Após a recolha de dados, procedemos à sua análise e tratamento, de forma a desenvolver o tema deste estudo: a Formação Ético-Deontológica dos Educadores de Infância em Formação Inicial.
Para tal, utilizámos a análise de conteúdo, definida por Berelson, (1952) cit. in Bardin. L, 2006:16) como:
“…uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação”.
Esta definição reflecte o paradigma positivista, assente essencialmente na objectividade e quantificação, que norteava a investigação nos anos 50 e 60.
No entanto, conforme salienta Esteves (2006), naquela mesma época já se fazia eco da perspectiva qualitativa da análise de dados, e como tal, a análise de conteúdo, para além da descrição, passou a contemplar a inferência. Esta é, de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea - Academia das Ciências de Lisboa (2001), considerada uma operação lógica, da qual se tira uma conclusão, a partir de várias proposições tidas como verdadeiras.
Nesta medida, e perante um determinado texto, o analista através da descrição, enumera as características da mensagem, estabelece as inferências e como resultado final, apresenta a sua interpretação e explicação de fenómenos implícitos e explícitos na comunicação.
Actualmente, tal como refere Bardin (2006:37), a definição de análise de conteúdo, já não a resume a uma técnica mas a “…um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a
inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/ recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.”
Esta concepção de análise de conteúdo parece-nos mais aberta, na medida em que, sem abandonar as suas características iniciais, admite um conjunto de técnicas, o recurso à quantificação, procurando extrair com rigor, a informação contida de forma patente e latente, nas mensagens.
Na continuação do nosso trabalho, e posteriormente à realização das entrevistas, procedemos à transcrição integral das gravações, dando origem aos protocolos das seis entrevistas, designadas em anexo por A / B/ M/ R/ L/ P.
Estas foram na fase seguinte, objecto de uma “leitura flutuante”, definida por Bardin (2006:90) como “ …estabelecer o contacto com os documentos a analisar e em conhecer o texto, deixando-se invadir por impressões e orientações”. Tal tarefa permitiu - nos aferir as ideias consideradas relevantes para o nosso estudo.
Deste modo, demos início á análise de conteúdo, como técnica por nós privilegiada, para a descrição e tratamento dos dados recolhidos.
Assim, primeiramente procedemos á leitura das entrevistas feitas aos professores de ética, seguida da categorização de cada uma delas. Posteriormente, procedemos de igual modo em relação às entrevistas das alunas.
5.1.1. Categorização
Seguindo a linha de pensamento de Esteves (2006:109) a categorização pode ser definida em termos gerais como “ (…) a operação através da qual os dados (…) são classificados e reduzidos, após terem sido identificados como pertinentes, de forma a reconfigurar o material ao serviço de determinados objectivos da investigação.”
No caso do presente estudo, a categorização baseia-se no procedimento aberto ou exploratório, que consiste em organizar em grupos, os dados obtidos das entrevistas, considerados pertinentes em função dos objectivos que se pretendem alcançar com a investigação.
Deste modo, através de um processo indutivo, os dados empíricos, são agrupados, de acordo com uma classificação que se ajuste ao conteúdo dos mesmos.
A categorização baseada no procedimento aberto, é passível de remodelação até que toda a informação considerada pertinente, seja devidamente absorvida pelas categorias a que corresponde. (Esteves, 2006)
Segundo L. Bardin (2006) as categorias apresentam determinadas características específicas, a saber:
- A exclusão mútua – implica que cada uma das categorias apenas pode incluir conteúdos que não se repetem em nenhuma das restantes;
- A homogeneidade – pressupõe que na definição das categorias, citando Bardin (2006:113) “ Um único princípio de classificação deve governar a sua organização”
De acordo com Esteves (2006:122), esta coerência de critérios permite que “…a categorização se torne legível como um todo.”
- A pertinência – considera-se que uma categoria é pertinente quando se adapta ao material de análise escolhido e se relaciona com o quadro teórico, devendo igualmente corresponder às questões da investigação.
- A objectividade e a fidelidade – significam que, de acordo com Bardin, (2006:114). “As diferentes partes de um mesmo material, ao qual se aplica a mesma grelha categorial, devem ser codificadas da mesma maneira, mesmo quando submetidas a várias análises”.
Nesta medida, uma determinada unidade de registo apenas deve constar de uma dada categoria, independentemente de quem faz a sua codificação.
Por este motivo, Bardin alerta para a importância de uma definição clara das categorias para evitar distorções advindas da subjectividade dos codificadores.
- A produtividade – resulta do facto do conjunto de categorias definidas produzir resultados férteis, ao nível dos índices de inferências, das hipóteses novas e de dados exactos.
- A exaustividade – citando Esteves (2006:122) “…significa que a categorização permite acolher todas a s unidades de registo pertinentes para o objecto de pesquisa, sem excepção, e que todas essas unidades foram efectivamente codificadas”.
Esta característica contribui para uma análise profunda do material que se pretende trabalhar.
Atendendo a estas características, prosseguimos o nosso estudo, definindo as unidades de registo que, de acordo com Esteves, (2006:116) consistem no “… elemento de significação a codificar…”, ou seja, a integrar uma determinada categoria.
No presente estudo, as unidades de registo são de natureza semântica ou temática, porque têm em conta o significado da palavra ou palavras da mensagem.
Após a definição das unidades de registo, procedemos à sua inserção nas categorias. Em função do discurso apresentado nas entrevistas, foram ainda criadas subcategorias, para melhor explicitar o material recolhido, relacionado com os objectivos do estudo.
Este trabalho consta dos anexos D1 e D2, relativos à análise de conteúdo das entrevistas dos professores, e dos anexos G1, G2, G3 e G4, no caso da análise de conteúdo das entrevistas dos formandos.
Posteriormente, procedemos á elaboração de quadros síntese, com a definição de categorias, subcategorias e indicadores. Estes, como afirma Esteves, (2006:116) “…representam inferências do investigador a partir das unidades de registo que tem perante si, mas são inferências ainda muito próximas do conteúdo manifesto das comunicações”.
Os quadros supracitados referem-se à análise conjunta das entrevistas de professores e constam do anexo E.
Precedemos de igual modo com as entrevistas dos formandos, que constam do anexo H.