de saúde, a desvalorização de quadros, a falta de enquadramento dos recém-diplomados no sistema de emprego e, por último, o facto de estarem a viver no país de acolhimento melhor do que viviam antes no país de partida.
Gráfico n.º 4: Intenção de regresso definitivo dos entrevistados ao país de origem
Fonte: Entrevistas realizadas
Das várias entrevistas, selecionámos os seguintes excertos:
“Amo a nação, eu observo-me como um indivíduo que está somente fora do país para melhorar alguns aspetos pessoas e profissionais, mas com certeza, eu volto para Angola e este é um dos meus maiores desejos, maior sonho, voltar para o meu país, poder contribuir com aquilo que for necessário para ajudar no desenvolvimento do país, no desenvolvimento do capital humano, desenvolvimento da economia e outros setores de atividade da nação” (E1).
“Eu estou um bocadinho confusa em regressar! Eu pensei em regressar, mas algumas pessoas lá dizem que as coisas lá não estão muito bem, se calhar não seria boa opção (…) se calhar é melhor emigrar para um outro país como por exemplo: Inglaterra ou Holanda. Em Londres precisam muito de pessoal da nossa área, tu encontras trabalho com facilidade; estou nesta indecisão (…) Então o que me adianta regressar para um país para ir trabalhar no hospital que não tem aparelhos para utilizar?” (E2).
“Mas neste momento se me disserem para voltar não volto, não volto; ganho o salário mínimo, mas com esse salário mínimo consigo pagar as minha contas todas, consigo sobreviver neste país. Só com o meu salário consigo sobreviver, e se for para Angola acho que o país não me vai oferecer isso (...) não gostava de voltar a ter vida que eu tive no passado” (E3).
“Sim pretendo regressar para Angola, porque primeiro, porque aqui a minha profissão já é uma profissão muito explorada, já tem muitos médicos dentistas em Portugal e eu não quero ser mais só uma no meio desta multidão toda. A profissão que eu tenho em Angola terá mais proveito e conseguirei ajudar mais pessoas, pronto” (E25).
“Nos primeiros anos quando cá estive a ideia era ‘logo que terminar voltar logo’ (…). Mas a formação daqui é tão boa e tens a oportunidade de trabalhar em qualquer parte do mundo, isso já começa a pesar na balança. Mas eu penso mais no sentido de ganhar experiências. Por exemplo agora tenho a ideia de ir para
Intenção de Regresso 58% Indecisos em Regressar 8% Intenção de Permanência 34%
a Noruega (…) Esses dois coeficientes, a condição social do meu país, e a oportunidade de poder trabalhar noutros mercados mais atrativos, mete-se reticências em regressar já” (E4).
“Regressaria para Angola se as condições do país estivessem boas, eu prefiro estar aqui e trabalhar e mandar rendimentos para lá para construir alguma coisa que faça crescer Angola, mas morar lá não me vejo, porque a qualidade de vida lá está muito péssima” (E17).
As respostas dos entrevistados retratam a fuga de cérebros em Angola, ainda que não a nossa amostra não seja muito grande. De acordo com Araújo (2013: 63), “a saída de pessoas e, sobretudo, de profissionais de um país para outro, pode confirmar na realidade situações de perda, desde que o país de onde saem oferece poucas ou cada vez menos soluções de vida”. Esta fuga regista-se essencialmente nos estudantes que procuram uma formação qualificada no estrangeiro e que, na maioria das vezes, acabam por não retornar ao país de origem.
A inexistência de políticas de enquadramento de profissionais qualificados tem sido o fator primordial do não regresso, conforme comprova um dos entrevistados:
Tem um fator que me preocupa, eu acho que todo o mundo que estuda principalmente cá na diáspora tem esse pensamento que é a política de enquadramento dos novos formados que ainda não existe porque o nosso mercado pede um certo tempo de experiência que nos impossibilita, nós que estamos a nos formar agora (...) mas para quem está num país que tem mais possibilidade para os estrangeiros eu acho que as pessoas optam por ficar, porque eles acabam por se enquadrar no mercado e conseguem fazer a vida” (E20).
Apesar de estar a aumentar o número de quadros em Angola, a verdade é que o país não possui nenhuma política de integração estabelecida para estes quadros. Um estudo realizado por Marfouk e Abedesm (2007, cit. em Có, 2011: 139) refere que “apesar do volume de quadros altamente qualificados de alguns países africanos, a taxa de integração profissional – que testemunha a relação positiva, entre a formação e o enquadramento socioprofissional – de alguns países, incluindo os PALOP, é muito baixa, caso de São Tomé (18%), Moçambique (18%), Angola (17%), Cabo Verde (15%), Guiné Bissau (14%), Argélia (14%), Marrocos (13%), Camarões (13%), Mali (11%)”. Esta realidade infelizmente sucede até ao momento, pois a maioria dos países africanos não têm políticas e estratégias de enquadramento profissional e, em contrapartida, os países desenvolvidos continuam com políticas de atração de emigrantes. Esta realidade mostra-se como uma das grandes ameaças para o desenvolvimento do continente africano, particularmente para Angola, que vê cada ano que passa grande parte dos seus capitais humanos a optar por não regressar ao país. Isto vai ao encontro daquilo que é defendido por Stalker quando aponta como
outras causas do incentivo da fuga de cérebros o recrutamento atrativo dos países do centro (desenvolvidos). O país de partida desaproveita os seus quadros altamente qualificados, ainda que anteriormente tenham feito investimentos na sua formação académica e profissional. Desta forma, os efeitos da “fuga de cérebros” são claramente visíveis nos países em desenvolvimento, como é o caso de Angola (Stalker, 2008, cit. em Patrício, 2015).
A perda não diz respeito somente a capital humano, no sentido demográfico, mas também precisamente a capitais educacionais. Este entendimento revela-se fundamental no sentido em que os cidadãos que abandonam o país são altamente qualificados e também tendo em conta que o país de origem investiu muito na sua formação, com o intuito de prepará-los para darem retorno a esse mesmo Estado, desempenhando um trabalho de elevado valor que possa alavancar o desenvolvimento do país (Araújo, Fonte, Bento, 2013). Em suma, olhando para esta pesquisa, fica-se com a ideia de que a saída de quadros angolanos do país tem prejudicado o país e beneficiado os países de acolhimento. As remessas, como vimos, são escassas e não permitem defender que elas exercem um papel preponderante no desenvolvimento do país. Estes quadros que se encontram no estrangeiro, uma vez que muitos deles não desenvolvem atividade nas suas áreas de formação, poderiam revelar-se importantes para Angola, se pudessem ali ter atividade nas suas áreas de formação – saúde, educação, engenharia e outras, para deste modo Angola depender menos da “importação” de profissionais estrangeiros.